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Description botanique et répartition géographique de la mangue

Partie II : SYNTHESE BIBLIOGRAPHIQUE

2.1. GENERALITE SUR L’ANANAS ET SUR LA MANGUE

2.1.2. Description botanique et répartition géographique de la mangue

O primeiro ponto a se considerar é o significado do termo “desenvolvimento”. Durante muito tempo, conforme discute Azanha (2002), esse foi tomado como sinônimo do grau de industrialização alcançado por uma sociedade. Foi ainda associado à ideia de avanço tecnológico, e, dessa maneira, conotou e definiu o processo de transformação do ambiente natural com a finalidade de gerar riquezas materiais, ao mesmo tempo em que as impôs como “necessidades”.

Essa concepção de desenvolvimento tornou-se dominante e redefiniu a noção de “progresso”, bem como a de países atrasados ou pobres e países modernos ou ricos, tendo como medida o nível de industrialização por eles alcançados (AZANHA, 2002; RIBEIRO, 1992). Essa noção foi considerada reducionista, de acordo com Azanha (2002), e, portanto, bastante criticada, sobretudo por economistas e sociólogos nos anos de 1970 e 1980. Tal discussão reconduziu a qualificação do termo, surgindo novas denominações, como “desenvolvimento dependente” e “desenvolvimento sustentável”.

Na verdade, o termo “desenvolvimento”, segundo Martinussen (1997), passou a ser amplamente usado a partir da Segunda Guerra Mundial. Várias concepções de desenvolvimento apareceram, em especial a partir da segunda metade dos anos de 1940 e começo dos anos de 1950, todas associadas ao estabelecimento de uma nova ordem

econômica internacional e à política externa americana de “ajuda” aos países da Europa devastados pela Guerra. Com o término da Segunda Guerra Mundial, o “desenvolvimento”, como algo positivo, encontrou seu foco no crescimento econômico dos países industrializados.

Nesse contexto, a situação socioeconômica vivenciada por países da África, Ásia e América Latina foi percebida como resultado da falta de desenvolvimento, ou subdesenvolvimento. Nesse aspecto, o desenvolvimento foi percebido como um “processo de mudança” que os países do chamado “Terceiro Mundo” deveriam desencadear a fim de que suas condições se assemelhassem às prevalecidas nos EUA e nos países industrializados da Europa Ocidental. Essa concepção, de acordo com Martinussen (1997), não representou um consenso acerca do “desenvolvimento”, uma vez que em uma pesquisa realizada nos anos 80 havia 72 significados diferentes registrados para o termo.

De acordo com Hurtienne (1989), a modernização e as teorias do crescimento generalizaram a experiência positiva da rápida reconstrução das economias europeias depois da guerra. Isso constituiu-se, por conseguinte, em um modelo de desenvolvimento para o Terceiro Mundo. Acreditou-se que o sucesso obtido na Europa Ocidental pudesse também ser alcançado nos países do Terceiro Mundo.

Pela metade dos anos de 1960, de acordo com Hurtienne (1989), esse modelo de desenvolvimento, baseado na imitação da modernização da Europa Ocidental e na estruturação de um sistema democrático populista, entrou em profunda crise. Contudo, a partir desse período, vivenciaram-se duas situações: primeiro, deu-se continuidade ao desenvolvimento das políticas de modernização pelos governos militares, e; segundo, radicalizou-se o pensamento acerca do desenvolvimento pensado na América Latina, estabelecendo a sua crítica por meio do que se convencionou chamar de teoria da dependência11.

Na perspectiva de Banerjee (2003), as estratégias de desenvolvimento no Terceiro mundo produziram somente subdesenvolvimento, endividamento e exploração. As populações indígenas foram duramente afetadas. Elas foram classificadas como vivendo de economias de subsistência, necessitando se desenvolver para atingir padrões de vida aceitáveis. Essa perspectiva de desenvolvimento usurpou dos povos de diferentes culturas a oportunidade de definir as formas de sua vida social, pois, como se sabe, e também criticou

Ribeiro (1992), a História do capitalismo é sinônima a desrespeito às formas de relacionamentos sociais, políticos, econômicos e culturais das populações nativas.

A concepção de que as sociedades latino-americanas pertenciam a um tipo estrutural denominado “sociedade tradicional” e que se estava realizado a passagem para outro tipo de sociedade chamada “moderna”, caracterizada pelo estágio dos “países em desenvolvimento” (CARDOSO; FALETTO, 1970), ainda que reducionista e pouco explicativa, influenciou no tratamento da questão indígena. Nesse caso, em especial, o que foi identificado como tradição ou tradicional foi também automaticamente discriminado como inferior (SIMONIAN, 2005). Assim, os povos indígenas foram alvo de políticas públicas paternalizantes, que em pouco respeitaram seus modos de vida e suas manifestações socioculturais; considerados como fadados ao desaparecimento, deveriam ser “integrados” à “moderna” sociedade envolvente.

A análise que se pode fazer desse modelo de desenvolvimento é que , em nível global, só serviu para solidificar a relação de dependência histórica dos países periféricos em relação aos países de centro do capitalismo e manter a hegemonia do capitalismo mundial sob o controle dos países ricos. Em nível local, entende-se que procurou manter a relação de dominação das elites brasileiras sob as menos favorecidas, sem direito à voz, como as minorias étnicas. Os povos indígenas, assim, na perspectiva de Baines (2004), encontravam-se e encontram-se inseridos em relações sociais desmedidamente desiguais com segmentos da sociedade nacional/global.

É preciso considerar também, nesta análise, que a concepção de desenvolvimento dominante privilegiou a esfera econômica e negligenciou aspectos como diversidade local, identidade e etnicidade, revelando a cultura, ou aspectos culturais, como uma “dimensão esquecida” nas teorias e práticas de desenvolvimento (TUCKER, 1997; VERHELST, 1990). Na visão de Tucker (1997), o desenvolvimento deve ser entendido como algo que transcende a simples transferência de processos econômicos, políticos e tecnológicos de uma parte do mundo chamada “desenvolvida” e outra parte do mundo chamada “subdesenvolvida”. O desenvolvimento a partir de uma perspectiva cultural deve considerar valores, ideias, crenças, visões de mundo e a localidade onde vivem determinadas populações humanas, bem como, o “significado” por eles atribuído ao desenvolvimento.

Na verdade, as teorias e práticas de desenvolvimento dominante têm falhado em considerar o “significado do desenvolvimento” atribuído pelas populações locais, levando populações indígenas a um processo simultâneo de destradicionalização (SIMONIAN, 2005) e ocidentalização (VIERTLER, 1999). Assim, populações indígenas abriram-se, espontaneamente ou forçosamente, às influencias “civilizatórias” para inserirem-se no mundo

do capitalismo selvagem, associado ao dinheiro, aos objetos industrializados e às técnicas do dominador branco (VIERTLER, 1999). Essa destradicionalização, entendida como a perda de certos caracteres culturais mediante a um processo intenso de mudança cultural de determinados grupos, tem se revelado uma das tragédias ocasionadas pelas políticas e práticas do desenvolvimento dominante.

Caso se queira olhar por outro prisma, pode-se dizer que a política de desenvolvimento do Pós-Segunda Guerra Mundial foi um verdadeiro sucesso. Meillassoux (1992) posiciona-se a respeito, mostrando que os objetivos econômicos das políticas de “ajuda” aos países subdesenvolvidos foram alcançados, afinal o desenvolvimento das grandes potências capitalistas atingiu o seu fim: manter os países do terceiro mundo a serviço do seu enriquecimento. É, na verdade, a partir da análise de Meillassoux que se deve olhar as políticas de desenvolvimento a partir da década de 1970, visto que, de modo geral, os condutores do “novo” modelo de desenvolvimento (que agora se diz sustentável) não questionaram o sistema econômico capitalista vigente, apenas buscaram aperfeiçoá-lo a partir de uma nova lógica.

O etnodesenvolvimento, nesse contexto, aparece como uma modalidade de desenvolvimento alternativo, considerando, conforme discute Oliveira (2000), a forma pela qual foi proposta como política recomendada pela “Reunião de Peritos sobre Etnodesenvolvimento e Etnocídio na América Latina”, realizada em San José da Costa Rica em 1981, sob os auspícios da UNESCO. Trata-se, na acepção do mesmo autor, de uma política que tem sido difundida, a partir de então, em diferentes partes do planeta, configurando uma espécie de solução para um processo de desenvolvimento que não colida com os interesses e os direitos de populações ou povos envolvidos em programas de mudança induzida.