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12.5-6 Examples Using Nucleus Communications Service Calls

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Agence France-Presse Reuters

Figura 34 – Matéria “Ataque com caminhão-bomba deixa quase 300 mortos na capital da Somália”

Fonte: El País. Disponível em

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/15/internacional/1508077129_570589.html. Acesso em 23. set. 2019.

Já a Al Jazeera reúne mais matérias do que informações de agências de notícia, o que pode ser explicado pela diversidade de gêneros jornalísticos trabalhados, sendo o único veículo a contemplar os três gêneros pontuados por essa pesquisa. É possível observar ainda que os dados de agências se concentram na porção factual da cobertura, nos primeiros dias após o ataque, pela instantaneidade imposta para a publicação das notícias versus o tempo hábil de checagem e ciclo de produção autoral de qualquer meio

de comunicação. Nesse sentido, as matérias opinativas (2) e interpretativa (1) do veículo árabe, bem como as quatro últimas publicações informativas, não recorreram às agências de notícia, ressaltando o apelo imperativo das publicações em tempo real em relação ao uso esse tipo de recurso.

Com base nesses pontos, fica nítida a reprodução indiscriminada do olhar de um número restrito de agências sobre o acontecimento terrorista e seus desdobramentos, contribuindo para a construção de uma narrativa jornalística enquadrada em moldes midiáticos preestabelecidos. Esse processo, arraigado em referências de acontecimentos passados, produz abordagens rígidas e repetitivas (KITZINGER, 2000). A penetração das informações da AFP na cobertura de todos os veículos estudados, por exemplo, evidencia a força do discurso homogêneo propagado não apenas por meio de informações exclusivas como também, de forma mais explícita, a partir de imagens recorrentemente monopolizadas por apenas uma agência de notícia, que acaba por pulverizar sua mensagem nos meios de comunicação ao redor do mundo. Na seleção de matérias encontradas abaixo, é possível observar a reprodução de uma mesma imagem creditada à AFP nos cinco veículos estudados.

Figura 35 – Matéria “Mogadishu blast: ‘We have never seen such devastation’”

Fonte: Al Jazeera. Disponível em https://www.aljazeera.com/news/2017/10/mogadishu-blast- devastation-171015095133460.html. Acesso em 23. set. 2019.

Figura 36 – Matéria “Somalia: At least 230 dead in Mogadishu blast”

Figura 37 – Matéria “Ataque com caminhão-bomba deixa quase 300 mortos na capital da Somália”

Fonte: El País. Disponível em

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/10/15/internacional/1508077129_570589.html. Acesso em 23. set. 2019.

Figura 38 – Matéria “Ataque mostra que estabilidade na Somália era ilusória”

Fonte: Folha de S.Paulo. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/10/1927313- atentado-terrorista-mostra-que-estabilidade-na-somalia-era-ilusoria.shtml. Acesso em 23. set. 2019.

Figura 39 – Matéria “Mogadishu truck bombings are deadliest attack in decades”

Fonte: The New York Times. Disponível em https://www.nytimes.com/2017/10/15/world/africa/somalia- bombing-mogadishu.html?searchResultPosition=2. Acesso em 23. set. 2019.

Conforme demonstrado, a repetição massificada das narrativas construídas pelas agências internacionais de notícias configura a ausência de polifonia, de vozes díspares capazes de promover o debate de ideias sobre o ataque em Mogadíscio, dando lugar à monofonia. Fato ainda que está associado e é exacerbado pela predominância do discurso oficial propagado pelo uso desproporcional desse tipo de fonte, de acordo com os argumentos expostos no capítulo anterior, que influenciam diretamente o processo de formação da opinião pública. Como consequência, a escassez de polifonia no enunciado jornalístico, correlacionada a fatores políticos, econômicos e ideológicos, é capaz de sistematicamente distorcer acontecimentos e enquadrá-los, descolando significados do real.

A adjetivação de termos relacionados ao islã em referência aos perpetradores de ataques terroristas tornou-se um recurso textual empregado corriqueiramente pela mídia ocidental, que parece não questionar ou ser questionada de modo incisivo acerca do que tange suas fundamentações. A falta de pluralidade de vozes com presença midiática permitiu a aderência descomedida ao uso de palavras como islamita, islâmico e jihadista, principais alusivos ao islã, com conotação deturpada no noticiário internacional, sobretudo no Ocidente após o ataque de 11 de setembro. Antes com referenciais majoritariamente religiosos, os termos considerados por esta pesquisa passaram a aglutinar significados negativos até, na atualidade, serem praticamente empregados como sinônimos ou adjetivos para a palavra “terrorista”.

Ao longo das 32 matérias analisadas, o total de menções ao islã foi de 25, em quatro veículos. Como destaque, apenas a Al Jazeera não fez referências ao islã ou às motivações religiosas dos perpetradores nos 15 conteúdos publicados durante o período. No outro extremo, o The New York Times contabiliza 13 citações em seis matérias, representando uma média de 2,16.

Gráfico 6 – Número de menções ao Islã por número de matérias (Mogadíscio)

Fonte: Elaborado pela autora.

Apesar de registrar valores absolutos reduzidos, a Folha de S.Paulo é o veículo com a maior média, com 2,5, equivalente a cinco menções em duas matérias. BBC e El País apresentam médias e números brutos semelhantes: 1,25 (quatro menções cinco matérias) e 1,33 (três menções e quatro matérias), respectivamente. No caso da cobertura dos eventos em Mogadíscio, as menções ao islã nos quatro jornais, em sua totalidade, foram empregadas em associação ao Al Shabab, reivindicador do ataque. Nas matérias abaixo, selecionadas com o intuito de exemplificar a questão, observa-se que o termo "islâmico" é adotado como adjetivo para a todas as referências ao grupo terrorista, reforçando a associação entre terrorismo e religião.

0 4 3 5 13 Al Jazeera; 15 BBC; 5 El País; 4 Folha de S.Paulo; 2 The New York

Times; 6 0 2 4 6 8 10 12 14 16

Al Jazeera BBC El País Folha de S.Paulo The New York Times

Mogadíscio – Número de menções ao Islã por número

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