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O processo de produção noticiosa engloba aspectos complexos e, muitas vezes, subjetivos, que envolvem as comunidades jornalísticas universalmente. Entre eles estão o método e metodologia aplicados na formação dos profissionais em contraste e complemento à dinâmica produtiva encontrada nas redações ao redor do mundo, que atuam para criar uma cultura do jornalismo, construída por meio de rituais, narrativas, valores e parâmetros compartilhados, conforme os conceitos apresentados no subcapítulo anterior.
Uma das particularidades geradas pelos jornalistas enquanto comunidades interpretativas é o modo de utilização das fontes na confecção e qualificação da notícia, que possuem papel ativo no fenômeno de enquadramento midiático. Para o teórico Nilson Lage, o poder de influência das fontes sobre a construção da opinião pública é tão significativo que afeta até mesmo a percepção da realidade, "que não é tarefa de um homem só, começa exatamente no nível da fonte, que formula uma primeira representação que será levada adiante" (2003, p.45) pelo receptor.
Caracterizado por Pierre Bourdieu (1994) como relativamente autônomo e difuso, o campo jornalístico se relaciona direta e indiretamente com os âmbitos político, social e econômico de qualquer comunidade, estando sujeito a seus interesses e pressões. O sociólogo francês entende que o “sistema de produção e circulação de bens simbólicos compreende o sistema de relações objetivas entre diferentes instâncias, definidas pela função que cumprem na divisão do trabalho de produção, de reprodução e de difusão de bens simbólicos” (BOURDIEU, 1987; p. 103). Esse pensamento permite assumir que um bem simbólico também engloba qualquer mensagem que abarque a presença de um
enunciador com interesses a serem defendidos, como é o caso das fontes, cuja presença e visibilidade na mídia espelha os jogos de poder da estrutura vigente (JONCEW, 2005).
Nesse contexto, o próprio termo "fonte" passa a ser amplo e contar com diversos critérios de classificação, desenvolvidos por teóricos da comunicação e do jornalismo, que buscam justamente compreender a pluralidade e a complexidade de sua participação no processo noticioso, bem como sua força e impacto na formação da opinião pública.
O jornalista Manuel Carlos Chaparro define o conceito de fontes como "aqueles que têm algo a dizer e informar, os produtores das ações sociais – dos atos e falas noticiáveis", conferindo a elas alto grau de importância no processo noticioso ao considerá-las a base essencial da ação jornalística... Sem elas, não há notícia nem noticiário” (1996, p. 148). No entanto, defensor da hipótese da "revolução das fontes" desde seus primeiros trabalhos acadêmicos, o autor luso-brasileiro argumenta que o jornalismo transferiu o foco das redações para as fontes, conferindo a elas poder para desenvolver conteúdos com atributos de notícia, além de também produzirem fatos. Esse fenômeno seria capaz de influenciar os sistemas e dinâmicas jornalísticas, de modo que “a competência das fontes – em especial nas áreas do poder político, da economia e dos negócios – vai muito além da produção e circulação de boatos” (CHAPARRO, 2007, p.83).
Com a consolidação das assessorias de imprensa após o término da Segunda Guerra Mundial, o contato com as fontes institucionais, privadas ou estatais, passou a ser intermediado sistematicamente por outros profissionais da comunicação, em sua maioria jornalistas. Instigado pela abordagem sociológica do jornalismo, Philip Schlesinger (1992) investiga o poder das fontes, em constante mudança, e sua decorrente profissionalização, que possibilitou a configuração de um "acesso estruturado" aos meios de comunicação, os quais, por sua vez, privilegiam os grupos sociais respaldados pelo poder institucional. Por isso, o autor britânico rejeita a classificação dualística entre fontes oficiais e oficiosas, considerada simplista, e argumenta que, independentemente da tipificação, todas as fontes atuam de forma dinâmica para atingir seus respectivos públicos.
Assim, o próprio processo de classificação das fontes abarca complexidades, diversos formatos e nomenclaturas "naturalmente vinculadas a perspectivas e interesses
distintos” (PINTO, 2000; p. 279). A tabela abaixo exemplifica a heterogeneidade dessa questão:
Tabela 2 – Classificação de fontes
Um dos mais conceituados do Brasil, o Manual de Redação da Folha de S. Paulo (2010) é considerado material de referência na categorização de fontes, além de objetivar a padronização do comportamento profissional do jornalista, tema já discutido no início deste terceiro capítulo. O jornal considera que “hierarquizar as fontes de informação é fundamental na atividade jornalística” (2010; p. 37), pois a notícia polifônica convergiria da multiplicidade de opiniões, relatos, testemunhos e mídias.
A classificação das fontes é feita em quatro categorias, das quais três são pessoais e apenas uma é documental, a "fonte tipo zero", que deve ser sempre escrita ou gravada em plataformas de credibilidade, como enciclopédias. Já a fonte "tipo um" é considerada a mais confiável das fontes pessoais e se refere a especialistas ou autoridades em determinado tema com histórico fidedigno. O "tipo dois" classifica indivíduos com histórico de credibilidade desconhecido, como testemunhas, por exemplo. Menos confiáveis e parciais, as fontes "tipo três" possuem relação direta com a temática abordada, com interesses explícitos. É o caso de porta-vozes de empresas e órgão oficiais, muito utilizados nas matérias jornalísticas. Talvez por esse motivo, o manual recomenda que as informações sejam validadas por múltiplas fontes, de tipos diferentes, antes de serem publicadas ou tomadas como verdade.
Mantendo em mente as ressalvas quanto à utilização das fontes, Chaparro (2009) propõe um sistema classificatório baseado em sete categorias que podem apresentar sobreposições como a documental, que representa o grupo de documentos multiplataforma de origem identificada e confiável, e a bibliográfica, que abarca livros, teses e demais documentos chancelados pela academia. Já os indivíduos e organizações são classificados como fontes organizadas quando produzem conteúdos facilmente noticiáveis, agindo proativamente na construção da notícia de modo competente. As fontes de referência e aferição, de novo, apresentam pontos de convergência, sendo definidas como pessoas e instituições, que detém conhecimento acerca de determinada temática, e especialistas no assunto em questão, respectivamente. Na categoria de fontes aliadas, são colocadas pessoas que mantêm relações de confiança mútua com o jornalista e, por essa razão, são qualificadas como confiáveis. As fontes informais fazem referência a fontes individuais, como profissionais liberais e artistas. À medida que essas fontes deixam de agir individualmente e ganham o respaldo de alguma instituição,
como sindicatos, passam a ser consideradas pelo autor como organizadas, reforçando a lógica flexível e intercambiável proposta pelo esquema de Chaparro.
No livro "A reportagem" (2001), Nilson Lage introduz sua classificação de fontes, conceituando quatro critérios principais: natureza (pessoas, instituições e documentos), formas (oficiais, oficiosas e independentes), atributos (testemunhais e experts) e distanciamento do fato (primárias ou secundárias). Na teoria do autor, em oposição ao postulado de Chaparro que apresenta frequentes sobreposições classificatórias, as categorias foram construídas de tal modo a serem complementares, porém, as subclassificações contam com uma lógica mutuamente excludente, de forma que não é possível uma fonte ter duas qualidades dentro da mesma modalidade: ou é primária ou secundária.
Ao desenvolver o modelo de classificação, Lage (2001) observa a fonte, em sua complexidade, sob uma ótica mais abrangente, considerando pertinente para a análise pontos de investigação mais abstratos como o papel social na produção noticiosa e o nível de controle exercido sob a informação. Com relação ao critério de distanciamento do fato, por exemplo, são definidas se as fontes são primárias ou secundárias conforme sua relação direta ou indireta com os dados em estado bruto. "As fontes primárias são aquelas em que o jornalista se baseia para colher o essencial de determinada matéria, fornecendo fatos, versões e números" (LAGE, 2001. p. 64); categoria na qual também é possível enquadrar as fontes testemunhais. As secundárias, então, são todas as outras fontes que não tiveram contato direto com a origem do fato, mas podem contribuir para a elaboração da notícia, como os experts.
Ponto de interesse presente em qualquer análise referente às fontes de informação, o grau de confiabilidade, para o autor brasileiro, começa pelo critério que avalia sua natureza, que pode ser pessoal, institucional ou documental. De modo mais aprofundado, a forma por meio da qual a fonte se apresenta e se relaciona com o jornalista também influi para a idealização de sua credibilidade. Nesse mote, Lage classifica as fontes como oficiais, oficiosas e independentes. Esta última seria configurada por representantes ou organizações não governamentais (ONGs) e sociedades sem fins lucrativos, enquanto as oficiosas são sempre indivíduos que, embora ligados a alguma instituição, não tem autorização para falarem em nome delas.
Já as fontes oficiais, tanto para Lage quanto para diversos outros autores (PENA, 2005; TAYLOR, 1985; GANS, 1980), são pessoas e organizações que possuem algum tipo de poder legitimado pela sociedade. O conceito de fonte oficial encontra consenso entre os estudiosos da comunicação no que concerne a definição referente ao caráter institucional. Em termos generalistas, são fontes mantidas e/ou representadas pelo Estado, organizações públicas com ou sem fins lucrativos.
Embora usufruam de alta credibilidade e sejam tratadas, no campo jornalístico, como as mais confiáveis, Lage contrapõe essa confiança aos interesses inerentes das fontes oficiais, os quais podem ser usados como justificativa para a sonegação de informações e até mesmo a manipulação da realidade. Por essa razão, o autor considera a credibilidade conferida às fontes oficiais como um vício, pois elas dissimulam “para preservar interesses estratégicos e políticas duvidosas, para beneficiar grupos dominantes, por corporativismo, militância, em função de lutas pelo poder” (LAGE, 2001; p. 63).
Mesmo com as ressalvas apontada acima, conceitualizadas por diversos autores em todo o mundo, a estrutura centralizada e a dinâmica do jornalismo convencional ainda conferem prevalência absoluta às fontes oficiais. O status diferenciado conferido a esse tipo de fontes está arraigado na prática jornalística e também na opinião pública. Os profissionais aprendem – tanto nas universidades quanto nas redações – a associar a credibilidade de uma fonte à sua posição hierárquica, o que, segundo a socióloga estadunidense Gaye Tuchman (1993) faz com que a notícia se apoie e, ao mesmo tempo, reproduza as estruturas institucionais de poder. A autora aponta ainda que, em casos de conflitos como guerras e atos terroristas, a imprensa precisa da colaboração das fontes oficiais governamentais para realizar a cobertura dos fatos, o que, em consequência, faz com que os relatos reproduzam – em maior ou menor grau, dependendo da política editorial dos veículos – os pontos de vista de quem concede as informações até então confidenciais.
Influenciada pelo postulado frankfurtiano, Tuchman (1986) defende a existência de uma forte influência das rotinas produtivas dos meios de comunicação na construção e conteúdo das notícias. Para a socióloga, o contexto sociocultural dominante retrata, de forma intrínseca, os interesses e posicionamentos da elite. O alto escalão que controla
histórica e economicamente a mídia, como parte integrante dessa mesma elite, tende a privilegiar, como verdade, uma realidade socialmente construída. O enquadramento ideológico é formado por meio de diversos mecanismos, entre eles, a visibilidade conferida às fontes oficiais, que simbolizam o poder legal legitimado.
A partir dos exemplos acima, é possível observar os múltiplos tipos de dominação definidos por Weber (1999) no jornalismo como ator social. Consideradas as mais presentes, as dominações legal e racional são reforçadas recorrentemente, todas as vezes que uma fonte oficial – chamada pelo autor de autoridade institucional – ou um especialista tem seu discurso expresso em uma reportagem. Joncew (2005) dilata a ideia, afirmando que a estrutura de poder é refletida no status conferido à fonte, que, quanto mais elitizada, mais influência terá sobre os critérios de noticiabilidade. "As fontes exemplificam a força da ‘estrutura do poder da sociedade’, pois emanam dela. Representam autoridades política, econômica ou cognitiva" (JONCEW, 2005; p. 80).
Em consonância com o entendimento de Tuchman, o sociólogo estadunidense Herbert Gans (1980) observa que, em meio a tantas formas de classificação das fontes informativas, os veículos tendem por escolher nomenclaturas e tipos de fontes conforme as necessidades produtivas e linha editorial. Em termos gerais, aquelas que tem a capacidade de antecipar informações exclusivas e divulgar dados antes confidenciais são as mais utilizadas. Considerando os indivíduos que detém esse tipo de poder informacional, é possível afirmar que a imprensa privilegia fontes de acordo com o lugar que ocupam na estrutura social vigente. Mais importante que a tipificação prática, o ponto de maior relevância para compreender o funcionamento das fontes como atores sociais estaria na análise dos critérios que levam a sua seleção. De acordo com o autor, a proximidade social e geográfica entre o jornalista e fontes influi drasticamente na escolha, ao passo que o próprio acesso aos meios midiáticos aumenta à proporção do lugar ocupado socialmente.
Mesmo na sociedade em rede, o posicionamento geográfico ainda atua de modo decisivo, sendo efeito colateral, justamente, do desenvolvimento histórico e econômico que concentrou polos intelectuais em determinadas regiões. No Brasil, o eixo Rio-São Paulo concentra os principais jornais e o maior número de jornalistas do país, segundo levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas (2012). Fato que contribui para a
configuração cultural que privilegia fontes, assuntos e abordagens relevantes para esses locais.
Para a professora de jornalismo Cremilda Medina (2004), entre os diversos critérios que podem orientar a escolha da fonte jornalística, há sempre interesses econômicos e de poder. O processo de escolha, por mais despretensioso que possa parecer, guarda um contexto de produção noticiosa autoritário, chamado pela autora de ditadura da oferta, no qual há uma predeterminação velada em quem deve ser consultado em meio às opções disponíveis. Esse fenômeno "é inerente ao jornalismo acoplado a grupos de poder (econômico ou político ou cultural). Torna-se sumária a seleção de fontes de informação: já estão à disposição [...] aqueles nomes, endereços e telefones dos entrevistados habitués" (MEDINA, 2004, p. 35).
Esta forma de autoritarismo institucional (MEDINA, 2004) reforça a limitação de vozes presentes no circuito comunicativo, negando o acesso à pluralidade de ideias por meio da dinâmica imposta pela indústria cultural. Medina aponta como consequência direta desse processo a prevalência sistematizada das fontes oficiais em detrimento do debate e das vozes anônimas. No país, verifica-se "a extrema centralização de fontes de informação em todos os temas (pautas) que diziam respeito diretamente a qualquer cidadão brasileiro” (MEDINA, 2004, p. 36).
Considerando os jornalistas como comunidades interpretativas, é possível observar que nos processos de qualificação, seleção e uso das fontes há certa ritualidade, no sentido em que o filósofo francês Michael Foucault aborda na obra A Ordem do Discurso (2009).
A forma mais superficial e mais visível desses sistemas de restrição é constituída pelo que se pode agrupar sob o nome de ritual; o ritual define a qualificação que devem possuir os indivíduos que falam [...] define gestos, os comportamentos, as circunstâncias, e todo o conjunto de signos que devem acompanhar o discurso; fixa, enfim, a eficácia suposta ou imposta das palavras, seu efeito sobre aqueles aos quais se dirigem os limites de seu valor de coerção (FOUCAULT, 2009, p. 39).
Com base no pensamento do autor, a escolha das fontes e, paralelamente, os métodos classificatórios constituem um sistema de restrição do discurso, o qual tem como elemento principal a qualificação do sujeito que fala. Movimento esse que tende sempre
à uniformidade, fenômeno denominado por Foucault como rarefação dos sujeitos que falam; “ninguém entrará na ordem do discurso se não satisfizer certas exigências ou se não for, de início, qualificado para fazê-lo” (FOUCAULT, 2009, p.37). Cotidianamente na prática da atividade jornalística, os profissionais, de modo consciente ou não, favorecem a propagação do discurso oficial por meio da escolha de suas fontes com base em um sistema de produção noticiosa que tem como mais alto critério o posicionamento social e hierárquico do sujeito que fala em detrimento ao conteúdo que será difundido ao público. Para o autor, a informação ritualizada seria, então, controlada por uma "polícia discursiva" (FOUCAULT, 2009, p. 35) e, em última instância, limitada e condicionada aos interesses da elite dominante.
Essa sistematização da hegemonia discursiva propagada pelo uso de fontes oficiais se relaciona de modo complexo com o papel social do jornalismo, especialmente no que concerne o debate de ideias divergentes e os efeitos da disseminação informativa sobre ataques terroristas. Como será examinado com mais profundidade nos capítulos posteriores, a cobertura do terrorismo recorre frequentemente ao discurso oficial em consonância com a arraigada preferência de jornalistas de todo o mundo por esse tipo de fonte devido a classificações referentes à credibilidade já abordadas neste subcapítulo. Ademais, em caráter distintivo, as condições que permeiam a produção noticiosa acerca de ataques terroristas são ainda mais restritivas ao passo que o acesso às informações é controlado, principalmente, por órgãos governamentais das regiões afetadas – preocupados com os impactos dos dados divulgados na segurança pública – ou, então, pelos próprios perpetradores. Esse ponto pode ser justificável na cobertura imediata do acontecimento, no entanto, perde força à medida que as informações vão sendo checadas e consolidadas como fatos passíveis de análise.
Unindo as duas temáticas exploradas neste capítulo até o momento, a influência do jornalismo na construção da memória social e a predominância do discurso oficial, tomemos como exemplo a análise realizada acerca das matérias publicadas nas edições impressas da Folha de S.Paulo, no marco de um ano, dez e quinze anos dos atentados de 11 de setembro de 2001. A referida pesquisa, foi conduzida pela autora e publicada no grupo de pesquisa Comunicação, Mídias e Liberdade de Expressão do XIX Encontro
dos Grupos de Pesquisas em Comunicação, evento componente do 42º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.
Veiculada no aniversário de um ano dos atentados de 11 de setembro de 2001, a edição nº 26.824 da Folha de S.Paulo destaca os acontecimentos na chamada de capa, além de trazer um caderno especial de sete páginas, composto por 13 matérias.
Ao longo das reportagens, publicadas na referida edição do dia 11 de setembro de 2002, foram contabilizadas menções diretas à 38 fontes, sendo que 31 podem ser consideradas oficiais e sete testemunhais, de acordo com conceitos teóricos comunicacionais já definidos neste trabalho. Não há fontes analíticas. O baixo número de fontes diretas pode ser explicado pelas reportagens serem, em sua maioria, baseadas integralmente em documentos oficiais divulgados de forma prévia ao aniversário dos ataques, o que também reforça os discursos institucionais internalizados à narrativa jornalística.
Figura 14 – Capa Folha de S.Paulo de 11 de setembro de 2002
Fonte: Acervo/Folha de S.Paulo.
Na chamada de capa, a matéria principal é uma das que são baseadas em comunicados oficiais divulgados previamente pelo governo estadunidense. Já na parte inferior esquerda, a chamada "Doze meses já se foram, mas eu não esqueci" remete à publicação
integral de um depoimento do então prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, no dia dos eventos terroristas. Além da matéria de meia página narrada em primeira pessoa por Guiliani, o caderno Mundo também publicou na íntegra a carta de Fernando Henrique Cardoso endereçada ao ex-presidente estadunidense George Bush.
Ao longo das duas primeiras páginas do caderno, as seis matérias publicadas têm como mote principal informações oficiais divulgadas, principalmente, pelo governo estadunidense. Três dessas seis reportagens são referentes a eventos oficiais comemorativos realizados tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Das 31 fontes oficiais utilizadas em todo o caderno, 14 estão localizadas nas duas primeiras páginas, reforçando o destaque conferido ao discurso oficial.
Figura 15 – Primeiras páginas do caderno especial da Folha de S.Paulo em 11 de setembro de 2002
Veiculada no domingo, 11 de setembro de 2011, a edição número 30.111 traz na capa uma chamada para o caderno especial sobre o aniversário de 10 anos da queda das torres gêmeas e ataques ao Pentágono. Nove matérias, com uma quantidade expressiva de recursos gráficos, compõem as sete páginas do caderno, coincidentemente a mesma quantidade da edição de 2002. Foram identificadas 32 menções a fontes diretas, sendo sete oficiais, sete especialistas e 18 testemunhais. Mesmo com a superioridade quantitativa de outras fontes, as oficiais mantêm notadamente posições de destaque, dispostas, em maioria, nas primeiras páginas do caderno.
Todas as fontes oficiais podem ser encontradas nas três primeiras páginas, enquanto as páginas cinco e seis reúnem os 18 relatos testemunhais, sendo que uma única matéria – "Uma história, várias lições" – engloba 13 delas. Essa prática evidencia o peso das fontes oficiais frente ao testemunho, que requer uma quantidade maior e