Chapitre 1 : Etude bibliographique
I.2 Effets de l’irradiation sur la microstructure des alliages de zirconium
I.2.2 Evolution de la population de défauts ponctuels
À entrada do ensino secundário é feita uma escolha que não se limita a garantir um direito, mas a selecionar uma área de estudo que irá fabricar o aluno e o seu futuro.
“A secção de estudos constitui uma forma de organização e hierarquização dos alunos, a partir da qual estes constróem identidades e forjam aspirações diferenciadas, mostrando que a socialização escolar conduz à homogeneização dos alunos no interior de uma mesma secção, mesmo que as origens sociais sejam diferentes, e à diferenciação entre alunos de secções diversas, mesmo que a origem social seja a mesma.” (Diogo, 2008, p.88).
A escolha de um determinado curso é aqui apresentada como variável compósita que agrega todos os cursos profissionais (CP) num grupo e os não profissionais (CCH) noutro141. Esta opção mais uma vez decorre da necessidade
de obter grupos de resposta que se demonstrem mais significativos. Também pelas caraterísticas dos cursos se justifica esta opção, os CP não são, habitualmente, a opção para quem pretende prosseguir estudos, e os CCH são escolhidos em regra por alunos que pretendem prosseguir um curso superior, logo estão sujeitos à competição entre si devido às condições de acesso. O Coordenador dos Cursos Profissionais refere exatamente essa discrepância entre a possibilidade teórica e o que na prática acontece.
Claramente, no ensino regular nós estamos a preparar alunos que pretendem prosseguir estudos. No ensino profissional, na minha perceção dos sinais exteriores, é cada vez menos isso. Apesar de na teoria ser possível, não se pode pedir ao aluno do ensino profissional, só por aquilo que teve conhecimento e aprendeu no ensino profissional, de poder ser capaz de enfrentar um exame para acesso ao ensino superior. Porque os programas nada têm a ver com os exames que lhes são, neste momento, solicitados. (E3 5)
A escolha do percurso de estudos ao nível do ensino secundário não parece ocorrer num ambiente isento. Isto é, de acordo com o perfil escolar e o segmento profissional das famílias tende a ocorrer uma preferência por determinados percursos. A Diretora de Turma de um CP faz referência a esta questão; no entanto, não considera que os alunos desse curso pertençam a famílias dos segmentos profissionais mais baixos.
Pode haver um ou outro, mas vou-lhe dizer, as turmas que estão aqui, os meninos dos profissionais, na sua maioria, são meninos com, se quiser, socioeconomicamente numa camada das mais altas. Posso, não é culturalmente, é industrialmente. (E2 6)
Quanto à escolaridade, confirma a relação por nós encontrada.
Muito baixas (risos), ridiculamente baixas (risos). Eu tenho 43 anos, a maioria dos pais dos meus alunos tem a minha idade (risos) e eu digo-lhe, eu fico espantada. Eu, neste momento, como diretora de turma tenho um pai e uma mãe licenciados, que são estrangeiros, são ingleses – eu tenho um aluno inglês… inglês não, porque ele, eu não sei se ele já nasceu cá, mas pronto, é tudo britânico ali – são eles os dois licenciados. Depois tenho um pai que está a tirar a licenciatura agora, na faculdade, e o resto é tudo 4.ª classe, 4.ª classe (diminui o tom de voz), uma mãe ou outra, 2.º Ciclo (risos), o resto é 4.ª classe (risos). (E2 6)
Vejamos, por enquanto, como as famílias, de acordo com as habilitações académicas, se posicionam em relação aos cursos que os seus filhos frequentam, no ensino secundário.
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Quadro 49- Escolaridade da família * Cursos
Cursos Total
CCH CP
Escolaridade da família
Ensino Básico 98 43 141
69,5% 30,5% 100,0%
Ensino Secundário e Superior 97 8 105
92,4% 7,6% 100,0%
Total 195 51 246
79,3% 20,7% 100,0%
Quadro 49.1- Teste Qui-Quadrado
Value Df Asymp. Sig. (2-sided) Exact Sig. (2-sided) Exact Sig. (1-sided)
Pearson Chi-Square 19,167a 1 ,000
Continuity Correctionb 17,800 1 ,000
Likelihood Ratio 21,107 1 ,000
Fisher's Exact Test ,000 ,000
Linear-by-Linear Association 19,089 1 ,000
N of Valid Cases 246
a. 0 cells (,0%) have expected count less than 5. The minimum expected count is 21,77. b. Computed only for a 2x2 table
Há uma associação significativa entre a escolaridade da família e o curso frequentado pelo educando, X²(1) = 19,167, p = .000. As famílias cujo nível de escolaridade predominante não excede a conclusão do ensino básico apresentam uma percentagem de alunos a frequentar os CP de 30,5% e de 69,5% inscritos nos CCH. Enquanto que as famílias mais escolarizadas apresentam uma percentagem de 7,6% de jovens matriculados nos CP e de 92,4% que frequentam os CCH. Os nossos dados diferenciam-se dos obtidos pelo GEPE142 em 2010/2011 (Gabinete de
Estatística e Planeamento da Educação), com 61,2% a frequentarem os CCH.
Os segmentos profissionais das famílias não apresentam valores tão díspares, mas, ainda assim, são bastante claros quanto à associação com os cursos frequentados pelos seus educandos.
Quadro 50- Segmento profissional da família * Cursos
Cursos Total
CCH CP
Segmento profissional da família
2 trabalhadores nas profissões 5,6,7,8 e 9
96 37 133
72,2% 27,8% 100,0%
Pelo menos 1 trabalhador nas profissões 0,1,2,3 e 4 91 12 103
88,3% 11,7% 100,0%
Total 187 49 236
79,2% 20,8% 100,0%
Quadro 50.1- Teste Qui-Quadrado
Value Df Asymp. Sig. (2-sided) Exact Sig. (2-sided) Exact Sig. (1-sided)
Pearson Chi-Square 9,224a 1 ,002
Continuity Correctionb 8,268 1 ,004
Likelihood Ratio 9,686 1 ,002
Fisher's Exact Test ,003 ,002
Linear-by-Linear Association 9,185 1 ,002
N of Valid Cases 236
a. 0 cells (,0%) have expected count less than 5. The minimum expected count is 21,39. b. Computed only for a 2x2 table
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Há uma associação significativa entre o segmento profissional da família e o curso frequentado pelo educando, X²(1) = 9,224, p = .002. As famílias dos segmentos profissionais mais baixos apresentam uma percentagem de alunos a frequentar os CP de 27,8% e de 72,2% para os CCH. Enquanto que as famílias dos segmentos profissionais mais elevados apresentam uma percentagem de 11,7% de jovens inscritos nos CP e de 88,3 para os CCH.
Assim, podemos afirmar que as famílias com mais habilitações e de segmentos profissionais mais elevados preferem os CCH. “Aqueles que se orientam para os cursos gerais, sobretudo para o curso geral do agrupamento científico-natural, e têm perspetivas de prosseguir os estudos no ensino superior, tendem a ter percursos escolares mais bem sucedidos e proveniências sociais mais elevadas.” (Diogo, 2008, p. 133).
É ainda curiosa a relação que o Coordenador dos Cursos Profissionais faz da condição social das famílias e a sua origem geográfica.
Das turmas que eu tenho trabalhado e é essas que eu tenho... é mais periférico do que urbano. É mais periférico do que urbano e é mais de classes sociais mais baixas do que...E3 10
A este respeito, faz a devida ressalva quanto a ser este perfil de família em maior número, mas não exclusiva. Quando pesquisamos esta situação encontramos essa correspondência, sem que sejam nenhumas das caraterísticas exclusivas de um determinado curso, mas não tão pronunciada como seria de esperar pela indicação do professor entrevistado.
Quadro 51- Cursos * Escola básica de origem
Escola básica de origem agregada Total
‘Pública periférica’ ‘Pública urbana’ ‘Pública de vila’ ‘Privada’ Cursos CCH 46 91 40 10 187 24,6% 48,7% 21,4% 5,3% 100,0% CP 9 18 18 1 46 19,6% 39,1% 39,1% 2,2% 100,0% Total 55 109 58 11 233 23,6% 46,8% 24,9% 4,7% 100,0%
Enquanto que nos CCH há um grande equilibrio entre os alunos das escolas ‘Pública urbana’ e as restantes, nos CP estes são em menor número. Estes dados não são propriamente uma novidade, “Quanto maior o pendor rural da população escolar, menor a atração pelo curso geral…” (Diogo, 2008, p. 205). Assim se confere a maior procura dos CP, por alunos exteriores ao meio urbano. A maior percentagem (cerca de 60%) dos alunos dos CP é proveniente das escolas ‘Pública periférica’ e ‘Pública de vila’, nos CCH a percentagem é menor (cerca de 45%) para os alunos provenientes destas mesmas escola. Não há uma predominância clara, no entanto, parece existir a imagem de que os alunos dos CP são oriundos das escolas de fora do meio urbano143.
143 Relembramos a categorização que fizemos das escolas. “Pública urbana”, estas escolas estão localizadas na mesma cidade onde se encontra a escola secundária do estudo
ou em outras cidades sedes de concelho. As escolas “Públicas de periferia” urbana são por nós consideradas as que estão localizadas na periferia das cidades. Consideramos que as escolas públicas de vilas são aquelas que estão localizadas em vilas, e que apresentam um tecido industrial considerável e alguns serviços. Aqui incluímos as escolas privadas, privadas com contratos de associação, privadas cooperativas e escolas profissionais. Estas escolas estão situadas maioritariamente em meio urbano, somente duas em meio de
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Como verificámos anteriormente as famílias e os jovens optam diferenciadamente quanto aos projetos de escolarização. Encontramos assim famílias e jovens que investem nos cursos do ensino secundário que consideram de maior prestígio, qualidade e que melhor garantam o acesso e continuidade de estudos no ensino superior. Ao passo que outros assumem a conclusão do ensino secundário como uma meta no momento da escolha do curso. A este facto não é alheia a origem geográfica do aluno. “Um jovem de origem social desfavorecida, com menor tendência a investir no prosseguimento dos estudos, pela sua origem social, pode ter maiores oportunidades pelo facto de viver num contexto geográfico favorável à escolarização.” (Diogo, 2008, p. 189). Então, quem se encontra em contexto urbano tende a ter maior probabilidade de apresentar projetos de ingresso no ensino superior, em contraponto com quem habita um contexto rural.
A orientação do aluno para determinado curso está também associada a uma expectativa em relação aos estudos. Estas preferências por determinados percursos servem o propósito da homegeneidade, sem que este seja um princípio, mas uma consequência. Assim, as escolhas refletem “A homogeneização das turmas (que) é bem vista pelos professores, na medida em que creem que a sua eficácia decresce com a heterogeneidade das turmas; tal como pelos pais que, além disso, no quadro das estratégias de distinção que desenvolvem na escolaridade dos filhos, procuram, não só a ‘boa escola’, como a ‘boa turma’, por vezes em alternativa à primeira.” (Diogo, 2008, p. 91).
Percebemos que existe uma predominância de famílias com determinadas caraterísticas, cujos filhos frequentam os CP ou os CCH. Este padrão na frequência dos cursos permite-nos observar objetivos diferentes para os distintos percursos escolares.
Verifique-se o posicionamento por curso frequentado em relação à importância do motivo da escolha residir na perceção de ser mais fácil concluir o ensino secundário.
Quadro 52- Curso * Facilidade em concluir o ensino secundário
Facilidade em concluir o ensino secundário Total Sem importância Pouco importante Importante Muito importante
Cursos CCH 82 50 39 9 180 45,6% 27,8% 21,7% 5,0% 100,0% CP 11 13 15 8 47 23,4% 27,7% 31,9% 17,0% 100,0% Total 93 63 54 17 227 41,0% 27,8% 23,8% 7,5% 100,0%
Quadro 52.1- Teste Qui-Quadrado
Value Df Asymp. Sig. (2-sided)
Pearson Chi-Square 13,301a 3 ,004
Likelihood Ratio 12,478 3 ,006
Linear-by-Linear Association 12,487 1 ,000
N of Valid Cases 227
a. 1 cells (12,5%) have expected count less than 5. The minimum expected count is 3,52.
periferia urbana, mas devido ao pequeno número em que se apresentam decidimos manter um só grupo independentemente da sua localização. E também, porque o facto de estar localizada em meio urbano ou de periferia urbana não é tão significativo como se alguma das escolas se localizasse em meio rural.
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Há uma associação significativa entre o curso frequentado e a facilidade em concluir o ensino secundário, X²(1) = 13,301, p = .004. Cerca de 26% dos alunos dos CCH e 50% dos inscritos em CP consideram que, no momento da escolha do curso, foi importante ou muito importante o facto de ser mais fácil concluir o ensino secundário.
Estes dados são consistentes com os relatos da Diretora de Turma.
…aquilo que se tem estado a assistir ultimamente é que eles escolhem cursos profissionais porque acham que são fáceis, são mais fáceis. Portanto, estão muito enganados. Portanto, estas opções muitas vezes têm a ver com as escolhas que eles fazem no básico e que vêm mal informados. (E16)
O Coordenador dos Cursos Profissionais dá-nos a mesma perceção quanto à facilidade de concluir o ensino secundário pela via profissional.
Já dei muitos anos no ensino básico aulas e havia, da parte dos diretores de turma, um bocado essa orientação de aconselhar, quando eram alunos com mais dificuldade dizer aos pais “Olhe, para acabar o 12.º ano se calhar era melhor o ensino profissional, que é mais simples”. Isso é um fator que existe nas básicas, claramente. (E3 7)
Isto leva-nos a admitir que, para boa parte dos alunos dos CP e dos seus encarregados de educação inquiridos, o ensino secundário se constitui como uma meta. Esta conclusão é confirmada quando perguntamos se a escolha do curso teve como referência a melhor possibilidade de ingresso no ensino superior.
Quadro 53- Curso * Por ter mais possibilidades de ingresso no ensino superior
Por ter mais possibilidades de ingresso na universidade Total Sem importância Pouco importante Importante Muito importante
Cursos CCH 15 28 78 64 185 8,1% 15,1% 42,2% 34,6% 100,0% CP 11 13 19 4 47 23,4% 27,7% 40,4% 8,5% 100,0% Total 26 41 97 68 232 11,2% 17,7% 41,8% 29,3% 100,0%
Quadro 53.1- Teste Qui-Quadrado
Value Df Asymp. Sig. (2-sided)
Pearson Chi-Square 19,878a 3 ,000
Likelihood Ratio 20,810 3 ,000
Linear-by-Linear Association 19,713 1 ,000
N of Valid Cases 232
a. 0 cells (,0%) have expected count less than 5. The minimum expected count is 5,27.
Há uma associação significativa entre o curso frequentado e a possibilidades de ingresso no ensino superior, X²(1) = 19,878, p = .000. Neste caso verifica-se uma forte correspondência com os dados do quadro anterior. Os alunos dos CP continuam repartidos quanto à importância do motivo de escolha do curso por ter mais possibilidades de ingressar no ensino superior, o que provavelmente confirma a mesma intenção, para cerca de metade, de pretenderem somente concluir o ensino secundário. Quanto ao alunos de CCH, cerca de 75%, consideram importante ou muito importante a escolha do curso que melhor lhes possibilite o ingresso no ensino superior. Quando comparamos estes dados com os do OTES (Observatório de Trajetos dos Estudos do Ensino Secundário) para o
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trabalho sobre os “Estudantes à saída do secundário 2012/2013”144, também encontramos um maio número de
alunos dos CCH (86,5%) a pretenderem prosseguir estudos para além do 12º ano, ao passo que em comparação os alunos dos CP (34,5%) com as mesmas intenções são menos de metade dos anteriores com as mesmas intenções. A percentagem de alunos dos CP que afirmam ser sua intenção deixar de estudar é de 41,3%, enquanto que com a mesma intenção são somente 5,2% dos alunos dos CCH.
A conclusão do secundário será de tal forma central para os encarregados de educação e alunos, em maior percentagem dos CP, que se questionados quanto à escolha dos cursos devido a terem as disciplinas preferidas, poderão atribuir menos importância a esse argumento de escolha do que os alunos dos CCH. Este facto poderá dever- se ao menor número de alunos a tencionar prosseguir estudos, tal como verificamos no estudo do OTES de 2012/2013.
Quadro 54- Curso * Por o curso ter as disciplinas que mais gosta
Por o curso ter as disciplinas que mais gosta Total Sem importância Pouco importante Importante Muito importante
Cursos CCH 20 15 84 68 187 10,7% 8,0% 44,9% 36,4% 100,0% CP 8 13 19 8 48 16,7% 27,1% 39,6% 16,7% 100,0% Total 28 28 103 76 235 11,9% 11,9% 43,8% 32,3% 100,0%
Quadro 54.1- Teste Qui-Quadrado
Value Df Asymp. Sig. (2-sided)
Pearson Chi-Square 17,622a 3 ,001
Likelihood Ratio 16,123 3 ,001
Linear-by-Linear Association 10,651 1 ,001
N of Valid Cases 235
a. 0 cells (,0%) have expected count less than 5. The minimum expected count is 5,72.
Há uma associação significativa entre o curso frequentado e ter as disciplinas de que o aluno mais gosta, X²(1) = 17,622, p = .001. Dos alunos dos CCH, 44,9% e 36,4%, consideram este fator importante e muito importante, respetivamente, enquanto que para os alunos dos CP este facto é considerado importante para 39,6% e muito importante para 16,7%.
Nesta mesma linha de orientação, questionamos os encarregados de educação quanto à escolaridade que desejam que o seu educando conclua. Mais uma vez, para um mais fácil e claro tratamento de dados, devido ao baixo número de respostas nas variáveis ‘indiferente’ e ‘ensino secundário’, relativamente à expectativa de nível de escolaridade a concluir pelos jovens, decidimos criar uma variável compósita com aquelas duas variáveis. Reconhecemos o risco ao criar esta variável, pois ser ‘indiferente’ para o encarregado de educação e o estudante o grau académico a concluir pelo educando não é de forma alguma o mesmo que esperar que conclua o ensino
144 Dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, Ministério de Educação e Ciência (DGEEC/MEC) obtidos pelo Observatório de Trajetos dos Estudos do Ensino
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secundário. No entanto, admitimos poder pensar-se que, ao nível das expectativas, a conclusão do secundário é já muito provável quando o está a frequentar, o que pode talvez não divergir significativamente de ser indiferente, por exemplo ao nível de comportamentos como a pressão sobre o educando para melhorar o desempenho na sua prestação académica. Também o facto de a expectativa quanto à escolaridade a concluir ser ‘indiferente’ ou ‘ensino secundário’, pode em certos casos ser revelador das condições e intenções da família quanto aos recursos a mobilizar para um melhor e mais longo percurso escolar. Assim como pode estar associado com ser mais ou menos diligente na pressão sobre a escola e professores para que se mobilizem os meios adequados para o sucesso dos seus educandos ou obtenham avaliações mais elevadas. Nesse sentido, sendo um risco criar essa variável compósita, a partir das opções ‘indiferente’ e ‘ensino secundário’, quanto à expectativa de nível de escolaridade a concluir pelo aluno, será até certo ponto um risco controlado, no sentido de que é explicitada a operação e não são os dados resultantes correlacionados com outros.
O Coordenador dos Cursos Profissionais faz como que um lamento, ao reconhecer a falta de acompanhamento dos alunos dos CP. Não pelo que fica por reivindicar à escola e professores, mas pelo facto de eventualmente os alunos não sentirem tanto a necessidade de corresponder aos desejos da família, quanto à progressão nos estudos.
Essa questão dos encarregados de educação, eu tenho conhecimento que habitualmente acontece, um pai ou outro. Efetivamente e infelizmente... talvez também por causa da questão da origem social de grande parte destes alunos, são mais desprotegidos, sim. São muito menos acompanhados, é muito mais difícil ter um contacto com o encarregado de educação. (E3 6)
O Coordenador da disciplina de matemática, ao referir-se à sua anterior experiência como Diretor de Turma de CCH, revela a constante influência dos pais sobre as notas das disciplinas, algo que ele reconhece que agora acontece com a matemática.
Como diretor de turma, a experiência é mais vasta e as pressões que eu sentia, sobretudo dessas notas, tinham a ver com as físico-químicas e tinham a ver com muita coisa, com a educação física. (E4 15)
Assim, se justifica a diferença de expectativas quanto à escolaridade. Se uns acompanham os filhos e pressionam os professores quanto às notas e desempenho, outros como que entregam a escolarização dos filhos ao que lhes ‘calha em sorte’.
Quadro 55- Curso * Expectativa de nível de escolaridade a concluir
Expetativa de nível de escolaridade a concluir Total Indiferente e
secundário
Licenciatura Mestrado Doutoramento
Cursos CCH 9 42 61 75 187 4,8% 22,5% 32,6% 40,1% 100,0% CP 18 13 8 9 48 37,5% 27,1% 16,7% 18,8% 100,0% Total 27 55 69 84 235 11,5% 23,4% 29,4% 35,7% 100,0%
125
Quadro 55.1- Teste Qui-Quadrado
Value Df Asymp. Sig. (2-sided)
Pearson Chi-Square 44,054a 3 ,000
Likelihood Ratio 36,697 3 ,000
Linear-by-Linear Association 30,528 1 ,000
N of Valid Cases 235
a. 0 cells (,0%) have expected count less than 5. The minimum expected count is 5,51.
Há uma associação significativa entre o curso frequentado e a expectativa da escolaridade a concluir, X²(1) = 44,054, p = .000. Podemos verificar na tabela que a opção ‘indiferente/ensino secundário’, com uma incidência de 4,8% para os alunos de CCH, obteve 37,5% das respostas para os alunos de CP. A expectativa da escolaridade a concluir ainda é mais elevada para os alunos de CP, 27,1%, em relação aos de CCH, 22,5%, para o grau de ‘licenciatura’. Depois dá-se uma inversão das expectativas obtendo-se maior número de respostas para os alunos dos CCH, e para os graus de ‘mestrado’ e ‘doutoramento’, do que para os estudantes de CP. Neste caso, a diferença maior está mesmo em 40,1% para os CCH no grau de ‘doutoramento’ e 18,8 para os CP no mesmo grau académico referido.
Estas expectativas associadas ao curso encontram reflexo no “Quadro 67 - Escolaridade da família * Cursos”, pois os encarregados de educação dos alunos dos CCH apresentam maior índice de escolarização, o que influencia a escolarização dos filhos. Podemos encontrar esta relação no trabalho desenvolvido pelo OTES para os “Estudantes à saída do secundário 2012/2013”, pois as intenções de que os seus filhos terminem o 12º ano e continuem a estudar são consideradas por 79% das famílias com ensino superior e 77% para as famílias com ensino secundário. Estas percentagens baixam para 58,3% quando consideramos as famílias entre o 2º e o 3º ciclo do ensino básico e, para as famílias com o 1º ciclo ou inferior a este, somente 35,3% têm a expectativa de que os seus filhos terminem o 12º ano e prossigam os estudos.
Estas expectativas são entendidas, enquadradas, quando analisamos a frequência de explicações e o motivo por tipo de curso145. A frequência de explicações nos CP é menos de metade, em comparação com os CCH; também
em nenhum dos casos registados dos CP surge como motivo a meta 20.
Igualmente, pelas expectativas das famílias será relativamente fácil de entender que se uma parte importante (37,5%) não afirma expectativas de conclusão do ensino superior, o investimento tenderá a ser moderado e pode até ser considerado desnecessário, evitando os custos das atividades de apoio extraescolar. Estes alunos não precisam de