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5.6 Analyse du spray généré par l’injecteur industriel

5.6.1 Etude du spray généré par un injecteur de 2 MW

Em pleno século XXI, os jovens ainda têm sido vistos muito mais como um problema social, que como sujeitos que detêm importantes potenciais para a transformação da sociedade em que vivem. Assim, embora possam se tornar produtores de valores, ainda são submetidos a antigos estigmas que respingam em sua imagem e que, em geral, traduz-se em tudo que resulte em “problema”, ou seja, violência, drogas, gravidez na adolescência, entre outros. É, portanto, imperioso que se proceda a uma real compreensão de tudo que diga respeito a essa categoria chamada juventude para que mudanças possam ser implantadas em termos de políticas públicas mais eficazes.

Embora muitas transformações estejam em curso, consolidando uma sociedade movida pela Informação, como denomina Silva (1999), o jovem ainda não é visto em suas diversas facetas. Segundo Dayrell (2010: 62), “tal postura inibe o investimento em ações baseadas na perspectiva do direito, que desencadeiem

políticas e práticas como foco nas potencialidades e possibilidades da juventude”. Isso ocorre com maior ênfase entre os jovens da chamada classe baixa.

Estudos realizados por Stern (2009) tiveram o intuito de responder o que buscam os adolescentes norte-americanos quando estão on-line. Tais estudos revelaram que os jovens que cresceram experimentando a linguagem digital são denominados por muitos pesquisadores como “cronistas compulsivos de si mesmos” (NUSSBAUM, 2004). São ainda chamados como “pequenos anjos criando um inferno on-line” (PARDINGTON, 2005) ou ainda de “geração em contato constante” (CLARK, 2005). Assim, embora os resultados daqueles estudos suscitem a construção de representações e/ou certa imagem de excessivo apego às chamadas mídias eletrônicas, os jovens americanos, em sua maioria, cresceram usando a Internet e, por conseguinte, desenvolveram várias maneiras de fazer uso deste espaço cultural, como comunicação, busca de informação, criação de conteúdos e outras atividades.

Ainda assim, não são poucas as pessoas que se preocupam com o que, possivelmente, os jovens fazem na Internet, principalmente aqueles que são pais. Apesar de manifestarem esse tipo de preocupação, contudo, consideram a rede mundial de computadores14 vital na vida dos jovens.

Para a pesquisadora Setton (2009), a temática mídia e juventude está em processo de consolidação. No entanto, enfatiza que falta um corpo de pesquisas e de teorias empíricas com visibilidade e expressão acadêmica. No que tange às pesquisas desenvolvidas no âmbito da educação, as mídias são vistas como portadoras de poder ideológico, uma vez que exercem influência sobre o imaginário do jovem e sua construção identitária, seja na perspectiva de formação de novos consumidores, seja como disseminadora de valores da classe dominante que aliena a sociedade para a manutenção de seu status.

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A Wikipédia conceitua a Internet como um conglomerado de redes em escala mundial de milhões de computadores interligados pelo TCP/IP que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados. Ela carrega uma ampla variedade de recursos e serviços, incluindo os documentos interligados por meio de hiperligações da World Wide Web e a infraestrutura para suportar correio eletrônico e serviços como comunicação instantânea e compartilhamento de arquivos. Informações disponíveis em http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet, consultadas em 12.12.2010.

As Tecnologias de Informação e de Comunicação (TICs) como recurso pedagógico é uma temática ainda incipiente em termos de estudos. Todavia, os poucos existentes se mostraram significavos na medida em que proporcionam reflexões críticas quanto à utilização dessas tecnologias ainda pouco exploradas no ambiente da educação. Isso representa a sinalização para as possibilidadedes de produção do material didático nas intituições educativas, uma vez que os alunos jovens, que estão na escola e/ou fora dela, têm todo um referencial em termos de experiências. De outra parte, alguns pesquisadores procuram evidenciar a importância de se elaborar um tipo de abordagem da educação estética e artística a partir das próprias produções dos alunos.

O desafio encontrado no processo de escolarização é o de propor o uso das TICs para os alunos jovens, de modo inovador, oportunizando trabalho coletivo no interior das escolas. A ideia é que tal uso esteja sustentado em uma concepção de conhecimento e de aprendidzagem em seus processos de socialização. Mais do que sensiblizar os alunos, torna-se importante a realização de ações com vistas à sua capacitação do ponto de vista técnico no uso das TICs .

Na perspectiva de Levy (2010), as novas tecnologias podem propiciar as condições de se promover novas formas de organização dos grupos, com maior flexibilidade e transversalidade. Para isso, a apropriação das mesmas é considerada de fundamental importância para a dinamização dos coletivos e das organizações em suas auto-organizações. Estamos falando de singularidades ou de pessoas conectadas em comunidades virtuais, redes sociais, etc. Elas vão se agregando aos coletivos, não porque há uma especificação em um nível maior de organização ou hierarquia, mas por escolhas próprias. Não há um lugar onde a inteligência coletiva possa ser considerada ultra criativa.

Sobre uma visão romântica do conceito de juventude, Dayrell (2010), nos chama-nos atenção para uma reflexão acerca do reducionismo nele contido:

(...) um tempo de liberdade, de prazer, de expressão de comportamentos exóticos. A essa idéia se alia a noção de moratória, como um tempo para o ensaio e erro, para experimentação, um período marcado pelo hedonismo e pela irresponsabilidade, com uma relativização da aplicação de sanções sobre o comportamento juvenil. Mais recentemente, acrescenta-se outra tendência: a de perceber o jovem reduzido apenas ao campo da cultura, como se ele só expressasse a sua condição juvenil nos finais de semana ou quando envolvido em atividades culturais. (Dayrell: 2010, p. 62)

O esforço da sociedade, tanto moderna, como a “pós-moderna”, ao que parece, tem sido o de “enquadrar” o ser jovem em um dado modelo, seja ele de classe alta, média ou baixa. Nesse sentido, as idealizações ofuscam as possibilidades de identificação do ser jovem em dado contexto ou classe social, como também das suas demandas e vivências, aqui, em especial, dos jovens pertencentes às classes menos favorecidas, que mais excluídos se tornam.

Os estudos sobre juventude e educação, segundo Dayrell (2009), obtiveram avanços na medida em que se problematizam com maior clareza as relações do jovem com a escola, seu saber, sua sociabilidade e socialização no espaço educativo, com foco no ensino médio. Neste sentido, é possível inferir que a escola, uma vez afetada, será social e culturalmente impelida a mudar seus processos de socialização das futuras gerações. De outra parte, a diversidade dos jovens na escola e suas múltiplas identidades – considerando os aspectos de gênero e étnico raciais – ganham maior importância e começam a fazer parte integrante das pautas de discussão. Assim, as temáticas juventude e escola avançam nos debates acadêmicos conferindo maior visibilidade ao jovem, tanto em termos de sua condição juvenil quanto de suas práticas culturais.

Peregrino (2009) aponta para a relevância dos dados do PNAD15, sobre os jovens brasileiros e sua inserção no mundo do trabalho, o que permite pautar reflexões sobre o sentido e o significado de ser jovem na sua relação com o trabalho, com a escola e com a sociedade.

Os Jovens Brasileiros e sua Inserção no Mundo do Trabalho: PNAD 2007

Dos sete milhões de jovens entre 14 e 15 anos:

 80 % residentes em áreas urbanas;  18,1% jovens trabalhadores;

 67,7% dos jovens do sexo masculino;  60% dos jovens se declaram pretos e pardos;

 Provenientes de famílias com rendimento médio domiciliar per capita em torno de R$ 275,00

Dos seis vírgula sete milhões de jovens entre 16 e 17 anos:

 81% residentes em áreas urbanas;  34,7% jovens trabalhadores

 Maioria de jovens do sexo masculino: 63,5%  Maioria de jovens pretos e pardos: 55,4%

 Provenientes de famílias com rendimento médio domiciliar per capita em torno de R$ 352,00

Quadro 1 – Dados do PNAD Fonte: Adaptado de Peregrino (2009, apud PNAD 2007).

Os referidos dados são alarmantes e confirmam a necessidade de serem adotadas medidas que possam transformar a realidade desses jovens:

Peregrino (2009) identificou um índice maior de escolarização entre os jovens, embora em condições de um “suposto” acelerado processo de aprendizagem na modalidade Educação de Jovens e Adultos. O controle das taxas de reprovação cria situações em que o jovem recorre à escola buscando elevar seu grau de escolarização.

No entanto, é importante mencionar as condições de escolarização ofertadas aos alunos jovens, consideradas essencialmente precárias, tanto no perímetro urbano quanto no rural. E, é no espaço da escola que, muitas vezes, as práticas de exclusão se ampliam de modo consciente ou inconsciente nos processos de socialização, podendo sua expressão ser silenciada.

Segundo Dayrell (2007), há uma crise entre juventude e escola, em especial, no que tange à escola pública. Isso vem ocorrendo em função de que para a escola a juventude é problemática, na medida em que o seu desinteresse por ela representa irresponsabilidade. De outra parte, os jovens se distanciam de uma escola, por eles considerada enfadonha, em decorrência de que ainda não lhes disse a que veio. Assim, a paulatina substituição dos métodos tradicionais pelas novas tecnologias da informação e comunicação ,no cotidiano escolar dos jovens, significa pautar uma das tensões que permeia o espaço educativo e suas práticas de socialização.

Nesse sentido, Dayrell (2007:1107) parte do pressuposto que é necessária a problematização da condição juvenil em sua cultura, suas demandas e necessidades próprias. Para o autor, é de fundamental importância a compreensão de suas práticas sociais, de seus símbolos e de suas manifestações. A compreensão desses fatores permitirá a identificação de um novo modo de ser jovem, que se manifesta por meios dessas dimensões para a demonstração dos sentidos e dos significados de si e da sociedade na qual se insere. Para cada contexto social há uma construção, uma representação do que é ser jovem.

Dayrell (op.cit.) acredita que os jovens falam de si próprio por intermédio de seu corpo, do estilo de suas roupas, de tatuagens, de piercings etc.; falam, ainda, das identidades que assumem no espaço da cibercultura quando se veiculam à comunidades e estabelecem práticas sociais e culturais. Dayrell (2007:1107) afirma também que é com os pares que os jovens “se identificam e fixam similitudes e diferenças em relação aos outros... em diferentes grupos e galeras” (Ibidem, p.1111) Esse tipo de experiência, que vislumbra o adolescente como protagonista, na pesquisa de Pereira (2003), estende-se e amplia-se no universo jovem, como apontou também Dayrell (op.cit.). A classe social à qual pertence o jovem vai lhe conferir maior ou menor condição de acesso e de participação na cibercultura. Ele estará, porém, participando naquilo que a sua realidade lhe permite.

Outra forma de dialogar com os jovens é trazer para o ato educativo as experiências de projetos de ensino que lhes oportunizem a comunicação e expressão de conhecimentos no processo de sua própria formação. Ou seja, o reconhecimento dos jovens como sujeitos de saberes.