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R´esultats du LAT sur quelques sources TeV particuli`eres100

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3.4 R´esultats

3.4.2 R´esultats du LAT sur quelques sources TeV particuli`eres100

O eugenismo não foi a única preocupação da higiene entre os anos de 1920 a 1940. É possível identificarmos outras tentativas de totalização da vida cotidiana através da prática higiênica. Um conhecido higienista desse período, J.P. Fontenelle, lançou em 1940 um compêndio denominado Compêndio de Higiene. Nele faz considerações acerca do eugenismo e suas práticas, que deveriam fazer-se de dois modos: por ação negativa ou restritiva, ou seja, a regulamentação do casamento, a segregação e a esterilização; e, por ação positiva e construtiva, baseada sobretudo na educação higiênica e na propaganda dos princípios da eugenia e da hereditariedade. Fontenelle registra também em sua obra, proposições de controle social através dos dispositivos sanitários. Para ele, o projeto higiênico dependia de uma estreita cooperação entre a ciência, a educação e propaganda e a legislação. O propósito é preparar a “consciência sanitária” do povo e automizar os atos individuais.

Nesse sentido, determinam-se as pautas de higiene escolar desenvolvidas nesse período, com fins de regulamentar e normatizar a vida cotidiana. A intenção era o enquadramento dos modos e atitudes infantis, pensando educar higienicamente todo o povo. A escola funcionaria como promulgadora dos bons costumes, propagados pelas crianças em casa, “onde desejam que tudo se passa como na escola, a cujo meio puro e sadio facilmente se acostumam”. A ideologia da higiene escolar teve em Carlos Sá um de seus muito agitadores, influenciado principalmente pelos modelos norte-americanos. Em 1942, ele assim definia os objetivos da higiene escolar:

A higiene escolar compreende um conjunto de medidas destinadas a assegurar a salubridade da escola e a saúde dos alunos e professores (...) determinando regras de exame, corrigindo defeitos, curando o que comparta tratamento, prevenindo males inevitáveis, promovendo reajustes físicos, mentais e sociais e contribuindo para hábitos, atitudes e conhecimentos de vida sadia, cada vez mais vigorosa e mais útil. (SÁ, Carlos apud COSTA, 1981, p.25)

Carlos Sá define ainda parâmetros para avaliação da normalidade de saúde no espaço escolar. Ele se utiliza de sinais físicos e mentais, apresentados no Quadro 1 (pág.60).

Observa-se nesses parâmetros definidos por Carlos Sá que a ideologia da higiene escolar tem um forte fator de distinção de classe. Por exemplo, “rosto levemente rosado e lábios rosados” só eram possíveis para crianças brancas, oriundas das elites, para quem de fato era destinada a educação escolar. Da mesma forma, “gosto pelos alimentos úteis” exclui do padrão de normalidade aquelas crianças que comiam o que tinham, quando tinham. Além disso, “asseio do corpo e das roupas” é uma preocupação que exclui os menos favorecidos desses padrões de “normalidade” e, como veremos ao longo desse trabalho, mantém-se até os dias atuais.

Dentre os sinais mentais, é interessante observar que Sá desvaloriza a consciência do próprio corpo o que é totalmente contrário aos princípios defendidos hoje pela promoção da saúde, embora, no cotidiano da escola pesquisada, esses parâmetros higiênicos ainda podem ser identificados.

Quadro 1 Parâmetros para avaliação da normalidade de saúde no espaço escolar

conforme Carlos Sá

Sinais físicos Sinais mentais

 Peso de acordo com a estatura e a idade;

 Crescimento regular;  Cabelos sedosos;

 Olhos vivos, conjuntivas claras e pálpebras lisas;

 Rosto levemente rosado e lábios rosados;

 Boca habitualmente fechada inclusive no sono;

 Respiração igual pelas duas narinas;  Dentes claros e íntegros, bem

articulados;

 Voz bem timbrada;

 Apetite sem exagero, insuficiência ou perversão, gosto pelos alimentos úteis;

 Mastigação suficiente, digestão fácil e evacuação intestinal diária;

 Pele lisa, sem manchas ou cicatrizes;  Músculos rijos e articulações bem

conformadas;

 Ossos fortes e direitos, pés bem arqueados;

 Passo firme e ágil;

 Boa posição habitual de equilíbrio sobre os dois pés;

 Ventre contraído;  Peito saliente;

 Ombros na mesma altura;  Cabeça erguida;

 Visão e audição bilateral normal;  Sono tranquilo 9 a 10 horas por

noite;

 Boa disposição ao acordar, levantando-se imediatamente;

 Banho frio;

 Dentes escovados 2 vezes por dia;  Asseio do corpo e das roupas;  Vida muito ao ar livre.

 Falta de consciência do próprio corpo;

 Capacidade de fixar a atenção nos estudos e brinquedos;

 Memória viva;

 Imaginação razoável;  Curiosidade;

 Interesse pelas pessoas e coisas em derredor;

 Iniciativa;

 Confiança em si sem teimosia, nem medo, nem timidez, nem mentira;  Prazer em brincar com outras

crianças;

 Relações puras com crianças de outro sexo;

 Nem vaidade, nem despeito;  Cooperação;

 Alegria;  Felicidade;

Ainda em meados da década de 1940, a ênfase no caráter técnico e a escassa preocupação doutrinária no processo de totalização da higiene no cotidiano, permitirão a Carlos Sá esboçar as primeiras críticas ao eugenismo.

Porque o homem não é apenas um organismo animal, porém uma pessoa com dignidade espiritual, não pode rebaixar-se a cruzamento daquela natureza. Nem mesmo deve ser submetido a certos processos amorais que alguns povos têm tentado aplicar. Apenas o exame pré-nupcial facultativo pode ser admitido, a par da proibição de consórcio de senis e da segregação de insanos. (SÁ, Carlos apud COSTA, 1981, p.26)

O ano de 1944 é marcado pela criação do Departamento Nacional da Criança e pela fundação da Sociedade Pestalozzi do Brasil. Nesse período ainda, teve início a Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae, voltada para a assistência às crianças que apresentavam problemas escolares. Mais tarde em seu corpo, integram-se profissionais das áreas médica, pedagógicas e psicológica.

O fim do regime autoritário do Estado novo e a derrota mundial do fascismo trazem ares democráticos às práticas de normatização sanitária. Os documentos do VI e VII Congressos Brasileiros de Higiene, respectivamente em 1947 e 1948, apontam que os intelectuais da higiene optaram pela ideologia do sanitarismo. A educação higiênica procurou transformar-se em dispositivo “técnico e apolíptico”. (COSTA, 1981, p. 26)

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