6. CODE OF PRACTICE FOR RELATIVE DOSIMETRY OF
6.1. Equipment
Para Darses e Reuzeau in Falzon (2007, p. 345), existem algumas motivações capazes de sustentar a implementação de ações participativas nas organizações e/ou sistemas, sendo elas:
A noção de que a participação contribui para o desenvolvimento pessoal; A introdução de princípios democráticos;
A melhoria no desempenho do sistema como um todo;
O entendimento de que a contribui para o desenvolvimento de competências; e, Contribui para a concepção de organização da equipe integrada.
A participação por si só não comporta as condições suficientes para o alcance do sucesso, de modo que necessita de pré-requisitos sociais e individuais e precisa ser uma modalidade de ação acordada (DARSES; REUZEAU in FALZON, 2007, p. 344). Segundo os autores, a participação só será efetiva e eficaz se as pessoas envolvidas encontram interesse individual e visualizam a recompensa dos seus esforços participativos.
Antes da implementação de ações participativa, existem alguns pontos que precisam ser observados e que são levados em consideração por Darses e Reuzeau in Falzon (2007, p. 346), são eles:
Os objetivos atribuídos aos sujeitos; A escolha dos representantes dos sujeitos;
O nível de participação de cada um dos sujeitos inseridos no processo; e A construção dos métodos participativos que precisam ser utilizados.
Os autores também propõem um quadro (Tabela 4) com os graus de participação atribuídos aos sujeitos, levando em consideração três modalidades: informar os sujeitos, consultar os sujeitos e decidir com os sujeitos.
TABELA 4: Graus da Participação (adaptado de DARSES e REUZEAU in FALZON, 2007, p. 347).
Graus Modalidades Atividades
Grau 1 Grau 2
Informar
Informar os sujeitos sobre os planos decididos pelos gestores;
Coletar informações e experiências dos sujeitos. Grau 3 Consultar Recolher as opiniões e sugestões dos sujeitos sobre as
ações em curso. Grau 4
Grau 5
Decidir
Negociar com os sujeitos em comitês formalizados;
Co-concepção e decisão conjunta entre as diferentes
partes implicadas.
Segundo Darses e Reuzeau in Falzon (2007, p. 347), no que diz respeito à modalidade de informação, sabe-se que esta restringe aos sujeitos o papel de fornecedor de informações. Desse modo, do ponto de vista das organizações e, até mesmo, considerando que isto ocorra nas comunidades em que os desastres acontecem, parece exagero atribuir a esta modalidade a concepção de participativa. A modalidade de consulta possibilita que os sujeitos mostrem suas expectativas e opinem a respeito das decisões que precisam ser tomadas, no entanto, os sujeitos não possuem poder de decisão explícito, o que põe em xeque a concepção de participação da modalidade.
Por sua vez, a modalidade de decisão, conforme apresenta Darses e Reuzeau in Falzon (2007), caracteriza plenamente a concepção de participação, ao passo que “convida todos os atores envolvidos a examinar conjuntamente certas decisões e a produzir, juntos, soluções alternativas” (DARSES; REUZEAU in FALZON, 2007, p. 347).
Segundo Hendrick e Kleiner (2006), a noção de participação tem suas raízes na teoria das relações humanas que estabeleceu a importância dos sentimentos e atitudes nos sujeitos nas organizações. Para eles a participação pode levar a forma estrutural de um grupo nominal, a uma equipe coesa e ao envolvimento individual.
A Ergonomia Participativa pode ser entendida como o envolvimento dos sujeitos no planejamento e controle de uma parte significativa de suas atividades e do trabalho, considerando o conhecimento dos sujeitos e a influencia que este possa ter nos resultados da
organização, atentando-se para o alcance das metas desejáveis (WILSON apud HENDRICK & KLEINER, 2006).
Prosseguir com a decisão de implementar a Ergonomia Participativa nas organizações ou comunidades requer montar uma estrutura que, de acordo com Hendrick e Kleiner (2006), precisa considerar o tamanho e cultura da organização/comunidade, a natureza dor problemas encontrados, estrutura e tempo disponível, os stakeholders, os recursos disponíveis e o nível de treinamento/educação.
O foco deste trabalho, porém, não é o estudo da Ergonomia Participativa em si, mas da compreensão da participação dos membros da população, a partir do que propõe a Ergonomia, em especial a Ergonomia Comunitária, tomando-se como recorte do estudo as comunidades vulneráveis aos desastres.
Nesse contexto, considerando as ações e, principalmente, as tomadas de decisões necessárias nas comunidades vulneráveis aos desastres, pode-se entender que estas são situações importantes e que precisam da participação dos sujeitos envolvidos para que sejam eficazes. Hendrick e Kleiner (2006) consideram que o envolvimento das pessoas nos processos que envolvem tomadas de decisão aumenta não só o compromisso delas, mas também propicia que sejam elaboradas decisões mais válidas, que provavelmente ocorrem em decorrência do conhecimento dos sujeitos sobre as reais condições da comunidade.
Sendo assim, deve-se considerar que envolver os moradores das comunidades vulneráveis a desastres nos processos de decisões a respeito do gerenciamento dos riscos pode contribuir para que as decisões sejam mais eficientes e coesas, já que o envolvimento dos destes moradores leva em consideração a opinião e os conhecimentos da realidade trazidos pelos moradores.
No tocante à participação, enquanto método fundamental da ergonomia participativa, Hendrick e Kleiner (2006) acreditam que ela pode contribuir para o desenvolvimento de uma compreensão acerca dos sujeitos, seus próprios papéis e das pessoas com quem interagem, além de propiciar o conhecimento das ferramentas, informações e interfaces necessárias para a interação efetiva.
3.2.3.1 A Participação no Contexto das Comunidades
Quando a comunidade atua para alcançar seus objetivos ela ganha consciência das suas competências e da coletividade, de tal maneira que consegue propor, exigir e executar ações adequadas á resolução dos problemas da população. No entanto, promover a participação requer que os gestores “mudem a visão de que eles decidem tudo e passem a considerar que os moradores das comunidades também são atores nesse processo e compartilharão a tomada de decisão com outros indivíduos e organizações” (DONIAK, 2002, p. 19).
De acordo com Doniak (2002), a participação constitui-se um instrumento essencial no sentido de promover a articulação entre os atores envolvidos, fortalecendo a coesão, melhorando a qualidade das decisões e tornando mais fácil alcançar os objetivos de interesse comum. Participar significa estar presente ativamente no designar e no escolher das alternativas e suas combinações, promovendo a “possibilidade de superação da justiça social” (DONIAK, 2002, p. 46).
Gohn (2004) formulou quatro pressupostos da participação que, segundo ela, precisam ser considerados:
a) Uma sociedade democrática só é possível via o caminho da participação dos indivíduos e grupos sociais organizados;
b) Não se muda a sociedade apenas com a participação no plano local, micro, mas é a partir do plano micro que se dá o processo de mudança e transformação na sociedade; c) É no plano local, especialmente num dado território, que se concentram as energias e
forças sociais da comunidade, constituindo o poder local daquela região. O local gera capital social quando gera autoconfiança nos indivíduos de uma localidade, para que superem suas dificuldades. Constrói, junto com a solidariedade, coesão social, forças emancipatórias, fontes para mudanças e transformação social;
d) É no território local onde se localizam as instituições importantes do cotidiano de vida da população, como as escolas, os postos de saúde etc. Mas o poder local de uma comunidade não existe a priori e precisa ser organizado, adensado em função de objetivos que respeitem as culturas e diversidades locais, que criem laços de pertencimento e identidade sociocultural e política.
Almeida (2014, p. 26) considera que a participação seria uma forma de integração dos indivíduos, uma conquista e um processo. A participação comunitária numa situação de
desastres pode ampliar a informação e a comunicação local, comprometer os administradores públicos e garantir uma resposta clara e direta às demandas de uma comunidade (UNISDR, 2012).
Quanto à participação da comunidade numa situação de desastre, percebe-se que “as pessoas, ao se identificarem como passíveis de uma mesma ameaça, assumem atitudes solidárias e de colaboração, quando percebem que a luta de cada um é a luta de todos” (ALCÂNTARA; MORA, 2013, p. 216). Em situações como esta, o sentimento de fazer parte da comunidade costuma ser grande. Segundo os autores, alguns depoimentos revelam que o sentimento de fazer parte da comunidade é mais forte quando as dificuldades são maiores. “Parece que há um potencial de união e solidariedade em consequência da necessidade de sobrevivência” (ALCÂNTARA; MORA, 2013, p. 217).