Vers le pôle Saint-Romuald
5.2 ENTRÉE DU SECTEUR CHARNY
116 Disponível em: http://oglobo.globo.com/brasil/brasil-tem-10-dos-homicidios-do-mundo-
19537676#ixzz4ILawK3Ax. Acesso em outubro de 2016.
117 O cálculo foi feito com base nas vidas que seriam perdidas caso o aumento seguisse na velocidade
registrada no período anterior à lei. Disponível em: http://oglobo.globo.com/brasil/controle-de-armas- evitou-133-mil-mortes-no-brasil-diz-estudo-19537666#ixzz4ILXJd4mp. Acesso em outubro de 2016.
118 Disponível em: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/13/economia/1444760736_267255.html.
FARIZA, Ignacio. A desigualdade aumentou desde a crise de 2008 e chega ao ápice em 2015. Acesso em novembro de 2016.
119 Disponível em: http://www.ihu.unisinos.br/560728-em-votacao-apertada-colombianos-rejeitam-
Ressurreição é seguimento na história! Na tradição cristã, segundo Jon Sobrino, se compreende o destino dos seres humanos a partir do destino de Jesus. “É preciso ter muito claro que Jesus não terminou sua vida ‘completados seus dias’, mas como uma vítima; e que a ressurreição não consistiu em devolver um cadáver à vida, mas em fazer justiça a uma vítima”.120 Assim, pode-se afirmar que o Ressuscitado é o Crucificado,
como também afirma o Jesus de João, quando o Ressuscitado aparece mostrando suas chagas (cf. Jo 20, 27).
Jon Sobrinho tem consciência de que fala a partir das vítimas, sem ser a vítima, o que não quer dizer que não se pode compreender nada de sua realidade e que já se tenha os conceitos adequados. “Por isso só com audácia e às apalpadelas podemos falar do que a ressurreição de Jesus significa para eles. E a partir deles talvez possamos falar de nossa esperança”.121
A partir do pensamento moderno, a ressurreição de Jesus é esperança, diretamente para as vítimas, segundo a visão sobriniana, para cuja identidade e relevância será necessário resgatar a novidade da teologia pós-conciliar, em que a ressurreição de Jesus afete eficazmente a história e sua relação essencial com as vítimas.122 Para Ignacio Ellacuría, ao falar do seguimento de Jesus, se deveria já viver como ressuscitados na história. Perguntar-se pela presença do Ressuscitado na história, conforme Sobrino, não seria nada de novo, embora o Novo Testamento chamasse a atenção para os perigos de compreendê-la só como ação do Espírito.123 O problema fundamental seria este: se a ressurreição se faz presente na história, especificamente, no seguimento de Jesus e não em qualquer lugar e de qualquer maneira, mas, além disso, de configurar “ressuscitadamente” a estrutura de encarnação, missão, e suportar o peso da história.124
Sobrino sustenta que, se a ressurreição de Jesus não se fizesse de alguma forma presente na história, permaneceria como algo totalmente extrínseco, algo não historizável nem verificável, como o é o seguimento de Jesus. E acrescenta dizendo que o Ressuscitado se pode fazer vitoriosamente presente no seguimento do Crucificado,
120 SOBRINO, Jon. Fora dos Pobres não há Salvação, p. 148. 121 SOBRINO, Jon. Fora dos Pobres não há Salvação, p. 149. 122 SOBRINO, Jon. A fé em Jesus Cristo, p. 24.
123 SOBRINO, Jon. A fé em Jesus Cristo, p. 26. 124 SOBRINO, Jon. A fé em Jesus Cristo, p. 26.
deixando claro que a Galileia é El Salvador e que a cruz é o lugar teológico privilegiado para se compreender a ressurreição.125
O ser humano é não apenas ser de salvação ou de condenação, nem só ser de esperança, mas é também ser de práxis, caso contrário não poderia compreender a ressurreição. Assim como o Reino de Deus, a ressurreição é um conceito práxico.126
O que há de continuidade entre a ressurreição de Jesus e nosso presente não estará só no sentido da vida presente, mas em viver já de tal modo que esta vida seja para a verdade e a justiça, ou seja, que a práxis seja uma determinada práxis, um pressuposto para captar a ressurreição de Jesus.127 Voltaremos a esse assunto ao final da segunda seção, quando vamos analisar a cruz e a ressurreição como superação da violência, pois esperança e práxis reclamam-se mutuamente. De qualquer modo, enfrenta-se a realidade para encontrar as demandas novas que se apresentam para a evangelização, pois se trata de discernir “os acontecimentos, nas exigências e nas aspirações de nossos tempos [...], quais sejam os sinais verdadeiros da presença ou dos desígnios de Deus” (GS, n. 11). “É o olhar do discípulo missionário que se nutre da luz e da força do Espírito Santo” (EG, n. 50).
Como se pode relacionar a prática libertadora de Jesus e a paz? O que se pode dizer sobre o Reino de Deus? Essas e outras questões farão parte da reflexão da segunda seção.
125 SOBRINO, Jon. A fé em Jesus Cristo, p. 29. 126 SOBRINO, Jon. A fé em Jesus Cristo, p. 45. 127 SOBRINO, Jon. A fé em Jesus Cristo, p. 58.
2 RELAÇÃO ENTRE JESUS E A PAZ
A reflexão sobriniana refere que a paz e o trabalho pela paz como utopia é uma das exigências de Jesus. Sem gestos utópicos de paz, não se rompe a espiral da violência. Como a violência histórica provem da injustiça, é preciso carregá-la, o que significa pôr-se do lado de suas vítimas violentadas.128 Daí o questionamento: qual a importância e o significado teológico da paz na vida e na mensagem de Jesus Cristo? E quais são as consequências na reflexão teológica do NT e na vida cristã como um todo? Teologicamente se coloca a questão da coerência entre a vida e a fé professada. Se acreditar-se no Deus de Jesus Cristo, o Deus que é Amor, como viver, então, efetivamente a fé em um mundo onde a paz ainda não é uma realidade concreta? Qual a importância e a profundidade da relação entre a construção da paz e o projeto salvífico inaugurado por Jesus de Nazaré? Essas questões nortearão a seguinte reflexão.