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R ENSEIGNEMENTS STATUTAIRES ET PROGRAMME DE RACHAT D ’ ACTIONS

MATRICE DES RISQUES 2020-2021

C. Les autres actions engagées en faveur des droits de l’Homme

3. R ENSEIGNEMENTS DE CARACTERE GENERAL CONCERNANT L AURENT - -P ERRIER

3.1. R ENSEIGNEMENTS STATUTAIRES ET PROGRAMME DE RACHAT D ’ ACTIONS

Ponderamos útil e necessário, neste ponto da presente exposição, apresentar um gráfico que visa facilitar a compreensão do anteriormente exposto relativo às duas perspectivas a modo de fechamento.

FIG 5. Comparativa das visões do artesanato

Além deste gráfico, que considera diferentes variáveis, compartilhamos os dois a seguir, que aprofundam na questão fundamental da consideração do patrimônio em relação a uma linha cronológica.

FIG 6. Quadro explicativo da visão estática do artesanato.

Observemos o gráfico. A visão estática, segundo o falado, focaliza principalmente no passado, mas não em toda a história da prática.

Em função de um olhar contemporâneo representado pelo ponto (A) "Atualidade", determina um período cronológico anterior, o ponto (A)-n (valor quantitativo em anos).

Esse recorte cronológico é determinante e definido por diferentes razões: funcionalidade à definição do patrimônio, do próprio, consolidação do conceito de estado, etc.

Existiriam outros pontos cronologicamente anteriores ((A)-2n, (A)-3n, etc…) que corresponderiam aos momentos de transferência, consolidação e desenvolvimento das técnicas dados pelas correntes migratórias, introdução de novas tecnologias, etc. Mas, estes pontos são desconsiderados ou, considerados menores já que a sua própria existência evidenciaria a mutabilidade das práticas artesanais.

Por isso, a visão estática faz um recorte particular e trabalha em proteger e segurar a imutabilidade da técnica segundo observado nesse período particular do momento cronológico escolhido. Coloca a importância no presente como momento de salvaguarda e no passado como momento objetivo a ser preservado das ameaças.

FIG 7. Quadro explicativo da visão dinámica do artesanato.

A visão dinâmica, diferentemente, pondera o patrimônio como uma linha plástica, que envolve os pontos cronológicos sem perder a sua identidade, mas amoldando-se a cada um desses momentos.

Não existe o quebre tanto quanto não existe uma jerarquia: todos os pontos possuem igual importância no desenvolvimento da técnica. O presente solo cobra importância enquanto um momento que demanda a ação dos atores envolvidos com a preservação, mas também com o desenvolvimento, olhando tanto para o passado quanto para o futuro.

Achamos no artesanato, por todas as razões já expostas um espaço importante das produções humanas que precisa ser conservado e desenvolvido. Além disso, cremos que atualmente o mesmo cobra uma importância capital de face às

complexidades que criamos e fomentamos a través um sistema de organização sócio- econômico- produtivo de natureza predatória e progressivamente alienante.

O artesanato propõe a partir das suas interações com o ambiente, desde a dedicação à hora de trabalhar a matéria, e desde a forte carga simbólica carregada pelo produto final, uma revisão da nossa relação com os objetos na nossa contemporaneidade.

A mesma resulta cada vez mais leve e condicionada por um sistema que promove o descarte em pós da sua própria reprodução.

Não negamos o descremos do inegável valor simbólico atribuído aos objetos industriais. Mais acreditamos na genuinidade do objeto artesanal. O mesmo é suporte e publicidade de sim mesmo. Só possui as suas próprias características para agradar e seduzir enquanto o objeto industrial as mais das vezes conta com todo o poder de um aparato de verdadeira propaganda que torce as vontades e cria os mais ardentes desejos de posse.

De tal forma, celebramos qualquer tipo de ação que reconheça no artesanato uma fonte de valor, sem importar a sua natureza.

Suportamos aquelas passivas e protecionistas próprias da visão estática. Aquelas que se encarregam de registrar e documentar as ações, ou proteger o trabalho artesanal como no exemplo das baianas e da comunidade Mixe.

De igual maneira acreditamos nas ações ativas, mais concordantes com uma visão dinâmica, tais como as interações entre artesãos e designers levadas adiante pelo SEBRAE no Brasil e o INTI na Argentina.

Sem lugar a dúvidas, todas elas contribuem ao fortalecimento deste espaço de grande valor, mesmo focalizem no passado, no presente ou no futuro.

Más é importante esclarecer que, devido à natureza da presente pesquisa, o presente trabalho se posiciona decididamente do lado da perspectiva dinâmica.

Já que trata de aproximar uma complexa tecnologia de produção digital que se massificou nas últimas duas décadas às práticas artesanais ancestrais, seu foco, se bem valoriza esse passado, encontra-se no futuro das práticas.

Reconhecemos o valor da construção conjunta, e acreditamos que essa é a única forma de manter e continuar a desenvolver este patrimônio da humanidade. Sem o trabalho de reconhecimento e proteção do passado, não existiria no presente material para sustentar um ulterior desenvolvimento.

Reconhecemos também o risco envolvido no intercambio, risco de contaminação, de imposição ou descaracterização que poderia resultar da interação se as particularidades de ambas partes não fossem respeitadas seriamente. São os riscos que fundamentam as ações da visão estática.

Tais riscos são aceitados na crença de que o ganho para ambas partes, resultante do intercambio, pode ser infinitamente maior aos perigos representados por uma postura passiva e intransigente. Tal postura, indiscutivelmente, nunca seria construtiva e relegaria ao artesanato a manter a sua posição marginal e contribuiria a uma interrupção no desenvolvimento do patrimônio.

Tampouco acreditamos em que o emprego de tecnologias de produção digitais dentro das práticas artesanais seja o único futuro possível para as mesmas.

Isto só representa o nosso humilde aporte, na esperança de explorar mais uma área do conhecimento. Verificar se tais tecnologias de produção digitais, que aparecem diametralmente opostas à produção artesanal, podem se tornar num futuro distante ferramentas de uso cotidiano, por parte dos artesãos.

A máquina de costurar, atualmente aceitada nas produções artesanais, deve ter causado no momento da sua introdução, o mesmo tipo de receio e estranhamento.

Fazemos referência, para enfatizar as nossas palavras ao trabalho de Carlos Fernández Balboa ( 2009), quando ele se refere ao patrimônio intangível, do qual o artesanato faz parte (Fernández & Balboa., 2009.p.130):

"La única forma de preservar el Patrimonio Intangible es utilizándolo, difundiéndolo, aprovechándolo en lo cotidiano. Como el devenir de la vida, mucho se perderá en el camino, muchas formas culturales se olvidaran y otras nuevas nacerán seguramente. Pero lo que es importante es que esas formas que desaparezcan tengan la oportunidad de ser conocidas. (Fernández & Balboa., 2009.p.130)."