• Aucun résultat trouvé

Un encadrement à plusieurs visages

Dans le document Ce qu’enfermer des jeunes veut dire : (Page 116-124)

O brincar é tema de grande relevância nos estudos sobre a criança e o universo infantil, relacioná-lo ao espaço da sala das turmas de Educação Infantil não é tarefa fácil. Partindo dos estudos de alguns teóricos como Kishimoto (2001, 2010, 2014), Vigotski (2007), Horn (2004), entre outros, pretendo fazer uma relação entre a organização do espaço da sala de Educação Infantil para o brincar desenvolvendo a aprendizagem.

Começo evidenciando a importância do brincar no desenvolvimento infantil. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Brasil, 2009) em seus vários artigos destaca a importância do brincar no desenvolvimento infantil. Destaco o Artigo 4º que determina:

As propostas pedagógicas da Educação Infantil deverão considerar que a criança, centro do planejamento curricular, é sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura.

Kishimoto (2010) ao definir o brincar o engloba em todas as atividades cotidianas, a autora afirma que:

O brincar é a atividade principal do dia a dia. É importante porque dá o poder à criança para tomar decisões, expressar sentimentos e valores, conhecer a si, os outros e o mundo, repetir ações prazerosas, partilhar brincadeiras com o outro, expressar sua individualidade e identidade, explorar o mundo dos objetos, das pessoas, da natureza e da cultura para compreendê-lo, usar o corpo, os sentidos, os movimentos, as várias linguagens para experimentar situações que lhe chamam a atenção, solucionar problemas e criar. Mas é no plano da imaginação que o brincar se destaca pela mobilização dos significados. Enfim, sua importância se relaciona com a cultura da infância que coloca a brincadeira como a ferramenta para a criança se expressar, aprender e se desenvolver. (p.1)

Já Vigotski (2007), em seu livro “A formação social da mente” destaca que o brinquedo não é somente uma atividade prazerosa, pelo fato de existir outras experiências que propiciam o prazer de forma mais intensa. Além disso, existem alguns jogos que trazem a possibilidade do ganhar e do perder, esses jogos só dão “prazer à criança se ela considera o resultado interessante” (Vigotski, 2007, p. 107). Dentro dessa visão, o autor complementa:

(...) é impossível ignorar que a criança satisfaz certas necessidades no brinquedo. Se não entendemos o caráter especial dessas necessidades, não podemos entender a singularidade do brinquedo como uma forma de atividade (p. 108).

Ainda de acordo com Vigotski (2007):

(...) o brinquedo cria uma zona de desenvolvimento proximal na criança. No brinquedo, a criança sempre se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além de seu comportamento diário; no brinquedo, é como se ela fosse maior do que na realidade. Como no foco de uma lente de aumento, o brinquedo contém todas as tendências do desenvolvimento sob forma condensada, sendo ele mesmo, uma grande fonte de desenvolvimento (p. 122).

Nessa perspectiva da zona do desenvolvimento proximal Horn (2004) afirma que a brincadeira se torna uma promotora do desenvolvimento por ser uma atividade na qual a criança “aprende a atuar em uma esfera cognitiva que depende de motivações internas” (p. 19) como acontece nas situações do faz-de-conta vividas por elas.

Ao citar Vygotsky, Horn (2004) acrescenta que para o autor “o desenvolvimento humano é uma tarefa conjunta e recíproca” (p. 20). Destaca a importância da figura do adulto enquanto sujeito devendo promover e organizar situações de interação entre as crianças e o meio visando o desenvolvimento infantil.

A autora evidencia o papel do professor enquanto esse adulto experiente que deve organizar o espaço da sala de forma que essas interações aconteçam, na qual se descentralize a figura do adulto no processo de aprendizagem, e este por sua vez ocupem o papel de interferir na zona de desenvolvimento proximal da criança. Essa organização do espaço deve levar em consideração a relevância do brincar no desenvolvimento dessas crianças.

Essa intervenção, sobretudo na escola infantil, dependerá do modo como o professor, o parceiro mais experiente, organiza, por exemplo, jogos e materiais relacionados aos mais diferentes campos do conhecimento (linguagens, matemática, ciências, artes) que, em tal estágio de desenvolvimento das crianças serão os mais adequados e do modo como organiza cantos e recantos da sala, como biblioteca, casa de boneca, recanto das fantasias, das construções, os quais permitirão enredos com a participação em duplas, trios ou grupos maiores de crianças. (Horn, 2004, p. 20)

Kishimoto (2001) em seu estudo intitulado “Brinquedos e materiais pedagógicos nas escolas infantis” acrescenta que:

Cada sala de atividade deveria comportar, em seu interior, áreas de brincadeira, incluindo faz-de-conta, construções e jogos e tempo na rotina

para essa atividade, caso se deseje respeitar o direito de brincar da criança, fugindo do espontaneísmo ou do jogo educativo. (FRANÇA apud KISHIMOTO, 2001, p. 243)

Ao organizar o espaço da sala proporcionando o brincar se estará contribuindo para que a aprendizagem aconteça de forma prazerosa já que para a criança tudo pode ser realizado de maneira lúdica (Horn, 2004). Ainda de acordo com a autora:

O brinquedo satisfaz as necessidades básicas de aprendizagem das crianças, como por exemplo as de escolher, imitar, dominar, adquirir competências, enfim, de ser ativo em um ambiente seguro, o qual encoraje e consolide o desenvolvimento de normas e de valores sociais. Assim, deve haver também conexões entre desenvolvimento e aprendizagem, considerando a diversidade de linguagens simbólicas e, consequentemente, a relação entre o pensamento e a ação (p. 71).

Assim, torna-se necessário permitir à criança viver sua infância interagindo com outras crianças, com os adultos e com objetos, vivenciar experiências diversas, descobrindo coisas novas, expondo seus desejos e necessidades atribuindo sentidos a essas interações.

Nesse sentido, Conceição (2012), evidencia que

As crianças, na sua singularidade, interagem de forma única com o mundo, procurando compreendê-lo. Nesse processo utilizam as mais diversas linguagens, desempenhando a capacidade que possuem de questionar sobre o que pretendem descobrir. (p. 137)

Ao utilizar as diversas linguagens as crianças protagonizam, enquanto atores sociais, a construção do seu desenvolvimento evidenciando a importância de viver a sua infância enquanto tempo de brincar, sonhar, desenhar, colorir.

Segundo Oliveira (2010), as brincadeiras e outras atividades que acontecem nas creches e pré-escolas possibilitam às crianças vivenciar papeis diferentes se colocando no lugar do outro, coordenando seu comportamento com seus pares e desenvolvendo habilidades variadas.

Pensando em tornar o ambiente infantil mais lúdico para as crianças os teóricos aqui apresentados trazem contribuições importantes para reflexão sobre o brincar, a organização do espaço e o desenvolvimento infantil, revelando a relação existente entre temáticas tão caras para a Educação Infantil.

4 O RESSOAR DAS VOZES DAS CRIANÇAS

Escutar é obviamente algo que vai mais além da possibilidade auditiva de cada um. Escutar, no sentido aqui discutido, significa a disponibilidade permanente por parte do sujeito que escuta para a abertura à fala do outro, ao gesto do outro, às diferenças do outro. (Paulo Freire, 2005)

As observações e rodas de conversas realizadas fizeram ressoar as falas das crianças do CIEI Areias. Durante as observações realizadas foi possível perceber os movimentos brincantes das crianças na sala e o quanto elas exploram esse ambiente.

É importante destacar que as observações foram realizadas nos momentos da brincadeira livre, principalmente no momento da chegada das crianças à escola. Como o espaço da sala já foi descrito anteriormente, irei focar na descrição do que foi observado. Focar o olhar nas crianças no momento do brincar livre demonstrou que ao realizarem essas brincadeiras sem pressão, em um ambiente familiar com ausência de tensão ou perigo a criança tende a apreender as normas sociais com menor risco (KISHIMOTO, 2014).

Dans le document Ce qu’enfermer des jeunes veut dire : (Page 116-124)