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Effet de l’hydrophobicité sur la sorption d’hydrogène gazeux

Chapitre 5 : Réactivité de l’hydrogène gazeux vis-à-vis de matériaux argileux

5.6. Effet de l’hydrophobicité sur la sorption d’hydrogène gazeux

Segundo Crompton (1999), dentre 342 espécies de helmintos que podem infectar o homem, Ascaris lum-

bricoides, Ancylostoma duodenale, Necator americanus, Trichuris trichiura, Enterobius vermicularis e Strongyloides stercoralis, são aquelas responsáveis por infecções que determinam maior impacto clínico na população.

A atividade anti-helmíntica das plantas é bem conhecida nas práticas de cura populares em muitas regiões do mundo. Extratos de diferentes partes de plantas ou de seus frutos são preparados por especia- listas populares, que representam o conhecimento local e cultural em comunidades do mundo inteiro. Na África, Ásia e América Latina existem algumas evidências de que estas preparações são ativas con- tra helmintos e protozoários. Testes com plantas sob condições científicas foram feitos com o objetivo de inibir o embrionamento de ovos de helmintos e tes- tar sua atividade contra os parasitos em humanos e animais. O modo de ação ou a substância química que causa dano ao parasito foi muito pouco investigado. Entretanto, os resultados obtidos foram promissores. Em geral, estas preparações mostraram poucos efei- tos colaterais, níveis de toxicidade baixos, indicando segurança no seu uso. Outras vantagens são o baixo custo e o fácil acesso, sendo às vezes, a única opção de tratamento em regiões pobres. Por tudo isso, as substâncias fitoterapêuticas representam uma ferra- menta em potencial para o controle das helmintíases intestinais (MASSARA, 2006).

Várias plantas no Brasil apresentam ação vermí- fuga, e dentre elas podem ser citadas: o gravatá, a romã, o mastruço ou erva-de-santa-maria, a hortelã, a laranjeira e a abóbora.

A hortelã Mentha villosa L, também conhecida como hortelã-pimenta, hortelã-chinesa, hortelã-comum é indicada como planta digestiva, estimulante e tônica em geral. É carminativa, antiespasmódica, estomáqui- ca, expectorante, antisséptica, colerética, colagoga e vermífuga (giárdia, ameba e lombrigas). No medica- mento são usadas as folhas frescas ou secas.

A

s parasitoses intestinais constituem-se num grave problema de saúde pública, sobretu- do nos países em desenvolvimento, sendo um dos principais fatores debilitantes da população, associados, frequentemente, a quadros de diarréia e desnutrição, que comprometem como consequência, o desenvolvimento físico e intelectual, particularmente das faixas etárias mais jovens da população, podendo levar indivíduos ao óbito (LUDWIG et al., 1999).

A principal fonte de contaminação do ser huma- no são as excretas do próprio homem, sendo que o mesmo contribui para contaminar o meio ambiente, ao lançar os dejetos in natura, ou com tratamento in- completo. Os ovos, cistos e larvas dos parasitos conta- minam o solo e a água, que os transporta a longa dis- tância, promovendo dessa forma, a infecção de novos hospedeiros (LUDWIG et al., 1999).

De modo geral, a maioria das pessoas infectadas se apresenta com quadro de dor abdominal, cólicas, náuseas, vômitos, diarréias, perda de peso, anemia, febre e quadros respiratórios. A apresentação dos sin- tomas e os exames de fezes normalmente dão a iden- tificação do parasita. As verminoses mais freqüentes são: ascaridíase (lombrigas), teníase (solitária), oxiu- ríase, tricuríase e ancilostomíase (amarelão). Outras, menos freqüentes, também são importantes, princi- palmente devido ao quadro clínico de alto risco para o paciente, tais como: amebiase, strongiloidiase. giar- díase e esquistossomose (LUDWIG et al., 1999).

Está bem estabelecido que as parasitoses intes- tinais são mais frequentes em regiões menos desen- volvidas. Nos países subdesenvolvidos as parasitoses intestinais atingem índices de até 90%, ocorrendo um aumento significativo da freqüência à medida que piora o nível socioeconômico. Pesquisas populacio- nais sobre parasitos intestinais foram realizados em diversas regiões do Brasil e mostram frequências bas- tante diferentes, de acordo com as condições locais de saneamento e características da amostra analisada (LUDWIG et al., 1999).

O gravatá Bromelia antiacantha Bertol, também co- nhecida como caraguatá, carauatá, gravatá-da- praia, bromélia, croatá, é uma planta nativa de campos e cerrados de quase todo o Brasil, seus frutos são áci- dos, purgativos, diurético, vermífugos e até abortivos; a polpa na forma de xarope é empregada para asma, bronquite e ancilostomoníase, bem como para pedras nos rins, no tratamento da icterícia e hidropsia (ede- ma); além de ser utilizado contra tosse. O chá das suas folhas com algumas gotas de própolis é utilizado no tratamento de aftas e feridas da cavidade bucal (bo- chechos) (PANIZZA, 1998).

A erva-de-santa-maria ou mastruço Chenopodium

ambrosioides L., também conhecida como ambrisina,

erva-formigueira, mentruz, matruz, mata-cobra, erva- santa, quenopódio, os frutos são muito pequenos e do tipo aquênio, esféricos, pretos, ricos em óleo e muito numerosos, geralmente confundidos com sementes. Toda a planta tem cheiro forte, desagradável e carac- terístico (LORENZI; MATOS, 2002). É originaria da Amé- rica Central e do Sul e espontânea no sul e sudeste do Brasil. Esta planta, segundo a Organização Mundial da Saúde, é uma das mais utilizadas entre os remédios tra- dicionais no mundo inteiro. É tida como, estomáquica, antireumática, diurética, vermífuga, sodorífica, para angina, gripe, bronquite e tuberculose. É usada ainda como cicatrizante e para contusões (uso externo).

A laranjeira Citrus sinensis L. é proveniente da Ásia Meridional e é cultivada também no Oriente Médio há milhares de anos. Adaptou-se perfeitamente no Brasil, existindo em todo o território nacional. Tem proprie- dades eupéptica, diurética, aperiente, colagoga, vita- minizante, alcalinizante, depurativa, laxante, antiin- flamatória, calmante e antiespasmódica. A folha tem indicação contra insônia, ansiedade, espasmos mus- culares e os frutos contra a avitaminose C, resfriados, artritismo, obstipação intestinal e anemia.

A romã Punica granatum L., também conhecida por romanzeira, granada, miligrana, milagreira, romei- ra-de-granada, miligrã. O fruto é do tipo baga, glo- bóide, medindo até 12 cm, com numerosas sementes envolvidas por um arilo róseo, cheio de um líquido adocicado. Provavelmente a planta é originária da Ásia, espalhada em toda a região do Mediterrâneo e cultivada em quase todo o mundo, inclusive no Brasil (LORENZI; MATOS, 2002). Seus frutos são comestíveis. O pericarpo é usado no tratamento de inflamações na boca e na garganta e o líquido do arilo das sementes e usado contra catarata (baseado na tradição). As cas- cas do caule e da raiz desta planta são usadas contra vermes chatos (solitária), diarréia crônica e disente- ria amebiana. Na forma de infusão em bochechos e

gargarejos é usada contra gengivites e faringites, em banhos contra afecções vaginais e leucorréias.

A abóbora ou jerimum Cucurbita pepo L. nativa da América Central. É planta amplamente cultivada em todo o país e no mundo tropical como alimento para o homem e animais. As sementes são consideradas vermífugas (PANIZZA, 1998). O chá das flores é esto- máquico, anti-térmico e anti-inflamatório dos rins, fígado e baço. O suco de folhas pisadas é usado exter- namente para queimaduras e erisipela. O fruto cozido é considerado anti-diarréico e o suco do fruto cru é considerado útil contra prisão de ventre.

Cinco autores clássicos da medicina dos séculos XVII, XVIII e XIX, que tiveram relações com o Brasil, foram analisados as suas concepções sobre a origem e o tratamento das lombrigas. Os textos em geral se referem à origem através da doutrina da geração es- pontânea destes parasitos no intestino humano e o seu tratamento através do uso de plantas medicinais.

As “lombrigas” segundo antigos textos médicos

Willem Pies (1611-1678), depois conhecido como Guilherme Piso, médico e naturalista presente no Brasil em meados do século XVII, durante a ocupação holandesa no Nordeste. Autor das primeiras obras sobre a medicina indígena brasileira (1648, 1658) (AL- MEIDA, 2007).

PISO em 1658 escreveu sobre a “geração” das lombrigas:

Os que vivem sob a zona tórrida sabem por experiência como nestas partes do orbe nada escapa ao risco da putrefação. Donde a enorme proliferação de insetos, principalmente de vermes, de sorte que quase nada deixam intato. O mesmo su- cede com o microcosmo, ao qual atacam frequentemente as diversas espécies de vermes, não menos do que a todo este universo. Infestam de modo extraordinário tanto, na parte interna, as vísceras das crianças e adultos, como na externa, as feridas e úlceras, em consequência do ambiente cálido e úmido (PISO, 1957 [1658], pp. 117-118).

Receitas de Piso contra lombrigas:

1 Xarope de tabaco, pela insigne propriedade depura- tiva e abstersiva, tanto nessa doença como nas outras afecções frias e oriundas de venenos.

2 Frutos ácidos do caraguatá e o seu licor destilado, dados aos poucos, às colheradas, com um pouco de tamarindo e mel silvestre.

4 Nozes da árvore Angelim que por causa de sua força indômita, requer-se justa dose e preparação. Esta noz é muito amarga e aplica-se ao umbigo, com mais segu- rança, a sua raspa, que, colocada no ânus, é também de exímia utilidade contra as ascárides; em pouco as extermina o seu amargor (PISO, 1957 [1658], p.117-118).

Quadro 1: Plantas citadas por Piso 1 Tabaco Nicotiana tabacumSolanaceae L. 2 Caraguatá Bromelia antiacantha Bertol. Bromeliaceae 3 Tamarindo Tamarindus indica L. Fabaceae 4 Limão Citrus limon Rutaceae (L.) Burm. 5 Laranja Citrus aurantium L. Rutaceae 6 Angelim Andira vermifuga Benth. Fabaceae

O médico português João Curvo Semmedo (1635- 1719) cuja obra mais conhecida e influente foi a Pol-

yanthea Medicinal (1697) que é divida em três tratados, onde descreve a utilização e aplicação do antimônio, as qualidades e benefícios dos pós de Quintílio, não deixando de referir outras terapêuticas alternativas. Teve profunda influência na medicina popular colo- nial. Sua obra continha explicações de acontecimen- tos relativos à natureza, como a própria doença, mas distanciadas dos critérios racionais e mais próximas dos conceitos da medicina popular. Mesmo que nunca tenha estado no Brasil, foi um dos maiores divulga- dores na Europa das riquezas medicinais brasileiras. A “geração” das lombrigas segundo Semmedo:

É a causa remota das lombrigas, tudo que for ocasião de ha- ver cruezas, como é o muito exercício, o muito coito, a muita fartura, o comer a cada passo (como fazem as crianças e por isso são muito sujeitas a criá-las). Finalmente as obstruções das veias lácteas e mesentéricas, que impedindo a passa- gem do quilo, o faz se deter nos intestinos e por esta causa se corrompe e se converte em lombrigas. A causa próxima e material é o humor, não o sangue, que o há mister a nature- za para sua conservação, não a cólera, porque desta não se pode gerar viventes, nem a melancolia, que é muito remota dos princípios da vida: mas a fleuma podre, que ajudada pelo calor concebe espírito de viventes diversos, conforme o lugar em que apodrece; mas não é necessário de que os alimentos de que se houverem de gerar lombrigas se convertam primeiro em fleuma, basta só que apodreçam, para que deles se gerem imediatamente, como vemos nos queijos, na carne, nos pêsse-

gos, nos figos e em outros frutos, nos quais só pela podridão se geram bichos, sem que as ditas coisas se convertam primeiro em fleuma (SEMMEDO, 1697, pp. 402-403).

Receitas de Semmedo contra lombrigas:

1 Pós de Quintílio, porque o antimônio de que são feitos contém em si o mais excelente mercúrio, que é um acérrimo veneno de lombrigas, é um remédio admirável16.

2 Xarope das flores do pessegueiro e ipericão mistu- rados com pó de jalapa.

3 Água de Azougue: duas canadas de água mais duas onças17 de azougue; ferver em panela de barro até fi-

car pela metade, acrescentar uma oitava de semente de Alexandria, que deverá o doente beber numa xíca- ra de seis em seis horas.

4 Uma oitava de folhas de ruibarbo, uma mão cheia de folhas de hortelã, um escrópulo de açafrão, tudo muito misturado e pisado, coser levemente em meia canada18 de água por meia hora, coar num pano e

acrescentar o sumo de um limão azedo. Esta bebida deve tomar o doente três ou quatro dias em jejum. 5 Emplastro: três onças de farinha de tremoços, fo- lhas de hortelã bem pisadas, uma mão cheia de fel de vaca, duas onças de ferrugem de chaminé, uma onça de vinagre fortíssimo, fazer tudo numa papa na qual se juntará pó de mirra e se ponha na barriga e na cruz das cadeiras do doente.

6 Outro emplastro feito com folhas de pessegueiro, losna, hortelã e artemísia, pisadas com algumas go- tas de vinagre fortíssimo e aplicado sobre o umbigo e na cruz das cadeiras do doente e renovado por três ou quatro dias.

7 Na botica de João Gomes Silveira no Chiado, procu- rar o remédio chamado de “Arcanum Lumbricorum”, “um segredo preparado pelas minhas mãos”, uma oi- tava em forma de pílulas ou desfeito em duas onças de água cozida com folhas de espinheiro Alvar (Rhamm- nus) ou com folhas de hortelã, tomar por cinco ou seis

16 Os pós de Quintilio faziam-se a partir de meio arrátel de antimônio que depois de reduzido a pó muito fino e sutil era tratado com igual quantidade de salitre até formar uma mistura homogênea que aquecida num cadinho sob fogo intenso resultavam num calcinado. Repetidamente lavado para tirar todo o salitre, este calcinado era dissolvido em água; deixado em repouso, dando origem a uns pós que assentado no fundo do recipiente.

17 Uma onça divide-se em oito oitavas equivalente a 28, 6875 g; uma oitava divide-se em 3 escrópulos equivalente a 3, 5859 g; um escrópulo divide- se em 24 grãos equivalente a 1, 1953 g.

dias. È um remédio seguro e bom contra as lombrigas (SEMMEDO, 1697, p. 406-407).

João Vigier (1662-1723) foi um comerciante de dro- gas português nascido na França, autor da famosa

Farmacopeia Ulissiponense, galenica e chymica, que contem os principios, deffiniçoens e termos gerais e de uma outra Pharmacia (1716), a primeira obra de química farma- cêutica impressa em Portugal. Educado e expatriado da França, radicou-se em Lisboa desde finais do século XVII, onde passou a exercer a profissão de boticário. Estudioso dos tratamentos medicinais e dos procedi- mentos curativos, consagrou-se no meio médico com a publicação da Farmacopeia Ulissiponense, que apresen- tava uma química medicinal de padrão iatroquímico ou espagírico. Foi o primeiro livro editado em Portugal a incluir uma descrição do material e das técnicas da química farmacêutica. O que diferenciou sua obra de outras versões foi a grande ênfase na apresentação de novas drogas de origem vegetal ou animal oriundas das colônias, sobretudo do Brasil. Incluía um Tratado da eleição, descrição, doses e virtudes dos purgantes vegetais e das drogas modernas das Índias e do Brasil, um vocabulário latino e português de todas as drogas animais, vegetais e minerais e era ilustrado com es- tampas representando equipamentos de laboratórios de química (CALAINHO, 2006).

A Farmacopéia Ulissiponense de João Vigier é uma reelaboração de outra obra de sua autoria publicada pouco antes, em 1714, intitulada “Tesouro Apolíneo, Galênico, Químico, Cirúrgico, Farmacêutico, ou Com- pêndio de Remédios para ricos e pobres”. O livro é uma coletânea de receitas, uma verdadeira prepara- ção para sua futura farmacopéia. A preocupação di- dática de Vigier é notável, e ele busca ensinar ao leitor os princípios iatroquímicos que trouxera de sua terra natal, como discípulo do renomado químico francês Nicolas Lémery (FILGUEIRAS, 1999).

A “geração” das lombrigas segundo Vigier:

Geram-se muitas vezes lombrigas no estômago e nos intes- tinos quando os fermentos que dissolvem os alimentos não são bastante incisivos para reprimir e destruir ovários que se acham neles, então sucede que o quilo que é muito grosseiro para passar as veias lácteas, faz demora e se azeda

(VIGIER, 1714, p. 338).

Receitas (récipes) de Vigier contra lombrigas: 1 Pílulas purgantes: duas onças de azebre (aloés, babo- sa) rosado ou violado, diagridio (escamônia), trociscos de alandal, calomelanos, uma onça de cada um, com xarope de losna se forme uma massa; dose de um a dois escrópulos.

2 Pó purgante: Uma onça de ruibarbo, sene e jalapa; zedoaria e sementes de coentro, tudo misturado em pó; dose meia oitava até uma.

3 Pó contra lombrigas: uma onça de sementes de Ale- xandria, sementes de hypericão, coralina, carlina, chifre de veado queimado e mirra, de cada um meia onça, calomelanos, em pó oitava três, tudo mistura- do, dose meia oitava até uma.

4 Pastilhas purgantes: coralina, carlina, zedoaria, jalapa, sene, diagridio e calomelanos, de cada um em partes iguais, com o triplicado peso de açúcar e mu- cilagens de goma alquirtra se forme uma massa para pastilhas, dose de uma oitava até duas.

5 Unguento específico: losna, fel da terra e abrotano, de cada um dois molhos; engos,alhos porros, mas- truços e beldroegas, de cada um meio molho, todos pisados frescos, cozer em duas libras de óleo de los- na e uma libra de água de beldroega até se gastar toda a umidade, coar e com meia libra de cera fazer ungüento e no fim antes de esfriar, misturar pó de azebre, de mirra e de coloquintidas, de semente de Alexandria e fel da terra, de cada uma meia onça, Quadro 2: Plantas citadas por Semmedo

1 Pessegueiro Prunus persica (L.) Batsch. Rosaceae

2 Ipericão Hypericum canariense Clusiaceae L. 3 jalapa Ipomoea purgaHayne. Convolvulaceae (Wender.) 4 Sementes de Alexandria Artemisia marítimaAsteraceae L. 5 Ruibarbo Rheum palmatum

L.Polygonaceae

6 Hortelã Mentha spicata L.Lamiaceae 7 Açafrão Crocus sativus L.Iridaceae 8 Limão Citrus limonRutaceae (L.) Burm. 9 Tremoço Lupinus albus L. Fabaceae 10 Mirra Commiphora myrraEngl. Burseraceae (T. Nees) 11 Losna Artemisia absinthiumAsteraceae L. 12 Artemísia Artemisia vulgarisAsteraceae L. 13 Espinheiro Alvar

fel de touro ou boi, duas onças, misturar e aplicar no estômago e umbigo.

6 Unguento de pós de azebre (aloés), de mirra, de colo- quintidas, de cada uma oitava, ungüento artanita, duas onças, misturadas.

7 Unguento de óleo de losna e macela, duas onças de cada, uma onça de cera, meia onça de fel de touro, tudo misturado.

8 Unguento de óleo de amêndoas amargosas, petróleo, diacoloquintidos, uma onça de cada, duas onças de pó de sabinas, uma onça e meia de cera, tudo misturado. 9 Pó para matar lombrigas: três grão de calomelanos e diagridio e meio escrúpulo de açúcar (VIGIER, 1714, p,341-342).

O cirurgião português Luis Gomes Ferreyra viveu e praticou em Minas Gerais e na Bahia na primeira me- tade do século XVIII, autor do conhecido e consultado

Erário Mineral (1735).

A “geração” das lombrigas segundo Ferreyra: As lombrigas se produzem de humores corruptos, que procedem dos maus cozimentos, e destes são gera- dos grande quantidade delas (FERREYRA, 1735, p. 13). Receitas de Ferreyra contra as lombrigas:

1 Meia xícara de sumo de “herva de Santa Maria”, sumo de dois ou três limões azedos, uma colher de azeite de mamona, dois pingos de vinagre forte, um dedo de pó de açafrão ou tabaco, tudo bem misturado e mor- no, dar ao doente pela manhã em jejum “que o doente há de tomar primeiro uma colher de açúcar, para não tomar o cheiro da mesinha. Depois do açúcar, deixar passar algum tempo “para que as lombrigas possam estar juntas no estômago por estarem faltas de susten- to, tapará o doente o nariz com os dedos, e sem tomar respiração, beberá de repente a dita mesinha”, repetir por cinco ou seis dias.

2 Sementes de Alexandria, chamada vulgarmente de erva lombrigueira “sendo nova, e misturando a cada meia oitava dela feita em pó tres a quatro grãos de calomelanos Turquescos19 , lançados em sumo de hor- 19 Um purgante que veio até aos nossos dias, os calomelanos ou

calomelanos turquescos, dos quais constavam 6 onças, sendo utilizado não só como purgativo, mas também como vermífugo, antisséptico intestinal, colagogo, diurético, anti-infeccioso, e externamente, principalmente no século XVIII, como anti-sifilitico, pois que se tratava de um sal de mercúrio (CUNHA, 1995).

Quadro 3: Plantas citadas por Vigier 1 Azebre Aloe vera L. ex Webb. Liliaceae 2 Diagridio Convolvulus scammoniaConvolvulaceae L, 3 Alandal

4 Losna Artemisia absinthiumAsteraceae L. 5 Ruibarbo Rheum palmatum

L.Polygonaceae 6 Sene Cassia angustifólia Vahl. Fabaceae 7 Jalapa Ipomoea purga Hayne. Convolvulaceae(Wender.) 8 Zedoaria Curcuma zedoariaRoscoe. Zingiberaceae (Christm.) 9 Coentro Coriandrum sativum L.Apiaceae 10 Sementes de Alexandria Artemisia marítima Asteraceae L. 11 Hypericão Hypericum canariense L.

Clusiaceae 12 Coralina (musgo da

Córsega) Algae

13 Carlina Carlina sp. Asteraceae

14 Mirra Commiphora myrra Engl. Burseraceae(T. Nees) 15 Alquirtra Astragalus gummiferFabaceae Labill. 16 Abrotano Artemisia abrotanoAsteraceae L. 17 Engo Sambucus ebulus L.Adoxaceae 18 Alho porro Allium porrum L.Alliaceae 19 Mastruço Chenopodium ambrosioidesChenopodiaceae L., 20 Beldroega Portulaca oleracea Potulacaceae L. 21 Coloquintida Citrullus colocynthisCucurbitaceae L. Schrad. 22 Artanita Cyclamen europaeum L.

Primulaceae

23 Macela Chamaemelum nobile Asteraceae (L.) All.

24 Amêndoa amargosa

Amygdalus comunis L. var. amara Ludwig ex DC. Rosaceae

25 Diacoloquintido Citrullus colocynthisCucurbitaceae L. Schrad. (electuário de coloquíntidas)

telã ou de mastruços verdadeiros ou de erva de Santa Maria com uns pingos de vinagre forte, é muito bom remédio; ou se pode lançar os ditos pós dentro de uma