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Effet de la défavorisation matérielle et sociale sur la qualité de l’usage

Chapitre 5. Discussion

5.2. Interprétation des résultats

5.2.3 Effet de la défavorisation matérielle et sociale sur la qualité de l’usage

Proposi¸c˜ao 2.3.4. Sejam R um anel local com ideal maximal m e M um R-m´odulo. Temos

ent˜ao a seguinte igualdade

ΓI(M) = lim←Ð J∈̃W(m,I)

Γm,J(M).

Demonstra¸c˜ao. Vamos mostrar que ΓI(M) = ⋂J∈̃W(m,I)Γm,J(M). Para isto, seja x ∈ ΓI(M) e J∈ ̃W(m, I). Ent˜ao existem inteiros m, n ≥ 0 com Imx= (0) e mn⊆ J + I. Assim mmnx⊆ Jx e portanto x∈ Γm,J(M). Segue ent˜ao que x ∈ ⋂J∈̃W(m,I)Γm,J(M).

Reciprocamente, seja x ∈ ⋂J∈̃W(m,I)Γm,J(M). Para J ∈ ̃W(m, I), existe um inteiro n ≥

0 tal que mnx ⊆ Ann(x) + J e assim J ∈ ̃W(m, Ann(x)). Ent˜ao temos que ̃W(m, I) ⊆

̃

W(m, Ann(x)). Pelo lema anterior segue que

V(Ann(x)) = ⋂

J∈̃W(m,Ann(x))

W(m, J) ⊆ ⋂

J∈̃W(m,I)

W(m, J) = V (I).

Portanto I⊆√Ann(x), concluindo assim que x ∈ ΓI(M), como quer´ıamos.

2.4

Resultados de anulamento e n˜ao anulamento

Nesta se¸c˜ao vamos mostrar alguns resultados presentes em [50] sobre anulamento e n˜ao anulamento da cohomologia local com respeito `a um par de ideais. Adotaremos como con-

ven¸c˜ao que inf∅ = ∞ para um subconjunto vazio de N e depth0 = ∞, dim0 = −1 para o

R-m´odulo trivial.

Teorema 2.4.1. Para M um R-m´odulo finitamente gerado temos a igualdade

inf{i ∣ Hi

I,J(M) ≠ 0} = inf{depthMp∣ p ∈ W(I, J)}.

Demonstra¸c˜ao. Defina n= inf{depthMp∣ p ∈ W(I, J)} e seja E●(M) uma resolu¸c˜ao injetiva

minimal de M . Se p ∈ W(I, J), ent˜ao n ≤ depthMp = inf{i ∣ µi(p, M) ≠ 0}. Assim, pela

Proposi¸c˜ao 2.1.11 temos a igualdade

ΓI,J(M)(Ei(M)) = ⊕

p∈W (I,J)

2.4 Resultados de anulamento e n˜ao anulamento 42

para algum inteiro i < n. Note tamb´em que ΓI,J(M)(En(M)) ≠ 0. Segue ent˜ao que

Hi

I,J(M) = 0 se i < n. ´

E suficiente mostrar que Hn

I,J(M) ≠ 0. Pela equa¸c˜ao (1) o complexo ΓI,J(M)(E●(M)) inicia a partir do n-´esimo termo. Assim temos o seguinte diagrama comutativo

0Ð→ Hn

I,J(M) Ð→ ΓI,J(En(M)) Ð→ ΓI,J(En+1(M))

↓ ↓ ↓

En(M) Ð→dn−1 En(M) Ð→dn En+1(M)

com linhas exatas. Uma vez que Kerdn = Imdn−1 ⊆ En(M) ´e uma extens˜ao essencial (ver

Apˆendice), segue que Hn

I,J(M) = ΓI,J(En(M)) ∩ Kerdn≠ 0.

Como um caso especial do teorema anterior, se J = 0, obtemos a conhecida igualdade

inf{i ∣ Hi

I(M) ≠ 0} = grade(I, M) = inf{depthMp∣ p ∈ V (I)}, para um R-m´odulo finitamente gerado ([6, Teorema 6.2.7]).

Corol´ario 2.4.2. Seja M um m´odulo finitamente gerado sobre um anel local R com ideal

maximal m. Ent˜ao as seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes: (1) M ´e um R-m´odulo (I, J)-tor¸c˜ao.

(2) Hi

I,J(M) = 0 para todo inteiro i > 0.

Demonstra¸c˜ao. A implica¸c˜ao (1) ⇒ (2) segue diretamente do Corol´ario 2.1.13(1). Para

provar(2) ⇒ (1), denote N = M/ΓI,J(M). Suponha por absurdo que N ≠ 0. Pelo Corol´ario

2.1.13 (3) e (4) segue que ΓI,J(N) = 0 e Hi

I,J(N) ≅ HI,Ji (M) = 0 se i > 0. Por outro lado,

como m∈ W(I, J) a desigualdade

inf{depthNp∣ p ∈ W(I, J)} ≤ depthNm = depthN(< ∞)

acontece. Portanto pelo Teorema 2.4.1, HI,J(N) ≠ 0 para algum inteiro i ≤ depthN . Isto ´ei

uma contradi¸c˜ao e obtemos assim N = 0, completando a prova.

Teorema 2.4.3. Seja M um m´odulo finitamente gerado sobre um anel local R. Suponha que

J≠ R. Ent˜ao Hi

2.4 Resultados de anulamento e n˜ao anulamento 43

Demonstra¸c˜ao. Procederemos por indu¸c˜ao sobre r= dimM/JM. Se r = −1 ent˜ao M = JM,

implicando pelo lema de Nakayama que M= 0. Portanto Hi

I,J(M) = 0 para todo inteiro i ≥ 0.

Assuma agora que r ≥ 0. Existe uma filtra¸c˜ao finita 0 = M0 ⊊ M1 ⊊ . . . ⊊ Ms = M

de M tal que Mj/Mj−1 ≅ R/pj para pj ∈ Supp(M) e j = 1, . . . , s. Para a sequˆencia exata 0 → Mj−1→ Mj → R/pj → 0 para j= 1, ⋯, s temos a seguinte sequˆencia exata

HI,Ji (Mj−1) → HI,J(Mi j) → HI,Ji (R/pj), para todo inteiro i e j com i≥ 0 e 1 ≤ j ≤ s. Note que

dimR/(pj+ J) ≤ dimR/(Ann(M) + J) = dimM/JM = r.

Ent˜ao podemos assumir que M = R/q com q ∈ Spec(R). Mostramos no Teorema 2.2.7 que

Hi

I,J(R/q) ≅ HIi(R/q),J(R/q)(R/q), assim trocando R por R/q podemos assumir que R ´e um dom´ınio integral e M = R.

Suponha, por absurdo, que Hl

I,J(R) ≠ 0 para algum inteiro l > r. Note que neste caso AssR(Hl

I,J(R)) ≠ ∅. Primeiramente assumamos que AssR(HI,Jl (R)) contˆem um primo Q n˜ao nulo. Seja ent˜ao 0≠ x ∈ Q. A partir da sequˆencia exata

0 → R→ R → Rx /(x) → 0 temos a sequˆencia exata

Hl−1

I,J(R/(x)) → HI,Jl (R) x → Hl

I,J(R).

Note que dimR/(J +(x)) = r−1 < l−1, assim por hip´otese de indu¸c˜ao temos Hl−1

I,J(R/(x)) = 0.

Isto mostra que o elemento x ´e Hl

I,J(R)-regular. Entretanto o elemento x esta no primo

associado Q de Hl

I,J(R), logo ´e um divisor de zero em HI,Jl (R). Esta contradi¸c˜ao for¸ca AssR(Hl

I,J(R)) = {(0)}. Note, pela Proposi¸c˜ao 2.1.7 e 2.1.13 (5), que AssR(Hl

I,J(R)) ⊆ W(I, J). Assim temos (0) ∈ W(I, J). Uma vez que o conjunto W(I, J)

´e fechado com respeito a especializa¸c˜ao, segue que W(I, J) = Spec(R). Neste caso ´e f´acil ver que Hl

I,J(R) = 0 para todo l > 0, o que ´e uma contradi¸c˜ao.

Corol´ario 2.4.4. Sejam R um anel local e M um R-m´odulo n˜ao necessariamente finitamente

2.4 Resultados de anulamento e n˜ao anulamento 44

Demonstra¸c˜ao. Uma vez que todo R-m´odulo ´e um limite direto de subm´odulos finitamente gerados, podemos escrever M = limÐ→

λ

Mλ, onde cada Mλ ´e um R-m´odulo finitamente gerado.

Note que i > dimR/J ≥ Mλ/JMλ. Portanto, pela Proposi¸c˜ao 2.2.6, temos que HI,J(M) =i limÐ→

λ

HI,Ji (Mλ) = 0, para i > dimR/J.

O teorema de n˜ao anulamento de Grothendieck [6, Teorema 6.1.4] diz que a cohomologia

local ordin´aria Hm(M) n˜ao se anula, sempre que R ´e um anel local com ideal maximalr

m e M um R-m´odulo finitamente gerado de dimens˜ao r. O pr´oximo teorema, encontrado

em [50, Teorema 4.5], pode ser visto como uma generaliza¸c˜ao deste resultado atribu´ıdo a Grothendieck.

Teorema 2.4.5. Seja M um m´odulo finitamente gerado sobre um anel local R com ideal

maximal m. Suponha que I+ J ´e um ideal m-prim´ario. Ent˜ao temos a igualdade

sup{i ∣ Hi

I,J(M) ≠ 0} = dimM/JM.

Demonstra¸c˜ao. Em virtude do Teorema 2.4.3, devemos somente mostrar que Hr

I,J(M) ≠ 0

para r = dimM/JM. Como I + J ´e um ideal m-prim´ario, pela Proposi¸c˜ao 2.1.4 (6) e (7)

temos que Hi

I,J(M) = Hm,J(M) para todo inteiro i. Podemos ent˜ao assumir que I = m. Ai

sequˆencia exata 0 → JM → M → M/JM → 0 induz a sequˆencia exata

Hm,J(M) → Hr m,Jr (M/JM) → Hm,Jr+1(JM).

Uma vez que dimJM/J2M ≤ dimM/J2M = dimM/JM = r, segue do Teorema 2.4.3 que

Hr+1

m,J(JM) = 0. Al´em disto, pelo Corol´ario 2.2.5 e o Teorema de N˜ao anulamento de Grothen- dieck [6, Teorema 6.1.4], segue que

Hr

m,J(M/JM) = Hm(M/JM) ≠ 0.r

Consequentemente, pela sequˆencia exata temos que Hm,J(M) ≠ 0, como quer´ıamos demons-r

trar.

Se J = R ent˜ao a afirma¸c˜ao do Teorema 2.4.3 n˜ao necessariamente acontece. Para

dimM/JM = −1 < 0 temos H0

I,J(M) ≅ ΓI,J(M) = M.

Considerando agora R um anel n˜ao local, temos o seguinte resultado sobre anulamento da cohomologia local com respeito ao par de ideais.

2.4 Resultados de anulamento e n˜ao anulamento 45

Teorema 2.4.6. Seja M um R-m´odulo finitamente gerado. Ent˜ao

(1) Hi

I,J(M) = 0 para todo inteiro i > dimM. (2) Hi

I,J(M) = 0 para todo inteiro i > dimM/JM + 1.

Demonstra¸c˜ao. (1) Segue imediatamente do Teorema 2.3.2 e o Teorema de anulamento de Grothendieck [6, Teorema 6.1.4].

(2) Provaremos por indu¸c˜ao em r = dimM/JM. Quando r = −1, pelo Teorema de Na-

kayama diz que (1 + a)M = 0 para algum a ∈ J. Assim temos que Jx = Rx para algum

x∈ M, implicando assim que o R-m´odulo M ´e (I, J)-tor¸c˜ao. O Corol´ario 2.1.13 mostra que Hi

I,J(M) = 0 para todo inteiro i > 0 = r + 1, como quer´ıamos. Quando r ≥ 0, podemos provar essa afirma¸c˜ao como feito no Teorema 2.4.3.

Lema 2.4.7. Seja n um inteiro n˜ao negativo. Suponha que Hi

I,J(R) = 0 para todo inteiro i> n. Ent˜ao, para um R-m´odulo M, n˜ao necessariamente finitamente gerado, as seguintes afirma¸c˜oes acontecem.

(1) Hi

I,J(M) = 0 para todo inteiro i > n.

(2) Hn

I,J(M) ≅ H

n

I,J(R) ⊗RM.

Demonstra¸c˜ao. Primeiramente devemos notar que, em virtude da Proposi¸c˜ao 2.2.6, devemos somente mostrar o lema para um R-m´odulo finitamente gerado M .

(1) Mostramos pelo teorema anterior que Hi

I,J(M) = 0 se i > dimM. Provaremos essa afirma¸c˜ao por indu¸c˜ao sobre i. Para um R-m´odulo finitamente gerado N e m um inteiro, considere a seguinte sequˆencia exata

0 → N → Rm→ M → 0.

Esta sequˆencia induz a sequˆencia exata

HI,Ji (Rm) → HI,Ji (M) → HI,Ji+1(N). Por hip´otese de indu¸c˜ao temos que Hi+1

I,J(N) = 0. Ent˜ao devemos ter que H

i

I,J(M) = 0, como quer´ıamos.

2.4 Resultados de anulamento e n˜ao anulamento 46

(2) Pela afirma¸c˜ao (1) temos que HI,J(−) ´e um funtor exato `a direita sobre a categorian de R-m´odulos. Assim, considere a apresenta¸c˜ao

Rm → Rp → M → 0.

Primeiramente, tensorisando esta sequˆencia por Hn

I,J(R) obtemos

Rm⊗RHI,J(R) → Rn p⊗RHI,J(R) → M ⊗n RHI,Jn (R) → 0.

Por outro lado, aplicando Hn

I,J(−) a sequˆencia exata inicial, obtemos HI,Jn (Rm) → HI,Jn (Rp) → HI,Jn (M) → 0.

Como Hn

I,J(Rm) ≅ HI,Jn (R)m≅ Rm⊗RHI,J(R) e Hn I,Jn (Rp) ≅ HI,Jn (R)p≅ Rp⊗RHI,J(R), com-n parando as duas sequˆencias obtidas anteriormente, devemos ter que Hn

I,J(M) ≅ HI,Jn (R)⊗RM, isto ´e, Hn

I,J(−) ´e representado como funtor tensor.

Relembre que o posto aritim´etico de um ideal I, denotado por ara(I), ´e definido como o

menor n´umero de elementos de R que s˜ao necess´arios para gerar um ideal que tem o mesmo

radical de I [6, Defini¸c˜ao 3.3.2]. Um resultado bastante conhecido diz que a cohomologia local Hi

I(M) = 0 para todo i > ara(I) [6, Corol´ario 3.3.3]. Neste sentido, para a cohomologia local definida por um par de ideais ´e conhecido o seguinte resultado.

Proposi¸c˜ao 2.4.8. Seja M um R-m´odulo. Ent˜ao Hi

I,J(M) = 0 para todo inteiro i > ara(IR),

onde R= R/√J+ Ann(M).

Demonstra¸c˜ao. Denote R′= R/AnnR(M). Ent˜ao R = R′/√J Re AnnR′(M) = 0. Como, pelo

Teorema 2.2.7, temos Hi

I,J(M) ≅ H

i

IR′,J R′(M), podemos assumir que AnnR(M) = 0. Denote

agora s= ara(IR). Ent˜ao, podemos encontrar uma sequˆencia a = a1, . . . , as de s elementos

em R tal que√IR=√aR. Pela Proposi¸c˜ao 2.1.4 temos a igualdade

HI,Ji (M) = HaiR,J(M) = H i(C

a,J⊗ M)

para qualquer inteiro i. Como o complexo C●

a,J tem comprimento s, vemos que

Hi(Ca●,J ⊗ M) = 0