V.4 Probl`emes ` a deux ´echantillons
V.4.3 Deux ´echantillons non appari´es
O modelo dinamarquês, é um exemplo de aproximação ao ideal EHR ou PCE. A partir de um relatório criado pelo Ministério da Saúde Dinamarquês em 2008, foi possível traçar as várias iniciativas levadas a cabo pela saúde na Dinamarca.
Tais iniciativas, tornam possível, por exemplo, à possibilidade de tornar acessíveis e comunicáveis os dados administrativos e clínicos, na área de cuidados preventivos, a capacidade de fornecer informações aos profissionais da saúde e público em geral através de lembretes, alertas automáticos e textos publicados que podem reduzir os erros de medicação e as reações adversas a medicamentos, fonte de dados para o estado de saúde da população, permitindo a tomada de decisão. O governo dinamarquês criou iniciativas para tornar criar mais transparente e responsável o setor público, vários passos foram tomados com o objetivo de melhorar a qualidade dos cuidados de saúde. As regiões que são os principais prestadores de cuidados de saúde e foram o ponto de partida e foco das iniciativas de gestão da qualidade. Em 2001, foi decidido apresentar o modelo de qualidade dinamarquês, uma iniciativa destinada a integrar e sistematizar iniciativas de qualidade existentes. Um objetivo central é a acreditação de todos os
33 hospitais de acordo com os padrões gerais para o ótimo tratamento e fluxo de pacientes. Posteriormente, o modelo será aplicado ao serviço privado, serviço municipal de saúde e farmácias.
O Instituto Dinamarquês de Qualidade e Acreditação em Saúde estabeleceu a criação de standards e indicadores para realizar a acreditação dos cuidados de saúde dinamarqueses.
A base para a avaliação será, terá as seguintes três categorias: uma categoria geral que abrange, a medicação e informação dos utentes, uma categoria organizacional abrangendo, por exemplo, a higiene e gestão da qualidade e, por último, uma categoria para doenças específicas.
Os dados gerados pelo modelo dinamarquês devem ser disponibilizados aos profissionais de saúde e ao público em geral. Esta transparência ajudará a estabelecer standards de alto nível no sistema de saúde e fornecer aos utentes informações que possam usar ao escolher entre os hospitais. O Projeto Indicador Nacional, que está integrado no modelo dinamarquês, disponibilizou dados sobre o tratamento de distúrbios selecionados, como o cancro no pulmão e esquizofrenia. Os resultados encontram-se disponíveis no portal web integrado para questões de saúde da Dinamarca, sendo o link, www.sundhed.dk, que atende a profissionais e público em geral. No portal da web, os cidadãos podem, usando uma assinatura digital, visualizar seu próprio registo médico (tratamento em hospitais) e os medicamentos de prescrição que compraram. (Krag, et al., 2008)
Em 2006, o Conselho Nacional de Saúde e o antigo Ministério do Interior e da Saúde lançaram o site www.sundhedskvalitet.dk. O objetivo deste é comunicar informações sobre qualidade e serviço nos diferentes hospitais. A informação deve ser de fácil compreensão para os cidadãos e também deve ajudar os cidadãos na escolha de um hospital.
O site tem informações sobre a qualidade clínica, informações sobre o número de complicações, sobre a qualidade experienciada pelos utentes, expressada através de pesquisas nacionais sobre experiências dos utentes e sobre a qualidade organizacional, que, entre outras coisas, expressa o padrão de higiene e os acordos pelos hospitais. Nesse site, os utentes podem comparar informações em diferentes hospitais. Para uma série de tratamentos, é possível ver como os diferentes hospitais são colocados em relação uns aos outros e comparados com a média nacional, escolhendo informações sobre o tempo de permanência nos hospitais, tempo de espera para tratamentos, higiene, etc.
A cada dois anos, as regiões dinamarquesas e o Ministério da Saúde e Prevenção realizam um questionário das experiências dos utentes nos hospitais. O objetivo da pesquisa é comparar experiências dos utentes a nível hospitalar e a nível de especialidades médicas.
Além disso, é um objetivo comparar as experiências do utente ao longo do tempo. A pesquisa inclui questões sobre serviços clínicos, segurança do paciente, continuidade dos membros do paciente e do pessoal, envolvimento e comunicação, informações, curso do tratamento, alta, ambiente físico, tempo de espera e escolha hospitalar gratuita.
34 A pesquisa realizada em 2006 mostrou que de uma maneira geral, os utentes têm uma apreciação positiva sobre o período de internamento. Mostrou, também, áreas onde os pacientes experienciam potenciais níveis de melhoria. O Conselho Nacional de Saúde administra o registo de eventos adversos. Depois de receber os relatórios analisados e anónimos por região, o Conselho Nacional de Saúde procura padrões e tendências comuns e fornece feedback e conhecimento às regiões em relação a situações de risco específicas. A informação é distribuída pelo National Board of Health em boletins informativos, alertas e relatórios sobre assuntos específicos, por exemplo, erros de medicação. Além disso, o Conselho Nacional de Saúde publica um relatório anual sobre os problemas e resultados.
Em 2008, a nova Estratégia Nacional de Digitalização do Setor de Saúde 2008-2012 foi adotada. A estratégia foi desenvolvida pela organização "Connected Digital Health in Denmark". Os princípios globais da estratégia são delineados em três objetivos:
Digitalização - uma ferramenta para criar qualidade e produtividade; Melhor atendimento e inclusão de cidadãos e utentes;
Uma cooperação mais forte criará conectividade digital.
A visão levada a cabo, é que os dados devem acompanhar o utente em fronteiras organizacionais em benefício dos utentes e profissionais de saúde.
A organização Connected Digital Health é responsável pela implementação da estratégia, que é uma ferramenta de governo global estável, a ser implementada por uma série de planos de ação dinâmicos, que consistem em vários programas e projetos.
A organização Connected Digital Health visa garantir o desenvolvimento coerente de soluções digitais a nível nacional. Alguns dos princípios governantes são transparência, inclusão e abertura. A saúde digital conectada possui um quadro no qual as regiões, os municípios e o estado estão representados. A organização é responsável por desenvolver e apoiar projetos nacionais que contribuam para garantir a conectividade digital, visa estimular e apoiar projetos nacionais de sucesso e, sempre que possível, dimensioná-los como soluções nacionais. Além disso, é responsável pelo estabelecimento de uma infra-estrutura nacional em relação à arquitetura do TI, padrões e princípios de segurança. Um princípio fundamental em relação à estratégia atual é que é uma ferramenta de governo global estável. A estratégia não funciona com um número fixo de iniciativas a serem realizadas durante o período de estratégia porque o ambiente em que a estratégia opera é dinâmico e as necessidades no setor mudam ao longo do tempo.
A estratégia é implementada através de programas que são dinâmicos e mudam ao longo do tempo à medida que as fases de desenvolvimento são concluídas.
A estratégia baseia-se na digitalização incremental de todo o setor da saúde. Serão desenvolvidas soluções que atendam às necessidades específicas e com a visão global de um
35 setor de saúde conectado digitalmente.
Inicialmente, a Connected Digital Health possuía cinco programas que regem uma série de projetos.
Esses são:
1. Índice Nacional de Utentes 2. Perfil da medicina
3. Arquitetura e segurança de TI 4. Standards
5. Telemedicina
Um projeto em que um dos cinco programas abrange o acesso a raios-x com descrições entre hospitais e cuidados primários e secundários. Outro exemplo, é a avaliação de standards internacionais em relação às necessidades nacionais. Os dois exemplos servem de ilustração de projetos desenvolvidos, resultando numa funcionalidade voltada para necessidades específicas do setor, bem como projetos que visam o estabelecimento de uma infra-estrutura nacional, ou seja, o estabelecimento de um portfólio de standards que abordem questões específicas.
O índice nacional de utentes, é um projeto de infraestrutura que possibilita pesquisar dados existentes de um utente nas fontes de dados integradas no índice, contém, também, uma série de medidas de segurança para garantir o uso seguro do sistema.
A ambição é a conexão de dois projetos, o índice nacional de utentes e registo nacional de saúde, tal torna possível proporcionar aos profissionais de saúde e aos utentes o acesso fácil aos dados do utente quando necessário, criando uma visão geral digital dos dados de saúde existentes. Será possível o acesso a dados completos clínicos do utente pelos profissionais de saúde. Isso beneficiará os profissionais de saúde e os pacientes de várias maneiras, uma vez que: Torna possível a existência de uma ferramenta clínica que permite a partilha digital de
dados;
Apoio na tomada de decisões em relação a encaminhamento, elucidação e tratamento do paciente.
Dar aos cidadãos acesso a uma gama mais ampla de dados de saúde, estabelecendo assim, uma base para o diálogo melhorado, uma melhor visão de sua própria condição de saúde e possibilidade melhorada de envolvimento ativo em seu próprio tratamento. (Krag, et al., 2012)
A nível da telemedicina, está centrada em torno de três temas principais:
Controlo de longa distância: esses projetos abrangem uma ampla gama de iniciativas onde o estado de saúde do utente é controlado à distância, muitas vezes da casa do paciente. Os projetos incluem o controlo auto relatado de doenças crónicas e a telemedicina assistida, onde o utente, é assistido por uma enfermeira, que por sua vez, realiza testes em vídeo sob a supervisão do
36 especialista no hospital. O objetivo é evitar visitas ao hospital. Isso beneficia os utentes e reduz os custos.
Projetos que envolvem videoconferência: o objetivo desses projetos é apoiar a comunicação entre profissionais de saúde (de médico ou enfermeiro para hospital ou entre hospitais) ou entre utentes e profissionais de saúde. A videoconferência foi utilizada nos municípios para fortalecer o diálogo entre municípios e salas médicas nos hospitais e na formação e supervisão do pessoal. Em segundo lugar, os municípios e os hospitais podem usar a videoconferência para obter a segunda opinião de especialistas.
Troca digital de fotos: o uso mais difundido desta tecnologia tem sido o intercâmbio de fotos de úlceras diabéticas para fins de exame entre enfermeiros domiciliares em municípios e especialistas em hospitais. Em algumas partes do país, o uso da telemedicina para exame de úlcera já é parte da rotina diária, enquanto outros estão pilotando a tecnologia. É amplamente aceite que, a solução pode ser benéfica em termos de qualidade e custos. (Krag, et al., 2012) Ao nível da infraestrutura, regiões, autoridades locais e outras organizações têm intranets seguras. Anteriormente, as redes locais incluíam a rede de dados de "saúde lógica".
Isso foi possível através do acordo sobre a uniformização da tecnologia e standards de comunicação, a fim de evitar problemas de comunicação em todas as regiões. As redes foram então consideradas como uma rede privada fechada onde nenhuma criptografia foi utilizada. Hoje em dia, essas redes estão ligadas pela rede de dados de cuidados de saúde (baseada na Internet) através de conexões VPN depois de entrar em um acordo de cooperação com a MedCom.
A penetração e as taxas de uso da Healthcare Data Network são as seguintes: Médicos de clínica geral: 97%,
Especialistas (tempo integral): 74%, Farmácias e hospitais: 100% Autoridades locais: 44%.
Os tipos de serviços de saúde eletrónica entregues através da rede incluem atualmente: Referências e resumos de alta
Prescrições
Teleradiologia - serviços de teledermatologia
Pesquisa dos resultados laboratoriais através do Portal Nacional de Saúde
No que concerne, aos standards de mensagens eletrónicas, mais de 4 milhões de documentos médicos padronizados são enviados como EDI (Electronic Data Interchange) por mês, o que representa 80% de todas as comunicações no setor de cuidados de saúde primários.
37 Desde 1996, a MedCom desenvolveu padrões EDI com base na sintaxe EDIFACT. Todos esses standards também foram desenvolvidos numa versão XML para o futuro das comunicações hospitalares.
A MedCom testa e aprova sistemas informáticos para a recepção e expedição de documentos EDIFACT e XML, bem como soluções de serviços web XML.
As mensagens cobrem os textos clínicos mais frequentes nos cuidados de saúde dinamarqueses, por exemplo, as cartas de alta, referências, ordens de teste de laboratório, prescrições eletrónicas e reembolso de seguro de saúde pública. Teve um início lento com menos de 4.000 documentos no primeiro ano, a troca de documentos de cuidados de saúde é atualmente quase totalmente eletrónica, com mais de 60 milhões de mensagens enviadas em 2011. Praticamente todos os documentos no setor de saúde são transferidos eletronicamente entre profissionais de saúde. O foco é digitalizar as mensagens enviadas entre hospitais e enfermagem domiciliar nos municípios, incluindo cartas de alta e planos de enfermagem domiciliar, estas devem ser totalmente digitalizadas até o final de 2012.
O Portal Nacional de Saúde Eletrónica, foi lançado em dezembro de 2003. Atua como um ponto de acesso único para serviços de saúde para cidadãos e profissionais.
Através de sua assinatura digital, os cidadãos podem fazer login no espaço web pessoal e usar uma variedade de serviços, como a reserva de consultas para clínicos gerais; encomenda De medicamentos e renovação de prescrições; revisão dos dados de medicação e saúde; ou comunicando com as autoridades de saúde. Os cidadãos também podem tornar-se doador de órgãos. Além disso, o portal oferece serviços de diretório, informações gerais e específicas sobre doenças específicas, acesso a diretrizes nacionais, etc.