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La dysharmonie cognitive

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Les pratiques cliniques de l'évaluation intellectuelle

2.2. Les plis et les replis de la détresse

2.2.2. Pourquoi une approche clinique de l'évaluation intellectuelle ?

2.2.2.1. La dysharmonie cognitive

RAMO DO

ESTABELECIMENTO QUANTIDADE

Secos e molhados 26

Ferragens e tintas 19

Fazendas por atacado 13

Padaria e confeitaria 11

Papelaria – artes gráficas –

tipografia 9 Armarinho 8 Couros 6 Comissões e consignações 6 Alfaiataria 5 Venda de terras 5 Drogarias e produtos químicos 5 Casemiras 5 Serraria 4 Calçados 4

Sedas e moda feminina 4

Brinquedos 3

Importação e representação 3

Móveis – tapeçaria – colchões 4

Vidros 3

Pianos 3

Louças – ferragens e cristais 3

Fonte: Adaptada de FREITAS, p. 2006.

Não apenas nos setores da elite empresarial os lusitanos se destacaram. Não há como negar a inserção deles, igualmente, em segmentos menos importantes do desenvolvimento, tanto do Rio como de São Paulo, na condição de força de trabalho. Pode-se, então, observar que na escala social de oportunidades, os portugueses incorporaram-se na qualidade

de mão-de-obra no setor de transporte, nas oportunidades de empregos fabris e em serviços domésticos, esses últimos, para as mulheres em especial.

No que tange a área de transporte Lobo detalha o seguinte:

A mão-de-obra portuguesa era ainda importante no setor de transportes no Rio de Janeiro, tanto na fase de tração animal como na de tração elétrica e a vapor. Na pesquisa realizada por Ana Maria da Silva Moura, 80% das licenças de carroças de frete entre 1848 e 1853 são concedidas a portugueses. Após 1853 aumentam os brasileiros proprietários de carroças ao lado dos portugueses até predominarem os primeiros. A autora só encontrou três referências até 1903 de outros estrangeiros. As carroças de tração animal eram amplamente utilizadas para mudanças, venda de trastes, pipa d‘água, transporte de café para o porto, material de construção, produtos da indústria e artesanato locais. Os carroceiros eram autônomos e viviam na área portuária. (2001, p.38).

As vidas de vários desses protagonistas anônimos da história como dizem os estudiosos da nova história - vêm sendo hoje objeto de estudos de memória, e de casos de histórias de vida.

A seguir, pequena narrativa de Lobo dá o panorama da vida de caixeiro, personagem tão presente na imigração portuguesa.

Segundo Lobo, baseada em Eduardo Navarro Stotz, que reproduz e analisa as reminiscências dos caixeiros do Rio de Janeiro da geração de 1874, publicadas em 1925 no Boletim da Associação dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro:

Há sessenta ou setenta anos passados, a condição do caixeiro só se distinguia da do escravo pelo fato de perceber um mísero ordenado, cinco mil réis por mês para começar. Tinha duas tardes livres por ano: dia de Nossa Senhora da Glória e Natal. ―Havia hora para fechar as portas – 10 horas – mas não havia para abri-las. Os caixeiros eram numerados: o primeiro administrava os outros e o último era da vassoura. Quando as portas se fechavam, dormiam sobre os balcões. (2001,

p.39).

Revelando as formas de esses jovens conviverem com tal realidade, a autora traz o testemunho de um deles, ao contornar a restrição.

Cartas de um empregado do comércio do Rio de Janeiro revelam que ele tinha de pedir consentimento ao

concessões aos caixeiros de saírem depois do jantar (geralmente às 4 ou 5 horas da tarde) e aos domingos, de quinze em quinze dias, por volta de 1876-1877. (2001, p.39, grifo nosso).

Causa espécie, sem dúvida, a natureza da relação não apenas comercial e trabalhista tão diferente daquela dos dias de hoje, haja vista a dependência que se estabelecia em relação ao dono do estabelecimento para momentos como este do casamento. Mas, num certo sentido, este seria o outro lado da moeda da aceitação do jovem que houvera sido abrigado por meio das Cartas de Chamada já referidas anteriormente, às quais muitas vezes resultavam, também, em acertos de casamento do jovem caixeiro com a filha do proprietário da casa de comércio.

Oportunidades em outras funções urbanas, não qualificadas, existiriam ainda, como já referidas acima. Com a palavra Silva:

Quanto às mulheres que não acompanhavam maridos ou parentes no trabalho da lavoura, era nas grandes cidades como o Rio de Janeiro que mais facilmente conseguiam um contrato como empregadas domésticas, capazes de todo o serviço, ou então, nos anos 30 deste século, com uma atividade mais especializada como copeira, arrumadeira, dama de companhia, governante, ou roupeira. (1992, p.48).

Para a professora Maria Aparecida Pascal, que recuperou histórias de vida na trajetória de mulheres imigrantes em São Paulo, os depoimentos obtidos dispensam comentários. Ao fazer a oitiva de D. Maria Joaquina, a senhora recordou: “Fui trabalhar de babá, de empregada (...). Eu

precisava pôr um banquinho para ajudar a lavar a louça‖. (2005, p.17).

Outra operária, Dona Carminda foi bordadeira e depois que seu pai se estabeleceu com um armazém na Barra Funda, ajudava-o no balcão. Algumas delas tiveram, no entanto, oportunidades de viajar pelo mundo como o foi o caso de D. Maria Augusta.

Com efeito, afirma Pascal: “A preferência pelas criadas

portuguesas nas famílias da elite paulista era justificada por apresentarem qualidades tais como serem de confiança, trabalhadeiras e caprichosas, além de terem melhores padrões de higiene‖. (2005, p.17).

Atingir essa condição de doméstica não fora a Árvore das Patacas com que sonharam. Houve também os excluídos. Aqueles que vieram ao Brasil na condição de não qualificados certamente conseguiram alguma colocação ou mesmo emprego, mas as oportunidades não foram nem nos misteres de ofícios, nem nas indústrias emergentes, nem no comércio.

Viriam a se enquadrar, no que se convencionou chamar de

Lumpemproletarido urbano ou no que a linguagem da institucional da época

chamava das “Sobras do arranjo social”, referido por Scott (2001).

No texto de Scott está ainda revelado, entre outros fatos, que esta categoria social, não necessariamente exclusiva dos imigrantes portugueses, viria a ser a clientela das Associações de Beneficência e de Caridade no caso dos lusitanos. Essas Associações exerceriam, em grande medida, o papel de receber, acolher, ajudar e encaminhar seus patrícios ao mercado de trabalho42.

Depois desse panorama da presença dos imigrantes europeus e não europeus, no país, e dos portugueses em todo o Brasil e em particular no Rio de Janeiro e São Paulo, a investigação será focada no lócus da tese, a cidade do Recife. Para tanto, o capítulo IV, a seguir, avança uma retrospectiva do evolver histórico da cidade do Recife, desde o período colonial até à instalação do Império no Brasil, e sua repercussão em Pernambuco.

42 SCOTT, no mesmo texto, informa fazer parte de um grupo de pesquisadores

binacional que está investigando a matéria. A bem da verdade é o outro lado da moeda da imigração desta feita de derrotas, de exclusão de marginalização prisões e deportações em contraste com aquela dos “Brasileiros de Torna Viagem” dos bem

CAPÍTULO IV

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