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Como a reclamação proveniente da Alemanha, referida na secção 4.2.6., relativamente aos produtos que chegavam danificados por não serem bem embalados teve um grande impacto na empresa, foi necessário criar uma solução para evitar que essa situação se repetisse no futuro.

Assim, em conjunto com o chefe de secção, o chefe de equipa e os operadores foi criado um procedimento de como, a partir dessa data, teria de ser feita a embalagem dos produtos. Como a forma de embalamento das 3 famílias de produção é distinta foi necessário criar um procedimento normalizado para cada uma delas – portas de cabine, portas de patamar com aros montados e portas de patamar com aros desmontados. Esta informação foi enviada para a Alemanha e, depois de pequenos ajustes, foi aprovada e é agora utilizada como forma normalizada de embalar.

Na Figura 85 pode ver-se um exemplo dos procedimentos que foram enviados para a Alemanha e no Anexo XVI encontram-se todos os procedimentos criados para as várias famílias de produção.

106 Capítulo 5

5.5.5. Standard Work

A variabilidade dos processos de fabrico, o facto de não haver uma sequência detalhada dos procedimentos de trabalho e a grande quantidade de artigos fez com que fosse necessária a normalização do trabalho. A normalização do trabalho através da aplicação da ferramenta Lean Standard Work (SW) pressupõe o preenchimento de três folhas distintas, no entanto só foram criadas duas destas folhas – a standard operations combination chart e a standard operations chart – uma vez que a informação presente na parts-production capacity worktable é muito semelhante à informação contida nos diagramas de sequência.

Para criar as standard operations combination chart (ou diagramas de sequência normalizada de operações) definiram-se as sequências das operações que devem ser realizadas para produzir cada artigo. As operações definidas correspondem à forma melhor, mais segura e com menos desperdícios de executar a produção dos vários artigos. Esta sequência foi definida em conjunto com o chefe de secção e com os operadores que, depois de algumas discussões, foi possível chegar a um consenso.

Com base no tempo normalizado definido na secção 4.2.2. determinou-se a duração de cada atividade. No Anexo XVII podem ver-se todas as standard operations combination chart para todos os postos de trabalho e na Figura 86 pode ver-se um exemplo de uma folha destas para um artigo montado no posto P04.1.01 (serra cabos).

Figura 86 - Standard operations combination chart do serra cabos

Tendo o tempo de ciclo e a sequência de trabalho definidas faltava só determinar a quantidade de WIP normalizada entre os vários postos de trabalho (SWIP – Standard Work-

Apresentação de propostas de melhoria 107

In-Process). Esta quantidade foi definida de acordo com as diferenças existentes entre os tempos de ciclo.

Como se pretendia que houvesse um fluxo de produção contínuo e sem excessos de stock, a quantidade de WIP devia ser tal que permitisse que o operador a jusante tivesse material para trabalhar enquanto o operador a montante finalizava o artigo seguinte. Por exemplo, o posto de trabalho P04.1.02 tinha um tempo de ciclo de aproximadamente 36min e os artigos que produzia seguiam para o posto P04.1.09 que tinham um tempo de ciclo de cerca de 11min. Como o TC do posto a jusante era inferior ao TC do posto a montante se não existir WIP iria ser necessário haver esperas. Assim, se entre estes dois postos existirem 4 artigos em curso de fabrico é possível garantir que o operador do posto P04.1.09 não tenha de esperar por peças se o operador do posto P04.1.02 trabalhar a uma cadência normal. Seguindo este raciocínio as quantidades de SWIP consideradas são apresentadas na Tabela 31.

Tabela 31 - Standard Work-In-Process

Início Fim SWIP Início Fim SWIP

P . P at am ar P04.1.00 P04.1.10 2 P . C ab in e P04.1.00 P04.1.10 2 P04.1.01 P04.1.02 1 P04.1.01 P04.1.05 1 P04.1.02 P04.1.09 4 P04.1.04 P04.1.10 2 P04.1.03 P04.1.09 1 P04.1.05 P04.1.10 5 P04.1.07 P04.1.10 1 P04.1.06 P04.1.05 1 P04.1.08 P04.1.09 1 P04.1.09 P04.1.10 2

A última fase do Standard Work passou pela criação das standard operations chart (ou diagramas de trabalho normalizado). No entanto, como os standard operation combinations charts foram criados para cada posto de trabalho individualmente, e não para um conjunto de postos, a standard operation charts teria também de ser relativa a cada posto em separado. Porém, como esse tipo de informação não traria uma grande mais valia nem serviria como uma boa informação visual, optou-se por criar uma standard work sheet de toda a secção que está representada na Figura 87.

108 Capítulo 5 Figura 87 - Standard operation chart

Como se pode ver pela análise da Figura 87 nesta folha estão identificados todos os locais onde existe Standard Work-In-Process (e a respetiva quantidade) e os pontos onde se faz algum controlo da qualidade. O SWIP indicado refere-se à quantidade de WIP existente entre o posto que tem a indicação e o posto seguinte. Dois dos locais assinalados como tendo controlo da qualidade (P04.1.02 e P04.1.05) são postos de trabalho que recebem materiais de outros postos pelo que há sempre uma verificação da conformidade do produto.

Instruções de trabalho

As instruções de trabalho aparecem muitas vezes relacionadas com o Standard Work na medida em que estas documentam, de forma simplificada, os procedimentos normalizados definidos através do SW.

Neste sentido, criaram-se, para cada artigo analisado, instruções de trabalho onde estão descritos os vários passos que se devem seguir na montagem. Estas folhas baseiam-se sobretudo em informações visuais (fotografias e esquemas) para simplificar a compreensão de todos. Na Figura 88 encontra-se um exemplo de uma instrução de trabalho criada para um artigo.

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No Anexo XVIII encontram-se as instruções de trabalho criadas para todos os postos da secção.