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Description synthétique des travaux

Dans le document REPUBLIQUE DE COTE D IVOIRE (Page 22-0)

1. DESCRIPTION DU PROJET

1.3. Description synthétique des travaux

Com base nos preceitos teóricos funcionalistas, entendemos que a atividade tradutória deve ser concebida na inter-relação entre: (i) agentes produtores textuais sócio- historicamente situados e (ii) a intencionalidade pragmática envolvida nos contextos de uso da língua. Nesse sentido, Polchlopek e Zipser (2009) elencam os princípios da ação tradutória propostos por Nord:

(i) a tradução é uma ação, ou seja, uma situ- ação comunicativa inserida em um contexto de situação real, autêntico; (ii) todo texto (traduzido ou não), tem uma função; (iii) a função do texto só é realizada a partir do momento da recepção do texto pelo seu des- tinatário, o que significa que todo texto é pre- dominantemente prospectivo, voltado ao lei- tor final, na língua de chegada. (POLCHLO- PEK; ZIPSER, 2009, p. 64)

Em consonância com Nord (apud POLCHLOPEK; ZIPSER, 2009), concebemos, portanto, que a tradução é um ato proposital de comunicação e que não podemos negar a existência de uma rede de intercâmbios no ato enunciativo entre interlocutores (que não é limitada somente às corporificações linguística).

Além disso, entendemos que essas manifestações corporificadas pela língua estão intrinsecamente relacionadas à nossa experiência de construção como sujeitos que recriam os referenciais linguísticos e culturais por meio de inúmeras práticas socialmente demarcadas pelos diversos espaços geográficos.

Ao compreender essa perspectiva funcional por meio de situações delimitadas pelo tem- po e espaço (que condiciona a situação co- municativa ‒ a língua deve ser respeitada como parte da cultura) e o próprio ato comu- nicativo (que interfere nas relações sociais), visto que a comunicação é condicionada por obstáculos da situação -em-cultura. (POLC- HLOPEK; ZIPSER, 2009, p. 65)

A ótica funcionalista se propõe a abordar os elementos de língua e cultura de forma imbricada, portanto, é importante esclarecermos aqui o conceito de cultura proposto por Gooudenough (1964) e adotado pela autora:

A cultura de uma sociedade consiste de tudo o que precisamos saber ou em que precisa- mos acreditar a fim de agirmos de modo a- ceitável para os membros dessa sociedade, e a fim de, assim procedendo, desempe- nharmos um papel que eles aceitaram para qualquer um de si. [...] A cultura não é um fe- nômeno material; ela não consiste de coisas, pessoas, comportamentos ou emoções. Cul- tura é, antes, uma organização dessas coi- sas. Assim, as coisas que as pessoas dizem ou fazem, seus acordos sociais e eventos, são produtos ou subprodutos de sua cultura, à medida que elas os aplicam com vistas a perceber e a lidar com as circunstâncias. (GOOUDENOUGH, 1964 apud AZENHA, 1999, p. 28).

Adotar esse conceito de cultura implica aceitar a tradução como uma ação de troca intercultural (por meio de textos orais ou escritos) que permite traduzir as diferentes formas de significar o mundo para a cultura do outro. Certamente, essas formas de significar por meio da/com a linguagem variam tanto quanto os seres humanos constroem e registram essas práticas sociais em diversos lugares, em um mundo pluralizado. Portanto, os contextos de produção de significados são sempre heterogêneos e estão intimamente ligados às formas como os sujeitos percebem e se relacionam com o mundo por meio de suas experiências sociais e históricas. Nesse sentido, para Nord (1997a), “[...] traduzir significa comparar culturas, pois só se pode perceber que uma cultura é estrangeira se esta for comparada aos próprios referenciais culturais do observador”. (NORD, 1997a, p. 34).

A partir desta reflexão, explicitamos que o entendimento da tradução, nessa perspectiva, ultrapassa os conceitos que se limitam à procura de equivalências linguísticas entre texto de partida e texto de chegada. Afinal, a dimensão sociocultural dos

agentes envolvidos no processo de produção e recepção dos textos configura-se como fator decisivo e determina as escolhas linguísticas do tradutor, como mediador cultural, em todo processo tradutório. Compreendemos, portanto, que ao traduzir o tradutor se compara e se diferencia (realizando um duplo movimento), pois demarca identidades a partir do que percebe como diferente com o seu olhar estrangeiro.

Sendo assim, Nord (1991) desenvolve um trabalho de didática da tradução dentro do contexto de formação de tradutores e propõe que a prática tradutória pode ser desenvolvida em sala de aula, de modo que instigue o aluno a refletir e considerar os aspectos indissociáveis de língua-cultura que existe em todo processo tradutório.

Na perspectiva funcionalista, temos outro fator importante a considerar: qual propósito do TF espelhado nas escolhas das funções textuais (comunicativas) que o produtor de um texto veicula (e pretende que sejam alcançadas), que, por sua vez, estão sempre vinculadas (direcionadas) à experiência de construção de significados pelo processo de leitura dos leitores em prospecção dentro de um determinado contexto? Por isso, em seu trabalho, Nord (1991) sugere que a tradução como ação comunicativa intercultural deve ser vista sob dois pontos de vista: os contextos de produção do TF e o de recepção do texto traduzido.

Esta perspectiva, portanto, alerta para o fato de que no cenário da tradução não figura somente o produtor de um TF, inserido em dado contexto histórico e que escreve para determinados leitores; mas também entra em cena a indiscutível relevância de para quem será traduzido, por que e onde será veiculado e recepcionado esse TF.

Assim, para que seja possível essa análise global e orgânica tanto do TF como do TT, Nord (1991) elabora um Modelo de Análise Textual (Quadro 2) com propósitos didáticos para o treinamento e formação de alunos-tradutores. Um dos objetivos da autora e que concordamos é que essa tabela de análise do TF e do TT possa ser utilizada tanto por profissionais de tradução (de forma que reflita sobre sua prática tradutória) como por estudantes de tradução, visando ao aprimoramento de suas competências linguística e cultura.

Quadro 2 - O Modelo de Christiane Nord (1991) TEXTO 1: TEXTO 2: TEXTO- FONTE: PORTUGUÊS QUESTÃO DE TRADUÇÃO TEXTO-META: INGLÊS

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