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Des risques émergents à l’émergence des risques

Dans le document L’ÉMERGENCE DES RISQUES (au travail) (Page 157-164)

professionnels : vers des limites

1. Des risques émergents à l’émergence des risques

1.4 Des risques émergents à l’émergence des risques

Através dos tempos, o homem tem buscado métodos e processos de trabalho que minimizem o esforço e aperfeiçoem o resultado na produção dos bens que necessita. Assim, se no início da atividade laborai o trabalho era executado com as mãos, a evolução ocorreu no sentido da utilização de ferramentas, máquinas de acionamento mecânico e, atualmente, equipamentos automatizados. A tecnologia pode ser considerada, então, como uma potente força no sentido de poder estender as capacidades humanas. Capacidades físicas, com a revolução industrial, e capacidades mentais, com a revolução da informática (Gonçalves et ali, 1993, p. 109).

Para Rodrigues et ali (1987, p. 26) na sociedade industrializada o progresso técnico apresenta pelo menos três metas básicas que já foram enfocadas na discussão anterior, quais sejam, a redução do esforço de trabalho; o aumento da produtividade e a melhoria da qualidade do produto. Em quaisquer das metas citadas toma-se evidente não só a forte vinculação entre tecnologia e trabalho, aparecendo a primeira como determinante do modo de execução e organização do segundo, como também o objetivo de melhorar a eficácia da empresa.

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A tecnologia pode ser definida como "o saber relativo aos meios servindo à realização de diversos fins que se propõem à atividade econômica, saber portanto, sobre as técnicas materiais mais diversas" (Guegan et ali, 1987, p. 33). Perrow (1976, p. 101) considera que tecnologia são os meios de transformar as matérias-primas (sejam humanas, simbólicas ou materiais) em bens ou serviços desejáveis e Robbins (1994, p. 529) a encara simplesmente como "a forma com que a organização transforma insumos em produtos".

Para Perrin (1984, p. 6) ela é o "conjunto de informações utilizadas pelos homens para transformar a matéria e para organizar sua participação nesta transformação ao nível de uma fábrica, de um setor industrial, de uma nação ou entre nações". Já Sabato apud Rodrigues (1984, p. 65) analisa a tecnologia como sendo "o conjunto ordenado de conhecimentos, empregados na produção e comercialização de bens e serviços, e que está integrada não só por conhecimentos científicos - provenientes das ciências sociais, humanas etc... mas igualmente por conhecimentos empíricos, que resultam de observações, experiências, atitudes específicas, tradição oral ou escrita...".

Como pôde ser observado, as definições para o termo tecnologia são quase tão numerosas quanto os autores que discutem este assunto. Algumas são bastante restritivas, associadas diretamente a questões materiais, físicas e concretas, sendo inerentes aos equipamentos utilizados na produção de bens, tal como a primeira definição a ser citada. Outras apresentam-se mais abrangentes, envolvendo também fatores conceituais e abstratos, e relacionando todos estes aspectos na interação com o homem. Para o entendimento e discussão deste tema, analisa-se que algumas outras observações são importantes.

Chiavenato (1982, p. 132) salienta que a tecnologia apresenta uma ampla área de conhecimentos intencionais, cujo conteúdo pode advir de diversas ciências. A distinção entre tecnologia e ciência pode ser feita na consideração de que a tecnologia pode ignorar as causas dos fenômenos que utiliza e encontra-se estreitamente ligada a preocupações de ordem econômica.

Rosenthal et ali (1992, p. 147) destacam dois pontos interessantes. O primeiro envolve a consideração de que tecnologia é antes de tudo conhecimento, mais especificamente, conhecimento útil no sentido a ser aplicado, ou aplicável, às atividades humanas - especialmente, mas não exclusivamente àquelas ligadas aos processos de produção, distribuição e utilização de bens e serviços - e de contribuir para a elevação quantitativa e/ou qualitativa dos resultados de tais atividades e processos. O segundo diz respeito à origem destes conhecimentos, que pode ser em grande medida científica, mas

que abrange também uma importante parcela de experiências e conhecimentos práticos, adquiridos e acumulados no exercício da atividade à qual a tecnologia se refere.

Habert (1992, p. 67) cita a definição da antropologia na qual a tecnologia é um bem cultural que você pode desenvolver através da habilidade e do treino, ou seja, a ligação entre o homem e a língua, entre o homem e a técnica, significando que não se pode desligar a tecnologia do homem e da cultura. Nesse sentido, pode-se evoluir para o emfoque de Perrin (1984, p. 10) de que a tecnologia pode ser considerada como uma mercadoria, quando é comercializada por aqueles que a detêm, ou como resultado de um sistema econômico, social, político e cultural particular, quando esta comercialização prevê uma necessária adaptação.

Assim, considerando esta perspectiva mais ampla, Wisner (1992c, p. 40) ressalva que a tecnologia não é somente uma questão de máquinas ou de ciências aplicadas, sendo, essencialmente, um intermediário na interação do homem com seu ambiente, uma ferramenta que, por sua vez, o ajuda na conquista da natureza e tem um efeito direto na sua vida em sociedade.

Para o atendimento dos objetivos deste estudo, considera-se mais adequado o conceito expandido de sistema tecnológico definido como "a unidade de meios técnicos (ihadware) mas também de princípios e métodos (software) e, sobretudo, de organizações específicas (orgwarej". Esta última representa "a componente estrutural do sistema tecnológico, especialmente concebida para integrar o homem e suas competências profissionais e assegurar o funcionamento do hardware e do software do sistema, assim como a interação dos mesmos com outros elementos e outros sistemas de natureza diferente "(Dobrov apud Jacot, 1987, p. 8).

Assim, pode-se subdividir as tecnologias em tecnologias sociais, aquelas ligadas aos modos de organização, e tecnologias materiais, relacionadas aos processos de conversão e modos de produção. No primeiro caso, pode-se exemplificar com as técnicas gerenciais, os modelos de organização, o desenvolvimento gerencial e os estudos de motivação. No segundo, os equipamentos e ferramentas utilizados na realização do trabalho (Varswsky, 1976, p. 16-17).

Wisner (1981, p. 154) reforça esta conceituação através da discussão da noção de dispositivo técnico. Para este autor, esta concepção deve incluir não somente as máquinas e as instalações físicas, mais também a organização e as condições de atividade e formação dos indivíduos que operam este sistema.

A tecnologia é dinâmica e apresenta uma evolução constante, sendo considerada um aspecto importante no desenvolvimento de uma empresa, de um setor industrial e de

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uma nação. Stewart Jr. et ali (1987, p. 1) a focalizam como o novo e melhor caminho para alcançar objetivos econômicos e permitir o crescimento e desenvolvimento econômico. Neste sentido, analisada a importância da tecnologia, parte-se para a definição do que seja inovação tecnológica ou nova tecnologia.

Para Browne (1985, p. 8) "as mudanças nos processos de produção e nos modelos dos produtos que sejam a base do progresso tecnológico constituem inovações. Uma distinção importante é aquela entre invenção e inovação. A invenção é a descoberta das relações científicas ou técnicas que tomam possível o novo modo de fazer coisas, a inovação é sua aplicação comercial".

Rosenthal et ali (1992, p. 155) definem a inovação tecnológica como "a aplicação de um novo conjunto de conhecimentos ao processo produtivo, que resulta em um novo produto, em alterações em algum atributo do produto antigo e/ou no grau de aceitação do produto pelo mercado, traduzindo-se, em geral, em uma elevação do nível de lucratividade e/ou posição da empresa no mercado".

Gonçalves et ali (1993, p. 109) salientam que uma nova tecnologia não é, necessariamente, uma tecnologia completamente inédita, mas sempre é a tecnologia que é nova para a empresa em questão, mesmo que não seja nova para o mercado. Este aspecto é reforçado por Rodrigues et ali (1987, p. 26) ao definirem inovação tecnológica como investimentos que implicam em mudanças no processo de produção de produtos e serviços, referindo-se tanto à modernização quanto à adoção de uma tecnologia completamente diferente.

Guegan et ali (1987, p. 40) consideram que as novas tecnologias são as técnicas com alto conteúdo científico, cuja novidade se manifesta essencialmente pela sua utilização. Normalmente, elas tendem a modificar as relações do homem com sua ferramenta e seu objeto de trabalho. Este aspecto modificador da tecnologia em relação ao trabalho e sua organização constitui-se em ponto importante para o estudo em questão, uma vez que se busca justamente o entendimento da adaptação do trabalho em casos de transferência de tecnologia.

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