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Le cadre traditionnel

Dans le document L’ÉMERGENCE DES RISQUES (au travail) (Page 145-150)

professionnels : vers des limites

1. Des risques émergents à l’émergence des risques

1.1 Le cadre traditionnel

No dia 03 de outubro de 1992 aconteceram as primeiras eleições municipais de Cordilheira Alta, sendo eleito para o cargo de prefeito o então vereador Nilo Tozzo e Wilson Graciani com 1510 votos , para a Gestão 93/96 com o slogan "Administrar para Desenvolver". A escolha de dois candidatos de partidos diferentes para compor o executivo, teve como objetivo formar uma " União Partidária por Cordilheira ".

Segundo publicação sobre os municípios catarinenses 1S, Nilo Tozzo elegeu-se facilmente, embora a quantia de votos brancos e nulos tenham ultrapassado a marca de 500.

Livro de Atas da Comissão Pró-Emancipação de Cordilheira Alta Municípios e Vultos Catarinenses, 1994

A Câmara de Vereadores após as eleições ficou constituída de 9 vereadores titulares, número máximo de acordo com o número da população de Cordilheira. Das siglas partidárias que concorreram a Câmara Municipal em 1993, apenas três se destacaram elegendo seus candidatos.1®

"Depende do número de eleitores e do número de votos que o partido faz, aí é distribuído, tem 3000 eleitores, vai dá direito a cinco vereadores se eies atingirem 700 votos, aí vem pela sequência de votos, o maior pro menor, tanto é que o pessoal que se elegeu pelo PFL na época, todos caixa alta, todos com um certo poder aquisitivo, e eu que todo mundo sabia que eu não tinha poder aquisitivo, eles não esperavam que eu tinha tanta amizade, eu cheguei próximo, tão próximo que me deu a 2a suplencia do PFL com 69 votos. Na época se eu tivesse no partido do PMDB, com 69 votos eu tava eleito em 3o lugar, como titular. O PMDB tinha vinte e poucos candidatos, o PFL tinha oito ou nove e o PPR tinha parece que 4." ( vereador suplente pelo PFL)

A política partidária de Cordilheira Alta a partir da emancipação começou a se estruturar com a criação das Comissões Municipais Partidárias, pois até então a participação política partidária dependia do município mãe. Dos vereadores eleitos, cinco deles já tinham antes da emancipação, ligações com a política local não através de cargos eletivos, mas sim como filiados e simpatizantes. A escolha político partidária destes cinco vereadores está diretamente ligada as suas histórias familiares e profissionais. Os demais passaram a compor as Comissões Municipais influenciados pelo novo contexto político que se configurou após a emancipação. Dos quatro vereadores que antes da emanciparão não tinham ligações partidárias, 3 optaram pelo PFL e 1 optou pelo PMDB.

"O fato mais engraçado foi aí, eu tinha tendências e pretensões de concorre a vereador, de participá da vida política, mas eu não tinha partido, e nunca foi tendencioso, sempre votava prás pessoas, e prá mim ingressá na vida política, primeiro eu tinha que escolhe um partido, eu era novo de carreira, eu tinha uma amizade com o nosso saudoso Dilso Cecchin e eu acabei tendenciando caí no PFL, mas não por questões de tradição de família (...) eu saí na vida política do nada, eu saí da amizade que eu tinha com o pessoal, porque eu sempre fui de convivê muito bem em festinha, em bodega, em baile, em bola, em bocha, então foi isso que fez com que eu entrasse na vida política, tanto é que eu entrei na Cordilheira prá concorre prá vereador sem dinheiro, sem nada, ficaram todo mundo surpreso com a votação que eu fiz, eu sou segundo suplente do PFL hoje, eu fiz mais voto, só dois do PMDB que hoje tão na Câmara fizeram mais

PMDB: Antônio Felini - 71 votos (Sede) Joaquim Luz da Silva - 85 votos (Sede) Valdemar Tressoldi - 67 votos (Linha Bento)

Vilson Domingos Maggioni 156 votos (Linha Bento) PFL : Altemir Pederssetti - 141 votos (Linha Dianista)

Henrique Giacomin - 90 votos (interior da sede) Ivanor Tozzo - 120 votos (Sede)

Moacir João Zanella - 117 votos (Linha Marechal Deodoro) PDS : Edson Getúlio Celia - 110 sufrágios (Linha Fernando Machado)

voto do que eu, porque todo o resto, nós tava em 35, eu fiz mais voto dos que os outro 33, você acredita nisso? " ( vereador suplente)

Entre os membros que participaram da Comissão Pró-Emancipação, 2 passaram a representar o poder executivo (prefeito e vice) e 5 foram eleitos vereadores (2 do PMDB, 2 do PFL e 1 do PPB). Dos vereadores suplentes 4 tiveram a oportunidade de participar da Comissão Organizante da Lei Orgânica ( 2 PMDB e 2 PFL) e 3 ocupam cargos de confiança na Prefeitura (Cláudio Possa (PMDB) Secretário da Agricultura, Obras e Transportes; Marildo Breansini (PMDB) Diretor de Tributos e Alceu Mazzioni (PMDB) Diretor de Educação, Cultura e Esportes. A Câmara de Vereadores na primeira gestão realizou um "rodízio", dando a oportunidade para os vereadores suplentes (de acordo com o número de votos) substituírem por 30 dias no máximo vereadores titulares que entram em licença, por questões de ordem pessoal. Como a grande maioria dos vereadores eram do PMDB, este rodízio acabou beneficiando o partido que estava sempre em maioria nas decisões da Câmara.

A Câmara Municipal de Cordilheira inicialmente ficou equilibrada entre as duas siglas mais votadas, PFL e PMDB. Os dois primeiros anos (93/94) foram presididos pelo vereador Edson Getúlio Celia, do PPR/PPB, eleito pelos demais vereadores. Alguns meses após as eleições um vereador do PFL "resolveu" mudar de partido, passando para o PMDB. Após esse fato, o PMDB passou a constituir a maioria dos vereadores titulares na Câmara. No final de 94 foi realizada nova eleição para Presidente da Câmara e que resultou no nome de Vilson Domingos Maggioni, vereador mais eleito pelo PMDB.17

Na primeira eleição histórica de Cordilheira Alta, o número de candidatos a vereador foi mais do - que o esperado. As candidaturas foram acontecendo principalmente em função dos interesses do Partido Político majoritário no município, o PMDB. Esta sigla lançou mais de 10 candidatos, sendo que muitos deles da mesma localidade. Segundo o vereador Edson Celia, a falta de experiência dos candidatos causou muitas confusões e desentendimentos até mesmo entre membros da mesma família.

" ... o seu Nilo que foi vereador de Chapecó tinha experiência, sabia como é que era e nóis aqui não, eu concorri com 4 do PDS, todos nós inexperiente .... tinha familias que o filho era vereador, e ai o pai dizia "vô votá pro filho, vô votá pro cunhado ou vô votá pro meu irmão?". Isso aconteceu. Tudo mundo era parente por isso que fícô difícil"

No período pró-emancipação a questão partidária aparentemente foi deixada de lado, já que o principal objetivo de Cordilheira, ou melhor, de alguns representantes era conquistar a emancipação. O momento político pedia que as desavenças partidárias fossem deixadas de lado. Então, a estratégia adotada foi a união das diversas forças existentes para que a emancipação se consolidasse. No caso de Cordilheira, o processo iniciou-se através das diferentes forças políticas e econômicas dos membros da Comissão estes representantes das principais localidades. O discurso neste momento é o da união em

O vereador Vilson Domingos Maggioni foi eleito prefeito na segunda eleição municipal, para a gestão 96/2000.

prol da comunidade, independente de partido político. Os compromissos assumidos antes da eleição

municipal diziam respeito ao bem do município. Após as eleições as preferências políticas começam a se definir entre o poder executivo e o legislativo:

"Naquela época que formamô o município, pensamô como se fosse formá um clube, vamo pensá pro melhor, não precisa documentos, vamô pela capacidade, pelo compromisso. Na época nós távamos em 20,30 na reunião do plebiscito prá escolhe o candidato à prefeito, aí saiu a idéia Nilo Tozzo e Waldir Graciani. Vamô limitá 2 vereador prá cada partido, tudo certinho, mas todo mundo naquela época não tinha partido, todo mundo lutava pro bem do município, vamô fundá um clube, vamô tocá prá frente (...) mas depois houve essa contraversão partidária, aí envolve Estado, aí comecô os desentendimentos na Câmara, uma série de matéria não vinha porque sabiam que nóis ia votá contra, aí quando passo seis a oito meses, aí o prefeito comecô a entende, mandava tudo certinho prá Câmara, nóis nunca sequer votemo nada contra, nenhum projeto na minha gestão de presidente não engavetei, depois foi feito uma outra eleição prá Presidente e ganhou o PMDB ". (vereador Edson Gétuiio Celia, 33, Fernando Machado)

De acordo com BOURDIEU (idem, p.236), "o pleito representa uma encenação paradigmática da luta simbólica que tem lugar no mundo social: nesta luta em que se defrontam visões do mundo diferentes, e até mesmo antagonistas, que à medida da sua autoridade, pretendem-se impor-se ao reconhecimento e, deste modo, realizar-se, está em jogo'o monopólio do poder de impor o princípio universalmente reconhecido de conhecimento do mundo social, o nomos como princípio universal de visão e divisão {nemo significa separar, dividir, distribuir), portanto, de distribuição legítima.

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