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Definition of procedures in theMathematicasoftware

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Chapter 6. Problems of procedural programming in the Mathematicasoftware

6.1. Definition of procedures in theMathematicasoftware

O aparecimento e o desenvolvimento da industrialização alterou profundamente a realidade da sociedade e das empresas. Esta nova realidade provocou amplas reflexões e múltiplos debates. A questão da organização dos processos produtivos e da organização do trabalho é uma das vertentes em que se irá discutir essa nova situação. Esta discussão é tão antiga quanto o desenvolvimento da industrialização, destacando-se nela os contributos de Adam Smith e de Charles Babbage. São esses contributos que serão analisados nesta secção.

1.2.1 Os contributos de Adam Smith

A primeira referência consistente a este binómio organização (divisão) do trabalho'eficiência é habitualmente atribuída a Adam Smith, ainda no século XVIII. Na sua obra de 1776 - A Riqueza das Nações - pode ler-se:

“Tomemos, portanto, um exemplo de uma manufactura insignificante, mas na qual a divisão do trabalho tem sido frequentemente notada, o fabrico de alfinetes; um operário não treinado nesta actividade (que a divisão do trabalho tornou num ofício distinto) e que não soubesse trabalhar com as máquinas nela utilizadas (para cuja invenção a divisão do trabalho provavelmente contribuiu), mal poderia talvez, ainda que com a maior diligência, produzir um alfinete num dia e não seria, com certeza, capaz de produzir vinte. Mas, da forma como esta actividade é actualmente levada a cabo, não só o conjunto do trabalho constitui uma arte específica, como a maior parte das fases em que está dividido constituem de igual modo ofícios especializados. Um homem puxa o arame, outro endireita-o, um terceiro corta-o, um quarto aguça-o, um quinto afia-lhe o topo para receber a cabeça; o fabrico da cabeça requer duas ou três operações distintas; a sua colocação é um trabalho especializado como o é também o polimento do alfinete; até mesmo a disposição dos alfinetes no papel é uma arte independente; e a importante actividade de produzir um alfinete é, deste modo, dividida em cerca de dezoito operações distintas, as quais, nalgumas fábricas,

são todas executadas por operários diferentes, embora noutras um mesmo homem realize, por vezes, duas ou três dentre elas.”63

No centro da visão de A. Smith em relação à questão do trabalho está a defesa do princípio da divisão das tarefas. Para A. Smith, essa divisão tem benefícios para o indivíduo, porque contribui para o seu desenvolvimento profissional (“que a divisão do trabalho tornou num ofício distinto”). Mas essa divisão é também um elemento do desenvolvimento económico e social, sendo mesmo considerado como um indicador do desenvolvimento das sociedades.

“Também se verifica que esta distinção [entre os diversos ofícios e profissões] é, em geral, levada mais longe nos países que gozam de um mais elevado grau de actividade e progresso; o que constitui trabalho de um homem num estado primitivo da sociedade, equivale normalmente ao de vários numa sociedade mais avançada.”

De acordo com o autor referido, as vantagens da divisão do trabalho resultam de três factores:

‰ O aumento de destreza de cada um dos trabalhadores;

‰ A possibilidade de poupar o tempo que habitualmente se perde ao passar de uma tarefa a outra;

‰ A invenção de um grande número de máquinas que facilitam e reduzem o trabalho.

63

Esta subsecção baseia-se na obra SMITH, A. (1999) (4ª edição em português a partir da 6ª edição da Methuen and Co. Ltd (1950), edição original de 1776). As transcrições não identificadas são excertos dessa obra.

Finalmente, e em resultado da divisão do trabalho o crescimento da produtividade é astronómico (potenciando o desenvolvimento económico e social anteriormente referido):

“Aqueles dez homens produziam em conjunto mais de quarenta e oito mil alfinetes num dia. Assim, cada homem, contribuindo com uma décima parte do total, produziria quatro mil e oitocentos alfinetes num dia. Mas, trabalhassem eles em separado e independentemente uns dos outros, e sem que nenhum tivesse sido treinado nesta actividade peculiar, nenhum deles teria sido capaz de produzir vinte alfinetes por dia, talvez até nem um; quer dizer, nem um duzentos e quarenta avos, talvez nem a quatrimilésima octocentésima parte daquilo que actualmente são capazes de produzir, graças à divisão e combinação adequadas das diferentes tarefas”.

Pode, assim, sintetizar-se o pensamento de A. Smith do seguinte modo:

A divisão do trabalho, porque potencia o desenvolvimento de competências e a inovação tecnológica e reduz os tempos de set-up, permite ganhos de produtividade, que estão na base do desenvolvimento individual e do progresso económico e social.

1.2.2 Os contributos de Charles Babbage

Cerca de seis décadas após a publicação da obra de A. Smith, Charles Babbage publica, em 1832, a obra On the economy of machinery and manufactures64, nela aprofundando a reflexão acerca da divisão do trabalho iniciada por A. Smith. A natureza das duas obras é, contudo, distinta. Enquanto que a obra de A. Smith é do domínio económico, a obra de C. Babbage centra-se nas questões da tecnologia, da inovação e da

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BABBAGE, C. (1832). Esta subsecção baseia-se nessa obra. As transcrições não identificadas são excertos dessa obra.

gestão operacional. C. Babbage vai transpor para este âmbito de análise os conceitos de A. Smith, e aprofunda a reflexão sobre eles, neste enquadramento particular.

Assim, C. Babbage partilha com A. Smith a ideia da importância da divisão do trabalho (“Perhaps the most important principle on which the economy of a

manufacture depends, is the division of labour amongst the persons who perform the work”). Ainda em comum com A. Smith está a utilização do exemplo da produção de

alfinetes. O texto de C. Babbage apresenta, todavia, as seguintes particularidades:

1. Vantagens da divisão do trabalho:

a) Formação - diminuição do tempo e dos materiais necessários para a formação;

b) Ganhos de set-up - diminuição do tempo de mudança de tarefa e/ou de ferramenta;

c) Aquisição de competências - facilitada pela repetição;

d) Inovação - a divisão do trabalho facilita a análise das operações, o que torna mais fácil a introdução de inovações.

2. Âmbito de aplicação da divisão do trabalho - tanto ao trabalho físico quanto ao trabalho mental-intelectual (“We have seen, then, that the effect of the division of

labour, both in mechanical and in mental operations”);

3. A divisão do trabalho permite que em cada processo seja utilizada apenas a quantidade necessária de competências e de conhecimentos (“that it enables us

to purchase and apply to each process precisely that quantity of skill and knowledge which is required for it”);

4. Limites à aplicação da divisão do trabalho - esta prática só tem vantagens se aplicada em situações de grande volume de produção (“The division of labour

cannot be successfully practised unless there exists a great demand for its produce”);

5. A conjugação da divisão do trabalho com a introdução de novas tecnologias gera uma competição acrescida, o que induz o produtor a uma busca incessante de melhorias nos métodos, por forma a reduzir custos;

6. A situação descrita no parágrafo anterior confere grande importância ao conveniente conhecimento dos custos de produção associados a cada processo (“it is of great importance to know the precise expense of every process”). O conhecimento dos custos de produção permite estabelecer prioridades em relação aos processos que necessitam de ser objecto de melhorias.

Há na obra de C. Babbage, que se tem vindo a analisar, referência a três outras questões que, embora tratadas superficialmente nesta obra, irão ser objecto de profunda reflexão durante todo o século XX. São elas:

‰ A questão dos interesses não conciliáveis entre o empregado e o empregador; ‰ A questão da repartição da riqueza criada, e em particular a riqueza criada por

aumento da produtividade;

‰ A questão do desemprego que resulta da introdução da tecnologia, e a capacidade regeneradora que a tecnologia tem de, através da diminuição de custos, criar nova procura, consequência da redução do preço, e com isso aumentar o volume de produção, aumentando deste modo o emprego.

Assumindo o legado de A. Smith, C. Babbage introduz na análise da questão da organização e do desenho do trabalho, um conjunto de reflexões ligadas principalmente aos temas tecnologia, inovação e mudança.

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