Engana-se quem acha que a periferia é uma realidade paralela, que não tem acesso a nada e vive no século passado. Do ponto de vista estrutural, das condições socioeconômicas, os moradores de bairros periféricos e carentes são desfavorecidos em relação à “nobreza” de outros bairros, locais privilegiados, de visibilidade social, os cartões de visita da cidade, o que deve ser mostrado, ao contrário da periferia, o que deve ser escondido.
Ela integra o tecido social brasileiro como todos os outros retalhos e todos são fruto dessa Era. As ondas digitais refletem para todos os lados, apesar de ter seu centro de ação onde as pessoas detém o poder de compra e podem obter os mais modernos equipamentos digitais para acesso a todas as potenciais formas de comunicação que a tecnologia lhes oferece. Contudo a virtualização promove uma reação em cadeia que reverbera para todos os lados e chega à periferia. É como jogar uma pedra em um lago, onde ela alcança a água cria-se uma onda circular que se desloca para todos os lados em velocidade regressiva atingindo mais fortemente as áreas próximas ao núcleo, mas em menor intensidade todas ao redor sofrem a ação da vazão.
Diferente do que muitos pensam e é uma questão que já levantei nessas páginas, o jovem da periferia tem acesso à tecnologia digital em maior ou menor grau porque ele é um Nativo Digital e vive em uma zona urbana. É fato que em zonas rurais por todo o Brasil existem ainda pessoas que não foram atingidas pela revolução tecnológica, comunidades extremas que não têm acesso nem a energia elétrica. É fato também que existam alguns que mesmo em comunidades urbanas ainda estão sujeitos à exclusão, à marginalização social. Entretanto, de maneira mais uniforme o indivíduo que tem acesso às condições mínimas e chega a ser matriculado em uma escola tem já uma situação diferenciada em relação a estes outros.
Os movimentos da cultura digital são inerentes aos seus nativos, formam parte de seu eu, fluem por suas veias e moldam seus processos e modos de pensar, ver o mundo e interagir. O universo deles não pode mais ser dissociado dos novos processos de comunicação. É um movimento cultural e político que permeia as
relações humanas na contemporaneidade e de forma direta até a parcial exclusão a que são impostas as comunidades carentes não impedem a sucção do indivíduo para as relações de interação digitais.
Na sociedade da informação as possibilidades de diálogo entre grupos economicamente heterogêneos são bem maiores que outrora, porque as relações sociais também se formam no ciberespaço e lá, o ingresso é a conexão à rede. É possível participar de uma tribo digital sem que isso implique na obtenção de produtos mais sim de conceitos, de formas de viver, hábitos e ritos da sociedade que se movem num mesmo fluxo, influenciando-se mutuamente, gerando rotinas sociais. O jovem, carente ou não, passa o dia espiando perfis, abrindo abas e janelas, filiando-se às redes sociais, enviando mensagens, comentando publicações, seguindo pessoas e ícones da sociedade contemporânea, alargando seu horizonte através da conexão digital, uma maneira bem mais democrática de interação social.
Não quero dizer com isso que não exista preconceito de classe ou interesses econômicos interferindo nas relações na internet. Apenas analiso as possibilidades de interação social oferecidas aos jovens da periferia através da conexão ao universo digital.
No século XXI, terminar-se-á o que foi iniciado no século XX; as fronteiras da comunicação serão as do mundo das empresas e dos consumidores, como são até agora. Mas o capital do conhecimento, isto é, os conceitos, as ideias, os sons e as imagens serão os novos valores (VILCHES, 2003, p.33).
Esses novos valores podem ser apreendidos muito mais facilmente que antes. A probabilidade de ampliação da visão de mundo do indivíduo através do horizonte informacional da rede é bem maior do que foi oferecido às gerações anteriores e com isso suas possibilidades de inclusão e empoderamento são bem maiores, não ficando mais restrito às instituições formais como a escola. O capital do conhecimento democratizou-se em boa medida.
Há muito pouco tempo os contatos interpessoais dependiam muito mais da presença física, do encontro social presencial, o espaço físico era um grande limitador para as relações humanas gerando, principalmente, um limite social para a interação entre classes. No ambiente da internet essa distância foi praticamente
rompida e podemos transitar através da comunicação mais livremente. Meu aluno que vive em um bairro carente a partir de seu acesso a rede, que pode acontecer mesmo sem que ele pague por isso, e ele busca o acesso porque se tornou uma prática social, pode interagir de maneira muito mais abrangente.
Meus alunos são Nativos Digitais, são frutos dessa era, são embarcações lançadas ao mar, em construção, influenciados por um universo tecnológico e expostos a uma cultura que incide sobre suas vidas e direcionam o seu devir. Suas antenas captam os sinais digitais que hodiernamente fluem por todos os lados do tecido social urbano, moldando as relações pessoais, de consumo, a comunicação entre as pessoas, o acesso à informação e oferecem maior possibilidade de aquisição de multiletramentos. "E, à medida que a tecnologia evolui implacavelmente a cada mês, os jovens simplesmente a absorvem, como se fossem melhorias na atmosfera” (TAPSCOTT, 2010, p.31). O contato com a tecnologia se dá de forma direta ou indiretamente, é o oxigênio que respiram. Ou eu tenho a minha mão os passaportes para atravessar as fronteiras ou os vejo ao meu redor e sou capturado por sua ação magnética e conduzido na travessia.
As pessoas se influenciam muito mais que antes, as trocas, as permutas
culturais acontecem a cada instante em um enter17, hoje meu aluno utiliza um google
maps18, traça rotas, navega por cidades do mundo inteiro. Através da função street
view19 literalmente vai passeando por suas ruas, vendo sua arquitetura e costumes,
alimenta seu banco de dados e nutre seus desejos e sonhos. Pelas redes sociais ele pode conhecer não só os lugares, mas também as pessoas, pode interagir com indivíduos espalhados pelo mundo todo e a única barreira à comunicação será o tamanho do seu querer, a potência do seu sonho.
Cada um de meus alunos sonha em crescer, ascender socialmente e conquistar tudo o que conhece através da rede. Hoje o jovem cria muito mais facilmente modelos, referências pessoais e sonha em alcançar determinadas posições sociais. Eles são influenciados por Youtuber, por figuras públicas, por
17 Tecla de teclados de computadores usada para executar um comando.
18 É um serviço de pesquisa e visualização de mapas e imagens de satélite oferecido pela empresa estadunidense Google e aberto gratuitamente na internet para todos os usuários da rede.
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É um recurso disponibilizado pela Google em seus mapas que apresenta uma imagem tridimensional de lugares previamente consultados. Construído a partir de um mosaico de imagens, oferece vistas panorâmicas de 360º na horizontal e 290º na vertical e permite que os usuários tenham uma experiência visual de algumas regiões catalogadas do mundo ao nível do solo.
digital influencers20 que se multiplicam a todo instante nas redes sociais, criando
padrões de comportamento e até novas profissões, novos meios de ganhar dinheiro e ter sucesso. Mais do que nunca, eles podem perceber o poder da comunicação. Como falar, escrever, expressar-se em diversas modalidades favorece e empodera o sujeito, tendo como principal veículo as redes sociais.
A escola precisa formar sujeitos críticos para interagir positivamente em rede. As novas relações mediadas e constituídas nas redes sociais devem fazer parte do currículo e discutidas na sala de aula. Os jovens seguem determinados perfis na rede e tomam suas postagens e posições sociais como referências. Quando busquei pensar meus objetivos de pesquisa e decidi por usar a rede social Facebook, um deles era justamente levar o aluno a refletir criticamente sobre suas relações nas redes sociais. Refletir sobre os conteúdos que lê, sobre as páginas que segue, sobre as referências e relações que estabelece no meio digital, sobre sua rotina de interação, quão construtiva ou destrutiva pode ser. Sobre como, através de páginas e perfis pessoais, instituições e pessoas arrecadam seguidores que servem muitas vezes de massa de manobra. Debatemos muito essas questões nas rodas de conversa durante a realização do projeto de pesquisa para que o aluno apurasse seu olhar ao interagir na rede, ao ler um determinado post buscando extrair seus conteúdos ideológicos implícitos.
Pensar criticamente as relações dentro da rede e usá-la para alimentar verdadeiros sonhos foi uma das bases dessa pesquisa. Que aquela minha aluna que sonha em ser médica possa usar a internet e as redes sociais como instrumento de construção dessa profissional. Para que ela possa filiar-se na rede e seguir pessoas e instituições que possam contribuir para realizar esse sonho, tendo consciência crítica sobre essas relações. Que aquele meu aluno, não apenas siga o ídolo do futebol, ou aquele cantor de pagode, ou mesmo aquele youtuber que faz vídeos humorísticos, mas que possa refletir sobre os conteúdos ideológicos que ele professa em suas postagens.
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O Digital Influencer, ou influenciador digital, é a pessoa que, através de perfis em redes sociais detém o poder de influenciar determinado grupo de pessoas, seguidores, por seu estilo de vida, opiniões e hábitos. A ascensão do Digital Influencer se dá proporcionalmente ao aumento do consumo de informações e produtos na internet e empresas e marcas utilizam-se desse novo modelo para estimular o consumo de maneira sutil e menos invasiva. Os Digital Influencer, assim como os
Youtuber , são consideradas novas profissões , nascidas no meio digital, que geralmente começaram
No século XX, o sonho humano era alimentado pela imaginação, pela criatividade e poder de vislumbrar uma realidade apenas idealizada. No século XXI, o sonho também tem a caraterística idealizadora do passado, mas é alimentado fortemente pela experiência virtual. Os alunos da periferia podem ver o mundo com
o olhar digital, com muito mais pixels21 que a minha geração jamais vislumbrou. Ele
enfrenta uma realidade adversa, mas como todo ser humano é movido pelo sonho, sonho de conhecer e experimentar o novo, de chegar até onde sua imaginação o levar, de poder ter o que jamais teve, de concretizar fisicamente tudo que experimenta e conhece no mundo virtual. O aluno da periferia é um sonhador e quer transformar sua realidade e eu como professor também o sou e quero contribuir de alguma maneira para que a virtualização da escola e dos processos de aprendizagem contribuam para o desenvolvimento crítico de meu aluno, para que possa utilizar positivamente essa potencial ferramenta que é a rede e para que ele realize seus sonhos.
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Pixel é o menor ponto que forma uma imagem digital, sendo que seu conjunto forma a imagem inteira. Cada pixel é composto por um conjunto de três pontos - verde, vermelho e azul, nos monitores mais modernos, cada um desses pontos é capaz de exibir até 256 tonalidades diferentes e combinando as tonalidades dos três pontos pode-se exibir o equivalente a 16.7 milhões de cores diferentes.
3 FACEBOOK, UM FRUTO DA SOCIEDADE EM REDE
Não há dúvidas, as redes sociais fazem parte do cotidiano da maioria das pessoas pelo mundo afora, fato comprovado pelo grande sucesso e valor de mercado desses ícones da cibercultura22. O Facebook é hoje uma das maiores redes sociais, com um número de aproximadamente 2,13 bilhão de usuários ativos em todo o mundo (Estadão, 2018)23, só no Brasil são estimados aproximadamente 127 milhões de perfis. Seu valor de mercado já bateu os 510 bilhões de dólares colocando-a como a quinta empresa de tecnologia mais valiosa do mundo, em um seleto grupo de grandes corporações como a Apple, Alphabet (empresa mãe do
Google), Amazon e Microsoft , conforme figura abaixo:
Figura 1 - valor de mercado das maiores empresas de tecnologia do mundo. Fonte: G1, 2018.
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O termo Cibercultura toma o sentido empregado por Pierre Lévy em seu livro intitulado com o mesmo nome, que é o de definir agenciamentos sociais das comunidades virtuais que trabalham para a ampliação e popularização da internet possibilitando maior aproximação entre as pessoas, ampliando seus canais de comunicação através dos espaços virtuais, ou pode ser entendido simplesmente como a nova cultura de massa propagada na internet.
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Disponível em: https://link.estadao.com.br/noticias/empresas,facebook-chega-a-2-13-bilhoes-de- usuarios-em-todo-o-mundo,70002173062 – acesso em 13 de dezembro de 2018.
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Criado em 28 de outubro de 2003 pelo estudante da universidade de Harvard, Mark Zuckerberg o que seria o broto inicial do que mais tarde germinaria frondoso e cheio de novos frutos. Com o nome de Facemash, inspirado em um livro feito artesanalmente na universidade, e passado de mão em mão entre os calouros, com fotografias e algumas informações básicas dos colegas de instituição para que todos se conhecessem, o programa tinha o objetivo inicial de classificar quem era sexualmente atraente ou não. Como descreve Kirkpatrick;
Empregando o tipo de código de computadores normalmente usado para classificar jogadores de xadrez (e que talvez se aplicasse também a esgrimistas), ele convidou os usuários a comparar duas fotos de pessoas do mesmo sexo e dizer qual era a mais “sexy”. À medida que a classificação de uma pessoa ia “esquentando”, sua imagem era comparada com as de outras pessoas também cada vez mais sexies (2011, p. 31).
Zuckerberg usou seus conhecimentos e habilidades em computação para
hackear o banco de dados de Harvard e capturar as imagens de identificação dos
estudantes a partir do diretório dos alojamentos e assim alimentou seu site, que logo se tornou muito popular, a comunidade de Harvard teve o primeiro vislumbre do lado rebelde irreverente dele (KIRKPATRICK, 2011, p. 31). Posteriormente ainda ofereceu a possibilidade de o usuário alterar sua foto por alguma outra imagem com blocos de texto, e muitos usaram esse recurso para inserir textos de protesto ou representação política, o que fez o sucesso do site aumentar ainda mais entre os estudantes. Sua rápida popularização dentro da universidade fez com que poucos dias depois de criado o site fosse fechado pela justiça, por iniciativa da administração da universidade que acusou Zuckerberg de violação da privacidade dos dados da instituição.
Em 4 de fevereiro de 2004, Zuckerberg, com a mesma perspectiva inicial, lança o The Facebook e depois de enfrentar um processo pelos direitos autorais sobre a ideia e posterior acordo, ele amplia sua rede, expandindo para além dos muros de Harvard e permitindo que outros estudantes de outras universidades e escolas secundárias também participassem da rede social. O espírito visionário de Zuckberg possibilitou a abertura da rede social para um perfil muito mais abrangente do que o inicialmente pensado.
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Todas as informações biográficas sobre a história do Facebook aqui relatadas foram baseadas no livro “O efeito Facebook – os bastidores da história da empresa que conecta o mundo”, de David Kirkpatrick.
Mas o conceito de redes sociais é algo que remonta aos primórdios da internet. Zuckerberg, apesar do gênio criativo, sempre se alimentou de ideias já concebidas e as desenvolveu.
Algo como o Facebook foi concebido por engenheiros que lançaram as bases para a internet. Em um ensaio de 1968 escrito por J.C.R. Licklider e Robert W. Taylor, intitulado “O computador como dispositivo de comunicação”, os autores perguntavam: “Como serão as comunidades on- line interativas? Na maioria das áreas, serão compostas por membros geograficamente distantes, por vezes agrupados em pequenos núcleos e, às vezes, trabalhando individualmente. Não serão comunidades de localização comum, mas de interesse comum.” O artigo avançou um pouco mais em direção ao conceito de redes sociais quando disse: “Você não vai enviar uma carta ou um telegrama; simplesmente vai identificar as pessoas cujos arquivos devem ser ligados aos seus.” (KIRKPATRICK, 2011, p. 77).
Esse conceito de comunidade virtual baseado na união de pessoas, muitas vezes separadas geograficamente, mas ligadas por interesses comuns, por ideias e ideais, por vontades e desejos, ou simplesmente pela curiosidade inerente ao ser humano desenvolveu-se criando a força gravitacional que nos prende às redes sociais contemporâneas. É esse poder de interligação, de compartilhamento de ideologias que faz com que as redes sociais sejam tão presentes no cotidiano moderno e tão fortes. A ampliação do espectro inicial do Facebook foi exponencial. Aquela brincadeira universitária, aquele jogo de classificação de pessoas por sensualidade hoje tem contornos muito mais relevantes na teia social. O Facebook contemporâneo serve para muitos fins. Empresas de análises estatísticas usam a rede para traçar perfis de interesse de grupos populacionais e estabelecer modelos de consumo e até mesmo influenciar o jogo político. Pessoas se conhecem e trocam informações, empresas vendem produtos, um verdadeiro mercado de pulgas e desejos percorre seus canais. Esse tráfego de dados pessoais e de informação se mistura e sua funcionalidade pode ser muito variada. O jogo de interesses que se instalou nas redes sociais, e muito fortemente no Facebook, compõe um emaranhado complexo altamente funcional.
A rede sempre teve como princípio norteador a identidade real do usuário25, a
formação do perfil sempre expõe dados que identificam o usuário e sua
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Apesar de possíveis usos indevidos das informações expostas no Facebook para fins de manipulação de mercados, as diversas formas de mapeamento de perfil de usuários, as comprovadas aberturas encontradas na rede social, não é essa a discussão pretendida neste trabalho, mas sim a forma como foi idealizada a criação do perfil tentando ao máximo expor a
representação pessoal e profissional. Por mais que tenha a opção de ocultar do público um ou outro dado, pela sua rede de amizades e interesses é possível traçar seu perfil pessoal. As postagens que você faz, os dados que compartilha, as discussões que você mantém, as amizades que nutre revelam muito de seu comportamento e de seus gostos. Segundo seu criador, essa política de privacidade mantida pelo Facebook revela quem você é inevitavelmente. Esse foi um princípio que Zuckerberg quis imprimir à Rede e que norteia seu funcionamento. A exposição total é sua marca. É claro, que apesar desta tentativa de fidelizar identidades para a segurança dos usuários, saber realmente com quem você está lidando na rede, muitos dos comportamentos pessoais e convenções sociais ainda não alcançaram o nível do ambiente radicalmente aberto do Facebook (KIRKPATRICK, 2011, p. 217). Mas esse ainda é um tema controverso. Apesar de o Facebook acreditar que caminha para um grau de transparência radical, especialistas externos alertam para os perigos do grau extremo de exposição de dados propiciado pela rede. De qualquer maneira, a meu ver essa exposição pode ser usada beneficamente em prol da comunicação efetiva, divulgação de ideias, conteúdos, exercício do pensamento crítico, compartilhamento de informações e interação social. A qualidade integradora e agregadora da rede possivelmente seja o maior propósito da exposição do usuário. Assim, ao interagir nas comunidades de relacionamento na rede, a partir dos dados de perfil e das informações que meu interlocutor divulga e das ideias que apregoa em textos e mensagens da sua página, ou que posta nos espaços que interage, sei com quem me relaciono e o quê ele pode me oferecer.
Obviamente, acredito que existam implicações legais sobre a privacidade e uso das informações depositadas pelos usuários nos bancos de dados do Facebook e como a rede pode mantê-los seguros, questões que devem ser policiadas e tratadas a nível governamental, através de leis de controle, monitoramento e preservação das liberdades e direitos individuais. Todavia, o que aqui quero ressaltar é que para as formas de interação que o usuário vivencia no Facebook, as relações sociais que estabelece compartilhando seus próprios dados pessoais, estabelecendo ligações pessoais, interagindo e debatendo ideias e posições, que apesar da distância física mantida pelo meio digital, a aproximação virtual pode ter
identidade do usuário para que os demais obtenham informações precisas sobre com quem inicia uma amizade.
implicações pessoais reais, que a priori são mais construtivas para a formação e desenvolvimento pessoal do jovem que interage nesse espaço.
A construção da rede de relacionamentos, as possibilidades proporcionadas