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Circuits de balayages, Carte C, figure 30

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2. Circuits de balayages, Carte C, figure 30

O colégio Estadual Dalva Matos foi fundado em 03 de julho de 1996, passando a integrar o Sistema Estadual Público de Ensino do Estado da Bahia. De uma antiga reinvindicação da comunidade, inicialmente era uma instituição que ofertava apenas o Ensino Médio, só depois, também de reinvindicação popular, agregou o Ensino Fundamental e hoje é uma das escolas de tempo integral da Rede de Ensino.

A estrutura física abriga quinze salas de aula, uma sala de leitura com alguns livros didáticos e paradidáticos, alguns espaços de uso pedagógico que, quando foram criados, visavam justamente adequar a escola aos novos usos tecnológicos, como um laboratório de informática e um de química, uma sala de vídeo e uma Lan

house, um pequeno espaço com quatro computadores para que os alunos fizessem

pesquisas no turno oposto às aulas, mas que, com o passar do tempo, foram sucateados e desativados. Conta também com quatro salas que são usadas para administração escolar como secretaria, direção, coordenação pedagógica/vice- direção e a sala de professores, distribuídas em três pavimentos, incluso o térreo.

Existem poucos espaços de recreação, e para atividades físicas, não contando com quadras poliesportivas. A arquitetura foi concebida em formato de U, com uma área central aberta onde acontecem as atividades recreativas, sociais e as aulas de educação física. Arquitetonicamente os alunos sempre diziam que se parecia com um presídio, com muitas grades e esse pátio central, simbolicamente para eles o lugar do banho de sol dos presos.

Mas reinventamos o espaço construindo um pequeno palco para apresentações teatrais, musicais, entre outras. Todas as paredes hoje têm murais pintados com produções dos alunos e que são renovadas anualmente em uma grande ação pedagógica idealizada por uma professora, que criou um Baile Literário que envolve diversas ações artísticas, mobilizando a comunidade escolar e a cada ano renova do colégio, apresentando um novo tema para as produções artísticas dos alunos e refazendo-se as pinturas dos painéis espalhados pelas paredes da escola.

O colégio localiza-se no bairro do Lobato, subúrbio ferroviário da cidade do Salvador. O crescimento da comunidade se deu a partir da descoberta de petróleo na região e sua exploração. Considerada uma das áreas mais carentes da cidade, é uma região que ficou quase esquecida pelo poder público com muitos problemas de infraestrutura, saneamento básico, acesso difícil, pois, apesar de margear a avenida suburbana, apenas uma linha de ônibus entra no bairro. Seu crescimento foi desordenado, com construções precárias, acesso difícil a unidades básicas de saúde e, o mais grave de todos os problemas, uma região com altos índices de criminalidade e violência urbana.

Todas estas condições adversas trazem uma responsabilidade crescente aos funcionários das instituições públicas, tanto de ensino, quanto de saúde e segurança, localizadas no bairro. A população em geral e os funcionários e agentes públicos que convivem na região enfrentam diariamente situações de violência geradas por conflitos entre traficantes pelo domínio da região e ações policiais de combate ao tráfico, colocando as vidas de todos que convivem na comunidade em risco constante.

Dessa forma, as relações entre as pessoas estão sempre mediadas por fatores violentos e criminalidade. Praticamente não há quem nunca tenha sofrido ou presenciado atos violentos como roubos, tiroteios e assassinatos. A convivência com o tráfego de drogas é explicito e gangues se formam dominando a região. Hoje, estão formadas três facções que dividem o Lobato em três áreas, da linha do trem, da prainha e do fundão. Os jovens que cresceram e moram no bairro costumam ser aliciados pelo tráfico, ou sofrem as consequências de seu domínio. Os que se filiam a um grupo ou não estão envolvidos com os traficantes geralmente são impedidos de transitar de uma área para a outra a depender de onde residam, correndo grave risco de vida ou mesmo de sua integridade física, caso ultrapassem os limites impostos pelas gangues que sempre monitoram o movimento na região. Há, também os conflitos resultantes das disputas de pontos, travados entre traficantes do bairro e de outras regiões da cidade.

É corriqueiro que uma facção tente subjugar a outra na disputa de poder e a população fica exposta ao fogo cruzado, literalmente, “sob-bala”. Uma verdadeira rede de poder paralelo foi constituída a partir da violência e a margem das leis. As perspectivas de ascensão social dos jovens são baixas, porque os índices de desemprego da população do bairro são altíssimos. Mas, apesar de todos esses fatores, a maior parcela da população é “gente de bem”, trabalhadores, cidadãos que tentam viver de maneira digna, apesar de todas as mazelas a que estão expostos.

Existem códigos de conduta impostos pelas gangues até para os funcionários e agentes públicos que atuam no Lobato, para entrar e sair do bairro por exemplo. Nós professores fomos orientados a sempre entrar e sair com os vidros do carro abertos, caso sejam revestidos de película escura em especial. O fato que gerou

essa preocupação aconteceu justamente comigo. Recebi um recado passado por um aluno que deveria atentar-me a isso e informar meus colegas, porque em uma determinada época troquei meu carro e o novo modelo era preto e tinha os vidros escurecidos por película. Devido ao forte calor que faz em Salvador, dirigia para o colégio com ar condicionado ligado e vidros fechados. Ao passar por um grupo de sentinelas do tráfico, que não ficam expostos e em lugares específicos, mas sim, pulverizados pela região e você não percebe geralmente sua presença, fui avistado e ao verem a entrada de um carro desconhecido com as características que julgavam ser da polícia civil, já se preparavam para alvejá-lo, quando foram alertados por um aluno da escola que se tratava de um professor. Desta forma, fomos informados que teríamos de nos atentar para isso, ou estaríamos sujeitos a ser “metralhados qualquer dia”.

Essas situações de violência são temas recorrentes na escola, convivemos com situações horrorosas todos os dias que temos de administrar. São tantos horrores que essas crianças vivem que a escola é um verdadeiro refúgio, um lugar onde estão abrigadas e, ao menos momentaneamente protegidas. Também as relações que estabelecem com os professores, bem como suas famílias, são geralmente saudáveis. Os professores podem se colocar como verdadeiros agentes de transformação social. Geralmente são filhos de famílias desestruturadas, desagregadas pela violência, crianças sem boas referências, ou que não recebem a mínima educação informal, dominadas pelo fardo do fracasso. Trabalhar a autoestima, desenvolver relações de afeto, tornar-se um farol para guiá-los por entre toda essa escuridão.

São tantos os casos de violência impostos aos jovens no bairro, consequência do desamparo governamental que a escola, como agente do Estado fica responsabilizada por enfrentar quase que sozinha essa realidade, ampliando ainda mais sua função primordial. São meninas e meninos subjugados e violentados, são meninos aliciados pelo tráfico, são jovens que sedem à dor da miséria buscando o caminho aparentemente mais fácil do crime, e outros que se abrigam na escola e pedem socorro para resistirem. Enfrentar essas situações é um risco para os profissionais da educação. É comum que ameaças aos nossos alunos batam literalmente aos portões da escola. Em uma situação tivemos de salvar a vida de uma aluna, tirando-a da escola escondida no porta-malas do carro da diretora e

levando-a até a estação rodoviária, pagando-lhe uma passagem para ir à casa da avó no interior da Bahia, para que fugisse de um grupo de marginais que a esperavam na porta da escola para executá-la por considerá-la delatora, como chamam na gíria local, uma “X9”. Temos constantemente casos de alunos assassinados, meninos e meninas vítimas de violência sexual e espancamento. Lidar com as adversidades impostas pela violência social é uma dura rotina para nós. Somos também constantemente ameaçados e vítimas de agressões de alguns alunos ou de seus pais. É comum um professor ter seu carro arranhado, um pneu furado, ser atacado verbalmente e algumas vezes até fisicamente. Em um ambiente tão brutal, onde o indivíduo aprende a lei do mais forte, onde consegue muitas coisas na base da força, do grito, tudo isso reflete nas relações com o outro e atinge diretamente a escola.

Talvez o mais triste disso tudo seja saber o quinhão de culpa que o Estado tem sobre essa situação quando deixa a população à mercê da sorte, não cuida do que é seu dever. Não só no que concerne à segurança e infraestrutura, mas principalmente um aspecto que fatalmente, a longo prazo, transformaria tal situação, a Educação. É triste saber que a infração às leis começa exatamente pelo Estado que não cumpre seu papel legal, previsto em lei. Parece-me que a colaboração da sociedade vem sendo colocada pelos nossos governantes antes do dever do Estado, distorcendo o capitulo 205, da Constituição de 1988:

a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988)

As condições de trabalho que nos são impostas são tão desumanas quanto à realidade que vemos no entorno da escola. Da mesma maneira que o poder público despreza sua obrigação de oferecer condições mínimas de urbanização, saneamento básico, segurança, entre outras funções previstas em lei, também no que concerne à escola, não é diferente. Boas condições de trabalho não são oferecidas ao professor, apenas o mínimo.

Quase todo ano temos de lidar com a falta de material didático, nossos alunos, neste ano de 2018, por exemplo, não receberam fardamento, livro didático e

com a escassez das verbas falta por vezes até piloto para escrever no quadro e alimentação. Tivemos de fazer rodízio de turmas no turno vespertino até praticamente o final do primeiro semestre, já que não havia verbas para custear as três refeições previstas em uma escola de tempo integral, principalmente o almoço.

Todas as adversidades que formam esse conjunto de situações com as quais a equipe pedagógica da escola deve conviver e gerir impacta diretamente nas relações de trabalho e houve tempos de muito rodízio de professores e funcionários na unidade. Nem sempre o profissional está disposto a enfrentar a violência, a distância, o difícil acesso e não fica por muito tempo trabalhando na escola, esse fato talvez tenha interferido um pouco no desenvolvimento de ações pedagógicas e de metodologias de ensino de longo prazo. Todavia, no geral essa situação encontra-se mais estável. A comunidade, apesar de toda desarmonia social, abraça a escola, participa da rotina escolar e tem por seus profissionais muito respeito, o que colabora para o estabelecimento de relações afetivas entre os profissionais e a escola tornando-os mais engajados. Entretanto sempre existem aqueles que esmorecem, que se deixam abater pelas dificuldades para desenvolver um bom trabalho e acabam “empurrando a coisa com a barriga”, fato. Não os julgo, nem todos são fortes o suficiente para reagir proativamente às pressões numa situação de total desamparo governamental, ao contrário, nos últimos anos e a cada período de matrícula somos bombardeados com fechamento de turmas, de turnos inteiros, professores excedentes e, desde 2017, com o fantasma da municipalização ou fechamento da unidade escolar.

Apesar de tudo isso, nas avaliações externas a escola tem melhorado seus

índices. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB)16 a nota aferida

vem sofrendo oscilações, geralmente de maneira positiva. São muitos fatores a se analisar que podem explicar os índices, seria uma analise mais detalhada, o que não é o caso neste trabalho. Mas quero apenas levantar uma questão relevante. Desde 2005 o perfil da escola tem mudado muito em relação à tipologia e ao perfil das turmas. No início das medições, em 2005, éramos basicamente uma escola Ensino Médio, com apenas duas turmas de 8ª série do ensino fundamental. Em 2008

16 É o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, criado em 2007, pelo Instituto Nacional de

Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), formulado para medir a qualidade do aprendizado nacional e estabelecer metas para a melhoria do ensino.

recebemos mais turmas de ensino fundamental com a implantação da 7ª série. Já em 2013 a unidade é transformada em escola de tempo integral, recebendo todo o ensino fundamental II, de 6º ao 9º ano e reduzindo-se as turmas de ensino médio.

Essa mudança no perfil, a meu ver reflete muito nos índices e contribuíram para o melhor resultado em 2015, já que passamos a acompanhar o aluno e desenvolver um trabalho de base por um tempo mais prolongado, visto que ele ingressa no colégio e permanece por muitos anos. Exemplificando, se o aluno x é matriculado no 6º ano no colégio, é comum que seus pais o mantenham na escola até o final do ensino fundamental II, por vezes também no ensino médio. Desta maneira a equipe docente pode trabalhar a longo prazo com o aluno, situação muito diferente da encontrada em 2005 por exemplo, quando recebíamos um aluno proveniente de outra unidade escolar e tínhamos apenas um ano para prepará-lo para fazer as avaliações externas.

Não temos atingido as metas previstas pelo governo, é fato, mas temos nos aproximado muito e conseguimos um bom avanço. Chegamos à marca de 3.7 no último exame, o que nos coloca como o segundo melhor índice da região do subúrbio ferroviário de Salvador, ficando atrás apenas do Colégio da Polícia Militar do Lobato (CPM), um colégio que tem uma situação extremamente privilegiada em relação aos demais colégios estaduais, a destinação especial de verbas, a estrutura física privilegiada e, a meu ver, o que mais diferencia e impacta nos resultados é a seleção de alunos realizada na matrícula. Para estudar no CPM o aluno deve fazer um prova de seleção, criando-se assim um filtro.

É claro que apesar de podermos entender que situações adversas prejudicam os resultados da escola, nada justifica socialmente o fato e nos desafia a melhorar. Estamos socialmente engajados, a equipe tem consciência de seu papel e contribuições junto à comunidade e procura fazer sua parte implementando uma pedagogia voltada para o desenvolvimento humano, seus profissionais procuram diversificar as metodologias e realizar projetos significativos para a comunidade escolar, trabalhando em prol do aluno, ouvindo-os e participando ativamente de seus problemas e desejos. Tudo isso acaba surtindo em certa medida bons efeitos. Veja no quadro abaixo o panorama das medições do IDEB de 2005 a 2017 e as metas previstas.

Tabela 1– IDEB da unidade escolar e metas previstas

Ideb Observado Metas Projetadas

Escola 2005 2007 2009 2011 2013 2015 2007 2009 2011 2013 2015 2017 2019 2021 EE - COLEGIO ESTADUAL DALVA MATOS - TEMPO INTEGRAL 2.5 2.0 2.6 2.8 2.5 3.7 2.6 2.7 3.0 3.4 3.8 4.1 4.4 4.6

Fonte: site do INEP (http://ideb.inep.gov.br) pesquisado em 22 de abril de 2018.

Apesar da crescente melhora dos resultados da unidade escolar, desde 2017, como já mencionei, temos enfrentado os riscos de municipalização ou do fechamento, em razão dos projetos arbitrários do governo do estado. A nova política de reordenamento da rede de ensino, praticada pelo governo do estado tem optado, para reduzir gastos, por transferir as escolas que ofertem o ensino fundamental para a prefeitura, quando esta não as aceita, fecham-se as unidades. Em 2017 começamos a viver esse dilema, e para 2018 foi retirado o primeiro e segundo anos e mantido apenas uma turmas de terceiro ano do ensino médio, ação que visava manter na unidade apenas a oferta de ensino fundamental em tempo integral em 2019, para promover as condições para a municipalização, ou o fechamento da unidade.

A comunidade então partiu para uma série de manifestações reivindicando a manutenção do ensino médio, com passeatas, fechamento da avenida suburbana, entre outras. A associação de moradores do Lobato entrou com ação no ministério público e o governo recuou, oferecendo mais uma turma de segundo ano do ensino médio para 2018. Entretanto, ainda estamos em risco de fechamento, já que a prefeitura demostrou formalmente desinteresse em assumir a gestão da unidade e para 2019 o governo estadual seguiu seu plano e abriu matrícula apenas para uma turma de terceiro ano do ensino médio, demonstrando que em 2020 certamente extinguirá o ensino médio, criando as condições necessárias à municipalização ou fechamento.

Toda essa situação traz à tona as intenções que priorizam a administração e as políticas públicas para a educação no estado e essas são as condições em que

trabalhamos no colégio Dalva Matos. Além de enfrentar a precariedade das condições físicas, da violência urbana, ainda somos violentados por um governo que não valoriza os professores, os esforços de uma comunidade escolar em prol das necessidades de seu público, os resultados alcançados por uma escola, mesmo em condições adversas e, principalmente, um governo que não atende as necessidades e anseios da população.

Assim, manter o foco e a integridade psicológica para ofertar uma educação de qualidade que qualifique o aluno para lidar com as diversas exigências do mercado de trabalho e das demais demandas de letramento da vida em sociedade é um verdadeiro desafio. Quase uma utopia.

Como são previstos na BNCC, como ofertar uma educação que contemple as dez competências gerais previstas no documento? Realmente é uma provocação. Os textos dos documentos norteadores da educação, as leis, realmente descrevem as necessidades e os caminhos para construção de sujeitos ativos, de verdadeiros cidadãos. Entretanto, a realidade está muito distante do ideal previsto legalmente. Veja por exemplo esse trecho da Base que versa sobre a seguinte competência que a escola deve levar o aluno a desenvolver. Segundo o documento ele precisa:

Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva (BNCC, 2018, P.09).

Em uma escola onde falta o mínimo e que aparelhos tecnológicos são raros, como desenvolver no aluno tal competência? É exigido do professor encontrar a fórmula, desatar esse nó, mesmo sob tantas pressões. O Jovem no Lobato, em sua maioria, mal conhece outros bairros. Muitos dos meus alunos aos 12, 13 anos de idade nunca saíram das imediações de suas casas. Seu horizonte é restringido pela condição social e a escola poderia lhe oferecer um horizonte amplo através de ferramentas digitais por exemplo. Uma escola conectada a rede, com acesso a ferramentas de mídia, a computadores e outros artefato da Era Digital mais facilmente apresentaria ao aluno um universo de possibilidades. Todavia tudo isso depende apenas de nós, aos professores é imposto achar as soluções. É claro que

temos utilizado os mecanismos que temos a mão e dependemos, sobretudo, do que o aluno já tem e do que trazemos para a escola, utilizando principalmente

smartphones e tablets que de certa maneira são aparelhos que boa parte do

alunado tem acesso.

Todo esse panorama foi apresentado para que se possa compreender o grau de desamparo da escola pelo poder público, que, em verdade, reflete todo o desamparo da comunidade em que está inserida. E a sociedade espera muito de nós, meu aluno ainda vê em mim um guia, um suporte, um parceiro que pode ouvir, aconselhar, ensinar, apresentar um caminho que possibilite o sonho, o ideal de deixar para trás toda essa realidade brutal em busca de paz.

Essa colaboração entre os componentes da comunidade escolar, esse suporte entre professor e aluno, aluno e aluno, pais e professores, professores e direção escolar, enfim, a união de todos da comunidade escolar para um bem comum, foi um dos alicerces que suportaram o projeto de pesquisa que realizei. Os pais, conhecendo e apoiando o projeto contribuíram para buscar condições, tanto em casa como na escola, para que o aluno tivesse acesso à internet e pudessem usar as redes sociais para ler e escrever. Muitos alunos usavam o celular do pai ou da mãe para entrar na página, ler o post e comentar. Os alunos contribuíram também, emprestando seu smartphone para aquele colega que não tinha um, para que todos pudesse participar das discussões no fórum. Até os professores se engajaram emprestando seu notebook em determinados horários para que algumas

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