1.1 Como você considera o nível dos estudantes do EMI em relação à leitura e sua respectiva compreensão?
67 % - Nível baixo
22 % - Nível regular (alcançado somente com a realização de trabalho em grupos).
11 % - Nível satisfatório
1.2 Quais são as principais causas/fatores para que os alunos apresentem um nível baixo em relação a este tema?
Obs.: (Resposta dos docentes que fizeram esta consideração – Nível Baixo)
- Uma formação menos favorecida, insuficiente. Falta de estruturação do Ensino Fundamental. - Pouca leitura, falta de hábito da leitura, que vem desde a infância. A realização de leituras breves apenas, como WhatsApp.
- Interesse excessivo pelo digital e pouco por livros impressos.
- Falta de leitura crítica, contextualizada e produção de texto.
- A crença de que o trabalho de leitura cabe somente ao professor de Língua Portuguesa. - A escola não é atrativa, nem desperta o interesse do aluno para a leitura.
- Extrema ansiedade e imediatismo – tudo tem que ser “agora”.
- Falta de acompanhamento da família.
1.3 Quais são as consequências geradas por esta deficiência dos estudantes em relação à leitura?
- Eles têm muita dificuldade de compreensão e isto se reflete no desempenho acadêmico do estudante. Quando da realização de provas, eles não conseguem, muitas vezes, ler o enunciado da questão e compreendê-lo. Pede, com frequência, ao professor para explicar o que deve ser feito na questão.
- O professor tem que se adequar à situação e ao nível da maioria dos estudantes, pois do
contrário seria um índice maior de reprovações. O preço deste feito será sentido, possivelmente, mais adiante, em ocasiões na qual se exija melhor formação do cidadão.
Fonte: a Autora - Informações da Pesquisa com docentes, 2017/2018.
Tendo em conta as respostas dos professores durante as entrevistas no quadro acima, podemos verificar que a maioria reconhece como baixo, insatisfatório, o nível dos estudantes em relação à leitura/compreensão.
Também é possível constatar que os docentes, ao mencionar as prováveis causas e consequências demonstram suas angústias e a percepção de que a escola, o professor e a família têm contribuído para o atual nível apresentado pelos estudantes.
A escola pouco atrativa e dinâmica não desperta o interesse, a motivação do estudante, e o resultado são alunos despreparados e propensos à não reflexão dos conteúdos/textos, apresentando reprodução mecânica, sem compreensão, e uma formação comprometida.
Diante da constatação do nível apresentado pelos estudantes em relação à leitura, solicitamos aos docentes que apontassem sugestões que possam contribuir com a apreensão da habilidade leitora. Ver sugestões abaixo, apresentadas no QUADRO 4.
Quadro 4 – Entrevista realizada com docentes do EMI – Sugestões 1.4 Diante deste contexto, como
despertar o interesse do estudante pela leitura de textos mais longos e para ajudá-lo a minimizar essa dificuldade da compreensão leitora?
- Os professores devem engajar-se na busca do desenvolvimento da habilidade leitora juntos aos estudantes, compreendendo que esta é uma responsabilidade de todos os docentes.
- Permitir aos estudantes participar, de forma efetiva, dos eventos (culturais, científicos...) da Instituição e estimulá-los à produção textual do aprendizado destes momentos.
- Contextualizar o conhecimento teórico x prática. Integrar o conhecimento do texto e/ou explanado e sua vivência cotidiana.
- Utilizar meios digitais para este fim e conteúdo de interesse dos alunos, bem como instigá-los às descobertas.
- Trabalhar a concentração dos alunos, apesar dos estímulos que cercam os adolescentes e os levam a desconcentrar-se facilmente.
- Ter o cuidado de não encher o estudante com tanto conteúdo, a ponto de sufocá-lo, já que o nosso EMI conta com um número grande de componentes curriculares (uma média de 15 a 20 componentes, em cada ano).
- Propor projetos dinâmicos de leitura, rodas de conversa, discussões de temas, ver filmes, encenar, apreciar/analisar arte/imagens,
ler/escrever crônicas, poesias etc. Propor, enfim, atividades que despertem a criatividade e o gosto pela leitura.
- Envolver o aluno e estimular o comprometimento com seus estudos.
- Todos os docentes (da área técnica e
propedêutica) devem atualizar-se, capacitar-se para atuar nesta contemporaneidade em constante mudança.
1.5 Como esta habilidade tem sido/poderá ser trabalhada?
- Possibilitar ao estudante maior contato com o texto, realizar mais leitura. Utilizar vários meios para realizá-la (digital, impresso) elaborando resumos do conhecimento apreendido. Trabalhar também de forma mais dinâmica, variando a forma de apresentação do texto e da leitura (escrita, cantada, declamada, visual etc.).
- Trabalhar o conhecimento prévio em sala de aula, com a utilização de textos, antes de ir à aula prática de campo. Estimular o aluno a querer saber mais e buscar familiarizá-lo com a prática a ser encontrada no campo.
- Compreender o conteúdo através dos textos e não apenas pelas aulas expositivas. Compreender a aplicabilidade do conteúdo ligando, desta forma, a leitura à vivência e à prática de campo.
- A leitura deve seguir algumas etapas: leitura exploratória, com anotação dos pontos principais, seguida de uma leitura analítica/crítica.
- Envolver o estudante e estimulá-lo à leitura, com utilização do lúdico, despertando-lhe o interesse e a vontade de compartilhar conhecimentos.
- Aliar a tecnologia digital ao trabalho docente, utilizando-a como um dispositivo didático e atrativo para os jovens.
Fonte: a Autora - Informações da Pesquisa com docentes, 2017/2018.
As soluções apontadas pelos docentes são pautas a serem consideradas, pois se apresentam como opções atrativas para os estudantes. Percebemos, no entanto, que embora a maioria dos docentes compreendam que algo deve ser feito, espera-se que a iniciativa seja do outro; não dele mesmo, numa postura passiva que tem como consequência um fazer fragmentado e desconexo do trabalho do colega.
Vejamos a seguir o QUADRO 5 que trata da formação docente.
Quadro 5 – Entrevista realizada com docentes do EMI - Formação docente