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Partie 1 : L’évolution du marché de l’électricité

2. Les activités de la CREG

2.2. La CREG au sein du CEER

A construção epistemológica desse estudo, a partir do resultado das análises, aponta para um panorama no qual a gestão memorial arquivística em Pernambuco, antes fechada como feudos, constituem-se hoje como ilhas, na medida em que essa realidade já aponta para um processo inter-relacional mesmo que em boa parte por conta do uso das novas tecnologias, como já foi discutido. Essa conclusão de análise é possível pela observação de que as práticas de preservação memorial arquivísticas já não estão impulsionadas pela realidade digital respondendo à função social que abarcam.

Contudo, essa outra realidade de práticas, segundo os resultados das análises, faz-se de forma desarticulada e não sistêmica. É certo que os sujeitos e suas práticas são partes de um recorte de memória nacional, mas, ao se aventurarem na tecnológica como mito fundador se

deixam refletir, não raro, e apenas, pela memória que referendam. São como ilhas de

informação, que apesar da possibilidade de navegação ficam presas aos seus “portos seguros”, não dialogam, nem interoperam para gerar conhecimento acessível. É inegável, portanto, que houve um redirecionamento na praxis dos entes memoriais obrigando-os a sair das torres de marfins e adotarem a lógica do mundo virtual e conectado. Mas são estratégias fragmentadas e, ainda, vulneráveis. A inserção de um estoque de memória arquivística nesse novo contexto de realidade complexa faz-se, na maioria das vezes, com resistência, desconfiança e desconhecimento. Decorre da necessidade imperiosa de se refletir outra forma para conservar, guardar, preservar e dar acesso aos documentos. Retomando as considerações do suporte do registro, já discutidas e teorizadas por autores como Hjørland (2000), Holanda (2012), e Bukland (1998), entre outros conceitos pela perda da sacralidade, pois afinal, “o que é um documento” hoje? (BUKLAND, 1997)

A prática de preservação memorial arquivística tende a ser refletida por tomada de decisão pontual, esforço individual, ou de grupo que vem alterando o aspecto cultural da guarda arquivística memorial. É esforço de militância! São tentativas de modelagens na prática custodial historicista pela absorção e adaptação às novas tecnologias pela necessidade de inclusão social no mundo digital. As mudanças observadas nas práticas de gestão arquivísticas são referendadas pela aplicação de dispositivos tecnológicos, não em processos culturais que transformem comportamentos. São como fármacos de pequeno espectro, aplicados aos agentes de grande virulência: curam os sintomas e dão ao paciente uma sobrevida, mas não destrói o germe causador da doença.

Não existe como regra uma visão alargada por parte de quem cuida dos acervos arquivísticos, assertiva essa que lastreia a hipótese da pesquisa. Pelo resultado das análises, a compreensão dessa realidade – perpassada pela lógica sistêmica e complexa – não se esgota com a aquisição de softwares, base de dados, memória eletrônica, ou práticas caseiras de digitalização. Em alguns casos fica patente que a memória apenas migrou do papel para um suporte tecnológico de segurança duvidosa. Em tempos de voga da memória e boom da informação a adoção de ferramentas tecnológicas, não raro, tem sido encarada como marco revolucionário de saída à agudização da crise permanente da memória pelos que gestam memória arquivística. Essas medidas estão longe de serem tidas como uma mudança de atitude, embora respondam algumas demandas emergenciais sentidas nos ambientes de memória arquivística e também redirecionaram algumas competências profissionais frente ao mundo eletrônico vigente.

As reflexões levantadas têm no uso das novas tecnologias apenas uma variável, um indicador, cuja análise não foi aprofundada nessa pesquisa. Faz ponte com a normatização do Conarq no âmbito da digitalização dos documentos arquivístico – Resolução 31 –, o que justifica a adoção de recursos tecnológicos pela maioria das instituições nesse Estado. Esse estudo não se propõe, portanto à aquisição de um conhecimento total visto ser a realidade o objeto dessa pesquisa. Assim, é compreensível que as apreciações levantadas e qualificadas no conjunto de fenômenos sociais abordados façam emergir ambigüidades, visto que toda realidade é espaço de incertezas. Essas relativizações antes de parecerem imprecisões, possibilitam novas construções epistemológicas e podem contribuir à proposição de alargamento de análises futuras e não apenas de respostas prontas, como verdades absolutas dispostas nessa escrita.

As entrevistas são testemunhos de recortes de realidades dos sujeitos entrevistados, que confrontadas, à revisão teórica e à análise, dão sentido ao fenômeno social de custódia memorial arquivística. Assim, essa introdução de caráter explicativo visa fazer a ligação com a subseção posterior que descreve o uso des testemunhos como matéria de vida e, portanto, constructo de uma realidade.

6.1 TESTEMUNHOS: FRAGMENTOS DE PRÁTICAS DE GUARDA E PERSPECTIVAS PÓS CUSTODIAL

Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta,

como assume os dramas da vida e da morte, ou quais esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação. (BOFF, 1997, p. 9). O relato de ocorrências passadas, ou de práticas cotidianas por meio do testemunho individual traz à tona um recorte de realidade coletiva de significados comuns, ou não, mas carregado de verdades. E como já referendado, matéria de vida que toma sentido quando perpassada pela análise de conteúdo e pela teoria de referência e se transforma em fluxo de informação contextualizada gerador de saberes.

Recorremos a testemunhos para reforçar ou enfraquecer e também para completar o que sabemos de um evento sobre o qual já temos alguma informação, embora muitas circunstâncias a ele relativas permaneçam obscuras para todos nós. (HALBWACHS, 2003, p. 29).

A fundamentação de Halbwachs toma corpo nos testemunhos à medida que os entrevistados falam com autoridade a partir de um lugar onde exercem suas práticas individuais e coletivas. As entrevistas nessa pesquisa buscam conhecer a realidade das práticas de custódia do fluxo de informação arquivística memorial de Pernambuco, em relação às decisões de práticas e competências profissionais dos entrevistados. Tem como recorte os registros memoriais da Justiça do Trabalho desse estado.

Richardson (2011) teoriza que “o termo entrevista é construído a partir de duas palavras, entre e vista. Vista refere-se ao ato de ver, ter preocupação de algo. Entre indica a relação de lugar ou estado no espaço que separa duas pessoas ou coisas”. Reitera o autor: “portanto, o termo entrevista refere-se ao ato de perceber realizado entre duas pessoas.” (RICHARDSON, 2011, p. 208).

Essa ferramenta de pesquisa é instrumento da análise qualitativa e, alicerçada na teoria de referência, permite alcançar objetivos propostos e avaliar a hipótese da pesquisa. É um meio de análise construído por uma interface59 entre entrevistado e entrevistador para a obtenção das informações pertinentes ao tema abordado de forma concatenada, contextualizada e sistêmica cujos dados coletados são perpassados pela análise de conteúdo.

Esse método de estudo é recomendado para trabalhar a relatividade e subjetividade das narrativas dos entrevistados acerca de uma realidade complexa, como a guarda arquivística memorial.

A análise de conteúdo das entrevistas nessa pesquisa se faz, seguindo a teoria de Bardim (2009), por meio do processo de organização, manuseio, tratamento, inferência e interpretação do significado das falas dando-lhes sentido.

59

O recurso à análise de conteúdo, para tirar partido de um material dito <<qualitativo>>, é indispensável: entrevistas de inquérito (...) que fornecem um material verbal rico e complexo. (BARDIM, 2009, p. 89).

O modelo de entrevista utilizado foi o modo não diretivo, no qual inexiste pergunta fixa, ou estruturada previamente. Nesse estudo o assunto chega ao entrevistado a partir da contextualização do tema da pesquisa por meio de um resumo (Anexo D). Há também o uso de “perguntas guias” (SILVA, 2008, p. 2003) utilizadas em paralelo com a síntese descrita sempre que preciso de uma intervenção ou recondução da entrevista. A apresentação prévia dessa síntese permite que o entrevistado tenha conhecimento do que vai abordar, discorrendo sobre o assunto dentro da própria perspectiva. Richardson (2011) pontua que o primeiro princípio de uma entrevista como essa é a não direção, deve-se “apenas guiá-lo (o entrevistado- grifo nosso) e manter-se (entrevistador-grifo nosso) interessado no que ele fala” (RICHARDSON, 2011, p. 210).

A escolha dos entrevistados liga-se à pertinência deles com o contexto temático da pesquisa. Os discursos são espontâneos e se validam no exercício das respectivas competências nos domínios da memória arquivística. Foram entrevistados no período de junho a dezembro de 2014 quatro profissionais: Professor Dr. Tiago Bernardon de Oliveira; Professora Dra. Christine Paulete Yves Rufino Dabatt; Gestora Mestra Mônica Maria de Pádua Souto da Cunha e a Gestora e Mestra Sandra Verissimo.

Seguem informações sistematizadas da formação profissional de cada entrevistado, bem como a participação deles nas questões ligadas à realidade de custódia de um acervo memorial arquivístico no período correspondente ao marco temporal desse estudo.

 Tiago Bernardon de Oliveira, Professor Dr. em História. De 2010 a julho de 2014, atuou como professor no curso de Licenciatura em História do Centro de Humanidades da UEPB, no município de Guarabira. Nesse município dedicou-se ao ensino de História Moderna, Contemporânea e do Brasil Republicano, realizou atividades de pesquisa e extensão relacionadas à História Social do Trabalho e coordenou o processo de estruturação do Núcleo de Documentação Histórica do Centro de Humanidades (NDH).

 Professora Dra. Christine Paulete Yves Rufino Dabat, docente do Departamento de História da UFPE, com experiência de pesquisa na área de História da Agricultura, com ênfase em História do Açúcar, história das relações de trabalho na zona canavieira de Pernambuco. Ministra também disciplinas em História Medieval e

Introdução à História da China contemporânea. Primeira gestora do Arquivo Memória e História TRT6/UFPE de 2004 a 2007.

 Mônica Maria de Pádua Souto da Cunha, Historiadora e Mestre em Ciência da Informação pela UFPE. Servidora do Tribunal da Justiça de Pernambuco, onde atua como diretora do Memorial da Justiça de Pernambuco. É Membro do Comitê Gestor da Rede de Memória do Judiciário do Norte e Nordeste e mentora do I Fórum de Memória do Judiciário do Norte-Nordeste. Representa o Tribunal de Justiça de Pernambuco na Rede Memorial desse Estado.

 Sandra Veríssimo, Historiadora e Mestre em Ciência da Informação pela UFPE. Representante do Colegiado Setorial de Arquivos do Ministério da Cultura. Membro da Comissão Pastoral para a Cultura da Arquidiocese de Olinda e Recife. Membro da Rede Memorial de Pernambuco, onde representava o Arquivo Público Estadual João Emerenciano, desde 2009 e no qual exercia o cargo de Chefe do Arquivo Permanente. Atualmente está à frente da Secretaria da Cultura do Estado de Pernambuco, atuando como uma interface entre essa e a RMP.

Apesar da qualificação dos entrevistados por suas competências profissionais e formação continuada, suas identidades são preservadas nas citações dos resultados dessa análise. O tempo de gravação das entrevistas é de 4h17min02seg, o que dá mais de 1h para cada entrevista. Fez-se interferência sempre que preciso durante as entrevistas por meio de guias-temáticos (Vide tabela 3) que não seguem nenhum padrão preestabelecido de ocorrência. Apenas utiliza-se o recurso de interferência descrito como um esquema de ordenação mental com os principais tópicos a serem abordados, para obtenção do relato o mais próximo possível do tema proposto, evitando a fuga do assunto. Têm-se sistematizadas sete guias:

1. Gestão arquivística memorial;

2. Prática profissional de guarda de registro memorial; 3. Prática institucional de guarda de registro memorial;

4. Instituição e registro de memória e valor social da informação;

5. Instituições arquivísticas memoriais frente às demandas sociais por uso e acesso a informação;

6. Uso de novas tecnologias.

7. Prática arquivística pós-custodial: Rede Memorial Pernambuco.

Essa penúltima seção da pesquisa expõe a escolha dos fios que compõem a trama da análise final e tecem os resultados. Assim, esse tópico textual comunica ao leitor os passos

metodológicos que antecedem à análise de conteúdo das entrevistas, parte fulcral dessa escrita.