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II. 1.2.2.2.1 F ONCTIONS DU COPING : PROBLÈME VS ÉMOTION

II.1.3 ETAT ACTUEL

II.1.3.4 Corrélats d’un coping adapté

Historicamente, nas representações correntes da juventude, há uma tendência de se compreender os jovens como parte de uma cultura juvenil unitária.85 Entretanto, a definição da cultura juvenil é uma construção social que existe mais como representação social do que como uma realidade. Nesse sentido, é possível que alguns jovens sintam-se parte desse conjunto de representações sociais enquanto outros não. Pais (2003), a esse respeito, ressalta que a questão posta à sociologia da juventude é justamente a de contemplar não apenas as possíveis ou relativas “similaridades” – em relação, por exemplo, às situações, expectativas, aspirações, consumos culturais – entre os (as) jovens ou grupo de jovens, mas também, e principalmente, as diferenças sociais que existem entre eles. Prosseguindo sua análise, o autor destaca que, no campo de estudos da sociologia da juventude, é possível observar a correspondência existente entre as diferentes correntes teóricas da sociologia e as diferentes maneiras de se olhar a juventude. No entanto, apesar dessa diversidade, é possível agrupá-las em duas principais correntes: a corrente geracional e a corrente classista.86

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A primeira, a corrente geracional, compreende a juventude como um conjunto social constituído por sujeitos pertencentes a uma fase específica da vida. Nessa vertente, o que prevalece é a busca dos aspectos mais uniformes e homogêneos característicos dessa fase da vida, ou seja, aspectos constitutivos de uma cultura juvenil específica. Nesse caso, a noção de geração é definida em termos etários. Ainda de acordo com Pais, para esta corrente, as experiências de determinados sujeitos são compartilhadas por outros indivíduos

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Cf. ABRAMO,1994; PAIS, 1993.

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da mesma geração que, por essa aproximação, vivenciam situações e problemas semelhantes. Isto, no entanto, não significa que diferentes perspectivas de vida não possam ser compartilhadas por diferentes membros de uma mesma geração. Algumas perspectivas de vida podem ser consideradas como específicas a uma geração, enquanto outras são compartilhadas por todas as gerações existentes em uma dada estrutura social. Nessa perspectiva, as expressões da cultura juvenil são tomadas a partir da oposição que traçam em relação à cultura dominante das gerações mais velhas; são tratadas como o resultado da crise, das frustrações e das tensões próprias de uma fase de vida caracterizada por uma relativa indeterminação de estatuto.

Já a corrente classista coloca em xeque a noção de uma cultura juvenil unívoca. Ao contrário, a juventude é compreendida como um conjunto social necessariamente diversificado e analisada a partir do lugar social que ocupa. Nessa vertente de leitura, considera-se a juventude como um conjunto social cujo principal atributo é o de ser constituído por jovens de diferentes origens e inserções sociais. Nesse sentido, Pais pontua que as culturas juvenis são compreendidas como culturas de classe, ou seja, como produtos de relações antagônicas das classes sociais. Assim, são apresentadas como uma forma de resistência às contradições de classe ou, então, como solução para os problemas vivenciados por jovens de uma determinada classe social.

Segundo esse autor, nota-se, de uma maneira geral, que, independente da perspectiva teórica, o conceito de cultura juvenil aparece associado ao conceito de cultura dominante e subordinado a uma forma de resistência à cultura dessa classe dominante.87 Justamente por isso, é no campo das representações sociais dominantes que as culturas juvenis têm sido analisadas. Para Pais, embora as culturas juvenis apareçam referenciadas a

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um conjunto de crenças, valores, símbolos, normas e práticas compartilhados por determinados (as) jovens, na verdade, esses elementos tanto podem ser próprios à fase de vida associada a uma das noções de juventude, como podem, também, ser derivados ou assimilados por gerações precedentes - de acordo com a corrente geracional – ou pelas

trajetórias de classe em que os jovens se inscrevem - segundo a corrente classista.

Na tentativa de transpor essa compreensão unitária e homogênea das culturas juvenis, o autor pontua a necessidade de explorar a compreensão antropológica do conceito de cultura juvenil, buscando explorar os significados e os valores referentes a determinados modos de vida e práticas, não apenas no nível das instituições, mas também no nível da própria vida cotidiana.

Nessa mesma perspectiva teórica, Feixa (1998), ao propor um modelo analítico para o estudo antropológico das culturas juvenis, observa a possibilidade de distinguir diferentes cenários que possibilitam a articulação social das culturas juvenis. O primeiro refere-se à distribuição do poder cultural no âmbito social. Neste, a relação dos jovens com a cultura dominante é mediatizada por diversas instâncias sociais como a escola, os meios de comunicação, entre outras, nas quais esse poder é transmitido e negociado. Frente a essas instâncias, os jovens estabelecem relações contraditórias de integração e/ou de conflito. O segundo, as culturas parentais, remetem às normas de conduta e aos valores vigentes no contexto social de origem dos jovens. O autor pontua que não se limitam às relações entre pais e filhos, pois se trata de um conjunto mais amplo das interações cotidianas entre os membros de diferentes gerações. Nessas relações, mediante à socialização primária, o jovem interioriza elementos culturais básicos como regras sexuais, formas de sociabilidade, critérios estéticos, entre outros, que são utilizados na elaboração de estilos de vida próprios. Por último, o cenário das culturas geracionais, o qual se refere à experiência específica que 82

os jovens adquirem nos espaços familiares, nos espaços institucionais, como a escola e o trabalho, e nos espaços ligados ao lazer, como as festas e locais de diversão. Nesses ambientes, o jovem encontra-se com outros jovens e começa a se identificar com determinados comportamentos e valores diferentes dos vigentes no “mundo adulto”.

Em um nível mais operativo, o autor ressalta ainda que as culturas juvenis podem ser analisadas a partir de duas perspectivas: no plano das condições sociais e no plano das imagens culturais. No primeiro, as culturas juvenis são construídas segundo referenciais das identidades geracionais, de gênero, de classe, de etnia e de território. Enquanto, no segundo, são provenientes da moda, da música, da linguagem, das atividades focais e das práticas culturais.

Em suma, as reflexões propostas por esses autores chamam a atenção para o fato de que, se quisermos compreender as culturas juvenis, é preciso considerar que elas não são homogêneas nem estáticas, na medida em que apresentam tanto um caráter histórico quanto uma dimensão biográfica. Nesse sentido, destaco a necessidade terminológica de se grafar a expressão “cultura juvenil” no plural, a fim de respeitar a heterogeneidade interna que as constitui e de propor uma outra forma analítica do problema. Ao invés de a ênfase recair na marginalização, a ênfase recai na identidade; ao invés de se considerar as aparências, consideram-se as estratégias; ao invés de se privilegiar o espetacular, privilegia-se a vida cotidiana; ao invés de se voltar à delinqüência, volta-se ao ócio; ao invés de se flagrar as imagens, flagram-se os atores.

Tomando tais discussões como orientação, um dos focos deste trabalho será considerar as culturas juvenis como um conjunto de significados compartilhados e de símbolos específicos que se referem à maneira como as experiências sociais dos sujeitos são expressas, mediante à adesão a um determinado grupo, à adoção de uma linguagem 83

com seus usos específicos e à adoção de particulares rituais e eventos, através dos quais a vida adquire um sentido. Nesses termos, entendo que as vivências e as representações construídas pelas jovens articulam-se não apenas com a dimensão geracional e de classe, mas também com a de raça e de gênero, as quais se encontram em constante interação. Pretendo, então, considerar a diversidade presente no contexto, nas práticas e nas experiências dos grupos pesquisados, com o intuito de compreender as linguagens, os valores, os comportamentos, as concepções, os modos de pensar, de sentir e de agir construídos pelas jovens integrantes dos grupos pesquisados.