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Convergence presque sûre et en probabilité

Dans le document Chapitre 1 Dénombrer et sommer (Page 167-174)

Théorèmes limites

6.1 Convergences de suites de v.a

6.1.1 Convergence presque sûre et en probabilité

o qual espaço, que será de sessenta léguas, está ocupado de muitas Ilhas,

restingas e baxos, que fazem aquela passagem muito perigosa.

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Vasco da Gama, oI forte Capitão

que a tamanhas empresas se oferece de soberbo e608 altivo coração,

a quem fortuna sempre favorece, pera se aqui deter não vê rezão,609

que inabitada a terra lhe parece, por diante passar determinava mas não lhe sucedeu como cuidava.

Vasco da Gama era o valeroso Capitão desta armada, que conforme seu nobre e generoso coração, a tão dificultosas empresas se ofereceu, a quem a fortuna sempre costuma dar bom sucesso. Não via causa que o movesse a deter-se nestas Ilhas porque o terreno delas lhe pareceu despovoado, quisera ir por diante, mas não pôde nem lhe foi lícito fazê-lo.

Vasco da Gama o forte capitão.

Nomea a primeira vez com esta solenidade ao grande capitão Vasco da Gama, merecedor por certo, deste, e doutros maiores louvores e honrosos títulos.610

Capitão.

I No ms.: «gama*o*forte Capitaõ».

608 À excepção das edições de 1584 e 1591, onde também se diz «e altivo coração», quer na

edição princeps quer nas restantes lê-se «e de altivo coração».

609 À excepção das edições de 1584 e 1591, onde também se diz «rezão», quer na edição prin-

ceps quer nas restantes lê-se «razão».

610 Incompletos, os Comentários de D. Marcos não deixam saber o que escreveria a respeito da

estrofe 99 do canto V, onde Camões acusa Vasco da Gama e «quem na estirpe seu se chama» de não terem Calíope por amiga. Importa lembrar o cuidado com que, n’Os Lvsiadas […] Commenta-

dos, Manuel Correia ou Pedro de Mariz haviam contornado este problema, generalizando a crítica

e diluindo, por esse viés, o melindre de uma denúncia directa: «Nota aqui [V, est. 99] o Poeta aos Portugueses pouco favorecedores dos Poetas, pelo que esta empresa que ele tomou de lhe escrever seus feitos, devem à Pátria onde naceu, que o amor demasiado que lhe ele tem, o fez cantar os feitos dos seus naturais, e não obrigação algu˜a que tivesse. Calíope é u˜a das Musas, e principal delas.» (1613, f. 165v).

Nome português, que sinifica o que governa gente de guerra, dirivada a metá- fora de cabeça, que assi como este membro é o que rege os outros, e todos se põe a perigo polo defender a ele, assi na (75v)// guerra, e na República, tudo se há-de arriscar por não perigar o Capitão. Desta etimologia usa a língua hebrea, que chama Roschim aos capitães, dirivando o nome de rosch, que quer dizer cabeça. Os gregos chamam ao capitão $JZJH´R9, nome dirivado das rédeas e governo dos carros e cavalos. Os Latinos chamam ao Capitão Dux, dirivado de duco, que quer dizer guiar, e encaminhar, porque este é o ofício do bom capitão.

Soberbo.

Propriamente inchado e altivo. Toma-se também por estes três nomes: nobre, magnífico, excelente. Cada um destes serve a nosso propósito.

Virg.: Hinc populum late regem belloque superbum

i. excellentem.611

Inda costumamos dizer de um homem bizarro e galante, soberbo homem, e em muitos outros prepósitos usamos deste vocábulo soberbo in bonam partem.

Altivo.

Desprezador de cousas baxas, e que tem opinião de sua pessoa, com causa, porque quando é sem ela, chama-se néscio, arrogante, presuntuoso.

A quem fortuna sempre favorece. Virg.: Audentes fortuna iuvat.612

Seneca: Fortes fortuna iuuat ignauos premit.613

Enius: Fortibus est fortuna viris data.614

611 Publius Virgilius Maro, Aeneis, I, v. 21.

612 Publius Virgilius Maro, Aeneis, X, v. 284. Na edição de referência: audentis. O passo, tal

como D. Marcos o cita, figura na Polyanthea Nova, sob o título Audacia (1607, p. 130). Também aí, na secção dos Adagia, se inclui a expressão Fortes fortuna adjuvat (p. 131).

613 Lucius Annaeus Seneca, Medea, v. 159. Na edição de referência: Fortuna fortes metuit,

ignavos premit. Sob o título Fortuna, a frase, tal como D. Marcos a cita, encontra-se na Polyanthea Nova (1607, p. 450); a lição original (Fortuna fortes metuit, ignavos premit) surge sob o título Ignavia (1607, p. 532).

614 Quintus Ennius, Annales, VII, 254. O passo figura na Polyanthea Nova, sob o título Fortuna

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Eis aparecem logo em companhia uns pequenos batéis que vem daquela que mais chegada à terra parecia, cortando o longo mar com larga vela. A gente se alvoroça, e de alegria não sabe mais que olhar a causa dela, que gente será esta, em si deziam,

que costumes, que Lei, que Rei teriam? (76)//

Eis que daquela Ilha que mais junta com a terra estava começaram a sair batéis pequenos, cortando o mar, com a vela solta, a vista dos quais alvoraçou muito a gente d’armada. Com grande contentamento, não sabiam tirar os olhos deles, e começaram a dizer entre si: «Valha-nos Deus, que gente é esta, que costumes terá, que Lei professará, e qual será o rei que os governa?»

Eis que aparecem logo ect.

Os Poetas que escrevem histórias, tem ratione officii duas obrigações a que hão-de acudir615: a primeira e mais importante, a da poesia, a segunda a da his-

tória, e esta é menos principal. Não estão obrigados os poetas a contar as cousas que sucederam com a miudeza de um historiador, porque nem a poesia pudera suprir a tanto, nem tal história fora bem contada, por isso quem quiser saber his- tória não cure de a saber do poeta, busque o historiador. Isto tudo disse porque nestas histórias da Índia que o nosso poeta agora começa usa muitas vezes de compêndio porque a poesia não sofre esses vagares. Esta história dos batéis que vieram pelo mar conta João de Barros, de quem Camões se não aparta, e assi nós inda que lemos muitos autores que escreveram histórias da Índia só com João de Barros alegaremos.616

615 D. Marcos parafraseia afirmações de Aristóteles, seguindo de perto a distinção estabelecida na

Poética entre a poesia e a história. Não precisaria, no entanto, de manusear directamente a Poética

para fazer estas afirmações: uma obra como a de Alonso López Pinciano, Philosophia Antigva Poetica (que noutro lugar menciona), pode ter servido de fonte. Ali se dizia: El campo de la poetica es immen-

so (dize Ouidio) y a ninguna historia es obligado, que es dezir; el poeta no es obligado a la verdad, mas de quanto le parece que conuiene para la verisimilitud: lo qual especialmente vsan los tragicos y epicos prudentissimamente en general, para hazer su narracion mas verisimil, y con algunas verdades […]. Todo esto se haze para el fin que esta dicho, que es el deleyte y la doctrina. Assi que los poemas que sobre historia toman su fundamento, son como vna tela, cuya vrdiembre es la historia, y la trama es la imitacion y fabula. Este hilo de trama va con la historia texiendo su tela, y es de tal modo, que el poeta puede tomar de la historia lo que se le antojare, y dexar lo que le pareciere, como no sea mas la historia que la fabula: porque en tal caso sera el poema imperfecto y falto de la imitacion […]. (1596, p. 215).

616 A partir daqui, e até «Esta história conta assi João de Barros», D. Marcos segue o texto

da Decada Primeira, ora reproduzindo-o ipsis verbis ora parafraseando-o, neste caso seja para o abreviar seja para o amplificar (v. Decada Primeira, 1628, IV, III – por erro de numeração, «IIII» –, fls. 66v-67).

Barros, D. 1.ª, l. 4, c. 3

Depois que os Portugueses que com Vasco da Gama iamI passaram o Ilhéu da

Cruz, foram com vários sucessos descobrindo mares, e terras novas até chegarem à boca de um Rio donde viram sair e entrar alguns barcos com velas feitas de fo- lha de palma. Ali viram que os naturais moravam em suas casas ao redor daquele rio, o que deu grande ânimo aos nossos de quão quebrado o levavam, nãoII vendo

até então senão gente bruta como a de Guiné. Neste Rio esteve Vasco da Gama alguns dias e lhe pôs nome dos Bons Sinais, como adiante veremos. Daqui partiu a armada até descobrirIII aquela que agora chamamos Moçambique, onde estava

u˜a pequena povoação deste nome, mas não quis ancorar junto a ela. Mas (76v)// foi pousar nuns Ilhéus que lhe ficam u˜a légua ao mar chamados de S. Jorge, onde Vasco da Gama pôs um padrão do nome deste Santo. Aqui vieram ter com os nossos três ou quatro barcos a que eles chamam zambucos, com suas velas de palma eIV a remo, a gente dos quais já era mais bem tratada no modo de vestir,

e entre eles vinham alguns homens brancos com toucas foteadas e o vestido de algodão. Chegando as naus levantou-se um daqueles que parecia mais honrado, e em língua arábiga perguntou quem eram e pera onde iam. Vasco da Gama lhe mandou responder per Fernão Martins língua que eram vassalos del Rei de Portugal, e que quanto ao que buscavam, como soubessem quem eles eram lho diriam. Este Mouro que perguntou isto era natural do Reino de Fez, como de- pois se soube, e no princípio cuidou que os nossos eram Turcos, e vendo que lhe deziam ser Portugueses entendeu, vendo o trajo deles, que era verdade o que de- ziam. E fingindo contentamento que não tinha, lhe tornou que aquela povoação se chamava Moçambique, cujo senhor era um Xeque per nome Çacoeja, o qual tinha per costume quando àquele porto chegavam naus estrangeiras mandar sa- ber que gente vinha nelas, e sendo mercadores lhe dava toda a ordem pera tratar na terra, e sendo navegantes que passavam provê-los do que houvessem mister. A isto respondeu Vasco da Gama que sua vinda àquele porto era passagem pera a Índia, onde ia a negócios de importância del Rei seu senhor, e portanto pedia que dissesse ao Xeque que lhe mandasse dar um piloto que os levasse a Calecut, que ele lhe pagaria muito bem. Que quanto às mercadorias, por ora não trazia mais que aquelas que lhe serviam pera comutar polas cousas que lhe fossem necessá- rias, e tudo o mais eram cousas que trazia pera oferecer aos Reis e Senhores de que recebesse gasalhado. O Mouro era sagaz e esperto, disse que tudo relataria ao Xeque seu senhor, e que quanto ao piloto, que descansasse, porque ali havia muitos que sabiam a carreira da Índia. Vasco da Gama mandou por ele ao Xeque algu˜as conservas da Ilha da Madeira e ao Mouro pera sua pessoa deu um capelhar de grã e outras (77)// cousas desta sorte, com que se partiu contente. Esta história conta assi João de Barros. Damião de Góis, que escreveu muito depois, conta a

I No ms.: «com VascodaGama foraõ/hião»…

II No ms.: «olevavão, *não* vendo»…

III No ms.: «ate descobrir outroriograndeAquellaq- agora chamamos Mocambique»…

mesma história por diferente modo, dizendo que o Xeque em pessoa vëo à nau ver Vasco da Gama617, o que o nosso poeta imita, trata da merenda que lhe deu,

como também o nosso poeta, conta que este Xeque era vassalo del Rei de Quíloa, e outras miudezas que Barros deixou, mas nas cousas que Barros escreveu miu- damente, como das falsidades dos pilotos, e do Xeque e da guerra e destruição que os nossos neles fizeram, não se detém, de sorte que claramente mostra que se não quer encontrar com Barros. Camões ora imita um ora outro, seguindo ou contando o que melhor lhe parece.

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As embarcações eram na maneira mui veloces, estreitas, e compridas, as velas com que vem eram de esteira du˜as folhas de palma bem tecidas. A gente da cor era verdadeira que Faeton nas terras encendidas618

ao mundo deu, de ousado, e não prudente, o Pado o sabe, e Lampetusa o sente.

Eram os zambucos em que estes vinham mui ligeiros, estreitos e compridos. As velas eram de palma, tecidas a modo de esteira. A gente era negra tal como aquela que Faeton filho do Sol queimou quando com mais atrevimento que prudência quis governar os carros de seu pai. O Rio Pó onde caiu morto o sabe, e sua Irmã Lampetusa o sente convertida em árvore junto deste Rio.

Que Faeton nas terras encendidas ect.

A fábula de Faetonte conta Ovídio no fim do primeiro livro, e por (77v)// gran- de espaço do segundo de suas Transformações nesta maneira: Épafo filho de Jú- piter criou-se de pequeno em companhia de Faeton filho de Apolo e de Climene, e como era filho de Deus tinha-se por tão bom como Épafo, o que ele sofreu mal, e sobre isso tiveram rezões, entre as quais Épafo o desprezou. Vendo-se Faetonte desprezado foi-se ter com seu Pai ao Céu pela Via Láctea, o qual com muito amor o recebeu. O filho se lhe queixou do desprezo com que Épafo o tratara, e lhe per- guntou se o tinha por filho verdadeiro. O pai o certificou disso, e em penhor dessa verdade lhe deu licença pera lhe pedir o que quisesse, jurando-lhe pela Lagoa Estígia (juramento inviolável) de lho conceder. O filho lhe pediu o governo de um dia no seu carro, o pai sentiu muito tal petição, e como diz Ovídio:

617 V. infra, nota 627.

618 Na edição princeps, como em todas as outras impressas até 1631, «acendidas».

Penituit iurasse patrem, et terque quaterque Concutiens illustre caput, temeraria dixit Vox mea facta tua est. Utinam promissa liceret Non dare.619

Aproveitou pouco pera com o filho apetitoso do governo os bons conselhos do pai, tomou o carro, governou no princípio a tento, os cavalos sentindo o pouco peso de quem os governava saíram-se do caminho, deceram ao mais baxo, fican- do vizinhos da terra começou ela de se abrasar, queixaram-se os homens a Tellus, e ela a Júpiter, o qual deitou seu furioso raio, e derrubando o mancebo do coche deu com ele no Rio Pó. Suas Irmãs sabendo o triste caso do mancebo o choraram, Cigno seu amigo acompanhou suas lágrimas, elas se converteram em álemos ne- gros, ele em cisne branco. Diz Ovídio que os Etíopes que ficam debaxo da zona tórrida por onde Faetonte andou com o carro mal regido, com a grande quentura que então os abrasou ficaram negros como hoje são. A esta fábula deu lugar u˜a notável seca que no mundo houve, quando as fontes e os Rios secaram, e as terras ardiam com quentura, da qual seca faz menção Eusébio de temporibus620, e diz

que aconteceuI perto do dilúvio de Deucalion. O mesmo tem Clemente Alexandri-

no621. Gordónio Scoto põe isto no ano 2469 ab Orbe condito. E diz que sucede-

ram neste século três grandes castigos: o dilúvio de Deucalion, as pragas do Egito, o incêndio de Faeton622. Outros declaram esta fábula historicamente, dizendo que

Faetonte era filho de (78)// um poderoso Rei dos Argivos chamado Mérope, e este que se namorou de u˜a dama muito fermosa chamada ClimeneII filha do Oceano,

e dela houve um filho chamado Faetonte, por outro nome Erídano. Este veio com grandes exércitos a Itália, e entrando pelos montes de Génova chegou às planícies de Lombardia per onde corre o Rio Pado, ou Pó. E fazendo então grandes calmas, caminhando ele pelas ribeiras do Pó, se levantou u˜a trovoada e dentre as nuvens

I No ms.: «dis queaconteceu Clementepertododiluvio»…

II No ms.: «casou/namorou dehuã dama mtofermosachamada Merope Climene»… A preposi-

ção, em «de huã dama», parece ter sido escrita em total sobreposição a «cõ» (na redacção primeira: «casou cõ»).

619 Publius Ovidius Naso, Metamorphoses, II, vv. 49-52. Na edição de referência: Paenituit

iurasse patrem: qui terque quaterque/concutiens inlustre…

620 Entre 3670 e 3680 (anni Mundi), Eusébio assinala: Diluuium quod sub Deucalione in Thes-

salia, & incendium quod sub Phaetonte factum est. In Aethiopia multæ pestilentiæ locales, ut Plato meminit, fuêre. (Chronicon, in Opera omnia, 1542, f. 23).

621 Segundo Clemente Alexandrino (c. 150-215), no livro I de Stromatum: Tempore autem

Crotopi, quæ Phaëthontis tempore fuit inflammatio, & quæ tempore Deucalionis fuit inundatio.

(Omnia […] opera, 1572, p. 104).

622 Sobre o ano 2469 ab orbe condito, James Gordon escreveu, no Opvs Chronologicvm: Circa

hunc annum accidit in Thessalia Diluuium sub Deucalione Rege, circa tempora Cecropis qq. cap.

6. num. 12 quo sæculo duæ alie

‘ clades admirabiles fuêre, scilicet A Aegypti plage. & Phaëtontis incendium, de quo Euseb. citatus & qq. cap. 6 vbi de rebus Græcorum, & hac antiquissima eorum historia. (1614, pp. 6-7). Eusebius in Chronolog. Clem. Alex., Stromatum lib. primo Gordonius Scot., pág. 6

deceu um raio que deu em Erídano e o matou, e o Rio se chamou também Erída- no em Grego, e por aqui contam outras cousas, que eu tenho por tão fabulosas como as que conta Ovídio. Luciano grego nos Diálogos236 624 diz que foi Faetonte o

primeiro que considerou o curso do Sol, assi como Endímion o da lua, e que por isso lhe atribuíram o governo do carro do Sol. Propriamente segundo doutrina moral Faetonte senifica um príncepe moço descabeçado que se não governa pelos conselhos dos velhos, que querendo governar-se por sua cabeça deita o reino a perder. Como temos em nós muito bom exemplo, e no nosso pouco venturoso Rei D. Sebastião. Ele foi o Faeton, o carroI mal governado foi este miserável Reino,

nós os Etíopes queimados que padecemos os danos que nos ele causou. Os Juris- consultos tem perpétuo ódio e hereditário com os matemáticos, e convertem esta fábula a eles. André Alciato diz que Faeton é figura de um Rei soberbo mancebo e ambicioso, como foi o nosso Rei.

Aspicis aurigam currus Phaëtonta paterni Ignivomos ausum flectere solis equos Maxima qui postquam terris incendia sparsit Est temere insesso lapsus ab axe miser Sic plerique rotis fortunae ad Sydera Reges Evecti ambitio quos iuvenilis agit

Post magnam humani generis clademque suamque Cunctorum poenas denique dant scelerum.625 (78v)//

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De panos de algodão vinham vestidos de várias cores, brancos, e listrados, uns trazem derredor de si cingidos, outros em modo airoso sobraçados. Das cintas pera cima vem despidos,

I No ms., «carro» substitui, em entrelinha, uma palavra rasurada de modo ilegível.

623 Historia de los moy constantes e infelices amores de Piramo y Tisbe, publicada em 1561,

andou associada à Diana, em sucessivas edições, e gozou assim de larga fortuna. D. Marcos altera o texto ao copiá-lo (ou ao citá-lo de cor?): escreve Climena que se mira en ellos em vez de Climena, y

se mira en ellos; diz Basta que tuvo animo para emprendellas em vez de Murio por acometellas. (La Diana de Iorge de Monte Maior […]. La infelice historia de Piramo y Tisbe, 1574, fls. 209-209v).

624 Por diversas vezes, na obra de Luciano, o mito de Faetonte é recordado: no «Diálogo dos

Deuses», entre Zeus e Hélios; em «Do Âmbar ou dos cisnes»; em «Da Astrologia». D. Marcos alude decerto a este texto: aí se diz que Endímion observou a lua e que Faetonte determinou o curso do sol, muito embora, pela sua morte, tal labor ficasse imperfeito. A narrativa mítica é então apontada como incrível e própria apenas de homens não instruídos.

625 Trata-se do emblema LVI, In temerarios (Alciato, Emblemas, 1985, p. 92).

Monte Maior na Vida de

Píramo e Tisbe: Faeton de otra parte estava/ con sus dorados cabellos./ Chamuscados no tan bellos/ como quando los peinava/ Climena que se mira enellos,/ caído en ondas furiosas,/ llorandole seis donzellas/ i este epitafio cabe ellas:/ Si no acabo grandes cosas,/ basta que tuvo animo de emprendellas.623

por armas tem adagas, e traçados,I

com toucas na cabeça, e navegando anafis sonorosos vem626 tocando.

Vestidos vinham os dos batéis com panos feitos de algodão com listras de várias cores, uns com eles se cingiam, outros airosamente os sobraçavam. Nus vinham da cinta pera cima. Com adagas na cinta e terçados se armavam, toucas foteadas traziam na cabeça. Vinham pelo mar tocando sonorosos anafis.

Esta descrição não tirou o nosso poeta de João de Barros, inda que a sustância da história ele a toca, mas da Crónica de D. Manuel, que diz assi: «Esta amizade começada, Çacoeja foi ver Vasco da Gama acompanhado de muitas almadias e gente bem ordenada comII arcos, frechas e outras armas que usam, vestidos todos

de panos de algodão listrados, e alguns de seda de cores, tangendo muitos anafis, trombetas, buzinas de marfim e outros instrumentos que faziam tamanho estron- do que não se ouviam uns com os outros, na qual ordem chegaram a bordo da nau de Vasco da Gama» ect. 627

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C’os panos e c’os braços acenavam

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