Chapitre 4. Applications du modèle de déconstruction
2.1 Contexte
O tema "Viagens" foi escolhido com objetivo de englobar todos textos que abordam espe- cificamente raids, com a exceção da primeira travessia Aérea do Atlântico Sul. Relativamente aos períodos de afluência sobre este tema inicialmente pensou-se que poderiam estar direta- mente ligados com os períodos de realização dos "raids" da Aviação Naval Portuguesa, no en- tanto rapidamente foi verificado, pela análise do "Índice", que além de nem todas as viagens importantes no âmbito referido estarem retratadas nos ACMN, algumas delas são abordadas fora do seu período de realização.Com isto destacam-se quatro anos distintos. No ano de 1921 foram escritos três textos, um deles relativo à viagem "Calshot-Lisboa" e dois relativos à via- gem "Lisboa Madeira". No ano de 1949 foi escrito um texto relativo à viagem transatlântica do hidroavião de grandes dimensões "D. o X.". No ano de 1960 o texto apresentado é relativo à viagem "Lisboa-Madeira-Açores-Lisboa" e no ano de 1961 à viagem "Lisboa-Calshot".
No primeiro texto é apresentado o extrato de uma conferência realizada por Sacadura Cabral, (janeiro e fevereiro) onde é descrita a travessia aérea Calshot-Lisboa realizada no ano de 1919 e que já foi abordada anteriormente nesta dissertação. Inicialmente o autor, piloto de um dos hidroaviões, começa por justificar a realização da viagem com a movi- mentação, para Portugal, dos dois aparelhos ingleses "Felixtowe F3", as suas caraterísti- cas são descritas assim como o processo de aquisição. De seguida o autor descreve a forma como planeou a viagem, explica um inopinado que ocorreu no processo de aquisi- ção e apresenta as tripulações. Antes de começar a relatar a viagem Sacadura Cabral ad- verte ainda para a problemática da operação de aparelhos com carga máxima, da compra de aparelhos construídos em série e dos voos experimentais realizados antes da viagem, em Inglaterra. Relativamente ao relato detalhado do voo destaca-se a grande influência que as condições atmosféricas tiveram nas sucessivas alterações de planeamento, mas que mesmo assim não foram suficientes para impedir o seu sucesso300.
O segundo texto (abril a junho) refere-se também a uma conferência realizada por Sa- cadura Cabral na Sociedade de Geografia no ano de 1921, sobre a viagem Lisboa-Madeira que também já foi abordada nesta dissertação. Na fase inicial o autor expõe as motivações que levaram à realização desta viagem em vez da ideia inicial do "raid" à Guiné que tinha sido inicialmente pensado. De seguida explica a introdução de Gago Coutinho nos seus pla-
300 Artur de Sacadura Freire Cabral, « A travessia aerea Calshot-Lisboa », Anais do Clube Militar Naval,
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nos da viagem como fruto não só da convivência de ambos nas várias missões geodésicas do continente africano, mas principalmente pelos estudos no âmbito da navegação aérea que este estava a realizar e que já tinham dado provas de utilidade. Posteriormente Sacadura Cabral explica como foi feito o planeamento da viagem destacando dois problemas, o pri- meiro seria a autonomia do hidroavião, tal implicava que este fosse intervencionado por forma a ficar nas mesmas condições com que tinha vindo de Inglaterra (texto anterior) e só assim possibilitar o raio de ação desejado. O segundo problema era o da navegação aérea a que o autor não demonstra tanta preocupação visto confiar na sua grande experiência geo- désica e de Gago Coutinho. A entrada do mecânico Roger Soubiran nesta viagem também é aqui fundamentada pela necessidade de um mecânico com qualificação suficiente para evitar uma avaria no motor. Numa outra fase é explicado o aprontamento e testes realizados com o aparelho no CAN de Aveiro, a introdução de Ortins Bettencourt na tripulação assim e a viagem de Aveiro até Lisboa. De seguida são referidos os preparativos finais para a viagem onde se destaca a tentativa de fazer coincidir a partida com a viagem do navio "Porto", que realizava a ligação Lisboa Madeira, e que poderia servir como ponto de referência no meio do Atlântico. Antes de começar o relato da viagem o autor ainda justifica a razão pela qual tentou manter o secretismo em torno da viagem até à sua partida e que estava relacionada com a grande probabilidade de não poder vir a ser realizada e levantaria um falso entusiasmo. Quanto à viagem propriamente, foram relatados todos os pormenores dos quais se destacam: o método de navegação aérea adotado (que também já foi explicado nesta dissertação) e o seu sucesso assim como as favoráveis condições meteorológicas que, detalhadamente estu- dadas, contribuíram em muito para o sucesso da viagem até à Madeira. Quanto ao relato da tentativa de regresso a Lisboa, o autor justifica a realização de uma primeira etapa Fun- chal-Porto Santo com a tentativa de encurtar o trajeto e de conseguir perceber melhor as condições metrológicas neste local. A dificuldade acrescida desta segunda parte é também aqui justificada pelos ventos contrários que se iriam fazer sentir. No final deste texto é ex- plicado o acidente que levou à perda do hidroavião. Este foi causado por um impacto na água durante a descolagem que causou um rombo e provocou a inflamação de uma das boias de fumo e consequente incêndio do aparelho301.
O último texto (outubro a dezembro) deste ano é referente a uma memória apresen- tada num Congresso de navegação Aérea em Paris por Sacadura Cabral no qual é expli-
301 Artur de Sacadura Freire Cabral, « O raid aereo Lisboa-Funchal », Anais do Clube Militar Naval, vol. 4
cado o "corretor de rumo" empregue na viagem "Lisboa-Madeira", que pelos êxitos obti- dos já estava a ser empregado em Inglaterra. Ao longo do texto são apresentados todos os instrumentos e cálculos utilizados neste método302.
Quanto ao texto do ano de 1949 (janeiro a março) é escrito um texto por Gago Coutinho no qual é relatada a viagem experimental (travessia atlântica) de um hidroavião de grandes dimensões em 1931 na qual o autor fez parte da tripulação como navegador. Ao longo do texto o autor explica primeiro a constituição do hidroavião (D. O. X.) e da tripulação, faz o relato de todas as etapas da viagem e por fim faz uma comparação desta viagem (pioneira nos voos comerciais transatlânticos) com uma outra realizada em 1945 quando (no final da Segunda Guerra Mundial) a navegação aérea comercial já se encontrava consolidada303.
No ano de 1960 é escrito por Lopes de Mendonça304 um texto (janeiro a março) in- titulado "Manobras Aeronavais em 1935", neste pequeno texto o autor recorda a viagem Lisboa-Açores-Madeira-Lisboa na qual foram realizadas manobras aeronavais. São rela- tadas as dificuldades vividas pelos aviadores da Armada Portuguesa assim como a relação próxima entre eles e as guarnições dos navios305.
Neste texto escrito pelo mesmo autor no ano seguinte (janeiro a março) é abordada a via- gem Lisboa-Calshot em 1936 que teve como objetivo a entrega de uma carta diplomática de carater urgente relacionada com a posição portuguesa na Segunda Guerra Mundial. O autor começa por descrever a tripulação (Segundos-tenentes Freitas Ribeiro e Trindade dos Santos e Sargento Cruz Fazenda) e o hidroavião, um "Blackburn Shark II-A", explica todo o contexto que envolveu esta ação diplomática assim como as razões que pelas quais o aparelho não era adequado para este tipo de missão. De seguida são descritas todas as etapas da viagem assim como os percalços verificados na escala em França (em Brest na ida para Inglaterra) e os pro- blemas do aparelho que mesmo assim não foram suficientes para afetar o sucesso da missão306.
Quanto aos textos apresentados no âmbito deste tema, em resposta às duas questões em simultâneo pode-se dizer que estes textos não permitem um estudo completo das im-
302 Artur de Sacadura Freire Cabral, « Raid Lisboa-Madeira », Anais do Clube Militar Naval, vol. 10 a 12,
ano LII, Lisboa, 1921, pp. 288 a 294.
303 Carlos Viegas Gago Coutinho, « Travessia Atlântica do navio-volante », Anais do Clube Militar Naval,
vol. 1 a 3, ano LXXIX, Lisboa, 1949, pp. 3 a 15.
304 Sabe-se que Manuel Lopes de Mendonça foi um Oficial de Marinha tendo apenas escrito os dois textos
em questão relativamente a esta temática, nos ACMN.
305 Manuel Lopes de Mendonça, «Manobras aeronavais em 1935», Anais do Clube Militar Naval, vol. 1 a
3, ano XC, Lisboa, 1960, pp. 67 a 69.
306 Idem, «Uma viagem aérea em 1936», Anais do Clube Militar Naval, vol. 1 a 3, ano XCI, Lisboa, 1961,
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portantes viagens realizadas pela Aviação Naval Portuguesa, as únicas viagens que são abordadas e constituem informação importante para a sua análise são as viagens "Lis- boa-Madeira ", "Calshot-Lisboa" e "Lisboa-Calshot".