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Chapitre 3. Optimiser les stratégies de déconstruction

2.4 Analyse de cycle de vie

A primeira travessia aérea do Atlântico Sul foi iniciada por Gago Coutinho e Saca- dura Cabral no dia 30 de março de 1922 e completada a 17 de junho de 1922. Com o final da Grande Guerra começou a crescer por todo mundo o espírito das grandes viagens aé- reas, os raids. Em Portugal, mais propriamente na Aviação Naval, Sacadura Cabral não ficou indiferente a estes acontecimentos, em maio de 1919 foi constituída uma Comissão de Navegação Aérea por forma a responder às exigências do então Ministro da Marinha. Fazendo uso desta comissão, Sacadura apresentou o seu plano de travessia entre Lisboa e o Rio de Janeiro220. O plano foi aprovado, no entanto haviam ainda dois grandes entra- ves por resolver, o primeiro estava relacionado com o aparelho e a autonomia que neces- sitava para esta travessia, o segundo prendia-se no método de navegação que teria de ser rigoroso o suficiente para poder conduzir por via aérea o aparelho ao seu destino. Quanto ao primeiro Sacadura iniciou imediatamente as negociações com as diferentes fábricas de aviões que culminou com a aquisição inicialmente de dois hidroaviões "Felix-towe F3"221.

217 B.G. Neves, «Comandante Sacadura Cabral», pp. 260 a 261.

218 J. de O. Boléo, Gago Coutinho e Sacadura Cabral. No Cinquentenário da Primeira Travessia Aérea do Atlântico (1922-1972), p. 9.

219 Ibidem, pp. 13 a 14.

220 V. Tadeu, Quando a marinha tinha asas..., p. 129. 221 Ibidem, p. 144.

Quanto ao segundo, juntamente com Gago Coutinho ambos desenvolveram um sistema de navegação utilizando um sextante adaptado, um corretor de rumos (por eles idealizado) e um conjunto de boias de fumo que eram lançadas e permitiam saber a força e a direção do vento e assim corrigir o rumo e saber a velocidade verdadeira do avião.

Com isto a 22 de março de 1921 a tripulação anteriormente referida alcançou a Ma- deira. Quanto ao sistema de navegação, este deu provas da sua precisão e utilidade, o mesmo não se pode dizer relativamente ao hidroavião "Felix-towe F3" que na tentativa de regresso a Lisboa ficou destruído enquanto tentava levantar voo ao largo de Porto Santo222.

Após a aquisição de um hidroavião "Farey III-DMK-III" com um único motor "Rolls-Royce-Eagle V III", de flutuadores e especialmente modificado para a travessia, Sacadura Cabral foi para Inglaterra com o objetivo de acompanhar o processo de cons- trução e treino.

A travessia realizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral teve início no dia 30 de março. Com o objetivo de apoiar a travessia, a Armada colocou à disposição três navios, um cruzador, um navio hidrográfico e uma canhoneira, largaram a 25 de março de 1922, o primeiro foi para Cabo Verde enquanto que os outros dois seguiram para as Canárias. A viagem foi feita em onze tiradas e utilizou três hidroaviões, passa-se agora a fazer um breve resumo destas tiradas.

Na primeira tirada "Lisboa - Las Palmas" foi utilizado o hidroavião adquirido inici- almente para a travessia, o "Farey 40" e posteriormente batizado como "Lusitânia", foram percorridas 703 milhas náuticas durante oito horas e trinta e sete minutos, quanto a pro- blemas ocorridos destacam-se apenas pequenas avarias.

Na segunda tirada, devido ao facto de não ter sido possível fazer descolar, de Las Palmas, o hidroavião com carga completa, tiveram de voar até Gando para posteriormente fazer a descolagem com a carga pretendida (combustível). Esta tirada teve início no dia 3 de abril e foram percorridas quinze milhas náuticas em vinte e um minutos. No final foi verificado que os flutuadores não eram estanques o que levou a que o hidroavião tivesse de voar primeiro para São Vicente para que pudesse ser encalhado e resolvidos os proble- mas de estanqueidade (o que não era possível fazer na ilha de Santiago).

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A terceira tirada, "Gando - São Vicente", foi realizada no dia 5 de abril e foram per- corridas oitocentas e quarenta e nove milhas náuticas em dez horas e quarenta e três mi- nutos, relativamente a problemas foi relatada uma avaria na bússola que foi resolvido por Sacadura com a colocação de um pano que absorveu as vibrações que a causavam. Foi também comprovado que os excessivos consumos do "Lusitânia" poderiam por em causa a travessia. Posto isto começou a ser ponderada a possibilidade de amarar nos Penedos de São Pedro e São Paulo por forma a reabastecer e só depois seguir para a ilha de Fer- nando de Noronha, foi ainda concluído que o "Lusitânia" não conseguiria descolar com carga completa desta ilha e como tal seguiu para a ilha de Santiago.

A quarta tirada realizada no dia 17 de abril entre São Vicente e Santiago teve a dura- ção de duas horas e quinze minutos e foram percorridas cento e setenta milhas náuticas. A quinta tirada foi realizada no dia 18 de abril entre a ilha Cabo Verdiana de Santiago e os Penedos de São Pedro e São Paulo, foram percorridas novecentas e oito milhas náu- ticas em onze horas e vinte e um minutos. Durante a amaragem um dos flutuadores partiu- se e o hidroavião ficou destruído. Como resposta, um novo hidroavião "Farey 16" poste- riormente batizado de "Portugal" foi enviado sobre ordens de Azevedo Coutinho, então Ministro da Marinha. O "Portugal" foi levado até aos Penedos de São Pedro e São Paulo por um paquete, o "Bajé" que fazia a ligação entre Lisboa e Rio de Janeiro, no entanto o desembarque não foi possível e teve de ser feito em Fernando de Noronha.

A sexta tirada foi iniciada no dia 11 de maio e tinha como objetivo descolar de Fer- nando de Noronha, voar até aos "Penedos" e voltar, contudo, pouco depois de terem con- tornado os "Penedos", o motor parou e Sacadura Cabral e Gago Coutinho tiveram de amarar de emergência. Após esta avaria no motor, algumas horas mais tarde Sacadura conseguiu por de novo o motor a trabalhar e descolar, no entanto vinte e cinco minutos depois o motor voltou a parar e antes que o hidroavião se afundasse, os dois tripulantes foram salvos por um cargueiro inglês, o "Paris City".

Como consequência, um outro hidroavião "Farey 17", batizado como "Vera Cruz" foi enviado a bordo do cruzador (adaptado) "Carvalho Araújo". A sétima tirada foi reali- zada no dia 5 de junho entre Fernando de Noronha e Recife, foram percorridas trezentas milhas náuticas em quatro horas e trinta e dois minutos.

Posteriormente foram realizadas mais quatro tiradas até ao Rio de Janeiro, do Recife até Baía, de Baía para Porto Seguro, de Porto Seguro para Vitória e finalmente de Vitória para o Rio de Janeiro, durante estas quatro tiradas foram percorridas mil cento e duas

milhas náuticas em dezoito horas e trinta minutos. Estas tiradas foram realizadas sem grandes percalços entre 8 e 17 de junho.

Na sequência da travessia Sacadura Cabral ambicionou uma viagem de volta ao mundo para qual abriu uma subscrição pública e lançou um apelo aos pilotos brasileiros para que fizessem parte do projeto. A subscrição não rendeu o dinheiro necessário e os aviadores brasileiros também não se mostraram interessados com o projeto. Todas estas razões acopladas às que já foram anteriormente referidas levaram a que esta viagem nunca tivesse sido realizada223.

223 J. de O. Boléo, Gago Coutinho e Sacadura Cabral. No Cinquentenário da Primeira Travessia Aérea do Atlântico (1922-1972), p. 13.