AF _xxx Versus PF _xxx
4.3 connect Function
2007: dispõe sobre o Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissio- nal em Saúde – Pró-Saúde – para os cursos de graduação da área da saúde.
20 Programa Nacional de Bolsas para Residência Multiprofissional e em Área Pro-
fissional da Saúde. http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visuali- zar_texto.cfm?idtxt=36172&janela=1
específica e Multiprofissional, através de uma ação interminis- terial com o MEC (Ministério da Educação) são iniciativas go- vernamentais direcionadas à formação dos trabalhadores em saúde, que se utilizam dessa metodologia e reforçam a relação de ensino/serviço.
Rodrigues e Caldeira (2008, p. 635) questionam: que ne- xos se estabelecem entre estes referenciais e o contexto? Por- tanto, tais autores chamam a atenção para a necessidade de se avançar no nível da problematização, pois há o risco de esse re- curso metodológico ficar na “centralidade do aluno e na idéia do professor facilitador”.
Eles se estabelecem ao se caracterizar por pedagogias que descen- tram o processo de transmissão do conhecimento para focalizar nos métodos de sua transmissão o que, em nossa avaliação, vai ao encontro do cenário nacional de precarização da formação superior e da condição de país consumidor de bens e serviços, longe da autonomia na sua produção que teria como uma pos- sibilidade a consolidação de instituições solidamente firmadas e que oferecessem educação de alto nível aos seus alunos (RODRI- GUES; CALDEIRA, 2008, p. 635).
Retoma-se a novamente a Pierantoni (2000), pois há uma dimensão inquestionável de inovação, expressa pela qualida- de dos debates e da produção intelectual no campo da saúde e da educação e, ao mesmo tempo, o peso do conservadorismo, ocasionando baixa institucionalidade entre a formulação e a execução efetiva de ações transformadoras do sistema de Saúde focadas na área de recursos humanos. Essa área tornou-se uma das mais frágeis, tanto pela ausência de teorias contemporâne- as de suporte à sustentabilidade do projeto “direito de todos, dever do Estado” (CECCIM, 2008), definição constitucional do Sistema Único de Saúde, quanto pela definição macropolítica da contrarreforma do Estado.
A área do trabalho e da formação em saúde está permeada pelos interesses de projetos políticos distintos da sociedade, po- rém marcada pela manutenção e, por vezes, pelo aprofundamen- to da implementação das políticas neoliberais. Nesse sentido, o atual governo Dilma Roussef demonstra o direcionamento da sua gestão quando assume uma agenda setorial de implantação de um “novo” modelo jurídico institucional legal para os insti-
tutos federais de ensino, regulamentando a criação da fundação pública de direito privado e também para gestão dos hospitais universitários, herança do governo Lula que, em 31 de dezembro de 2011, no apagar das luzes, criou a Empresa Brasileira de Servi- ços Hospitalares – EBSERH.
Para Drago (2011) há uma multiplicidade de instituições, objetivos e interesses em torno dos HUs, que tem por produ- to conflitos, crises e tensões que dificultam alcançar os objeti- vos fins de uma instituição como um hospital de ensino. Essa proposta de gestão expressa uma construção lógica para uma condição indispensável de privatização e de mercantilização dos serviços de saúde e também de educação, pois os HUs são loci privilegiados de formação em saúde, o que torna essa questão ainda mais complexa, principalmente por estarem no âmbito das universidades públicas federais.
Volta-se, mais uma vez, para o desafio dos nexos para cons- trução de uma política pública de trabalho e formação em Saúde.
Considerações finais
Consta, portanto, no cenário dessas políticas e programas, uma complexidade de questões que precisam se mostrar de forma articulada, superando fragmentações correspondentes às orien- tações conceituais, políticas e econômicas heterogêneas, pois as políticas adotadas geraram, até o momento, baixa capacidade de impacto das ações do SUS em educação e muitos limites,
[...] no sentido de alimentar os processos de mudança sobre as instituições formadoras, e nulas em apresentar a formação como uma política do SUS: potência de interpor lógicas, diretrizes e processos organizados, coerentes e desafiadores dos modos de fazer (CECCIM, FEUERWERKER, 2004, p. 45).
Entretanto, num plano recente, as mudanças que se referem ao trabalho e à educação, por um lado, e à implementação da po- lítica setorial, que envolveu a ampliação da cobertura, com prio- rização da atenção básica e abertura de postos de trabalho, por outro, se entrecruzam e promovem combinações que aprofun- dam tensões e questões novas e preexistentes que se sobrepõem ao plano das políticas de formação para o SUS.
Entre tantas, destacam-se as principais questões levanta- das por Pierantoni, Varella, França (2006, p. 31), em face de toda
discussão feita até aqui: desigualdades de ofertas do mercado educativo para formação profissional na área da Saúde; in- tensificação e “privilegiamento” das modalidades de contra- tação no Sistema Único de Saúde, sem amparo legal, gerando
um alto índice de precarização em todo o País; precária estru- tura e capacidade gestora tanto do setor educativo como de prestação de serviços da área da Saúde e acrescenta-se a duali- dade entre a preparação/formação e a gestão do trabalho/as- sistência à saúde, estabelecendo o desafio sobre a integração
destas duas vertentes no plano da execução e gerenciamento da mesma política; o desafio de descobrir novas naturezas con- ceituais, constante na realidade e na produção de sentidos, tanto para a saúde, pertencente ao SUS, como para as insti- tuições formadoras de suas profissões.
Desta forma, a formação de profissionais, entre outros as- pectos, implica um processo amplo de mudanças no trabalho e na educação em saúde, o que exige estratégias múltiplas tan- to no campo da assistência e da gestão, no desenvolvimento de processos sociais direcionados à construção de uma cultura sa- nitária, bem como no plano da formação em saúde. A educação, em especial na área da saúde, é um campo multifacetado, para o qual convergem diversas concepções das áreas tanto da educação quanto da saúde, as quais refletem diferentes compreensões do mundo, delineadas por diferentes posições político-filosóficas, político-ideológicas e socioeconômicas sobre o homem e a socie- dade, devendo assim ser assumida como um processo de luta pe- las convicções que demonstraram ser capazes de formar até hoje movimentos de promoção de mudanças.
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