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CHAPITRE I: LES REAPPROPRIATIONS PHYSIQUES I. Au niveau du chalet

CONCLUSION DU PREMIER CHAPITRE

“Periferia é periferia em qualquer lugar” (GOG)

A Universidade de Brasília (UnB) desde o início de sua atuação no Novo Gama buscou pautar-se por duas diretrizes: não ao assistencialismo e estímulo à interdisciplinaridade. Assim, intensificou-se a articulação entre professores, técnicos e estudantes para planejamento, execução e avaliação das atividades conjuntas com a população. A UnB com a população local se aliaram num processo de reflexão e busca de soluções para os problemas mais significativos (GARRAFA, 1989).

Este modelo de atuação da universidade tem sido percebido, desde as primeiras ações de parceria com o movimento social do Entorno Sul do DF, como a iniciativa para a implantação da água, o projeto de alfabetização de jovens e adultos, a recuperação do Ribeirão Santa Maria até o Programa de Extensão Formancipa.

A presença da Universidade de Brasília (UnB), numa perspectiva eman- cipadora e não assistencialista, contribui sobremaneira para a elevação da qualidade de vida da população ao instituir mecanismos de superação das condições socioeconômicas, conforme ilustra Luiz Alves em sua entrevista:

penso que o FORMANCIPA é uma atividade genuína, no sentido de política de extensão, pois abre portas significativas para estudantes de graduação e de pós-graduação. Depende da percepção de mun- do, da inserção no mundo e da vida que cada um tem (...) Isso se os estudantes que passam por ali buscarem realmente compreender e se esforçarem por entrar em uma Universidade – especialmente, em uma Universidade Pública. Se for desta forma terá um impacto positivo na vida das pessoas da família desses estudantes, na vida da comunidade, bem como do próprio município.

Um dos desafios colocados com o desenvolvimento das ações de par- ceria é a valorização do território pelos atuantes nos programas e projetos do SERPAJUS e da UnB. Segundo Bonfim (1990), em estudo sobre as re- presentações sociais do local de moradia, de si e do outro no Pedregal e Novo Gama, o conhecimento do local de moradia não depende apenas de processos cognitivos individuais, mas o conhecimento da cidade é um fato coletivo. A pesquisa inferiu que as representações sociais dos moradores destas localidades são fortemente impregnadas por julgamentos interna- lizados e predisposições que têm por base influência direta ou indireta da estrutura urbana e são componentes essenciais na formação da identidade social dos moradores.

A coordenação do Programa Formancipa percebeu dificuldade na iden- tificação do estudante com o local de moradia quando fez o levantamento de moradores da região no banco de dados do registro acadêmico do estudante: endereços alterados e desconforto com a descoberta do local de moradia. Diferentes estruturas urbanas determinam níveis diferentes de reputação social do local de moradia, bem como orientam atitudes e comportamentos de seus habitantes com relação a si próprios e aos outros (Bonfim, 1990).

A extensão da universidade tem papel preponderante para o fortaleci- mento do elo identitário com o terrritório em cada localidade de atuação e parceria. Há uma compreensão da extensão universitária como espaço de realização de ensino e pesquisa, tal como foi a proposição do Programa DF e Entorno (Santos et al, 1996):

a) estimular e apoiar projetos e atividades diversas de ensino e/ou pesqui- sa, a serem desenvolvidos por professores, alunos e técnicos da UnB, integrados à realidade da sociedade local;

b) estimular a compreensão da Extensão no nível institucional, como sendo o espaço de integração entre o ensino e a pesquisa em busca de soluções criativas e inovadoras para as demandas sociais;

c) buscar a integração dos projetos e atividades diversas à rede de relações sociais existentes nas comunidades, entendendo a Universidade como parceira significante entre as forças de transformação social, abstendo-se entretanto de substituir as funções assistenciais do Estado;

d) contribuir para o processo de formação de profissionais críticos, sin- tonizados com os setores organizados das comunidades, em função de seu envolvimento direto e sistemático com os problemas sociais. Com esta percepção constroem-se cada vez mais espaços de interlocução com indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão. Aliado ao desenvolvimento do Programa Formancipa e do projeto de extensão intitulado “Biblioteca Comunitária Dinâmica do Novo Gama”, ocorre às disciplinas Projeto 3 (relação ensino-pesquisa-extensão) e Projeto 4 (estágio), e suas fases, do currículo de pedagogia da FE/UnB21. Outra possibilidade de relação é com

o desenvolvimento direto das aulas com as disciplinas, baseadas nos planos de curso de cada área do conhecimento. No campo da pesquisa, além do Formancipa representar um amplo escopo de pesquisa para a conclusão de curso dos estudantes, há a possibilidade de ingresso no Programa de Iniciação Científica (PROIC/UnB).

Este texto constitui o início de uma conversa sobre a história da atuação da UnB no Entorno Sul do DF, especificamente nos municípios de Novo Gama e Valparaíso. Certamente, novos textos virão e novas abordagens sobre esta teia de relações, imbricadas harmonicamente, para formar a to- talidade constituinte de uma parceria profícua e estruturante para a região. Muitas informações sobre a história da parceria ficaram de fora do texto

21. Disponível em http://www.fe.unb.br/images/graduacao/PROJETO%20ACADEMICO%20 -%20atualizado%20-%20FE%20COM%20ALTERACOES%20ATE%20%2016-12-2010.pdf. Acesso em: 12 de julho de 2015.

em função do espaço- limite para esta produção, contudo fica o anseio para a publicação desta continuidade. Há, por exemplo, a implantação junto com o Programa Formancipa, em 2012, do projeto de extensão intitulado “Biblioteca Comunitária Dinâmica do Novo Gama”, funcionando no mesmo espaço físico do Formancipa.