• Aucun résultat trouvé

Conclusion partie 2

Dans le document L'espace ouvert pour une nouvelle urbanité (Page 113-119)

A Praia de Faro está dentro da área que constitui o sistema lagunar da Ria Formosa. A Ria Formosa é uma área protegida com o estatuto de Parque Natural. Estende-se pelos concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Castro Marim, abrangendo aproximadamente uma área de 18 400 hectares (dos quais cerca de 11 000 hectares são de zona húmida sob influência de marés) ao longo de 60 km desde o Ancão até à Manta Rota (Figura 2.33).

Figura 2.33 – Limitação do Parque Natural da Ria Formosa

(Fonte: folheto da Região de Turismo do Algarve)

A Sul é protegida do Oceano Atlântico por um cordão dunar quase paralelo à orla continental, que possui 25 praias de uso balnear, é formada por 2 penínsulas (Península do Ancão que engloba a Praia do Ancão e a Praia de Faro e a Península de Cacela que engloba a Praia da Manta Rota) e por 5 ilhas-barreira (Ilha da Barreta, Ilha da Culatra, Ilha da Armona, Ilha de Tavira e Ilha de Cabanas) que servem de protecção a uma vasta área de sapal, canais e ilhotes (Brito, 1999).

A Norte, em toda a extensão, o fim da laguna não tem uma delimitação precisa, uma vez, que é recortada por salinas, pequenas praias arenosas, por terra firme cultivável e por linhas de água doce que nela desaguam (Ribeira de São Lourenço, Rio Seco, Ribeira de Marim, Ribeira de Mosqueiros e Rio Gilão). A Ria Formosa apresenta a sua largura máxima junto à cidade de Faro (cerca de 6 Km) e variações que nos seus extremos, a Oeste e a Este, atingem algumas centenas de metros.

Este sistema lagunar tem uma forma triangular e apesar de ser reconhecido como Ria, na realidade não o é, visto que não é formado por um vale fluvial inundado pelo mar e apresenta ilhas-barreira ao longo da sua extensão.

O seu fundo é constituído essencialmente por sedimentos lagunares (matéria orgânica, vasa salgada), sedimentos continentais (oriundos do transporte pelas ribeiras e escorrência das águas das chuvas) e sedimentos arenosos (provenientes de galgamentos, ventos e de correntes de maré, sobretudo nas barras) que, segundo Santos (1992) se têm vindo a consolidar com a ajuda da “morraça”, um tipo de vegetação predominante e característico desta região.

A sua fisionomia é bastante diversificada devido aos canais formados sob a influência das correntes de maré, formando assim, uma rede hidrográfica densa (Santos, 1992).

Sabe-se que o conjunto de ilhas-barreira que delimitam a Sul a Ria Formosa são do tipo transgressivo, ou seja, vão recuando para o continente através da acção do mar (galgamentos) e do vento (cortes eólicos), à medida que o nível do mar em relação ao continente vai subindo (actualmente estimado em 1,7 mm/ano). A prova evidente desta situação é a descoberta de depósitos lagunares imediatamente abaixo das acumulações arenosas nos furos realizados nestas ilhas. Ora se as ilhas migrassem para o mar iríamos encontrar nesses furos não depósitos lagunares mas sim areias (Dias, 1999).

O Governo Português em 1978, por considerar a Ria Formosa, possuidora de um alto significado ecológico e de grande valor cientifico, económico e social, decretou pelo Decreto-Lei n.º 45/78 de 2 de Maio, que esta zona lagunar passasse a ser a Reserva Natural da Ria Formosa.

Contudo, em 1987, após a elaboração dos estudos que possibilitaram a realização do plano de ordenamento da área, verificou-se que quase toda a zona era objecto da exploração dos seus recursos naturais e estava em parte humanizada.

Desta forma, segundo o Decreto-lei n.º 373/87 de 9 de Dezembro, reconhece-se que o estatuto mais apropriado para a mesma é o de Parque Natural, sem prejuízo de no zonamento se instituírem reservas naturais e outras categorias de áreas protegidas.

Para além de ter actualmente o estatuto de Parque Natural, a Ria Formosa é uma zona húmida de importância internacional como habitat de aves aquáticas. Está por este motivo, inscrita na Convenção de Ramsar, pelo que o Governo Português assumiu o compromisso de manter as características ecológicas da zona e de promover o seu uso racional. Esta área protegida está também classificada como Zona de Protecção Especial no âmbito da Directiva 79/409/UE.

Em termos geológicos, a Ria Formosa é uma formação recente do período Holocénico, podendo distinguir-se duas formações litológicas predominantes que são os Aluviões fluviomarinhas e as Dunas litorais e areias eólicas, que formam o cordão litoral. De acordo com o Plano de Ordenamento do PNRF (1983) os Aluviões fluviomarinhos têm espessura variável, apresentando menor espessura a montante, onde se nota uma passagem progressiva a depósitos francamente fluviais.

Ainda de acordo com o Plano de Ordenamento do PNRF (1983), a Ria Formosa confronta a Norte com formações sedimentares do Plio-Plistocénico, do Miocénico, do Cretácico Médio e Inferior e do Jurássico Superior.

Existem várias teorias e hipóteses sobre a génese e evolução deste sistema lagunar. Vários autores associam a origem da laguna ao transporte e acumulação de sedimentos por acção de correntes ou ondulação. No entanto, diversos outros associam o processo de formação da laguna a flutuações do nível do mar e posterior sedimentação de origem fluvial. Monteiro (1984) defende a teoria de que as ilhas-barreira são elevações de areia que migram com o aumento da taxa de subida do nível médio do mar, sendo a velocidade de migração função da inclinação da plataforma. A Ria será, muito provavelmente o resultado da transformação de um delta que, durante a glaciação de Wurn, estaria muito estendido para sul e que teria progressivamente recuado no período pós-glaciar (PNRF, 1983).

2.4 – CLIMA

O Algarve pode dividir-se em duas zonas, do ponto de vista climático, uma oriental – o Sotavento – e outra ocidental – o Barlavento. O Sotavento é muito árido e quente. O Barlavento, por sua vez, é muito influenciado pela acção moderadora e reguladora do oceano (Cunha, 1984).

De acordo com Cunha (1984), as características acentuadamente mediterrâneas do clima algarvio, reforçadas pela barreira natural que constitui a zona da serra (no Inverno impede a progressão dos ciclones subpolares, portadores de chuvas, e intercepta também os ventos frios continentais do quadrante norte; no Verão impede a progressão do vento quente e seco de leste ou sueste), não impedem, apesar de tudo, que se registe uma certa variabilidade climática condicionada pelo oceano e pela altitude.

2.5 – SISTEMA DUNAR

Dans le document L'espace ouvert pour une nouvelle urbanité (Page 113-119)