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Conclusion

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Octacílio, já integrava o Corpo Provisório da Brigada Militar do 1º Regimento Cavalaria de Reserva, comandado pelo Coronel Aparício Borges, em 1930. Octacílio queria mais, seu objetivo era ser efetivado na Brigada Militar, fazendo carreira militar. Mais conveniente seria alistar-se em Porto Alegre. Pediu para a mãe, que o deixou ir com a licença do seu pai. Octacílio já tinha ginásio feito, isso o ajudaria muito dentro da corporação. Assim, em maio 1931, fez a viagem de trem durante o dia todo até Santa Maria. Em Porto Alegre, chegou no domingo de manhã. Conheceu um pouco da cidade e aproveitou para ir ao cinema, no Garibaldi. Na segunda-feira, tinha que apresentar-se na Brigada Militar. Então dirigiu-se para o depósito de recruta, como era chamado. Passou no recrutamento no dia 27 de maio daquele ano e foi para o 1º Regimento Presidencial, designado para o 1º Esquadrão, sendo Regimento do Governador.

Logo chama atenção dos seus comandados. Como tinha estudo e conhecimento, acabou ensinando francês, mas também português, matemática, geografia e história para os colegas soldados, fez exame para ter o certificado de conclusão de ensino médio e passou. Quatro meses após, chamaram o pessoal para o Quartel. Em 19 de abril 1932, Octacílio partiu para Vacaria, onde foi chamado para um esquadrão e partiu para Vacaria buscar armamento, tinham pessoas que estavam se revoltando e podia cair em mãos erradas, sendo no seu retorno desta expedição, no final de julho do mesmo ano, foi louvado pela abnegação, espírito de sacrifício, disciplina e excelente educação demonstrada durante a expedição, conforme consta no relatório da Brigada Militar. Em novembro, foi transferido para o pelotão das metralhadoras pesadas. Muitas das armas compradas na época vinham de outros países, tinha recebido metralhadoras e morteiros. O manual era em francês e a marca da metralhadora, Schwarzloze. Com o conhecimento que tinha nesta língua, leu e traduziu aos colegas de farda, e ainda ensinou a montar a arma e desmontar peça por peça. Um dos soldados era o Tilano, analfabeto, mas que com as instruções dadas por Octacílio, venceu o concurso de desmontar e montar a arma em menor tempo. O tenente Walter Peracchi Barcelos falou em procurar um professor de francês para

38 traduzir o manual para português. Octacílio, categórico, respondeu: "Já fiz". A sensação era de que a resposta dada pelo soldado a um oficial não teve uma boa aceitação, por causa de seu conhecimento maior do que o superior. O Octacílio ainda disse: “Eu não tenho culpa que o senhor não sabe francês”. A sua vaidade tinha sido colocada em prova. Octacílio teve bloqueio para conseguir ascensão de patente durante um período de sua vida militar.

Foto 16: Manobra na Brigada Militar em pleno inverno. Barraca da direita de uso de oficial, da esquerda dos soldados. Octacílio com a cuia na mão ao centro de bigode. Os oficias com uma capa. A tropa mostra que usava parâmetros semelhantes ao exército. Para o inverno rigoroso mostra a proteção adequada.

No mesmo ano, tinha seleção para cabo. Ele passou em primeiro lugar e recebeu a promoção em janeiro de 1934. Meses depois, seleção para sargento, e só podia entrar quem tinha mais de um ano de cabo. O Coronel Claudino era comandante da Brigada e autorizou Octacílio a entrar porque tinha ginásio. Foi dispensado do exame de escrita e passou no exame de saúde. Aproveitando o momento, fez curso de Sargento, se classificando em segundo lugar na turma de 102 alunos, sendo condecorado com o Prêmio Coronel Nassot pela ótima classificação. Então, o comandante da academia resolveu promover os três primeiros colocados no curso de sargento para o curso de Aspirante a Oficial. Na metade do ano, Octacílio já era Sargento. O pai de Paulo Santana ficou em oitavo lugar neste concurso. Nas férias, Octacílio não tinha o que fazer. Resolveu tirar serviço de guarda. O Estado tinha pouco dinheiro e não podia pagar bem. No

39 curso de Aspirante Oficial, ficou em segundo lugar, e a promoção a oficial em 1938.

Foto 17 - Campeão da Liga do Esporte da Brigada Militar em 1939. Octacílio com roupa oficial e patente de 2º Tenente, era o técnico do time. No troféu, que pode ser um índio vestido em chiripa e com uma lança na mão. Está escrito nesse troféu “Pró Pátria.

Em Santana do Livramento, Aparício Borges estava comandando o Segundo Regimento. Surgiu oportunidade e Octacílio foi para lá, com mais alguns colegas. Assumiu a instrução no lugar do Capitão Beje, que foi para o Alegrete. Fez tema de visão, que envolvia e capacitava os soldados Brigadianos e do Exército. Com sua diplomacia, conseguiu um ótimo relacionamento com o Exército. O General do Exército Guilhermando de Assis o elogiou e pediu que continuasse com esse trabalho. Enxergarem nele uma capacidade de instrução que impressionava. Quando questionava sobre a sua habilidade e conhecimento comentava que havia aprendido nos cursos da Brigada Militar. Outra atitude acordada foi a ordem de fazer continência entre as duas forças quando se cruzassem em serviços de patrulhas, pois na época muitas encrencas se originavam quando as patrulhas do Exército e da Brigada se encontravam. Conseguiu, dessa forma, a devolução das armas que tinham sido retiradas da Brigada Militar pelo Exército. Argumentou que assim não tinham condições de se

40 defender, ainda dizendo que podiam contar com a Brigada caso fosse necessário força maior.

Foto 18 – O retrato mostra a turma que concluiu o curso para oficiais. Octacílio é o terceiro da direita para a esquerda sentado. No ano 1938.

Em 1941, recebeu a nomeação de professor da Escola Preparatória ao Curso de Preparação Militar. Do major Cícero Krás Borges vem uma referência: "Oficial de fina educação, sereno nas atitudes, discreto nos assuntos que possam envolver seus camaradas, são qualidades invejáveis ao 2º tenente Octacílio, ao qual estou certo, que um futuro brilhante lhe aguarda, é um oficial obediente, disciplinador, complementos por caráter e de personalidade deste brilhante oficial". Fez o registro ao deixar o cargo de comandante do CIM. De 1942 a 1952 foi instrutora de quitação e cavalaria.

Anos mais tarde, trocou com Emílio Fontana, voltou para Porto Alegre e tornou-se Capitão em 1952, por merecimento. Octacílio conseguiu anular todos os outros, porque ficou como primeiro na lista de espera para receber a promoção para Capitão. Como tinha certos oficiais que queriam promover seus afilhados, tiveram que promover Octacílio, assim, outros na lista também foram promovidos. Trabalhava na terceira Sessão, onde colocou em dia os fichários de todos os reformados, e quando precisavam alguma informação, tinha os dados completos. Assumiu o Clube dos Oficiais da Brigada e depois de Major machucou a coluna, e o médico Manoel Krinberg o proibiu de andar a cavalo e fazer exercícios.

41 Comandou a Casa de Correção, uma casa prisional, ficava ao lado do Gasômetro. Em dezembro de 1954, permaneceu por 48 horas consecutiva de serviço, no incêndio da casa de correção, mostrando enérgico e decidido frente a rebeldia dos detentos conforme referência do Major Travassos15.

Como Comandante, era companheiro camarada, com suas ordenanças sempre como amigo. Essa era a maneira de atuar, “sempre atuei desse jeito”. Confirma Octacílio. Quando havia necessidade de punição, o próprio comandado tinha opção de escolher a punição que teria a cumprir. Com os colegas oficiais era de harmonia e respeito, assim exigia. Tinha algumas ponderações contrárias. Em todos os gabinetes da Brigada Militar era solicitada a colocação do retrato do comandante geral da corporação. No ano de 1957 tinha a incumbência Walter Peracchi Barcelos. Octacílio era contrário quanto à colocação da foto e pediu para tirar. Perguntado pelo Jornal dos Oficias da Brigada Militar se retiraram o retrato o Octacílio respondeu. “Não sei, não voltei mais para o Gabinete16

. E quando cobrado da sua atitude, respondia de forma enfática: "Na minha sala só coloco a foto se for do meu pai". Por ter capacidade e organização no trabalho gerava problemas internas de conflitos entre seus pares e as dificuldades de promoção dentro da carreira militar. Sobre o Peracchi o Octacílio não gostava das burrices dele, “ele era sempre meio do contra”

A saída de Octacílio da ativa da Brigada Militar para a reserva foi de forma adversa, sem um ato oficial pelos trabalhos realizados em prol da corporação. Em 1957, ele tinha a patente de major e função de subcomandante quando atuava no município de Passo Fundo. Assumiu o comando nas férias do comandante. Quando retornou de férias, o comandante Monteiro (chamado de Lagarto) tomou posse do gabinete, fechando a sala e levando a chave. Octacílio chegou para entrar na sala e estava fechada. Neste instante, chegou a informação de que Monteiro tinha chegado e fechado a sala. Ele voltou a realizar instruções de equitação aos seus comandados. Nessa semana haveria competição de salto. Recebeu informação de que Monteiro queria falar com ele. Tempo depois, quando encerrou as instruções, se apresentou a Monteiro, e falou sem rodeios. "O senhor fechou o gabinete sem me avisar. Estou indo embora", disse, decidido. "Não pode", argumentou Monteiro. "Posso sim", replicou Otacílio, saindo do ambiente onde estava com a decisão firme de se aposentar com o posto de coronel, com

15 Estrato se Assentamento “Regimento Bento Gonçalves. 16

42 26 anos de Brigada Militar. Com mais tempo dobrado que tinha, chegou a 33 anos de prestação de serviço em 21 de setembro, dois dias antes do seu aniversário17.

O grande sonho de Octacílio dentro da Corporação da Brigada era ser médico. Sempre, em sua tentativa de voltar a estudar, era questionado e colocado empecilho a sua vontade pelos seus colegas de farda. Assim foi passando o tempo. Anos mais tarde, o próprio Octacílio percebeu que para o que almejava havia passado o tempo. Acostumou-se com isso, mas nunca esqueceu.

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