Part II Multimedia Data Exploration and Visualization
3. A New Hierarchical Approach for Image Clusteringfor Image Clustering
3.5 Conclusion and Future Works
Nesta seção, apresentamos os indícios de metarrepresentação dos participantes25 do experimento de nossa pesquisa, assim como algumas informações que podem indicar o conhecimento sobre tradução desses participantes. Esses indícios foram observados a partir dos áudios gravados após a realização da tarefa de tradução do experimento. Por meio desses áudios, pretendemos verificar em que momentos o participante, em sua retrospecção, apresentou “[...] instâncias de metarreflexão que indicam tarefa metarrepresentacional em curso.” (CARVALHO NETO, 2010, p. 223). Segundo esse autor,
a metarrepresentação é aferida por meio de metarreflexão, uma atividade de natureza metacognitiva. As instâncias apontadas [...] são, na verdade, instâncias de metarreflexão que vão guiar o tradutor em sua tarefa metarrepresentacional. [...]. A verbalização dos sujeitos constitui instâncias de metarreflexão que indicam como eles metarrepresentam os ambientes cognitivos do público do TF e do TA. (CARVALHO NETO, 2010, p. 223- 224).
Adaptando a metodologia de apresentação das instâncias de metarrepresentação de Carvalho Neto (2010), destacamos os trechos em que há sugestão de atividade de metarrepresentação nos protocolos verbais retrospectivos semiguiados. Esses protocolos foram analisados individualmente, e cada trecho com indício de atividade de metarrepresentação foi numerado com algarismos entre parênteses para facilitar a retomada e a discussão final. Como exemplos prototípicos da atividade metarrepresentacional, consideramos aqueles trechos em
25A retrospecção das participantes Clara, do grupo FT, e Zilda, do grupo NFT, não pôde ser analisada, uma vez
que o arquivo de áudio gravado após a realização da tarefa tradutória apresentou erro. A retrospecção da participante Geiza, do grupo NFT, não foi analisada, uma vez que a participante não finalizou a tarefa de tradução.
que os participantes relataram aspectos do ambiente cognitivo de terceiros — o autor, o público- alvo e os outros atores do processo de tradução.
Alice, do grupo NFT, apresentou uma instância de metarrepresentação em sua retrospecção. Inicialmente, a participantes explicitou a importância da subcompetência extralinguística — que, no caso, consideramos ser a subcompetência conhecimento sobre tradução, uma vez que o TF é sobre Tradução — para a realização de uma tradução: “[...] a gente que é tradutor e intérprete tem que saber de Linguística.”
Como única instância metarrepresentativa, Alice afirmou: “[...] usei muito um linguajar popular [...] Eu acho que eu consegui passar [...] o que eu estava entendendo, mesmo não sendo especialista na área. Eu acho que, se uma pessoa pegar para ler, vai entender basicamente o que eu estou querendo dizer do vídeo.” (1).
A participante Célia, do grupo FT, comentou sobre uma dúvida quanto a um sinal realizado pela pessoa que sinaliza o TF, momento em que é possível identificar que a participante possui conhecimento acerca do tema do TF: “[...] ela só fez um sinal específico, e aí, pelo conhecimento que eu tenho [...] intralingual, interlingual, intersemiótica, mas, como eu não tive acesso ao texto antes, não tive acesso ao tema [...] Ficaria bem melhor [...] só com o tema já ia facilitar.”
Quanto às instâncias de metarrepresentação, destacamos o momento em que Célia relata uma dúvida gerada pela identificação de um problema de tradução de um sinal. Esse problema, segundo a participante, foi motivado pela variedade linguística da Libras, mais especificamente por motivações geográficas: “[...] outro sinal [...] não sei se aqui [em Minas Gerais] utiliza ‘poesia’ ou ‘expressão’ [...] utilizei ‘poesia’, que para mim esse sinal significa ‘poesia’.” (2).
Outra instância de metarrepresentação dessa participante apareceu quando ela citou a sua preocupação com o público-alvo da tradução: “[...] como falou que era para alunos do curso de graduação de Letras, então eu me preocupei um pouco mais com a questão do português, para passar [traduzir da Libras para a o português] de uma forma clara.” (3).
A participante Diana, do grupo FT, em sua retrospecção, afirmou que teve dificuldades em alguns sinais apresentados no vídeo, mas que, em seguida, refletiu sobre sua formação em Tradução — o vídeo em Libras é sobre três tipos de tradução — e que poderia, assim, “[...] tentar inferir a partir do conhecimento prévio para entender melhor o contexto.”
Diana ressaltou que poderia ter elaborado, para a sua tradução, uma nota da tradutora, motivada pela dúvida em relação aos sinais de “intralingual”, “interlingual” e “intersemiótica”. Diana também afirmou que acabou por não fazer uma versão final do texto, o que podemos entender como uma revisão final do texto-alvo. Isso deveu-se ao fato de que a participante teve
dúvidas quanto à tradução para o português das três formas de se interpretar um signo verbal, sendo esse o conteúdo do vídeo. Assim, continua ela,
[...] coloquei [os três tipos de tradução] entre parênteses [...] mas, aí, na hora que eu terminei, eu falei “nossa, eu podia ter colocado como nota do tradutor”, tipo assim, “por desconhecimento do signo tal, tal e tal, ficou aspada [colocada entre aspas] [...] a inferência do tradutor é possível que seja tal significado.” (4).
Nesse trecho, podemos constatar o quão importante a participante considera informar ao seu público-leitor as escolhas tradutórias realizadas e suas motivações.
A participante argumentou que “[...] a sensação é que a forma com que o texto[-fonte] foi produzido [...] Eu senti um pouco de ambivalência [quanto ao uso dos sinais “intralingual”, “interlingual” e “intersemiótica”].” As características e as condições de produção do TF já foram apresentadas no capítulo de metodologia, e, de fato, os sinais para os termos “intralingual”, “interlingual” e “intersemiótica” não são sinais reconhecidos, supomos, por todas as pessoas que se comunicam por meio da Libras, levando-se em conta questões de variação geográfica e de falta de conhecimento sobre tradução de pessoas que se comunicam por meio dessa língua. A participante afirmou possuir conhecimento dos termos “intralingual”, “interlingual” e “intersemiótica”, apesar de não os aplicar à sua tradução, conforme justificativa apresentada em outros trechos de sua retrospecção. Destacamos aqui o fato de Diana reconhecer que foi feita a escolha de utilizar sinais no vídeo que não sejam de conhecimento amplo, escolha essa motivada pelo interesse em identificarmos se os participantes conseguiriam inferir, a partir da totalidade do vídeo, os termos específicos empregados por Jakobson (2003), ao propor formas de interpretação do signo verbal, ou os três tipos de tradução.
Outro exemplo de atividade metarreflexiva indicadora de metarrepresentação foi observado quando a participante destacou pontos sobre os quais ela refletiu: o estilo e o gênero textual: “[...] duas coisas interferiram na minha tradução [...] a questão do estilo [...] e o gênero. É a tradução de uma videoaula? Me pareceu uma videoaula [...] o que um professor falaria para seus alunos no primeiro período.” (5).
Verificamos, nesse trecho, que a participante levou em consideração o seu público-alvo, importante indicação de atividade de metarrepresentação, para a tradução do texto, afirmando ainda que entendeu que deveria realizar uma legendagem para o português da videoaula em Libras.
Fábio, do grupo NFT, em seu protocolo verbal retrospectivo semiguiado, destacou, como instância de metarrepresentação, que o público-alvo foi importante para a sua tradução:
“[...] pensei nas formas de apresentar o texto, já que tinha um público específico [...] os leitores dessa tradução.” (6). Em seguida, o participante, ao comentar novamente sobre o público-alvo da tradução, mencionou: “[...] busquei tentar sinônimos das palavras [...] para adequar esse texto ao público que iria ler ou receber essa tradução; gastei um tempo pensando nisso, como melhor expressar para que o público pudesse entender melhor o texto.” (7).
Helga, do grupo FT, teve como primeira instância de metarrepresentação o seguinte trecho, no qual descreveu parte do seu processo de produção do TA:
[...] eu estava tentando escolher a forma de escrever o texto [...] porque, apesar de ser para uma turma do primeiro período, não tinha que ser tão acadêmico, mas eu entendi que era tipo um texto-base [...] Levei [em conta o gênero e o público-alvo], inclusive eu coloco parênteses em lugares [...] que têm a ver com o texto escrito [...]. (8).
A participante salienta que possuía conhecimento prévio sobre o assunto do vídeo — subcompetência conhecimento sobre tradução — e acrescenta que “[...] foi o primeiro tema [que estudei na graduação] [...] em Introdução aos Estudos da Tradução.”
Helga também destaca que o TF não é um texto autêntico, o que, segundo ela, dificultou a sua compreensão da introdução do texto, e denota capacidade sociolinguística/estilística textual/discursiva nas línguas de trabalho (GONÇALVES, 2015). A participante, apesar de afirmar possuir a subcompetência conhecimento sobre tradução, identificou que, “[...] quando não é texto autêntico [...] é muito artificial, e eu senti a artificialidade na introdução [...]”. A partir dessa constatação, a participante continuou discutindo acerca do texto, especificamente sobre as condições de produção do TF. Ela destacou que a percepção e a compreensão dessas condições “[...] facilitam [a tradução] [...] [Um texto não autêntico] me prejudicou, mas pode ser que um texto autêntico talvez também tenha uma tradução confusa.”
Destacamos que a participante afirmou que não costuma ficar presa aos significados dos sinais, preferindo partir de uma compreensão geral do texto, para então realizar sua tradução. Essa afirmativa aponta para uma perspectiva de tradução mais dinâmica, mas isso não foi constatado com a aplicação do questionário de conhecimento sobre tradução, no qual a participante teve um dos IDCTs mais baixos (-0,20), indicando uma perspectiva de tradução mais estática na comparação com outros participantes.
Na retrospecção de Ivana, do grupo BLP, a participante destacou que compreendia os sinais, mas não conseguia conectá-los, a fim de produzir o TA. Essa dificuldade pode ter acontecido devido ao fato de o perfil da participante ser bilíngue em Libras-português e de seu nível de conhecimento de Libras ser, como ela mesma o considerou, elementar. Ivana
comentou, ainda, que não possui conhecimento sobre tradução, o que parece ser mais uma justificativa para a dificuldade relatada pela participante.
Ivana refletiu sobre como deveria realizar a tradução: “[...] fiquei também pensando se eu deveria traduzir meio que literalmente ou [...] um texto corrido mesmo, como se fosse explicando.” Ao final da retrospecção, ela foi interrogada pelo pesquisador sobre o público- alvo, e ela afirmou que não se lembrou da orientação sobre o perfil desse público, apresentada nas orientações da tarefa tradutória. Ela constatou que, caso essa orientação tivesse sido lembrada por ela durante o processo tradutório, “[...] não teria facilitado [...]” a tradução, mas, que ela teria se empenhado mais para que “[..] o português [fosse] escrito de forma mais rebuscada, mais explicado.”
Apesar de Joana, do grupo NFT, destacar que conhecia a temática do vídeo e que esses conhecimentos foram adquiridos por leituras de textos dos Estudos da Tradução, ela afirma ter tido dificuldade em relacionar os sinais apresentados aos termos propostos por Jakobson (2003) para os tipos de tradução.
Essa participante apresentou atividade metarreflexiva nos protocolos verbais, como no excerto a seguir, quando ela discute o significado de um dos sinais realizados no vídeo:
[...] eu conheço aquele sinal para “poema”, que, traduzido, [a TILS que sinaliza o TF] fez um [sinal] que parecia que estava “pintando”. Aí eu coloquei: “pelo sinal de ‘poema’ que, traduzido, significa...”. Eu não sei o que significa [...] Eu acho que pode ser “poema”, usando outra língua de sinais, às vezes [...] é “poema” [em outra língua de sinais].
Nesse trecho, a participante assume inicialmente que, para ela, o problema tradutório poderia ser resolvido traduzindo-se o sinal em questão pela palavra “poema”. Em seguida, ela coloca em dúvida esse significado, refletindo que, para ela, esse sinal específico tem o significado de “poema”, podendo ter outros significados para outras pessoas (9), indício de atividade de metarrepresentação.
Joana dedicou a maior parte de sua retrospecção, enquanto assistia à reprodução da tarefa de tradução no Translog II, a relatar os problemas tradutórios identificados por ela durante o processo. Provavelmente, isso ocorreu porque a participante não se lembrou das orientações dadas antes do início da tarefa, as quais falavam ao participante acerca do público- alvo e, se tivessem sido relatadas durante a retrospecção, poderiam ser indícios de metarrepresentação.
A participante Karen, do grupo BLP, identificou, em sua retrospecção, uma dificuldade grande de compreensão, motivada pelo desconhecimento de vocabulário da Libras. Ademais,
ela se ateve ao relato de suas dificuldades e dos problemas de compreensão do vídeo em Libras. Ao final de sua retrospecção, ela afirmou que não se lembrou de qual era o público-alvo de sua tradução, mas assumiu que pensou em produzir um TA “[...] mais claro possível [...] Eu fiquei pensando em quais as palavras que eram mais adequadas àquele contexto.” (10).
Laísa, do grupo BLP, relatou algumas dificuldades com a compreensão do vídeo, especificamente no trecho em que o nome “Roman Jakobson” é sinalizado por meio da soletração manual26. Laísa afirmou que detém conhecimentos de Linguística que a ajudaram a compreender alguns sinais, como o de “signo linguístico”, por exemplo, realizado no TF.
A participante apresentou instância de metarrepresentação em sua retrospecção ao ser questionada sobre o público-alvo, afirmando que refletiu a respeito de seus leitores: “[...] eu pensei, quando eu vi [...] ‘signo verbal’, eu falei ‘ah, é o pessoal da área de Letras’, eu imaginei [...] ‘língua’ [...] ‘língua de sinais’, eu falei: ‘ah, é alguma coisa na área da Linguística’.” (11).
Meire, do grupo BLP, afirmou que possui o conhecimento sobre tradução explicitado no vídeo, mas que, no início do processo tradutório, não se lembrava dos termos “intralingual”, “interlingual” e “intersemiótica”.
A única instância metarrepresentativa assinalada por Meire foi ao se remeter ao público- alvo como sendo responsável por guiá-la na tarefa de produção do TA:
[...] eu primeiro pensei assim: “ah, vou colocar em tópico”, porque vocês falaram para pensar em alunos de primeiro período [...] Eu acho que é uma coisa didática fazer isso: explicar conceitos de forma separada [...]. (12).
A participante Nádia, do grupo NFT, iniciou sua retrospecção comentando sobre sua dificuldade de compreensão de alguns sinais. Ela afirmou que
[...] realmente não conhecia, deve ser diferença regional mesmo, ou talvez eu ainda não tive acesso, às vezes é um sinal técnico do Letras-Libras, como sinais ligados à Fonética, Fonologia, Sintaxe. Eu não tenho acesso a esses sinais, ainda não precisei utilizá-los como sinais específicos, quando eu utilizava antes deles surgirem, eu utilizava de outras formas.
O trecho de sua retrospecção que denota a atividade de metarrepresentação refere-se ao significado de um sinal específico do TF: “Esse sinal aqui, eu tive dúvida [...]. Tem gente que usa para ‘arte’, eu conhecia mais como ‘desabafar’, ‘explanar’, ‘expor’, ou mostrar algum tipo de sentimento [...] Pelo contexto eu entendi que era tipo uma expressão artística.” (13).
26 De acordo com Silva (2017, p. 124), a soletração manual é recurso das línguas de sinais e que é “[...] uma
O participante Paulo, do grupo NFT, iniciou a sua retrospecção destacando uma questão a respeito do TF que já havia sido questionada por Helga (FT). Ele perguntou se o TF era um texto “[...] espontâneo [...]” ou se foi um texto traduzido para a Libras a partir de um texto em português. Segundo ele, algumas “[...] marcas [...]” no TF indicavam que esse texto não seria autêntico e que essas marcas, como erros de soletração manual, geraram uma compreensão truncada:
[...] eu não sei até que ponto o fato de não ser uma pessoa surda [sinalizando o vídeo] interfere, eu acho que isso interfere, de onde que parte o texto de partida: se é um texto espontâneo, se é um texto que é uma versão já em língua de sinais, se é uma tradução de tradução. Isso passou pela minha cabeça no momento que eu estava assistindo o vídeo pela primeira vez, isso me ajuda a entender o que eu vou fazer com ele [o TF]. (14).
Consideramos esse relato como um indício de atividade de metarrepresentação, uma vez que as condições de produção do TF são representadas pelo participante, com o objetivo de representar qual é o ambiente cognitivo dos responsáveis pela produção desse texto.
Em seguida, o participante citou o brief da tarefa de tradução, especificamente acerca do público-alvo do TA. A referência aos leitores do TA é também um importante indicativo de metarrepresentação. Paulo afirmou que:
[...] como na instrução falava que era para um curso de Letras-Libras, eu fiquei pensando assim: “olha, então eu posso escrever coisas que eu sei que os leitores são pessoas que estudam língua de sinais” [...] Traduzir de uma língua de sinais para a língua portuguesa, você tem nuances aqui [na língua de sinais] que são muito específicas da língua e que eu acho que gera um trabalho enorme para uma tradução para a língua portuguesa [...] por exemplo, notas de rodapé [...] Quem não conhece Libras [...] eu iria usar outro tipo de estratégia [...] eu fui mais sucinto na minha escrita, porque eu sabia que quem ia ler [...] sabe um pouco disso e provavelmente teria acesso ao vídeo original. A minha expectativa que eu criei [...] isso me conduziu bastante [...] se tivesse o recurso de nota de rodapé, mas parece que o programa [Translog II] não tem, né? Se fosse um trabalho para um curso de Letras para um professor ouvinte, eu usaria outros tipos de estratégias, de detalhamento, para tentar trazer para o texto escrito [...] essa riqueza [...] que a língua de sinais tem, que a modalidade visual me permite ter e usar. (15).
Esse relato é bastante profícuo em termos de atividade de metarrepresentação. O participante destaca o público-alvo de sua tradução e como o conhecimento desse público-alvo foi utilizado para a produção do TA. Ele relata questões relacionadas à Libras e ao português que influenciam seu processo tradutório e reflete acerca da possibilidade de um público
diferente para a sua tradução e de como isso afetaria seu processo de tradução e, por conseguinte, o produto.
Além disso, o participante destaca que possui os conhecimentos específicos veiculados pelo vídeo e demonstra, mais uma vez, sua reflexão sobre o TA e como foi a progressão do processo tradutório. Em seu relato, ele apontou:
[...] eu assisti o vídeo como um todo [...] reconheci, inclusive, os sinais dessa área de Letras e Linguagem, falei: “ah, então é uma praia que eu consigo transitar” [...] Eu voltei no texto e fui trazendo uma versão, assim, uma refinada, aí pensando na língua-alvo, no português [...] Quem fosse ler o texto teria o grosso, o principal [...] porque, como são línguas diferentes, de modalidades diferentes [...] tem perdas de uma língua para a outra [...] toda tradução tem perdas. (16).
Mais uma vez, Paulo questiona as condições de produção do TF. Ele afirma que, em sua prática, tem percebido que o fato de a pessoa que sinaliza um TF ser surda ou ouvinte — o nosso foi sinalizado por uma TILS ouvinte — interfere na interpretação Libras-português que ele realiza. Ele identifica que “[...] quando é um surdo e eu tenho que interpretar esse surdo, eu tenho mais facilidade [...] o ouvinte é tanta marca de oralidade [na sinalização em Libras], de língua oral mesmo, que eu acho que interfere, que prejudica.” (17).
Destacamos que esse participante refletiu, acerca do seu processo tradutório, em determinado momento de sua retrospecção, o seguinte: “[...] eu respondi uma coisa [no questionário de conhecimento sobre tradução] e fiz outra [durante o processo tradutório] [...]”. A participante Selma, do grupo FT, destacou que possui o “[...] conhecimento prévio [...] na área de Letras.” Apesar disso, ela ressalta a sua dificuldade: “[...] fiquei em dúvida [...] não pude acessar [material de apoio].” Selma informou, por fim, acerca do seu processo tradutório:
[...] isso que eu preocupei no primeiro momento, em escrever: o contexto daquilo que eu estava compreendendo. Depois, toda hora que eu retomava novamente, eu buscava palavras já preocupada com meu público-alvo, que seriam os graduandos no primeiro período do curso de Letras. Então fui buscando palavras mais requintadas para escrever [...]. (18).
Tânia, do grupo EstT, iniciou sua retrospecção afirmando possuir algum conhecimento acerca do tema do vídeo: “[...] vi que eu conhecia esse nome, “Roman Jakobson”, então eu falei: ‘bom, eu acho que eu conheço alguma coisinha que vai ser falada’.” Mais à frente, destacou: “[...] eu sei o conceito [intralingual], mas eu não estava conseguindo botar no papel.”
Em seguida, Tânia fez referência aos leitores da tradução, afirmando: “[...] eu estou fazendo o texto em português para pessoas que vão ler o português [...] ouvintes. Então eu tenho que ser clara [...] não preciso ficar colocando exemplo [na tradução].” (19). Ao ser questionada sobre o fato de ter citado que seu público seria de pessoas ouvintes e sobre a influência que esse conhecimento teve em seu processo tradutório, ela completou, afirmando: “[...] eu sei que pode ser outro tipo de leitor, pode ser um surdo, mas me influenciou muito [...] Você vai ver que eu reduzi muito [...] Ele [o público-alvo] precisa só saber que são três tipos [de tradução].” (20). Apesar de citar que pensou em um leitor que fosse ouvinte, ela afirma que não pensou em nenhum outro perfil de leitor, o que demonstra que a participante não se atentou para as orientações fornecidas pelo brief, disponibilizado logo antes da tarefa de tradução, ou não se lembrou delas.
Tiago, do grupo BLP, não apresentou nenhuma instância metarrepresentativa. No protocolo verbal retrospectivo semiguiado, o participante destacou o principal problema tradutório identificado durante o processo, ou seja, a dificuldade de compreensão da soletração manual referente ao nome “Roman Jakobson” e de outros sinais. Identificou que conseguiu compreender “[...] algumas palavras soltas [...] acho que a ideia principal ficou faltando.” Ele identificou a ideia principal do vídeo, que seria, nas palavras dele, “[...] três formas de se fazer a tradução [...]”, mas não conseguiu compreender o restante do que foi sinalizado no TF. Ao ser questionado sobre o público-alvo do TA, o participante afirmou que não levou em consideração nenhum público ao produzir sua tradução. Desse modo, o participante apresenta um nível baixo de CT, o que pode ser observado pelo perfil que apresenta e por essa análise do