O dimensionamento de lajes protendidas pós-tracionadas tem sido um tema de crescente interesse na bibliografia brasileira. A seguir estão relacionados alguns estudos relativos ao assunto, particularmente, os que se dedicaram ao dimensionamento à flexão. São apresentadas também as principais conclusões desses trabalhos.
Teixeira (1998) desenvolveu um programa para o cálculo automático de lajes protendidas simuladas com o Método de Analogia de Grelha (MAG), dividindo a laje em várias vigas no plano horizontal. O programa desenvolvido contempla o cálculo de tensões, esforços
e deslocamentos nas seções da laje com pós-tração aderente e diferentes condições de contorno, também é proposto um traçado para os cabos.
Almeida Filho (2002) estudou a aplicação da pós-tração não aderente em lajes por meio de estudos comparativos (entre pós-tração aderente e não aderente) realizados com o uso do programa de análise estrutural TQS (que utiliza o MAG). O autor comparou os índices de consumo de materiais (concreto, fôrmas e armaduras) para uma planta padrão, considerando os modelos de pós-tração aderente e não aderente para lajes maciças, nervuradas e com vigas- faixa. Foi concluído que, apesar do sistema de protensão aderente com lajes nervuradas apresentar o melhor desempenho estrutural com menores deformações e um menor consumo de material, provavelmente a escolha do sistema não aderente seria mais interessante uma vez que, segundo o autor, o seu tempo de execução seria menor.
Faria (2004) comparou o Método dos Elementos Finitos (MEF) com o Método dos Pórticos Equivalentes (MPE) para análise de duas lajes, uma com distribuição simétrica e outra com distribuição assimétrica de pilares. Para modelagem pelo MEF foi utilizado o programa de análise estrutural ADAPT. Foi concluído que o MPE representa bem o modelo simétrico de pilares, mas se diferencia muito do modelo assimétrico, uma vez que surge uma dificuldade na definição das faixas de lajes que compõem os pórticos. Contudo, o autor encoraja o uso do Método dos Pórticos Equivalentes para pré-dimensionamento das lajes que devem ser posteriormente avaliadas por procedimento mais rigoroso de cálculo.
Mello (2005) apresentou procedimentos de dimensionamento e exemplos de cálculo (utilizando o programa TQS) para lajes lisas com protensão limitada e parcial considerando pós-tração aderente e não aderente e diferentes disposições para cabos (uniformemente distribuídos e em faixas). A autora concluiu que a verificação de fissuração no tempo infinito para combinação quase permanente foi determinante para o dimensionamento da protensão limitada, enquanto que a verificação ao Estado Limite Último de flexão foi determinante para o dimensionamento da protensão parcial. Além disso, foi concluído que, para exemplos equivalentes, foi necessária uma menor quantidade de armaduras para pós-tração aderente em relação à não aderente e que o traçado de cabos mais econômico consiste em faixas de protensão concentradas em direções perpendiculares da laje.
Colonese (2008) apresentou uma nova comparação entre exemplos desenvolvidos com o uso do MPE e do MEF (utilizando o programa ADAPT) para lajes com pós-tração não aderente. Foi concluído que a convergência de esforços obtidos por ambos os métodos é esporádica e dependente da regularidade entre faixas de cálculo e linhas de apoio. Contudo,
para faixas irregulares o MPE considera larguras colaborantes maiores, fornecendo esforços mais conservadores que os do MEF. Segundo o autor, ambos os métodos são seguros se corretamente projetados e detalhados, uma vez que a diferença entre os dois métodos pode ser acomodada com a dutilidade relativa aos membros de concreto, considerando que no ELU as estruturas falham com a formação de rótulas plásticas e contam com a redistribuição de esforços. Como sugestão para trabalhos futuros é indicada uma análise comparativa entre os métodos e resultados experimentais.
Pedrozo (2008) comparou o dimensionamento de lajes lisas protendidas no ELS para pavimentos com e sem balanço, utilizando diferentes traçados para os cabos e considerando comparativamente o MPE e o MEF. A modelagem pelo MEF foi realizada através do programa computacional SAP 2000. Nesse estudo, a protensão foi introduzida como um conjunto de carregamentos equivalentes para modelagem do MEF no SAP 2000. Foi concluído que o MPE apresentou resultados satisfatórios apenas quando foram utilizados cabos concentrados nas regiões de apoios e para pavimentos sem balanços. Além disso, o autor concluiu que o MPE não funcionou bem para regiões próximas a pilares, uma vez que os momentos máximos reais são maiores que os calculados.
Dornelles (2009) desenvolveu um programa computacional para modelagem automática de pavimentos de lajes lisas protendidas (com cordoalhas aderentes) utilizando o MAG e contemplando a geração de carregamentos equivalentes para diferentes traçados de cabos e a distribuição desses carregamentos na grelha. Os dados de saída do programa desenvolvido podem ser lidos pelo SAP 2000 para facilitar a geração de modelos no programa de análise de esforços através do MEF.
Faleiro Júnior (2010) desenvolveu exemplos de cálculo (considerando, para alguns exemplos, protensão aderente e, para outros, não aderente) para verificação e detalhamento de armadura longitudinais de peças protendidas de maneira inversa ao convencional, dimensionando no ELU e verificando no ELS. Para isso o autor considera diferentes classes de protensão: completa, limitada e parcial. Foi concluído que o uso da protensão parcial direciona a um menor consumo de armaduras e possibilita uma gama maior de soluções estruturais, uma vez que se pode substituir parte da armadura ativa por armadura passiva (respeitado o estado limite de abertura de fissuras).
Ferreira (2013) fez uma revisão bibliográfica acerca do dimensionamento de lajes lisas parcialmente protendidas. O autor apresentou dois exemplos de plantas modeladas com o
auxílio do programa TQS considerando lajes lisas parcialmente protendidas com armaduras não aderentes.
Kuster (2014) realizou um novo estudo comparativo entre métodos de cálculo para lajes protendidas (MPE, MEF e o MAG) considerando a pós-tração aderente e a não aderente, com o auxílio dos programas computacionais TQS (para análise pelo MAG) e CYPECAD (para análise pelo MEF). Foi concluído que o uso do MPE só deve ser feito para estruturas com vãos simétricos, sem desalinhamento de pilares; que o MEF e o MAG apresentam resultados coerentes da mesma ordem de grandeza; e que a quantidade de armadura ativa é maior para protensão aderente em relação à não aderente, o que se inverte para armadura passiva.
Carneiro (2015) também realizou um estudo comparativo para lajes com pós-tração não aderente utilizando o Método dos Pórticos Múltiplos (MPM) e o MAG utilizando os programas de cálculo FTOOL (para análise de pórticos planos) e TQS (para análise pelo MAG). Foi concluído que a distribuição de cabos em planta concentrados em uma direção e distribuídos uniformemente na outra apresentou uma melhor distribuição de momentos e melhor desempenho quanto aos deslocamentos e que o MPM apresentou resultados de momentos divergentes em relação aos apresentados pelo MAG.
Ayala (2017) desenvolveu um modelo computacional baseado no MEF utilizando o programa computacional ANSYS para avaliar o comportamento à flexão de lajes com pós- tração aderente e não aderente. Foi concluído, através de comparações com resultados experimentais, que o modelo desenvolvido representou bem o comportamento da estrutura.