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DIFFUSEES DANS LES LIEUX PUBLICS

B. Des conceptions nouvelles

Espinho é uma cidade marcada por anacronismos, onde são visíveis disfunções, barreiras e oposições sobre o que poderá ser necessário fazer na cidade e o que se faz realmente na cidade. Subentende-se, com momentos em projecção e outros já construídos, que se têm criado alguns elementos pontuais sem relação com a envolvente ou sem uma função base de serviço para a população e de acordo com as suas necessidades. Vemos edifícios, como o Centro Multimeios e seu espaço público adjacente, o parque da cidade a cerca de três quilómetros do centro urbano, o Museu Municipal, FACE e sua praça, o estádio de futebol e a alameda 8, como situações onde se presencia alguma falta de projecção direcionada à comunidade que, por motivos diversos, como a pouca publicidade de actividades ou o pagamento excessivo de alguns programas criados, não participam em acções desenvolvidas. Existem ainda, dentro destes espaços mencionados, os que se

encontram numa situação de abandono – como é o caso do estádio de futebol municipal – ou demasiado longe para que os habitantes possam usufruir diariamente das suas valências – como o parque da cidade. Por mais que estes sejam indicados como lugares de referência para a cidade e seus habitantes, uma vez que possuem ideias, imagens e conceitos modernos, tal não é sentido quando os observamos, a partir da quase não realização de programas públicos ou da afluência sentida. Em diferentes contextos, os mesmos podem até se posicionar em plano de fundo na cidade, uma vez que acabam por ser esquecidos ou não utilizados com frequência pela população residente. Por isso mesmo, sentiu-se a necessidade de, ao percorrer os três diferentes percursos anteriormente mencionados, observar situações onde fossem visíveis relações espaço-homem, observando momentos de escolha por lugares de conforto e proximidade, optando os seus usuários por aí caminhar ou estar durante um maior ou menor espaço de tempo.

Tentaram-se assim identificar quatro tipos de espaços, lugares ou momentos na cidade: estadia, atravessamento, identitário e de enraizamento (houve situações que apresentaram estas duas últimas características e que, por isso mesmo, foram agrupados

separadamente).

Para o estudo de identificação de espaços de estadia, foram observadas situações que permitissem a pausa, o sentar e estar num espaço que, não sendo privado, como uma esplanada que exija um determinado consumo, fornecesse elementos como bancos, árvores, luz pública, conforto e segurança para o respectivo usuário. Também foi tida em consideração a afluência de pessoas a esses mesmos espaços.

Ao longo dos percursos foram encontrados apenas cinco momentos, assinalados com uma circunferência nos diagramas apresentados: o miolo do quarteirão de início e fim dos percursos, no cruzamento das ruas 19 e 26; o jardim João de Deus, em frente ao edifício da Câmara Municipal; a praça-jardimdo Largo dos Combatentes da Grande Guerra, na frente da fachada principal da Igreja Matriz; o espaço circunscrito pelo edifício da Câmara Municipal e o parque João de Deus,

caracterizado pelo chafariz central; a marginal junto à rua 2.

Já em relação às situações de atravessamento, o seu número aumenta e isto porque, para além de alguns espaços de estar serem também eles propícios ao seu cruzamento, existem diferentes momentos públicos na cidade (mais na zona Nascente) onde não se sente a densificação de construção. Foram assim encontrados treze espaços, assinalados nos diagramas com uma cruz: o miolo do quarteirão de início e fim dos percursos, no cruzamento das ruas 19 e 26, que permite o contacto directo com as ruas 19 e 21; o espaço circunscrito pelo edifício da Câmara Municipal e o parque João de Deus, caracterizado pelo chafariz central; o jardim João de Deus; o espaço convergente ao edifício do Centro Multimeios, na fachada Sul; o espaço da feira semanal, circunscrito pela avenida 24 e rua 22, com uma área de cerca de sete quarteirões; edifício do mercado municipal, localizado no cruzamento das ruas 23 e 18; o quarteirão onde está inserida a Igreja Matriz; a

praça-jardimdo Largo dos Combatentes da Grande Guerra; o espaço exterior a Poente do Museu Municipal e FACE e de interacção directa com a marginal; o espaço em frente à entrada do casino; o espaço sobrante do rebaixamento da linha ferroviária, denominado de alameda 8; a praça resultante do negativo do quarteirão habitacional, no

cruzamento das ruas 15 e 8.

Quando se pensa em lugares identitários e de enraizamento numa cidade, é importante entender que estes mesmo espaços são diferentes, dependendo do contexto em que se insiram. Encontrar um local que identifique Espinho não tem de ser o mesmo que identifique uma outra cidade, e isto porque os espaços vão tomando características distintas dependendo das valências e usos dados pelos habitantes, usuários ou veraneantes. Não é apenas o seu programa, dimensão, materialidade e imagem que criam “raízes” num espaço urbano. A interação entre público-edifício é essencial para o reconhecimento que um espaço faz parte da cidade e sua história. Assim, e perante o que foi enunciado, foram encontrados seis espaços, identificados nos diagramas por um triângulo, que contribuem para a identidade de Espinho: a Igreja Matriz, a Câmara Municipal, o casino, o Centro de Saúde e o espaço

circunscrito pelo edifício da Câmara Municipal e o parque João de Deus, caracterizado pelo chafariz central. Em relação aos espaços que

propõem apenas enraizamento social, face à quantidade de pessoas que usufruem dos mesmos de variadas formas, é identificado apenas o edifício da Biblioteca Municipal, assinalado no diagrama com uma linha ondulada. Todavia, foram observados momentos onde a sensação de identidade e enraizamento estava presente num mesmo espaço, contribuindo para a identificação, imagem e história da cidade. Enumeram-se assim seis casos visíveis aquando da realização dos percursos, identificados com uma mancha cinzenta nos diagramas apresentados: o jardim João de Deus; o troço pedonal da rua 19, entre a rua 20 até à marginal; o espaço da feira semanal; a praça-jardimdo Largo dos Combatentes da Grande Guerra; a marginal pedonal; a rua 2 que lhe delimita, com os vários espaços de restauração existentes; a praia da Baia.

Depois de enumeradas situações específicas em Espinho que traduzem momentos vários de relação entre habitante – espaço urbano e arquitectónico, é possível concluir que quase todos possuem algumas características em comum: estão inseridos na malha da cidade, criam empatia com os seus habitantes, de modo a fazerem parte do quotidiano do mesmo, são espaços de uso colectivo, mesmo os fechados, possuem contacto com a natureza ou próximo dela, encontram-se quase todos inseridos na zona Centro da cidade.

Como Carlos Martinez Caro e Juan Luis de las Rivas defendem: os lugares são momentos onde se experienciam acontecimentos (…).92 Por este motivo, entende-se o quão importante é para a cidade e seus habitantes deterem de vários momentos distintos que suscitem acontecimentos, não apenas fixados no núcleo histórico ou central da mesma. É importante também que se defendam os locais já existentes, estes nichos, pequenos momentos para o estar, para a contemplação, para a união populacional. O grande e moderno não é sinónimo do bom e confortável e, por isso mesmo, Espinho deve, para além de preservar estes espaços, proporcionar outros com o mesmo cuidado com a escala, o local de implantação e sua relação com os demais na envolvente. Devem ser espaços criados com o propósito de melhorar a qualidade de vida e bem-estar da sociedade, envolvendo a comunidade nas suas qualificações, e não apenas para revigorar a imagem que se quer elevar da cidade, para atrair um público alvo pontual,

identificando-se com tantos outros exemplos mundiais que, ansiando por pequenos momentos de publicidade e renome em espaços

específicos sociais, se esqueceram de olhar e observar o que os poderia tornar diferentes, com as suas próprias características e resolução de problemas relacionados com a comunidade existente, acabando por serem situações urbanas sem definição, sem nome ou identidade.

92 Carlos Martinez Caro e Juan Luis de las Rivas in Arquitectura Urbana – Elementos de Teoria y Deseño, p. 40.

Sobre o espaço urbano