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O presente trabalho teve como principal objetivo identificar os fatores que direcionam as empresas multinacionais de médio porte a escolha pela adoção do modelo completo das normas, IFRS Full, ou do modelo para empresas de pequeno e médio porte, IFRS SME.

Para isso, este estudo baseou-se na Teoria Institucional, a qual por meio de fatores como leis de um país, tipo de cultura de uma empresa ou o conjunto de normas existentes, as organizações buscam se tornar legítimas. (MEYER; ROWAN, 1977).

Os resultados foram interpretados de acordo com os mecanismos observados por Dimaggio e Powell (1983) e Scott (1995), onde diferentes combinações podem levar a mudanças e essas mudanças direcionam as organizações ao isomorfismo.

O isomorfismo é o processo de homogeneização das organizações, a qual tem como foco a legitimação das companhias buscando estar mais próximo possível de suas realidades. Dimaggio e Powell (1983) indicam que existem três mecanismos de mudança isomórfica institucional: coercitivo, mimético e normativo.

Neste estudo a legitimação é observada pela inserção das normas na prática dos profissionais por meio de dois mecanismos institucionais, o mimético e o normativo.

Verificou-se que as mudanças ocorrem por meio do fator capacitação técnica, identificado neste estudo como único fator indutor à adoção às normas, o qual foi possível perceber por meio da pressão normativa, que para esses profissionais há uma necessidade de uniformização do conhecimento quanto ao processo de adequação, o que gera uma identidade perante a classe contábil. Esses profissionais demonstraram perceber esta pressão, de forma que buscam estar em compliance com a obrigação normativa da adoção.

Verificou-se também que essas mudanças ocorrem por meio da pressão mimética, em que os profissionais, por meio da prática de benchmark, buscam identificar o formato mais adequado para aplicação das normas internacionais, quanto às escolhas contábeis.

Foram identificados como fatores inibidores à adoção, a baixa prioridade à adequação das normas, a baixa interferência de terceiros e a baixa interferência da matriz.

Foi constantemente mencionado, pelos profissionais, que não há quem cobre essas informações das empresas e que isso incorre no enfraquecimento da necessidade de adoção, consequentemente a falta de importância à adequação pelas empresas. Não há fiscalização, na maioria das vezes não há apontamento pelas empresas de auditoria, também não há sanção por terceiros pela apresentação das demonstrações financeiras não adequadas.

Por meio deste estudo foi possível perceber, que, devido às empresas multinacionais de médio porte, não possuírem a obrigatoriedade a uma auditoria societária, e que, na maioria das vezes, são auditadas no formato de auditoria de grupo, os trabalhos são direcionados por meio das regras de compliance do grupo. Desse modo pôde-se concluir que, à interferência das empresas de auditoria podem impulsionar o processo de adoção às normas, entretanto, ocorrem efetivamente quando há direcionamento dos trabalhos pela matriz, que é o caso observado da empresa de grande porte entrevistada nesta pesquisa.

Foi possível obter, ainda, evidências de que as empresas não efetuam análises para escolha de um dos dois modelos de adoção. As empresas cujos profissionais possuem experiência e capacitação técnica, adotam como first option às IFRS Full, uma vez que ambas as escolhas demandam tempo e conhecimento dos profissionais. Verificou-se também que para estas empresas a escolha do modelo contábil completo esta vinculada às perspectivas de crescimento, consequentemente futuro enquadramento como empresas de grande porte.

Pôde-se observar, ainda, que para os profissionais com baixa capacitação técnica, não há clara distinção e entendimento entre o modelo completo e o modelo para as pequenas e médias empresas, e, na maioria das vezes, a qual modelo estão se adequando.

Verificou-se, ainda, que as empresas que se adequaram às normas no balanço local, são as empresas que possuem profissionais capacitados tecnicamente, com know-how para efetuarem este trabalho, e devido a essa capacitação têm consciência da necessidade da adequação e que as IFRS são a única opção de normas válidas no país.

Entretanto foi possível evidenciar que existem, ainda, muitos profissionais com baixa capacitação técnica para efetuarem este trabalho e que precisam entender efetivamente o conteúdo das normas e como aplicá-las.

Desmistificação do tema foi o maior achado deste estudo. Buscou-se aprofundar os resultados, por meio de entrevistas com as empresas Big Four e com órgão de classe, CRC, a qual foi solicitada à avaliação dos resultados obtidos neste estudo. Foi possível constatar que para os profissionais das empresas de auditoria, todas as empresas multinacionais de médio porte, auditadas por eles, estão adequadas, e observam o modelo completo das normas.

Por meio dessa afirmação, foi possível verificar que há um gap de comunicação, entre as empresas de auditoria e os profissionais, relacionado ao processo de adequação às normas, uma vez, que para os profissionais as empresas ainda não se adequaram, e apontam que, não há apoio das empresas de auditoria, a qual seria um importante fator indutor à adoção.

Segundo os profissionais das empresas de auditoria, esse gap provavelmente ocorra devido à comunicação não ser clara entre a auditoria e os profissionais, e que certos ajustes

são demandados devido à observação as normas contábeis internacionais, entretanto essas solicitações são entendidas pelos profissionais como ajustes de auditoria.

Diante do exposto, foi possível evidenciar que os profissionais que possuem menor nível de capacitação técnica, não adotam as normas no balanço local, somente efetuam ajustes nos reports enviados para matriz. Percebeu-se, ainda, que há um baixo nível de importância, sobre a adequação às normas IFRS, entre esses profissionais e que não possuem uma visão clara dos conceitos e mudanças trazidas por esta obrigação normativa, o que está muito aquém do esperado. Esse ponto indicou ser crítico para os profissionais da contabilidade, em que é esperada uma nova postura.

Também foi possível perceber a baixa importância, dada ao tema, pelo corpo diretivo dessas empresas, uma vez que, não apoiam os profissionais diante da necessidade de adequação, demonstrando baixa aceitação ao enquadramento das normas. Os resultados indicam, ainda, que para essas empresas, assuntos relacionados a processos contábeis, se legitimariam por meio do isomorfismo coercitivo, onde há mudança por meio de uma sanção, como ocorre para as obrigações fiscais, onde altas penalidades são instituídas pelo não cumprimento das exigências do fisco brasileiro.

Constatou-se, também, que não há relação entre a matriz e o processo de adoção no balanço local, mesmo, verificando que, a maioria das empresas, cuja matriz está instalada na Europa, já se adequou às IFRS. Verificou-se uma correlação com a categoria CTG 1, em que há alta prioridade ao cumprimento das regras de compliance ao report, porém não há acompanhamento pela matriz nas decisões para o balanço local.

Ainda uma última constatação observada, foi o quanto as empresas deixam de se beneficiar com a adoção das normas IFRS, além da transparência e uniformização das informações, as empresas perdem competitividade no mercado, pois não refletem sua realidade econômica em seus demonstrativos financeiros.

As análises e resultados deste trabalho direcionam para que o órgão de classe, CRC, se mobilize, no sentido de criar uma comunicação mais clara aos profissionais, trazendo esclarecimentos e desmistificando o processo de adoção às normas. Percebeu-se, que existe uma carência dessas informações em uma linguagem mais próxima do dia a dia dos profissionais, e que retrate fielmente a realidade do que realmente precisa ser feito, a qual seria um fator indutor à adoção das normas.

Nesse sentido, percebeu-se que é necessário, que o processo de adequação as normas, construa uma identidade junto aos profissionais da contabilidade, de forma que tenham seus questionamentos respondidos e se identifiquem com a nova realidade.

É importante ressaltar que o CRC, desde o inicio dos primeiros movimentos à adoção das normas, tem disponibilizado diversas ferramentas de aprendizado, como materiais técnicos, TV CRC e outros, para informar e capacitar os profissionais, entretanto não tem sido suficiente.

Na expectativa de se obter maior engajamento dos profissionais da contabilidade, o CRC SP, através da entrevista dada a este estudo, compartilhou, que esta sendo criado e passará a vigorar, a partir de 2016, um programa de educação continuada, obrigatório para os profissionais da contabilidade, o qual terá uma carga horária pré-determinada, como nos moldes que já existe para os auditores independentes.

Essa obrigatoriedade demonstra o quanto o CRC está preocupado com a realidade da adoção às normas internacionais, o que será um grande passo, dado pelo CRC, para o avanço da profissão contábil no Brasil.

Diante desse novo formato que será exigido dos profissionais, o avanço no entendimento e amadurecimento do processo de adoção às normas é esperado. Este estudo, mesmo que limitado a uma pequena parcela, buscou ter contribuído com esse entendimento e amadurecimento.

Como indicação para futuros estudos recomenda-se a diversificação e o aumento da amostra, as quais seriam fatores enriquecedores para o estudo da adoção.

Devido à amostra contemplar somente um profissional por empresa, o responsável pela tomada de decisão à adoção das normas, por exemplo, maior validade dos dados trabalhados seria alcançada com a participação de profissionais que atuam diretamente em posições operacionais, paralelamente com o responsável pela tomada de decisão de uma mesma organização.

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