communication financière
2. Communication financière et actionnariat (1)
2.1 Code de commerce et communication financière
A transição para o ensino superior pode significar um período crítico para o desenvolvimento e ajustamento académico do estudante. São vários os estudos que evidenciam a importância de se cuidar da entrada dos estudantes nas instituições do ensino superior e toda a fase de integração na vida académica. Como sugere Cunha & Carrilho (2005:216) “precisamos olhar o estudante de forma diferenciada e acolhedora, principalmente no momento do seu ingresso no curso superior, por ser o primeiro ano de graduação um período crítico para o seu desenvolvimento e ajustamento académico”. Nesta fase, é expectável ocorrerem na vida no estudante experiencias novas: as que decorrem das diferenças dos processos de formação e, no caso dos estudantes participantes que necessitam de mudar de localidade, as que decorrem do afastamento da família e amigos e da adaptação um novo ritmo de vida pessoal e escolar. Os mesmos autores referem ser consensual “que na transição do ensino médio para o ensino superior o estudante vivencia várias mudanças que geram diversos problemas de ajustamento académico, resultado das experiências entre as exigências colocadas pelo contexto e as caraterísticas desenvolvimentais dos próprios alunos” (ibidem).
Na mesma linha, Veiga (2008:37), citando Soares et al. (2006) salienta “que as caraterísticas pré-universitárias dos estudantes, tanto sociodemográficas (género, nível socioeconómico e estatuto de residência – estudantes deslocados/não deslocados da sua região de origem para estudarem no ensino superior), como académicas (nota de ingresso no ensino superior, opção curso/estabelecimento de ensino e área de curso
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frequentada), afetam direta e/ou indiretamente os ganhos na aprendizagem e no desenvolvimento psicossocial ao longo da experiência universitária”.
O estudo comparativo entre instituições de ensino público e privado, desenvolvido por Soares, Poube & Mello (2009), apresenta resultados muito interessantes que podem ser utilizados por professores e gestores de instituições do ensino superior tendo em vista um desenvolvimento mais eficaz de competências sociais nos estudantes para um melhor desempenho interpessoal e uma melhor integração. Sugerem, por isso, a importância de as universidades criarem programas específicos que promovam o desenvolvimento de competências sociais considerando que estas “tendem a favorecer o envolvimento dos estudantes com os agentes de socialização possibilitando melhores relações interpessoais e minimizando conflitos” (ibidem:9), decorrentes desses processos de socialização.
Santos & Almeida (2001), apoiados por Wintre & Sugar (2000) a propósito das preocupações com questões relativas à prestação de apoios de cariz psicológico e pedagógico aos estudantes do ensino superior “classificam a adaptação à universidade como uma transição que, embora normal para os jovens que fazem essa opção vocacional, é geradora de stress, constituindo para os alunos menos resilientes uma fonte de solidão, desinteresse e, por vezes, de depressão” (ibidem:206).
Cunha & Carrilho (2005),já referidos, sustentados pelos resultados apresentados no estudo sobre o processo de adaptação ao ensino superior e o rendimento académico, concluem que “a universidade deve dar uma maior atenção aos novos alunos, implementando intervenções de apoio psicossocial de forma a minimizar os fatores de dificuldade na transição educacional e, assim, facilitar o sucesso académico” (ibidem:222).
Também Freitas, Raposo & Almeida (2007) demonstram que “o rendimento académico dos alunos no ensino superior, pelo menos ao nível dos alunos do primeiro ano, está mais associado ao seu backgound académico prévio à entrada na universidade do que às suas vivências e processos de adaptação ao ensino superior” (ibidem:186).
No prosseguimento do que já foi referido a transição dos estudantes do ensino secundário para o ensino superior constitui um momento crucial na sua trajetória académica, não se confinando, assim, a uma simples transição de ano letivo. A par das
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mudanças desenvolvimentais relacionadas com a transição da adolescência para o início da idade adulta, o ingresso no ensino superior, para a maioria dos estudantes, acarreta também mudanças não só ao nível académico, nomeadamente no que respeita às matérias a estudar e aos métodos e processos de ensino aprendizagem mas também a nível económico e social, e das redes de socialização.
Com efeito, vários estudos (Chickering, 1968; Chichering & Reisser, 1993; Astin 1993; Caires & Almeida, 2001; Almeida Soares & Ferreira, 2002; Almeida, Guisande, Soares & Saavedra, 2006; Soares, Almeida, Diniz & Guisande, 2006) revelam que os jovens no início da idade adulta confrontam-se com uma vasta rede de desafios que implicam fazer ruturas. Essas ruturas podem ser situadas ao nível das relações interpessoais, da redefinição do seu papel de estudante ao qual está associada uma maior autonomia e independência na aprendizagem, da gestão do tempo, do dinheiro, das atividades e de aspetos relacionados com o sucesso académico e com expetativas geradas aquando da sua entrada para o ensino superior.
Os estudos deixam claro que esse processo de transição exige aos estudantes o desenvolvimento de competências de adaptação ao novo contexto, e à nova realidade educacional. Fica também evidente que essas competências adaptativas do estudante podem ser melhor desenvolvidas se as Universidades cuidarem do processo de transição dos estudantes potenciando-lhes vivências académicas de acolhimento.
Nesta linha de preocupações e procurando uma avaliação de despiste das vivências académicas que poderão dificultar a integração e o ajustamento dos estudantes Almeida, Soares & Ferreira (2002) desenvolveram o Questionário de Vivências Académicas (QVA), “abarcando um conjunto alargado de dimensões pessoais, relacionais, académicas e institucionais da sua adaptação ao contexto universitário” (ibidem:82).
O estudo destes autores teve como objetivo construir, validar e apresentar uma versão reduzida do QVA, ou seja, o QVAr. Em sua opinião “a versão original do QVA, mais longa poderá ser usada quando se justifique uma informação mais diferenciada sobre algum aspeto específico dessa adaptação, sobretudo face às 17 dimensões aí representadas” (ibidem:90) e consideram que para efeitos de primeiro despiste a versão reduzida pode ser suficiente, é sempre necessário antes de adaptar o questionário que
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propõem ponderar os objetivos da avaliação, o grau de pormenor da informação que se pretende obter e os custos requeridos pela aplicação das diferentes versões.
Em síntese, como parece ficar claro pelos estudos convocados, a transição para o ensino superior é um processo complexo e multidimensional vivido, muitas vezes, isoladamente pelos estudantes, sobretudo por aqueles que se têm de se deslocar da sua área de residência, com ansiedade e receios. Representa, assim,um momento crucial na sua trajetória académica podendo repercutir-se, positiva ou negativamente, no seu rendimento académico e desencadear situações de abandono.