• Aucun résultat trouvé

Chapitre 3 Classification sémantique du LST nominal

3.2 Sémantique et typologie lexicale

3.2.2 Typologie lexicale

3.2.2.1 Classes de mots et propriétés

Um dos objectivos no desenvolvimento de estudos longitudinais, centra-se na identificação de padrões, de elementos que pela sua similitude suscitam a equação de classificações trajectoriais, representativas de um conjunto de indivíduos cuja sequência comportamental tende a manifestar-se do mesmo modo, enunciando assim um padrão desenvolvimental. O estudo longitudinal de trajectórias criminais, enunciadas pela experiência de vários indivíduos, pode traduzir, no plano estatístico, a enunciação de trajectórias modais, fundamentadas estatisticamente e susceptíveis de representarem a configuração e a tendência trajectorial de determinado grupo de indivíduos (Agra e Matos, 1997).

Nagin e Tremblay (2005a) referem que a análise de trajectórias de grupos é projectada tendo como objectivo a identificação de conjuntos de indivíduos cujas trajectórias se assemelham, constituindo tal exercício uma forma de produzir distinção entre grupos e de construir identidades que teriam uma correspondência directa com o plano da realidade onde existem. Tais distinções corresponderiam a um processo de diferenciação decorrente da própria realidade social, não sendo por isso uma

representação teórica e conceptual da realidade, mas a apresentação da própria realidade, das lógicas do processo desenvolvimental de cada trajectória de grupo e da correspondente etiologia.

Todavia, e na esteira de Raudenbush (2005), no estudo que apresentamos, a análise de trajectórias de grupos não deverá ser perspectivada como algo representativo da exactidão do real, mas de um processo de análise que tende a aproximar-se da complexidade da realidade onde efectivamente tudo se passa, e cuja captação de todas as variáveis presentes no desenvolvimento de determinado sentido trajectorial é em absoluto irrealizável. Registamos indícios, procedemos a operações de análise que nos permitem experimentar exercícios de co-relação oferecendo assim da aparente amálgama de elementos constitutivos da vida do indivíduo, significados sobre o que poderá ser o processo de delinquência.

A procura de identificação de padrões comportamentais a partir do desenvolvimento de estudos longitudinais, conduziu vários autores a enunciarem classificações, muitas vezes designadas de tipologias, relativas às diferenças trajectoriais que diversos grupos apresentam. A esse respeito denota-se um claro destaque na composição da estrutura das diversas categorias que compõem as várias tipologias, procedendo à distinção do comportamento delinquente circunscrito à fase da adolescência, entrada na fase da vida adulta, de outro tipo de categoria trajectorial que define o comportamento criminal como fenómeno que tende a prolongar-se para além da fase de adolescência, continuando ao longo da vida adulta.

LeBlanc (1986) distingue a actividade criminal de ocasião, e por isso pontual, da actividade criminal de transição, limitada à adolescência ou à fase adulta, de outras formas de carreiras criminais de intensidade variável. Fréchette e LeBlanc (1987) enunciam dois tipos de evolução da actividade delinquente na fase de adolescência, classificando-os como regressivo e extensivo. O primeiro, não obstante poder assumir uma intensidade elevada, reveste-se de alguma transitoriedade, constituindo-se muitas das vezes em experiências comportamentais expressivas do processo de adaptação do sujeito aos padrões da sociedade, que não chegam a desencadear sobre o indivíduo o processo estigmatizante de reconstrução da sua identidade, ficando a experiência delimitada à primeira fase da adolescência. O segundo, caracteriza-se pela precocidade e pela resistência aos processos de reacção social, revelando no decurso do seu desenvolvimento, determinado nível de

inadaptação do indivíduo face às convenções sociais, indício prenunciador de uma eventual continuidade delitiva na fase adulta.

No mesmo sentido, Moffitt (1993) distingue dois tipos de trajectórias delinquênciais – a limitada à fase de adolescência e a persistente ao longo da vida. O primeiro tipo caracteriza os indivíduos que tendem a manifestar comportamentos delinquentes apenas durante a fase de adolescência. Na trajectória limitada à fase de

adolescência, o acto transgressivo é gerado pela falta de maturidade e pela influência

negativa dos grupos de pares desviantes. Todavia, não obstante a experiência desviante, os indivíduos tendem a restringir a actividade delinquêncial à fase da adolescência, na medida em que durante o processo de socialização incorporaram capacidades pró-sociais que os reconduzem à normatividade. Por outro lado, o segundo tipo trajectorial tende a caracterizar indivíduos que manifestam comportamentos delinquênciais ao longo de toda a vida. A trajectória persistente ao

longo da vida é explicada mediante a acção sobre o desenvolvimento da formação do

indivíduo, de um processo de acumulação de desvantagens, que lhe afectarão a sua capacidade de adaptação à normatividade, decorrentes de deficits de natureza biológica e psíquica, da ordem neuropsicológica e de insuficiências relativas ao meio socioeconómico onde desenvolve a sua existência.

Patterson e Yoerger (1999) propõem uma tipologia composta por dois tipos de trajectórias preconizadas por indivíduos que tendem a iniciar a manifestação de comportamentos delinquentes, ora de forma precoce, ora tardiamente. Os indivíduos que tendem a iniciar precocemente o comportamento delinquente são aqueles que, atendendo às falhas ocorridas no processo de socialização e ao consequente envolvimento em grupos de pares desviantes, manifestam um baixo nível de autocontrolo, tendencialmente desenvolvem o comportamento criminal para além da fronteira dos limites da fase da adolescência, podendo tornarem-se criminosos de carreira. Por outro lado, os indivíduos que se iniciam tardiamente no comportamento criminal não revelam propriamente falhas graves no processo de socialização, mantendo por isso níveis de integração e de adaptação social normais. Em regra, iniciam as transgressões no final da fase da adolescência, e tal deve-se essencialmente à influência de determinados meios sociais e à influência negativa dos grupos de pares, factos cujo vínculo a um meio onde predomine a acção de supervisão por

adultos poderá obstar a que o indivíduo progrida no envolvimento em comportamentos anti-sociais.