1.4 Relation to parallel multiprocessor/multicomputer systems
1.4.1 Characteristics of parallel systems
De acordo com Bento (1987, p. 65) as UD ou temáticas “constituem
unidades fundamentais e integrais do processo pedagógico e apresentam aos
professores e alunos, etapas claras e bem distintas de ensino e aprendizagem.” Seguindo a linha de pensamento do autor, as UD são um conjunto de aulas, destinadas a um tema específico, que apresentam uma intenção de ensino com objetivos bem definidos.
As UD “são usualmente organizadas em torno de temas, problemas ou aptidões particulares que os alunos precisam adquirir.” (Popham & Baker, 1978, p. 8) Em EF estas divisões em UD são mais fáceis de compreender e captar, pois estão, geralmente, relacionadas com as modalidades que abordam, isto é, uma UD dedicada somente ao voleibol. No entanto, não significa que possua apenas uma UD por modalidade. Um exemplo concreto deste ano letivo foi a modalidade de Atletismo. Uma vez que teria de abordar várias disciplinas desta modalidade, estas foram dividas em três UD, separadamente, pois caso contrário, não teria aulas suficientes para lecionar todos os conteúdos planeamentos.
Todavia, é perfeitamente possível possuir duas UD a serem trabalhadas paralelamente. Este facto apenas ocorreu no final do ano letivo em que as aulas semanais se destinavam a UD diversificadas.
“Sendo esta UD compartilhada com o Torneio de Badminton…”
“Uma vez que a modalidade de dança já foi abordada no segundo período, o núcleo de estágio pediu ao professor cooperante para “partilhar” o tempo e o espaço destinado à lecionação de dança com outra modalidade, além da natural partilha com a aptidão física.”
(Excerto retirado da justificação da UD 2 de Dança)
A UD não pode ser a mera distribuição de conteúdos pelo número de aulas que a constituem. A sua elaboração pressupõe que o tempo de ensino seja “utilizado racionalmente, uma vez que existe clareza acerca daquilo em que nos devemos concentrar e que devemos alcançar em cada aula” (Bento, 1987, p. 68). Por outras palavras, que seja percetível a função didática em vigor em cada aula, compreender a articulação da matéria explícita no quadro de Vickers, através de uma grelha onde é apresentada a extensão e sequência da matéria, correspondente ao Módulo 4 do MEC.
Desta forma, a elaboração da UD não se prende apenas com a escolha dos conteúdos a lecionar, é importante que seja construída uma sequência lógica de apresentação dos conteúdos, promotora de experiências significativas, pois como Bento (1987, p. 67) defende, “um planeamento da unidade temática tem de ser algo mais do que a distribuição da matéria pelas diversas aulas”. Seguindo o raciocínio do autor, o planeamento das UD não se deve centrar ou orientar preferencialmente para a matéria que aborda mas sim para o desenvolvimento dos alunos, nos vários domínios: habilidades motoras, fisiologia do treino e condição física (capacidades), cultura desportiva (conhecimentos) e conceitos psicossociais (atitudes).
Tal como foi mencionado anteriormente, a extensão e sequência da matéria pode ser realizada segundo duas estratégias destintas, da base para o topo (bottom-up) e do topo para a base (top-down) (Vickers, 1990). Por norma, para a abordagem de modalidades de caracter individual e mais tecnicista, onde a componente tática não tem tanta visibilidade, é empregada a primeira estratégia.
“Sendo o atletismo uma modalidade essencialmente técnica, os conteúdos serão abordados da base para o topo, onde se começa por abordar os conteúdos/ habilidades mais básicas e se vai progredindo de forma sequencial até aos conteúdos/habilidades mais complexas, ou seja, construir e desenvolver estratégias e técnicas simples encadeadas para alcançar os conteúdos mais complexos seguindo um processo linear. No meu entender, esta é e melhor forma de estimular a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos nesta unidade didática.”
(Excerto retirado da justificação da UD 1 de Atletismo)
Quando falamos de modalidades, como por exemplo os JDC, onde a componente tática se sobrepõe à técnica, sendo esta última utilizada em prol da primeira, dá-se preferência a uma abordagem do topo para a base. Graça & Mesquita (2009, p. 153) defendem esta ideia quando afirmam que a “aprendizagem da técnica é ditada pelos problemas correntes do jogo, na medida em que não faz sentido saber fazer do ponto de vista técnico o que o jogo não pede a nível táctico. À medida que o jogo praticado vai evoluindo e cria mais problemas, o conhecimento táctico é incrementado, bem como a integração intencional e apropriada das habilidades técnicas.”
De acordo com Mesquita (2009) o treino da técnica deverá ocorrer em situações diversificadas que permitam aos alunos explorar novas situações e através dos erros cometidos realizar novas aprendizagens, nomeadamente a razão que ocasionou o erro. Só desta forma o aluno compreenderá a aplicabilidade da ação técnica como ferramenta de uma exigência tática do jogo, ou seja, “compreender o que faz e porque faz” (Mesquita, 2009, p. 168), promovendo-a de um sentido.
“É de ressalvar que procurarei introduzir todos os conteúdos a partir do jogo, uma vez que este é o expoente máximo da modalidade. Daí que, sendo um jogo desportivo coletivo, onde a
tática predomina em relação à técnica, a sua abordagem será do topo para a base, o que pressupõe que as habilidades sejam introduzidas para colmatar as dificuldades sentidas em jogo.”
(Excerto retirado da justificação da UD de Futebol)
A escolha da estratégia adotada não tem só a ver com a modalidade em questão mas também com a experiência e à vontade do professor com a mesma, pois a segunda é mais difícil de concetualizar devido à necessidade de “ver o todo”, i.e., a compreensão do jogo, dança ou atividade de um modo global (Vickers, 1990).
“A relação “matéria-tempo” coloca um dos principais problemas na práxis do ensino.” (Bento, 1987, p. 69) O tempo é uma questão fulcral nos processos de planeamento e também de realização, pois é um dos pilares sobre o qual assentam estes processos. Há que analisar o tempo disponível para a UD e a partir deste, construir uma sequência e extensão da matéria lógica e ajustada.
“Torna-se muito difícil abordar todos os conteúdos planeados num espaço tão curto de tempo.”
(Excerto retirado da reflexão da UD de Basquetebol)
Suscetíveis de ocorrências de imprevisibilidades, por fatores muitas vezes externos ao professor ou até mesmo ao estabelecimento de ensino, as UD necessitam de ser flexíveis e mutáveis.
“Uma vez que houve necessidade de adaptar várias aulas devido a condições climatéricas adversas…”
(Excerto retirado da reflexão da UD 1 de Atletismo)
“Além do “imprevisto” anteriormente descrito [repetição dos testes de terreno para o estudo realizado no âmbito do RE], esteve inerente o facto de na primeira aula da UD alguns dos alunos da turma terem saído em visita de estudo, informação essa
que me foi transmitida pelos mesmos com pouco tempo de antecedência.”
(Excerto retirado da reflexão da UD 2 de Badminton)
Por vezes, estas ocorrências (quando externas ao professor), poderão ser comunicadas com antecedência, proporcionando ao professor espaço de manobra para adequar a UD no momento da sua elaboração, ou mesmo durante o seu decorrer, ainda que, não tenha sido tido em conta no planeamento anual.
“É de salientar que os alunos possuem uma visita de estudo a Sintra no dia 30 de Janeiro, tal como foi dito inicialmente, pelo que é provável que nenhum ou poucos alunos compareçam à aula. Desta forma, esta aula será planeada para que os alunos que compareçam possam exercitar as coreografias e esclarecer as suas dúvidas no âmbito da modalidade ou da disciplina de EF em geral.”
(Excerto retirado da justificação da UD 1 de Dança)
“… a segunda aula desta UD não se concretizou tal como estava planeada, uma vez que os alunos tiveram teste intermédio de Matemática à hora da aula.”
(Excerto retirado da reflexão da UD 2 de Dança)
De acordo com Bento (1987, p. 68) “também o desenvolvimento de atitudes e comportamentos (…) requerem uma configuração correspondente do ensino”.
“O programa avança ainda que os alunos deverão ser capazes de cumprir o regulamento quer como praticantes quer como juízes.”