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7.4 Simulations num´eriques

7.4.3 Cas de fronti`eres non ´etanches

Estudos sobre metodologias de pesquisa em gerenciamento de projetos geralmente identificam o positivismo como o paradigma dominante e sugerem uma ida a paradigmas mais interpretativas (BIEDENBACH; MÜLLER, 2011).

É importante frisar que o gerenciamento de projeto foi criado em um paradigma positivista. Isso teve implicações no desenvolvimento da gestão ao longo do tempo (LACERDA; ENSSLIN; ENSSLIN, 2011).

O posicionamento positivista pressupõe, de acordo com Marques Junior e Plonski (2011), que a realidade existe e pode ser observada, permitindo assim definir uma referência de melhores práticas, buscando a generalização para estabelecer princípios ou leis que regem um fenômeno.

Segundo a finalidade é uma pesquisa aplicada, pois é um estudo elaborado com a proposta de resolver problema identificado no âmbito da sociedade em que o pesquisador vive. Trata-se de uma pesquisa voltada à aquisição de conhecimentos, à aplicação numa situação específica (GIL, 2010). A pesquisa focaliza apenas o EGP do Ministério Público.

Segundo os objetivos mais gerais ou propósitos, a pesquisa pode ser classificada como exploratória e descritiva (GIL, 2010; GIL, 1994).

A pesquisa exploratória, de acordo com Gil (2010), proporciona maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito, tendo planejamento bastante flexível, pois interessa considerar os mais variados aspectos relativos ao fato

ou fenômeno estudado. Muitas vezes é realizada em área na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado, e por sua natureza de sondagem, não comporta hipóteses que, todavia, poderão seguir durante ou ao final da pesquisa (VERGARA, 2007).

Para Flick (2009), ela é normalmente o passo inicial no processo de pesquisa e um auxílio que traz a formulação de hipóteses significativas para posteriores pesquisas, tendo por objetivos familiarizar-se com o fenômeno ou obter nova percepção do mesmo e descobrir novas ideias. Para tanto, realiza descrições precisas da situação e quer descobrir as relações existentes entre os elementos componentes da mesma.

A pesquisa descritiva, de acordo com Cervo, Bevian e Silva (2007), observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos sem manipulá-los, procurando: descobrir a frequência com que um fenômeno ocorre, a relação e conexão com outros, a natureza e características; conhecer as diversas situações e relações que ocorrem no comportamento humano, tanto do indivíduo tomado isoladamente como de grupos e comunidades mais complexas. Procura expor características de determinada população ou de determinado fenômeno, estabelecendo correlações entre variáveis, não tendo compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação (VERGARA, 2007). Para Gil (2010), ela tem como objetivo a descrição das características de determinada população, além de identificar possíveis relações entre variáveis.

Segundo os métodos empregados é um estudo de caso (GIL, 2010; GODOY, 1995), pois procura analisar o objeto profundamente.

O propósito fundamental do estudo de caso é analisar intensivamente uma dada unidade social (GODOY, 1995), investigando um determinado indivíduo, família, grupo ou comunidade que seja representativo do seu universo, para examinar aspectos variados de sua vida (CERVO; BEVIAN; SILVA, 2007). Consiste no estudo profundo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento (GIL, 2010), sendo caracterizado por ser um estudo intensivo, levando em consideração, principalmente, a compreensão, como um todo, do assunto investigado (FACHIN, 2005).

Estudo de caso é o circunscrito a uma ou poucas unidades, entendidas essas como pessoa, família, produto, empresa, órgão público, comunidade ou mesmo país, tendo caráter de profundidade e detalhamento (VERGARA, 2007). O direcionamento desse método é dado na obtenção de uma descrição e compreensão completas das relações dos fatores em cada caso, sendo o número de casos reduzido a um ou inúmeros elementos - como grupos, subgrupos, empresas, comunidades, instituições e outros. Além de ser importante para detectar novas relações, alguns estudos podem ser auxiliados com o apoio de formulário para explicar a sistemática das coisas (fatos) que ocorrem no contexto social e geralmente se relacionam com uma multiplicidade de variáveis (FACHIN, 2005).

Existe uma crescente utilização do estudo de caso no âmbito científico com diferentes propósitos, tais como: explorar situações da vida real cujos limites não estão claramente definidos; preservar o caráter unitário do objeto estudado; descrever a situação do contexto em que está sendo feita determinada investigação; explicar variáveis causais de determinado fenômeno em situações muito complexas que não possibilitam a utilização de levantamentos e experimentos (GIL, 2010).

De acordo com Yin (2001) “o estudo de caso é apenas uma das muitas maneiras de se fazer pesquisa em ciências sociais”. O autor destaca que assim “como outras estratégias de pesquisa, representa uma maneira de se investigar um tópico empírico seguindo-se um conjunto de procedimentos pré-especificados”.

Yin (2001, p. 27) ainda destaca que:

O estudo de caso é a estratégia escolhida ao se examinarem acontecimentos contemporâneos, mas quando não se pode manipular comportamentos relevantes. O estudo de caso conta com muitas das técnicas utilizadas pelas pesquisas históricas, mas acrescenta duas fontes de evidências que usualmente não são incluídas no repertório de um historiador: observação direta e série sistêmica de entrevistas.

Quanto à forma de abordagem, é qualitativa e quantitativa. A combinação entre pesquisa qualitativa e quantitativa, de acordo com Flick (2009), cristalizou-se enquanto perspectiva, sendo discutida e estabelecida em diferentes níveis: epistemologia (e incompatibilidades epistemológicas) e metodologia; planos de pesquisa que combinem ou integrem o uso de dados e/ou de métodos qualitativos e

quantitativos; métodos de pesquisa que sejam tanto qualitativos quanto quantitativos; vinculação das descobertas da pesquisa qualitativa às da quantitativa; generalização das descobertas; avaliação da qualidade da pesquisa – aplicação de critérios quantitativos à pesquisa qualitativa ou vice-versa.

Na pesquisa quantitativa são exploradas características e situações através de dados numéricos obtidos com mensuração e estatísticas (MOREIRA; CALEFFE, 2006; OLIVEIRA, 1997). Ela se apoia na experimentação, mensuração e controle rigoroso dos dados, tendo a objetividade garantida por instrumentos e técnicas de mensuração (PÁDUA, 2004).

Na pesquisa qualitativa os textos tornam-se a base do trabalho interpretativo e das inferências feitas a partir do material empírico como um todo. O ponto de partida é a compreensão interpretativa do texto uma vez que estas podem aparecer tanto na forma transcrita quanto na forma de outros documentos. De um modo geral, o objetivo consiste em compreender e em abranger cada caso (FLICK, 2009).

As combinações mais frequentemente estabelecidas entre as duas abordagens ocorrem por meio da associação dos resultados das pesquisas qualitativa e quantitativa no mesmo projeto ou em projetos distintos, um após o outro ou simultaneamente (FLICK, 2009). Entende-se que a utilização da combinação entre pesquisa qualitativa e quantitativa pode trazer um resultado mais consistente para a análise realizada no presente trabalho.