3.5 Comparaison entre XRT et MXT
4.1.6 Bruit de fond attendu
As organizações existem dentro de ambientes incertos e turbulentos, ou previsíveis e inalterados (CERTO, 2010, HALL, 2004; MOTTA, 2008). As estruturas organizacionais, o processo de liderança e os sistemas de controle irão variar de acordo com o ambiente (QUINN et al., 2012). Mintzberg (2003) critica as imagens altamente sistemáticas representadas nos princípios de administração e alerta que os gestores vivem em ambientes altamente imprevisíveis e tem pouco tempo para planejar e organizar. As demandas do ambiente exigem dos gestores decisões imediatas.
Wood Junior (2002) considera que as organizações são sistemas abertos e devem encontrar uma relação de interdependência apropriada com o ambiente para viabilizar sua sobrevivência. Ratificando este pensamento, Bethlem (2004) destaca que o ambiente de uma empresa pode ser dividido em fronteiras, em regiões, mercado ou ramos de atividades.
A corrente que discute o ambiente e que foi retratada pela Teoria da Contingência com Burns e Stalker (1961), correlacionando o ambiente e as características das organizações, e por Joan Woodward (1965) com enfoque diante dos impactos da tecnologia na estrutura. Posteriormente, Lawrence e Lorsch (1973) enfocam a criação por parte das empresas do diferencial competitivo capaz de estabelecer atratividades aos clientes. Essa demanda advém das mudanças e diversificação de mercados que exigem uma postura antecipativa e de flexibilidade.
A orientação com enfoque para o ambiente revela-se imperativa e é unanimidade na literatura. As organizações nesse contexto estão ávidas de respostas diante daquilo que pouco pode obter. Pela incerteza, volatilidade e ambiguidade, torna-se difícil não somente a compreensão como as respostas. Martins e Pereira (2008?) em pesquisa realizada no setor
têxtil com empresas longevas identificaram práticas de gestão utilizadas nas empresas, com forte viés de mercado, com construção de planejamento voltado para o desempenho e foco no crescimento estando à mercê do fator econômico.
O dicionário da administração passa a se configurar fora do subsistema e a valorização dos fenômenos do ambiente de negócios se agiganta e as evidências das organizações são diferentes – em tamanho, objetivo, tempo de existência. As teorias mais recentes caracterizam-se por enfocar os aspectos estruturais e aspectos relacionais e políticos do ambiente: teoria de ecologia populacional, a perspectiva das organziações em rede, teoria da dependência de recursos, teoria dos custos de transação e a teoria neo-institucionalista.
[...] Para a teoria da ecologia populacional são os fatores do ambiente que determinam a sobrevivência de populações de organizações de certo tipo em dado ambiente. A organização tem pouca influência na determinação do seu destino, tendendo à inércia e à preservação de suas estruturas [...] a perspectiva das organizações em rede analisa os aspectos relacionais e políticos relativos à formação de redes e à criação de vínculos entre organizações. O ambiente é considerado um conjunto de organizações interconectadas baseadas em elementos e interesses comuns. A teoria da dependência de recursos foca também o estabelecimento de vínculos e links entre organizações, dentro de perspectivas de que as organizações buscam controlar recursos escassos dos quais dependem para sua sobrevivência. A neo-institucionalista oferece uma perspectiva teórica complexa com base na qual analisa como os modelos e símbolos são institucionalizados em dado ambiente passando a ser fonte de legitimidade e recursos para as organizações [...] a teoria dos custos de transação retrata que um dos principais objetivos das organizações é minimizar os custos envolvidos nas trocas de recursos com o meio ambiente e com as outras organizações, economizando tempo e recursos [...] mostra que os indivíduos, bem como os grupos organizacionais, possuem uma capacidade limitada de obter e interpretar informações. Dessa forma, quanto mais complexo e incerto for o ambiente, quanto mais rápidas forem as mudanças, maiores serão as dificuldades para obter e processar informações e negociar; consequentemente, maiores serão os custos de transação (MOTTA, 2008, p.369).
A verificação de fronteiras do sistema, particulamente a interface entre sistemas externos e internos, e a determinação das relações dos vários subsistemas trazem contribuição direta para a administação como forma de repensar seus conceitos e aplicações nos processos organizacionais. Nessas abordagens, os fenômenos organizacionais não se restringem aos fatores controláveis e postulados reducionistas, uma vez que se eleva o papel do ambiente com suas diversas facetas incotroláveis. Fazendo um trocadilho com a dinâmica ambiental e os gestores, Geus (1998) relata que cenários relevantes, trazidos ao nível do “ator individual”, ajudam os gerentes e sua equipe a investigar o terreno e ver o panorama mais amplo. O cenário exige uma nova mentalidade dos gerentes, com visões e ideias relativas ao tecido organizacinal diferenciada e a “paisagem” os ajudam a nela reconhecer aspectos novos e
Rodriguez y Rodriguez (2011) afirmam que a necessidade de mudar o foco do elemento ou da peça para o todo representa o desenvolvimento de uma visão sistêmica. A crescente interdependência entre as condições mutáveis de limitação corporativa e a sociedade evidencia esse fenômeno como ascendente nas problemáticas no ambiente de negócios.
Os meios tradicionais empregados para medir a eficácia organizacional não refletem adequadamente os fatores determinantes da longevidade e consequentemente do êxito organizacional (ARRUDA et al., 2007; COLLINS, 2006). Pelo contrário, estes critérios fornecem parcelas estáticas de tempo rendimento e de satisfação, que podem ser irrelevantes, segundo confirma Dalsasso (2010).
A controvérsia em torno da maximização e satisfação desviou a atenção de problemas mais cruciais, como a questão de manter-se viva e em crescimento constante. Robbins (2005) critica a visão imediatista das organizações, já que se sobrepôs a irrefutável necessidade de vida longa. Contudo, as exigências paradoxais, as organizações em seus subsistemas podem criar valores que permitam adaptabilidade às infinitas exigências.
Montana e Charnov (2010) afirmam que as mudanças nos métodos de produção provocam modificações no número de funções de trabalho, na distribuição destes entre as funções e na relação de ambos. Mundialmente, esses fenômenos ocorridos na trajetória do processo de produção, têm conduzido inúmeras pesquisas na busca de compreender as variações das formas correntes de prática e de comportamento organizacional (NICOLSKY, 2001).
A visão sistêmica e contingencial da administração se legitima na complementaridade e integração, uma vez que aceita tanto abordagens tradicionais como as contemporâneas, priorizando o momento e a situação em que está inserida o ambiente corporativo. Castor (2009) destaca que uma MPE pode ser perfeitamente competitiva, desde que seja capaz de identificar corretamente qual o valor que seus recursos lhe permitem criar e em que nichos de mercado existem clientes e consumidores interessados.
Em destaque, variáveis contingenciais associadas às dimensões organizacionais das MPEs.
DIMENSÕES VARIÁVEIS CONTINGENCIAIS
Estrutura
-Arquitetura organizacional – remodelagem corporativa, do negócio e
construção da funcionalidade administrativa enxuta; Funções (redesenhadas) e papéis (expectativas mútuas). Sistema organizacional ágil, flexível e empoderado.
Comportamento
-Universo individual – as divergências latentes de características, potenciais e
pensamentos, inerentes às pessoas. Desejo de crescimento, autonomia e tolerância são expectativas que corroboram para as ambiguidades. Necessária fonte de inventividade, capacidade crítica, otimização e sensibilidade permeadas com as pessoas. Evidência de dilemas éticos.
Estratégia
-Intervenção e adaptação – estratégia intencional de mudança, projetada no
tempo, oportunidade e foco. Interface com ambiente, dominância da informação e percepção da cultura. Criação de crises e presciência.
Tecnologia
-Tecnologia de processos - fator imperativo, agregar para o alcance de seus
propósitos, esboçar as rotinas com creditação das pessoas e do incremento tecnológico. Interface com inovação, produtividade e interconectividade. Ambiente
-Incerteza ambiental – a precariedade das mudanças políticas, tecnológicas,
socioculturais e econômicas limitam o processo administrativo. A imperfeição ambiental cria crises internas. Visão global de sustentabilidade (econômica, social e ambiental).
Quadro 16 - Dimensões organizacionais e variáveis contingenciais.
A empresa “viva” precisa de um novo governo, cada vez menos empresas viverão
e trabalharão em um ambiente sobre o qual exerçam controle em alto grau (GEUS, 1998, p.189). Mintzberg (1984) critica a aplicação da burocracia mecânica nas organizações em razão da turbulência do ambiente tornando esse modelo inadequado e sem possibilidades de responder ao mercado.
Os recursos empresariais disponíveis são inversamente proporcionais às exigências de mercado e a disposição dos entes próximos do cotidiano da organização. O concorrente ao mudar e estabelecer ações estratégicas de prospecção no mercado, eleva as oscilações das mudanças além da incerteza ambiental, que emergem sobre a empresa. Esse resultado inevitavelmente acarretará crises internas, contrastando-se com o processo administrativo posicionado pela empresa. Nesse caso, a capacidade da empresa frente ao ambiente é limitada.
Miotto e Oliveira (2003) apontam as crises como a identificação das fragilidades a que está sujeita a empresa, crises como as potencializadas pelas alterações ambientais e a influência da tecnologia, podem tansformar a organização. A tecnologia flexível permite que as empresas se diferenciem em produtos e serviços pelo baixo custo.
Dessa forma, afirma Peng (2008, p. 54) “o nome do jogo pode ser personalização
em massa, a busca simultânea de liderança em custos e diferenciação”. A categorização do desdobramento das dimensões organizacionais: arquitetura organizacional, o universo
individual, a intervenção adaptativa e a tecnologia de processos serão testados, condenados ou reverenciados nessa dramaturgia do sistema - empresa e mercado.
Um aspecto relativo às MPEs abordados por Martins e Pereira (2008?) em relação às práticas de gestão utilizadas pelas empresas longevas diante da incerteza ambiental, são classificadas hierarquicamente como: conhecimento de mercado, liderança, inovação constante, valorização das pessoas, processo sucessório, senso de indentidade e cultura arraigada.
A sustentabilidade é evidenciada por Arruda et al. (2007) como fator de relevância
para que a “empresa duradoura” obtenha competitividade. Desenvolver um agudo senso de
percepção do ambiente, da conjuntura, conhecer e compreender os mecanismos de mudança são os fatores fundamentais para seguir esse novo caminho (WOOD JÚNIOR, 2002, p.29). Trata-se de uma interferência no proceso evolucionário da empresa através da indentificação de situações problemáticas. Mas, o aprendizado contínuo consiste em um enfoque exploratório não apenas para descoberta de problemas, mas para solucioná-los (CERTO, 2010; DONADONE et al., 2012; MOTTA, 2001). Nesse sentido, a reação adaptativa representa uma resposta planejada a problemas organizacionais.
Num passado remoto, quando muitas atividades se restringiam ao nível pessoal ou ao contexto organizacional, as formas de administrar eram discricionárias, previsíveis e controladas, tornando-se ilusoriamente simplórias. O comportamento organizacional, desde então, se tornou crescentemente complexo e sujeito às influências ambientais.