2 Subventions spécifiques
2.1 Ajustements particuliers
2.1.23 Bourses d’excellence aux futurs enseignants
A pesquisa sobre a história da educação em Barão de Grajaú foi uma tarefa extremamente difícil. Houve momentos em que tínhamos a impressão de estar penetrando uma caverna, na tentativa de explorá-la. Como um desbravador, porém, jamais pensamos em recuar. Seguindo cuidadosamente, com olhos e mente atentos, as pistas que nos eram oferecidas, aos poucos, avistamos alguns raios de luz indicando o caminho a seguir por uma pequena abertura e nos dando o norte. Conseguimos, ao final, tecer algumas reflexões que nos permitem fazer algumas considerações finais.
É possível asseverar que, embora o Maranhão participasse dos acontecimentos e da grande efervescência sociocultural em que o Brasil se encontrava nas décadas de 1940 a 1970, embora tudo se processasse de modo muito mais intenso, o Município de Barão de Grajaú, pela sua distância da Capital, São Luis, e pelo seu isolamento em razão das precárias condições das estradas, ficava como área não alcançada pelas iniciativas do governo maranhense e, mesmo, do que ocorria na Capital. Conquanto localizado às margens de um dos principais rios do Nordeste, a sua vocação econômica era diferente do resto do Maranhão, considerando-se que o Estado não precisou do Município para escoar seus produtos. Taivez por isso o Município não tenha se desenvolvido, como também não evoluiu no campo educacional. As famílias mais ricas tinham poucos recursos e alguns chefes dessas famílias não haviam sequer frequentado uma sala de aula ou aprendido a ler. Desse modo, mesmo instalado como ponto intermediário para o comércio entre o sertão maranhense e o Piauí, Barão de Grajaú não obteve muito
progresso, quanto comparado com o que ocorria em outras localidades e regiões do País.
A estrutura do sistema de ensino apresentava muitas deficiências. As poucas tentativas de melhoria educacional foram improdutivas, já que “o novo” se restringia à contratação de professoras, visando ao crescimento da oferta de vagas, portanto, sem oferecer condições necessárias de funcionamento, uma vez que não ampliava espaço para a realização das aulas.
Até 1960, mesmo com toda a efervescência da política educacional, que discutia o princípio da democratização com vistas à popularização do ensino, na Sede do Município de Barão de Grajaú, funcionava apenas uma escola primária. Diante da carência de escolas no Município, havia dois caminhos a seguir: um era a recorrência à figura do professor particular ou mestre-escola e o outro era sair em busca de escolas noutra cidade.
Graças à proximidade com a cidade de Floriano, no Piauí, a qual recebia maiores atenções do governo do Estado, o Município de Barão de Grajaú não ficou de todo isolado das transformações políticas, sociais, econômicas, educacionais e ideológicas em curso, porque recorria àquela cidade na tentativa de acompanhar todo o processo de mudanças que o país atravessava.
A mobilização pela educação popular, os progressos no setor viário e o desenvolvimento comercial nos anos de 1940 a 1967 alteraram a rotina no Município de Barão de Grajaú, e, embora tímidos, alguns avanços foram notados também na esfera educacional, ressaltando que Barão de Grajaú recebeu esse beneficio circunscrito apenas ao ensino primário.
Após 1960, conforme as fontes consultadas, é possível notar a presença de grande parcela da população frequentando a escola primária. Ao completar o ensino primário, como não existia ginásio em Barão de Grajaú, os estudantes baronenses tinham por opção se deslocar para a rede de ensino na cidade de Floriano. Seria simples imaginar um trajeto normal de casa à escola, feito por aqueles alunos, porém a existência de um rio, cuja travessia não era tão simples como se pode pensar, representava também uma grande despesa para as famílias, considerando que, naquela época, em uma cidade pequena e pobre, o aluno tinha que pagar transporte diário para chegar à escola, o que revela o enorme esforço despendido por aqueles pais, que acreditaram no potencial dos seus filhos, e nos filhos, que assumiram e cumpriram a vontade dos pais.
A saída desses grupos de estudantes, diariamente, para as escolas na cidade de Floriano mostra o distanciamento e o descaso político para com a necessidade de escolas no Município, o que poderá ter contribuído, por sua vez, para o atraso da educação escolar baronense. É possível também compreender que os primeiros administradores, formados por pessoas de outras cidades maranhenses e de Estados como Piauí e Ceará, atraídos pela atividade comercial que florescia em Floriano, não tentaram recursos para melhorar o sistema educacional em Barão de Grajaú. Assim, essa dependência educacional foi uma herança dos primeiros tempos de Barão de Grajaú e foi passada de geração a geração. Os baronenses não refletem sobre a sua não-identidade cultural, nem mesmo se reconhecem, como maranhenses ou piauienses. A população acomodou-se à situação de dependência do sistema escolar da vizinha cidade, que, por sua vez, era bem aparelhado e de boa qualidade.
Diante do que foi apresentado, nas décadas de 1940 e 1950, os estudantes que migravam de Barão de Grajaú pertenciam a famílias com melhor poder aquisitivo, procurando, inclusive, se integrar às famílias ricas de Floriano. A partir de 1960, famílias mais humildes também recorreram aos serviços educacionais na vizinha cidade. Foi possível, também, verificar como essa prática contribuiu para maior afinidade cultural dos baronenses com os piauienses do que com os maranhenses.
A relação entre as forças de expulsão e atração que motivou a migração demonstra que a dependência de uma cidade em relação a outra ocorreu por fatores políticos e estruturais que envolvem processos de formação da rede urbana, considerando-se que os bens e os serviços de maior procura estão concentrados em algumas cidades. Essa concentração gera a distinção nos serviços oferecidos e, até mesmo, carências de acesso, dentre elas o de educação, onde as pessoas interessadas por maior aprimoramento intelectual tendem a sair, atraídas por esses serviços, quando não oferecida no local onde reside.
As memórias dos entrevistados nos revelaram a importância do rio Parnaíba no cotidiano escolar, deixando entrever a magia contagiante que a travessia diária do rio lhes proporcionava. Era uma combinação de alegria e medo. Elas completam e dão forma ao entendimento sobre o sentido cultural daquele deslocamento diário. Afinal, a história é feita por pessoas comuns e essas pessoas ajudam agora, no presente, a organizá-la e a registrá-la para que não desapareça no futuro.
Muitos nomes ligados á educação que não foram citados podiam ser incluídos com suas memórias, não fosse a premência do tempo para a realização
deste trabalho. Citamos, porém, o nome de um baronense - Eleutério Rezende - um amante da cultura, da música e das artes, que, no campo da educação, se destacou como professor em escolas de Floriano e compositor de músicas para estabelecimentos educacionais nas duas cidades.
A história e a memória da educação de Barão de Grajaú, aqui estudadas, é muito rica e variada, podendo ser trabalhada sob outros recortes e abordagens. Por acreditar na importância de um trabalho dessa natureza, diante de uma realidade preste a desaparecer, por estar sendo superada pelo curso dos acontecimentos presentes, esperamos haver despertado o interesse pelo conhecimento histórico da relação educacional entre as cidades de Barão de Grajaú e Floriano, com o intuito de não apenas reproduzir, mas também, de refletir criticamente sobre o sentido e os efeitos socioculturais desta relação, especialmente no que se refere à formulação identitária dos baronenses e à distribuição desigual de benefícios e oportunidades educacionais inscrita na história das políticas educacionais no Brasil.