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A conceituação metodológica da Análise Regional, segundo Corrêa (1987, p. 49), remonta do século XVII. Para evitar dubiedade no entendimento, o autor esclarece as funções da Análise Regional antes e depois dos anos 1970. Antes das mudanças na produção da pesquisa geográfica, a análise regional tratava do estudo do todo complexo e constitutivo da região. Depois a análise regional ressurgiu como um conjunto de técnicas de sistematização espacial que coloca em evidência fenômenos específicos da região ou definidos por outros critérios como a polarização. Tanto antes quanto depois da “cientifização” das disciplinas, Corrêa (1987), afirma que a análise regional foi e é sinônimo da Geografia Regional.

A espacialização regional tem sua importância prática como instrumento de governança e, desde os anos 1990, se consolidou como método científico, político e administrativo, através dos conceitos de desenvolvimento e planejamento regional. O enfoque regional se caracteriza por sua concepção geográfica de aplicação da espacialidade e uso da territorialidade, para identificar e mensurar as condições espaciais de lugares e regiões.

A Geografia Regional é uma disciplina cuja finalidade é elaborar e difundir o conhecimento dos diversos aspectos regionais que ocorrem. Segundo Moreira (2009), a análise dos dados quantitativos permite sistematizar e analisar as relações funcionais, estruturais e os sistemas de associação espacial. Essa sistematização abrange os setores sociais, econômicos e políticos, para analisar os efeitos espaciais desde o modo de produção ao modo de consumo, passando pela totalidade dos fenômenos sociais na sua expressão espacial.

Os estudos de determinação da importância espacial dos diferentes setores econômicos, constituem o fundamento da análise regional, cuja metodologia foi sistematizada pelo economista americano Walter Isard, em 1956. A ciência regional propõe análises quantitativas das diferenças e similitudes de recortes específicos do espaço geográfico (ROJAS, 2007, p.81). Devido às relações sociais, os estudos de análises regionais incluíram as atribuições qualitativas dos dados nos resultados das

pesquisas. Essa pluralidade, que resultou do avanço da modelagem e das novas técnicas de regionalização, é um avanço no marco teórico-metodológico, que vem promovendo o destaque da disciplina e de novas produções cientificas desde o final do século XX.

A partir do ponto de vista metodológico de manipulação de dados quantitativos, cabe à análise regional combinar com técnicas qualitativas os valores numéricos e as informações estatísticas, para sustentar as experiências e percepções dos agentes de transformação regional. O resultado da união destes fatores mostra a singularidade de cada região e do seu entorno, que pode substanciar a explicação de um centro urbano à margem de áreas polarizadas, apresentando massas iguais ou próximas ou escolher um polo mais distante em relação a outro mais próximo.

A área do conhecimento conhecida como Análise Regional ou Ciência Regional abarca diversas ciências, tais como Geografia, Economia, Ciências Sociais, Administração, Marketing e todas as demais que estudam a espacialização de fenômenos sociais ou naturais. Ao demonstrar a existência relacional entre localidades, Isard (1956) introduziu a dimensão espacial nos estudos econômicos e a Geografia, neste período de cientifização, fez uso da Análise Regional como ferramenta para os estudos espaciais de regionalização, localização, decisões das atividades produtivas e de uso do solo em região.

1.3.1 A síntese da localização espacial de Walter Isard

A obra literária Localização e Economia Espacial, publicada em 1956, de autoria do economista norte-americano Walter Isard, propôs um modelo econômico preocupado com a minimização dos custos de produção e áreas de abrangência do mercado, considerando as variações espaciais que influenciam a composição da receita. Para Isard, segundo Ferreira e Lemos (2000), os custos com o transporte eram o principal fator na definição das regras de distribuição espacial da atividade econômica.

Segundo Diniz (2009), Isard, a partir da publicação do livro Métodos de análise

regional e inter-regional, em 1960, consolidou um conjunto de técnicas de análise

alemã e francesa e adaptadas ao pensamento econômico neoclássico. Entre elas está o modelo gravitacional.

Walter Isard focou seu trabalho na fricção da distância, principalmente no fator transporte, introduzindo o conceito de insumo de distância na composição final do custo de produção. De acordo com Diniz (2009), para o custo de produção calcula-se o insumo de distância na movimentação de um peso unitário sobre uma unidade de distância. O custo deste insumo é a taxa de transporte em escala. Com aumento do peso dilui-se o custo unitário por distância e com o aumento da distância aumenta o custo unitário em proporção. São os custos da fricção que se deve buscar reduzir para o menor nível possível, com minimização dos custos de transporte e tarifas mais flexíveis e realistas para se atingir a localização ótima.

Ao sintetizar as teorias de localização das regiões polarizadas, buscando um equilíbrio espacial, Isard produziu modelos de localização, ordenamento de pontos de produção e zonas de mercado. Estas técnicas constituíram a Ciência Regional.

1.3.2 A análise regional na Geografia

A abrangência dos estudos de Análise Regional na Geografia, segundo Corrêa (1987), está no estudo do conteúdo da região, com base na interação entre as atividades sociais e econômicas. Na visão de Friedmann (1960, p. 34), essas atividades se realizam e se direcionam para os centros urbanos e intensificam o fluxo na direção de um centro. Busca-se, então, identificar o centro polarizador regional para, em seguida, identificar e hierarquizar os centros urbanos e suas áreas tributárias e elaborar o recorte regional polarizado. Desta forma, a região é definida pela classificação das áreas e o recorte é estabelecido pelo agrupamento dos centros urbanos próximos que apresentam as menores diferenças internas. Diferenças que aproximam econômica, social e espacialmente estes centros urbanos de quaisquer outros centros e recortes regionais.

O objeto de estudo da Análise Regional se fundamenta em analisar a origem, intensidade e localização de determinados fenômenos que ocorrem em um espaço geográfico definido. Na concepção de Ferreira (1989), a Economia Regional, assim como a Geografia Regional e Urbana atuam sobre um mesmo objeto de estudo, ao colher os. Trata do entendimento das relações entre as atividades econômicas quanto

à proximidade, concentração e dispersão. São as semelhanças e diferenças que criam os padrões de distribuição geográfica dessas atividades.

A aplicação de técnicas de análise regional tem início a partir de unidades geográficas básicas de observação dos fenômenos que concentram o maior número de relações específicas. É necessário garantir as características em comum, podendo ser espaços geográficos de conotação político-administrativo, território de um país, regiões, áreas metropolitanas, e de maior interesse, municípios de uma mesma unidade federativa. Na análise espacial, os estudos das relações econômicas são direcionados para duas vertentes de análise regional e locacional. Esta distinção das análises é feita por Ferreira (1989), citando Friedman (1977):

a) A análise regional foca no entendimento da formação de clusters de atividades econômicas, sociais, políticas e administrativas. Utiliza ferramentas macroeconômicas, métodos e modelos agregativos, como os estudos de emprego e renda e teorias de desenvolvimento. Nesta situação, as regiões econômicas são as áreas geográficas que constituem o objeto de preocupação da análise regional.

É necessário considerar que as regiões não são áreas isoladas umas das outras, mas se influenciam reciprocamente. Assim, estudam-se os fluxos comerciais, financeiros, transferências de mão de obra, de capital e tecnologias entre as regiões. Em consequência do que foi dito, toma-se a análise regional como procedimento que trata das relações dentro e entre as regiões, investigando padrões locacionais ou a organização das estruturas espaciais.

b) A análise locacional considera que somente poucos centros urbanos e na ordem mundial se tornam nós no topo da hierarquia. Neles gravitam fluxos de mercadorias, pessoas, conhecimento, informação e dinheiro, mediante uma estruturada e consolidada rede de transportes e comunicação. Sua estrutura tem a capacidade de atrair e sustentar pessoas altamente capacitadas, centros de pesquisas avançadas e de desenvolvimento tecnológico.

No entanto, algumas localidades e regiões tem a capacidade de intervir na sua condição econômica e produtiva, elevando sua importância e participação na economia regional, através das organizações locais que impulsionam seus próprios programas de desenvolvimento. O desenvolvimento endógeno ou de base, parte da premissa que o desenvolvimento local ou regional deve adaptar-se às necessidades e condições da população local.

Segundo Ferrera de Lima (2003), a aplicação de uma política de promoção das especialidades produtivas e construção de plantas de complexos industriais, apresentada pela teoria de base de exportação, pode dar início à saída do círculo vicioso da pobreza regional. A redução das diferenças de desenvolvimento regional e o avanço no crescimento econômico é o objetivo de todas as nações e o tema da análise locacional.

Por fim, além da análise regional, no campo de atuação da análise espacial, a análise locacional tem sua condição de estudos centrada na decisão dos agentes econômicos capazes de produzir o desenvolvimento local. É uma análise que busca identificar as localizações em destaque, que produzem eficiência econômica local e regional. Segundo Haddad (1989), as medidas de localização têm a função de distinguir setores específicos da produção, cuja localização das atividades se destacam entre as regiões, através da identificação de padrões de concentração e dispersão espacial, entre um período ou mais.

Na elaboração da análise regional, quanto mais fatiados, mais detalhados e desagregados os fenômenos que ocorrem nas regiões, mais próximo da realidade será o resultado da análise. Segundo Haddad (1989), as métricas utilizadas em estudos de análise regional para quantificar e ordenar as capacidades produtivas e econômicas setoriais em escala regional se referem à comparabilidade entre escalas, recortes espaciais e classificações setoriais que sejam passíveis de testes de hipóteses. Esse detalhamento e posterior sobreposição de fenômenos na mesma análise, permite visualizar as condições regionais em uma escala local da divisão espacial.

Segundo Massey (1981, p. 114), a divisão espacial surge da descontinuidade e da ruptura das relações. Refere-se à forma como as atividades econômicas de uma região reagem às desigualdades geográficas, que impedem ou compelem para as condições de acumulação. No interesse da eficiência e economia, a continuidade sempre prefere locais em posição central em termos de tamanho, funções, equipamento ou posição geográfica.

Para Ferrera de Lima (2006), a principal função da análise regional é identificar os mecanismos do processo de desenvolvimento, destacar os estágios evolutivos que a economia regional está atravessando, escalonar esses períodos em ordem de importância e projetar condições para o desenvolvimento atingir todos os espaços de forma mais ou menos uniforme.

Neste sentido, o crescimento econômico regional é amplamente sentido em todos os espaços. Da mesma forma, o desenvolvimento aproxima de modo positivo as regiões atrasadas das regiões mais desenvolvidas, em condições pareadas de avanço e progresso, tanto na estrutura social, quanto econômica. A elaboração satisfatória de uma análise regional deve relacionar e fornecer subsídios que permitam a compreensão e intervenção para fomentar e acelerar o processo de desenvolvimento regional.

Na perspectiva de Corrêa (1987), fazer análise regional exige do pesquisador um conhecimento do marco teórico, da sistematização de dados e da manipulação das técnicas de espacialização, pois não existe um modelo pronto e acabado para tal. O estudo de uma região, no conceito de análise regional, será sempre diferente de outro estudo da mesma área, pois existem temas, sequencias e metodologias diferentes para alcançar um objetivo. Cabe ao pesquisador ter clareza do que se propõe a pesquisar e ter dúvidas sobre a compreensão do conceito de região que pretende aplicar.

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