A abordagem da teoria da polarização converge com a teoria da localização ao introduzir as relações espaciais na análise econômica. Para Souza (1981), a concentração urbana é o clímax da localização das atividades econômicas, da economia de escala, do mercado de consumo e da reserva de mão de obra. Essa concentração constitui polos urbanos e regionais capazes de gerar economias de aglomeração por produção e comercialização de insumos e atraem economias externas devido à estrutura urbana que produz insumos para atrair consumidores e trabalhadores e ofertar uma grande variedade de serviços, criando um sistema de espaços urbanos articulados e hierarquizados que são inseridos na economia regional e territorial.
A variedade e a quantidade de bens e serviços que uma localidade dispõe para atender a sua população e adjacências é o que quantifica sua importância na hierarquia funcional. Para Alves (2001), os centros urbanos com maior capacidade produtiva demandam, atendem e exigem áreas maiores para suprirem a demanda dos locais polarizados, enquanto os polos menores recebem demandas menores e representam menor área de abrangência. O ponto fora do padrão é que algumas atividades são específicas da localidade e, mesmo localizadas em lugares centrais menores, conseguem atender demandas maiores sem que ocorram externalidades no local.
Para identificar as regiões de polarização foi utilizado o modelo gravitacional inspirado em Isard (1962), que possibilita a identificação dos centros urbanos polarizadores, suas regiões de influência e a hierarquia destes polos, com base na inter-relação econômica dos municípios paranaenses, definida por suas massas e pela capacidade de atração em relação aos demais centros urbanos. A metodologia aplicada permite classificar regiões econômicas (enclaves, regiões isoladas e polos econômicos) por suas especializações.
Segundo Christaller (1933) e Lösch (1940), o lugar central é capaz de influenciar, organizar, atuar e ordenar a oferta e a demanda de bens em determinada área de mercado. A forte influência exercida por esses lugares no fluxo de trocas em um espaço geográfico determina a regionalização. A teoria de polarização de Perroux, permite definir uma região pelas suas relações econômicas e pela sua posição na hierarquia regional. Assim, a hierarquia urbana é fruto da imposição das relações econômicas de um centro urbano sobre os demais, cujos resultados são regiões polarizadoras e regiões polarizadas.
Para Richardson (1975), as forças sociais, a densidade populacional, o nível de renda per capita, o desenvolvimento cultural, a estrutura social e as forças econômicas determinadas pelo grau de concorrência entre os estabelecimentos que fornecem bens e serviços especializados, estimulam o desenvolvimento regional dos lugares centrais, estabelecendo sua hegemonia na escala hierárquica.
Segundo Benko e Lipietz (1994), a reorganização espacial na economia brasileira, com a redistribuição das atividades produtivas e o declínio de alguns centros industriais tradicionais, reduziu as disparidades econômicas regionais e fez emergir novos polos de crescimento com potencial para atrair e atender a demanda com baixo custo de produção e facilidade na logística de recebimento de matéria prima.
A regionalização por dimensões de polos é um passo inicial na proposta de um cenário estadual com pretensões de desenvolvimento, em que devem constar as condições de uso das vias de transporte, uso de terra, condições econômicas, sociais, locacionais, ambientais, estruturais e a participação de agentes institucionais, políticos e de mercado.
A partir dos anos 1970, o sistema capitalista seguiu um roteiro que culminou na classificação das regiões polarizadoras por escalas e hierarquias. O aumento do uso de tecnologias na produção agrícola reduziu o uso de mão de obra no campo, fez
expandir os centros urbanos, aumentou o consumo, absorveu parte da mão de obra e impulsionou a produção industrial, fomentada por sua escalada global.
O setor terciário, principalmente voltado à área de serviços, que é quantificada pela produção do emprego e da renda, dá o tom na classificação das regiões polarizadoras. Estabelece as relações dinâmicas entre as regiões e atuam como uma força de atração de diferentes magnitudes, dos centros urbanos próximos. As regiões polarizadas geram uma complexa rede de fluxos que organiza o espaço regional e a relação entre as unidades espaciais, além de estabelecer as funções dos centros urbanos locais.
Na década de 1930, o trabalho de Walter Christaller tornou-se um referencial para a reflexão sobre a regionalização. A Teoria dos Lugares Centrais propõe a existência de uma distância máxima que um consumidor se dispõe a percorrer para adquirir um determinado bem. Também existe um número mínimo de clientes necessário para manter uma área lucrativa. Com essas duas premissas do modelo de Christaller, baseia-se que as cidades se organizam de forma hierárquica, em função da distância a ser percorrida até o polo, cujo resultado é a formação de regiões polarizadas complementares.
Na Teoria dos Lugares Centrais Christaller (1966), definiu o lugar central, não pela sua localização geográfica na região complementar, mas pelo seu peso populacional e pela capacidade de ofertar bens e serviços, em uma tentativa de explicar a distribuição espacial dos assentamentos humanos. Seu modelo foi baseado em abstrações e suposições teóricas de um mundo ideal, sem barreiras físicas, em que a fertilidade do solo, dinheiro e riqueza e as infraestruturas de transporte e comunicações seriam as mesmas em todos os lugares e para todas as pessoas. Os bens e serviços seriam fornecidos somente dentro da região, que seria capaz de sustentar o mercado interno, no qual os consumidores compram em apenas um centro econômico.
As regiões complementares são os agrupamentos de localidades que convergem em um lugar central ou áreas de influência definidas em função da distância a ser percorrida até o centro, além de estabelecerem relações unidirecionais verticais. Christaller (1966), denominou essas regiões por produzirem bens e serviços dispersos, bens indiferentes e serviços independentes, em referência às transações que não são necessariamente produzidas ou oferecidas nos lugares centrais.
A maior distância que o consumidor está disposto a percorrer para adquirir um bem ou serviço no lugar central é chamada por Christaller (1966), de distância econômica. Ela determina o alcance de um bem ou serviço “os custos do frete, seguro e armazenamento, tempo de transporte, perda de peso ou volume e danos físicos, em relação às viagens do consumidor, o custo de transporte, o tempo de deslocamento e o desconforto da viagem são determinantes na definição da fricção de distância” (CHRISTALLER, 1966 p. 22). Compreender como cada centro urbano está conectado com outros centros urbanos próximos, em regiões, territórios e no mundo é uma perspectiva geográfica delineada nesses estudos.
A Geografia Regional e Urbana, fundamenta-se na Teoria dos Lugares Centrais para descrever a formação de padrões urbanos que se tornam nós na rede urbana, cujo transporte e a comunicação são as principais linhas de conexão. Walter Christaller (1966), ao explicar o padrão de distribuição, localização e hierarquia urbanas das cidades, vilas e aldeias, mostrou como a emergência e o crescimento desses assentamentos urbanos afetam outros assentamentos do mesmo ou de tamanhos diferentes. Para isso, o autor considerou a importância da distância entre eles, seja pela facilidade de deslocamento ou pela fricção da distância.
Segundo Corrêa (1999), a centralidade demonstra a organização e a hierarquização do espaço, a partir da qual pode-se distinguir o padrão que constitui as redes urbanas e a importância da especialização de cada um dos nós dessa rede. A especialização é o que determina o crescimento, o desenvolvimento e o peso de cada centro urbano no nó da rede, determinando a sua centralidade ou dependência. Quanto maior a especialização, maior a importância, o peso, a área de influência e a polarização de um centro urbano. Neste caso, a densidade assume o papel principal para determinar a polarização e o avanço dos lugares centrais.
A densidade, seja ela populacional, de nível de renda ou de quantidade de atividades produtivas, em particular do setor terciário, é um indicador natural da capacidade de polarização dos centros urbanos. O setor terciário compõe as funções do lugar central, por apresentar a diversificação dos tipos de comércio e serviços que deram origem à teoria. A hierarquização dos centros urbanos descreve a área de influência dos lugares centrais a partir das metrópoles regionais que oferecem maior gama de bens, serviços e infraestrutura e abrangem uma área maior que os centros locais, que atendem as demandas menores de bens e serviços.
A regionalização econômica fundamenta-se na concepção de uma região com base na distribuição das atividades produtivas e nos processos econômicos que ocorrem em determinado território, cujo limiar é determinado pela fricção da distância do polo até o ponto que sua força é limitada por outra força. Segundo Christaller (1966), quanto mais complexas forem as atividades de comércio e serviços do centro urbano principal, maior será a área de abrangência ou de atenção dos bens ofertados por esse polo e maior será a posição relativa desse lugar central na hierarquia do sistema urbano no qual está inserido.
Segundo Gotardo e Staduto (2017), em uma sociedade de consumo, bens e serviços não se restringem aos consumidores locais, mas estão disponíveis para qualquer um, de acordo com as normas de cada nação e com a capacidade de endividamento pessoal. No entanto, o custo para obtenção desses bens e serviços não é igual para todos, alguns fatores como transporte e fricção de distância são impactados pela disponibilidade de tempo e restrições de deslocamento do consumidor, isso reflete na conformação da região polarizada, na qual as sociedades de consumo mais distantes se resignam em buscar outras fontes de serviços mais próximas ou de menor custo.
A diferenciação dos centros urbanos de acordo com a capacidade de atender a demanda regional e territorial cria a hierarquia das cidades. Para Lemos (2003), os Mesopolos Econômicos são os centros urbanos capazes de ofertar o maior conjunto de bens, serviços e infraestrutura em escala nacional e internacional, seguidos por Micropolos com grandes capacidades, restritos às regiões que polarizam, sem abandonar as relações territoriais e internacionais.
Na década de 1930, o trabalho de Walter Christaller tornou-se um referencial para a reflexão sobre a regionalização. A teoria dos lugares centrais, que propõe que as relações econômicas criem regiões complementares que organizam as cidades de forma hierárquica, em função da distância a ser percorrida até o centro, serviu como fundamento para pesquisas temáticas de hierarquia urbana. Christaller (1966), definiu o lugar central, não pela sua localização geográfica na região complementar, mas pelo seu peso populacional e pela capacidade de ofertar bens e serviços. Regiões complementares, são os agrupamentos de localidades que convergem em um lugar central, com áreas de influência definidas em função da distância a ser percorrida até o centro, que estabelecem relações unidirecionais verticais. Essas regiões foram nomeadas por produzirem bens e serviços dispersos e bens indiferentes e serviços
independentes, em referência às transações que não são necessariamente produzidas ou oferecidas nos lugares centrais.