4.2 D´efinition de la logique DLP
4.2.3 Axiomatique
O interesse na alimentação nunca foi tão patente como hoje, assistindo-se a uma atenção crescente, por parte dos consumidores, sobre os processos de produção, as origens, a qualidade e o preço. Os factores principais que podem influenciar o aparecimento de novos produtos substitutos nos vários subsectores da indústria alimentar são:
a inovação ao nível dos processos (“puxados” pela intensificação científica e tecnológica - biotecnologia, química, genética – e pela sustentabilidade ambiental e pela reconsideração do modelo ecológico – com reflexos na organização da agricultura e da pecuária, na gestão dos recursos piscícolas e na alteração do perfil da procura das famílias);
a inovação ao nível dos produtos (dinamizada pela procura de ganhos na segurança, frescura e capacidade nutritiva dos alimentos e traduzida,
nomeadamente, na exploração das novas possibilidades de enriquecimento e mistura na composição dos produtos alimentares);
a inovação ao nível das formas e modelos de consumo (induzida pelo rápido crescimento das novas metrópoles urbanas, pela globalização de modelos culturais, estilos de vida e actividades de marketing e pela aceleração da mobilidade e alargamento dos “tempos” de trabalho e de lazer, com consequências muito significativas ao nível da estruturação do consumo “em casa” e “fora de casa”, ao nível da preparação dos alimentos e da respectiva conservação e embalagem, nomeadamente);
o alargamento da concorrência num número considerável de segmentos do sector alimentar;
a sofisticação e diferenciação dos perfis da procura abrindo novas formas de segmentação de massa traduzidas na valorização de novas “soluções” de consumo (alimentar).
O presente estudo permitiu identificar a existência de alguns desenvolvimentos de novos produtos alimentares em Portugal. No entanto, as multinacionais presentes no nosso país desenvolvem as suas actividades de investigação no estrangeiro, embora permitam alguma autonomia e liberdade às suas empresas afiliadas para realizarem desenvolvimentos, facto este comprovado pela existência nas empresas estudadas de um departamento de I&D interno. Neste contexto, alguns produtores nacionais procuram desenvolver novos produtos, quer isoladamente, quer com o apoio de universidades e de centros tecnológicos. O grande desafio actual da indústria alimentar é o de melhorar os sistemas de segurança alimentar e o de melhorar a comunicação com o público de forma a reconquistar a sua confiança, dando-lhe a conhecer todas as cautelas que utiliza nos seus sistemas de controlo de qualidade do produto. A biotecnologia é actualmente uma ciência consolidada, embora ainda numa fase inicial do seu ciclo de vida. Não representa neste momento para o sector alimentar uma solução, mas essencialmente uma
oportunidade para o futuro, pelo que o interesse crescente das empresas convencionais por empresas de biotecnologia vem aumentando anualmente. A biotecnologia ainda não teve nesta indústria os efeitos esperados, mas está em vias de começar a modificar os métodos de desenvolvimento do produto nos alimentos. Perante aquilo que acabámos de descrever poderemos avançar com alguns dos possíveis impactos que a biotecnologia poderá ter sobre a estrutura do sector. Desde logo, a mudança do paradigma implicará uma mudança de estrutura. A produção em larga escala, com produtos indiferenciados para os diferentes mercados, tenderá a ser abandonada progressivamente, face à natureza das soluções em biotecnologia, crescentemente individualizadas. No plano oposto, os elevados custos desta nova tecnologia nesta fase do ciclo de vida, tornam-na somente acessível às grandes empresas. Actualmente o consumidor procura produtos de maior valor acrescentado, produtos com novas composições ou características especiais no que diz respeito a capacidades dietéticas, saúde alimentar, segurança ou funcionalidade. Esta correlação entre alimento e saúde, concertada com um melhor conhecimento da qualidade e segurança alimentar, constitui uma oportunidade de Inovação importante para a indústria alimentar que tem reagido com o desenvolvimento de uma gama alargada de novos ingredientes e alimentos funcionais. Para além de contribuírem para o aumento da sua competitividade estes são um desafio importante para o crescimento cultural da indústria alimentar. De facto, para desenvolver alimentos funcionais - da concepção à produção, é necessário uma qualificação total da indústria que pressupõe, entre outras medidas, um permanente aumento das competências dos profissionais, através da formação contínua, especializada e actualizada, garantindo um nível de conhecimento científico e tecnológico cada vez mais qualificado e fundamentado para lidar com as alterações tecnológicas, comerciais e organizacionais emergentes. Compreender as estratégias de mercado e como implementá-las, a legislação que rege este sector e os factores que influenciam a escolha de alimentos saudáveis por parte do consumidor revestem-se de igual importância – dado que o perfil e a
dimensão do mercado dependerão da capacidade da indústria em satisfazer os requisitos e exigências estabelecidas pelo consumidor.
Finalmente, importa referir que o estudo revelou que a biotecnologia tem sido um sector em franca expansão nas universidades e nos centros de I&D. De facto, existem hoje inúmeros estabelecimentos de ensino superior e instituições de investigação com actividades directamente relacionadas com a biotecnologia. Também verificamos que as empresas possuem já no seu portefolio uma gama alargada de produtos de base biotecnológica, como os alimentos funcionais e o que o interesse dos produtores e consumidores por estes alimentos é crescente. Também constatamos que o número de empresas de biotecnologia na área alimentar tem vindo a aumentar progressivamente, com efeito o sector da biotecnologia em Portugal tem experimentado, nos últimos anos, um importante e significativo aumento do número de empresas criadas, existindo actualmente mais de 40 em Portugal, a maioria das quais nascidas entre 2001 e 2006 (APBio, 2006), o que parece indiciar o início de um ciclo com interesse crescente pelas potencialidades deste sector. Entre as áreas de I&D biotecnológica identificadas como sendo de potencial relevância para a indústria portuguesa, contam-se a dos alimentos e têxteis funcionais (ou seja, com características especiais, por exemplo terapêuticas), a das próximas gerações de biofuéis (por exemplo bioetanol), a das plantações energéticas ou as das biorremediação e biomonitorização do ambiente.