• Aucun résultat trouvé

Axe Thyréotrope

Dans le document Hyperthyroïdies et cancers thyroïdiens (Page 52-58)

A cidade de Uberlândia, localizada na região do Triângulo Mineiro, no estado de Minas Gerais, é, atualmente, a segunda maior cidade deste estado, com uma população superior aos 600 mil habitantes. É também a terceira cidade mineira em arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias) e a oitava do país na arrecadação de tributos federais. Maior centro atacadista-distribuidor da América Latina, a cidade de Uberlândia possui o 30º maior PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, sendo destaque também no agronegócio, além de polo regional em educação e saúde. Para chegar a este patamar, alguns fatores foram fundamentais e levaram à inserção desta cidade no cenário nacional. Entre estes fatores estão a chegada da ferrovia, das rodovias, a modernização da agropecuária nas áreas de cerrado e até mesmo a construção de Brasília, como será visto a seguir.

Para uma retomada histórica da ocupação do que hoje é conhecido como Triângulo Mineiro, seria necessário regressar aos tempos de Bartolomeu Bueno da Silva, o famoso Anhanguera, bandeirante que teve grande importância na ocupação do Brasil Central. Porém, não é objetivo deste trabalho reescrever a história do povoamento do Triângulo Mineiro nem do surgimento de Uberlândia. Contudo, a história dos lugares pode revelar muitos aspectos que, para alguns leigos, parecem incompreensíveis no presente, já que o espaço é uma acumulação desigual dos tempos, como disse Milton Santos (1985).

Tendo isso em vista, a seguir, será feita uma breve retomada do passado de Uberlândia, buscando analisar os fatores que levaram às diferenciações presentes, hoje, em seu espaço urbano, como as novas centralidades e também o seu estabelecimento como cidade média e principal núcleo da rede urbana do Triângulo Mineiro.

A ocupação inicial da região do Triângulo Mineiro tem suas raízes ligadas ao ciclo do ouro do século XVIII. E isto não é uma característica exclusiva desta região, já que a mineração foi a primeira atividade que levou à ocupação do interior brasileiro, com a expansão desta atividade para Goiás e Mato Grosso. A escassez do ouro na região Central de Minas Gerais levou à procura de outras áreas auríferas, fazendo com que vários povoados surgissem no ‘caminho do ouro’, como é o caso do Arraial do Desemboque8, que é tido como um dos primeiros povoamentos do Triângulo

Mineiro.

Além da mineração, foi importante também a pecuária para a expansão dos povoamentos nesta região. Segundo Guimarães e Leme (1997, p.29), “a mineração promoveu o surgimento dos primeiros povoamentos, vilas e cidades, impulsionados pelos próprios requerimentos da atividade mineradora, enquanto a pecuária foi um

auxiliar na fixação desta população”. Isto se deve ao fato de haver diferenças nos tipos de povoamento ocasionados pela mineração e pela pecuária, pois

as áreas mineradoras geralmente se desenvolvem sem contiguidade com outras já povoadas, pois fatores geológicos determinam a localização dos novos núcleos. As áreas de pecuária, ao contrário, vão se espraiando por contiguidade a partir dos núcleos irradiadores, com uma atividade econômica complementar, mantendo continuidade geográfica com eles. (LOURENÇO, 2005, p.113).

Porém, já no final do século XVIII, a mineração na região entrou em decadência, empobrecendo a população e obrigando esta a procurar oportunidades em outras localidades, o que diminuiu o número dos aglomerados urbanos. Aqueles que se mantiveram na região passaram a praticar a lavoura de subsistência e a pecuária extensiva, que não exigiam grandes contingentes de mão-de-obra. Fato semelhante e com maior intensidade ocorreu a partir de 1760, em Minas Gerais, com fuga dos “geralistas”, que buscavam terras cultiváveis no oeste mineiro, já que estas não mais existiam no entorno de Vila Rica (posteriormente, chamada de Ouro Preto).

Esta busca por terras cultiváveis e a notícia, em 1807, de que os temidos índios Caiapós haviam deixado esta região em direção a Goiás e Mato Grosso (TEIXEIRA, 1970) levaram à formação de várias bandeiras que ocuparam a região do Sertão da Farinha Podre9. Assim, entre os vários aventureiros e povoados surgidos, desponta a

figura de João Pereira da Rocha. Este sertanista, originário de Paraopeba, tomou posse de terras devolutas próximas à aldeia de Santana (hoje, município de Indianópolis, vizinho de Uberlândia), as quais denominou fazenda São Francisco. O sertanista continuou a explorar as terras da região, ocupando várias áreas, até que em 29 de Junho de 1818 chegou a um córrego, o qual chamou de São Pedro10, o santo do

9 Na época destas bandeiras que levaram à ocupação do Triângulo Mineiro, os viajantes

costumavam deixar mantimentos nas árvores, para se alimentarem nas viagens de volta. Porém, ao regressarem, esses alimentos, como a farinha, estavam deteriorados pelo tempo, ou seja, era farinha podre. Surgiu, assim, o ribeirão da Farinha Podre, em Sacramento, e, posteriormente, essa denominação foi adotada para designar toda a região.

10 Hoje, o córrego São Pedro encontra-se totalmente canalizado, sobre o qual está a Av.

dia, iniciando-se aí a história de Uberlândia. As terras tomadas por João Pereira da Rocha foram transformadas na sesmaria São Francisco (TEIXEIRA, 1970).

Um importante acontecimento, em 27 de julho de 1835, foi a venda de parte da fazenda São Francisco para os irmãos Carrejo (Luiz, Felisberto, Antônio e Francisco), provenientes de Campo Belo, na província de Minas Gerais. Felisberto Alves Carrejo era professor e, por isso, figura requisitada na região, fazendo com que sua fazenda da Tenda fosse ponto de convergência das regiões ocupadas, onde acabou se formando um núcleo residencial chamado de povoado dos Carrejos (TEIXEIRA, 1970).

Em 1835, o professor Felisberto construiu uma escola no povoado. Mas a igreja mais próxima ficava na aldeia de Santana, o que fez Felisberto ter a idéia de construir uma capela. Assim, adquiriu dez alqueires entre os córregos São Pedro e Cajubá, onde se formou o arraial de São Sebastião da Barra de São Pedro do Uberabinha. Por isso, Felisberto Alves Carrejo é considerado o fundador de Uberlândia.

Figura 9: Localização do distrito de São Pedro (Uberlândia) – Séc. XIX

Em 1851, a fazendeira Francisca Alves Rabelo vendeu cem alqueires de terra para o Patrimônio de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião da Barra (FIGURA 10), o que possibilitou o crescimento do arraial (SOARES, 1988). Neste mesmo ano, foi iniciada a construção de uma capela, concluída em 1853. Um ano antes da conclusão desta obra, em 1852, o arraial havia sido elevado à condição de distrito, chamado de São Pedro do Uberabinha e pertencente ao município de Uberaba. Já em 1857, o distrito foi elevado à condição de Freguesia. Em 1858, foi delimitado o patrimônio da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, a partir do qual foram concedidos 52 terrenos dentro do perímetro urbano. De acordo com Teixeira (1970), neste período, o arraial contava com mais de quarenta residências e uma população aproximada de 150 pessoas.

Figura 10: Patrimônio de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião da Barra (1851)

É importante apresentar o comércio que se desenvolveu naquele período junto com o crescimento do arraial, evidentemente, baseado em artigos de primeira necessidade, para o uso cotidiano da população.

O comércio local contentava-se com as vendas de gêneros alimentícios, tecidos de algodão grosso, chita de $500 o metro, baeta vermelha para forro de ponche ou cueiros, botinas de mateiro ou vaqueta a 8$000 o par, tachos de cobre para limpar açúcar ou fazer sabão, fornos de ferro para torrar farinha, panelas de ferro e pratos de folha (ainda não havia o ferro esmaltado), sal de cozinha, marmeladas em caixetas de madeira e óleo de rícino, canela e erva- doce; com esses artigos de primeira necessidade a loja era considerada de primeira ordem, para pagamento de imposto e no conceito público (TEIXEIRA, 1970, p.30)

Em 1883, o fazendeiro José Machado Rodrigues doou 12 alqueires de terra ao Patrimônio de Nossa Senhora da Abadia, o que aumentou o espaço urbano. Esta área, situada na margem esquerda do córrego São Pedro, deu origem ao bairro de Patrimônio da Abadia (hoje, Patrimônio), que abrigava trabalhadores de baixa renda e, posteriormente, negros abolidos (SOARES, 1988).

No final do século XIX, o distrito de São Pedro de Uberabinha já aspirava a sua emancipação. O deputado Augusto César Ferreira de Souza foi encarregado de levar à Assembléia Legislativa as aspirações do distrito em se emancipar, mostrando que este já tinha condições econômicas e infraestrutura para tal, já que possuía na época:

Sessenta engenhos de cana-de-açúcar, sete engenhos de serra, nove olarias, seis oficinas de ferreiro e catorze sapateiros, seiscentos carros-de-bois, duzentos prédios, um cemitério com muros de pedra, uma matriz importante, com todos os paramentos exigidos, uma igreja do Rosário em construção, duas escolas públicas e duas particulares dos sexos masculino e feminino, dez capitalistas, nove negociantes de fazendas e doze de secos e molhados, uma fonte de água sulfurosa já analizada, um hotel bem montado, pedras de diversas qualidades e muita madeira de lei (TEIXEIRA, 1970, p.37- 38).

Assim, em 31 de agosto de 1888, as freguesias de São Pedro do Uberabinha e Santa Maria11 foram elevadas a município, com sede na primeira. Aos poucos, a

cidade ia crescendo e atraindo população vinda de outros lugares, o que gerou a

11 Hoje é o distrito Miraporanga, pertencente a Uberlândia. Anteriormente, pertencia ao

necessidade de uma expansão urbana. Desta maneira, já no início do século XX foi elaborado o primeiro plano de intervenção urbana da então Uberabinha12, o que

ocasionou grandes mudanças no seu espaço urbano, principalmente, em relação à área central, como será visto adiante.

2.3. Mudanças intraurbanas: O novo centro de Uberlândia no início do

Dans le document Hyperthyroïdies et cancers thyroïdiens (Page 52-58)

Documents relatifs