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Dans le document Economic Report on Africa 1988 (Page 93-97)

Considero que para se transformar e melhorar as práticas docentes se faz necessário conhecer e ampliar a consciência sobre as próprias ações em sala de aula. Dessa forma, conheço os princípios norteadores das ações dos participantes da pesquisa em relação à inclusão de alunos (as) com deficiência, objetivando, por partes, compreender a forma como os professores (as) de música lidam com a inclusão em sala de aula.

Ressalto que apresento e discuto as ações dos professores (as) no que se refere às práticas docentes em música, tratando de questões referentes ao trabalho com alunos (as) com deficiência. Para isso, utilizei as entrevistas, o diário de campo, bem como as observações como principais meios para analisar e discutir as práticas e ações dos professores (as). Vale destacar que, emprego a palavra “ação” para referir-me às práticas pedagógicas realizadas em sala de aula pelos docentes, mas não restringindo apenas a elas. Optei por empregar esse termo por considerá-lo mais abrangente, levando em consideração os diversos elementos que foram possíveis serem identificados nas atuações docentes em sala de aula.

Em um primeiro momento, ao observar a atuação em sala de aula dos (a) professores (a) investigados (a), foi possível perceber diferenças em seus trabalhos, indo desde os espaços físicos de cada contexto escolar, como dos recursos disponíveis e de suas abordagens metodológicas de ensino empregadas.

A professora Melodia ministrava as suas aulas de música em uma sala específica para isso. Nesse espaço, havia disponível uma variedade de instrumentos musicais. A escola também dispunha de outros profissionais para auxiliarem nas atividades em sala e inclusive no apoio pedagógico aos (as) alunos (as) com deficiência, fator que favorecia para prática inclusiva na escola.

Sobre a sua atuação, foi possível perceber uma proposta pedagógica baseada no diálogo com os discentes. Dessa forma, todo conteúdo trabalhado em sala de aula, partia inicialmente de uma pesquisa diagnóstica que objetivava conhecer os interesses e necessidades dos alunos e alunas em estudar tais temáticas. Como exemplo disso, menciono a primeira aula observada, no dia 12/03/2019, cuja professora, sentada em círculo com os discentes, iniciou uma conversa perguntando quais os assuntos os alunos e alunas tinham interesse em aprender. Depois várias sugestões e intensas discussões, os discentes, juntamente com a professora, optaram por estudar inicialmente o tema “Música e Natureza”.

A partir desses diálogos e da escolha de temas, todo o planejamento e conteúdos a serem trabalhados durante os semestres e o ano letivo se estabeleciam. Além disso, foi possível identificar que a turma já apresentava conhecimentos básicos sobre os assuntos de música, pois Melodia também havia relatado que os discentes daquela turma já vinham tendo aulas de música desde o 1º (primeiro) ano da turma na escola, sendo já o 5º (quinto) ano consecutivo desse ensino.

Por meio das práticas em sala de aula, foi possível identificar que um dos princípios fundamentais das aulas da professora Melodia é o fazer musical, ou seja, é fazer, criar, recriar e/ou produzir música. Segundo ela, todos (as) estão pensando em como se pode produzir música, partindo desde o contexto micro para o macro, ou seja, do mais simples para o mais complexo (MELODIA, 2019).

Compreendendo que cada deficiência tem suas particularidades, interroguei a professora Melodia sobre como se dava as características da sua atuação voltada a alunos (as) com deficiência, e a partir disso ela relatou que:

Muitas vezes eu [a professora Melodia] atuo de forma diferente principalmente na compreensão, para que eles (as) [discentes] compreendam o que a gente está fazendo. O que eu percebo é que muitas vezes nesses processos de criação eles (as) apresentam uma dificuldade maior, mas quando a gente chega lá no fim, é quando eles (as) começam a ter uma clareza maior (MELODIA, 2019).

Diante do relato, podemos perceber que, embora o processo de aprendizagem do (a) aluno (a) com deficiência seja um pouco mais lento, em algumas ocasiões, ou com maiores

dificuldades durante o percurso, o aprendizado acontece. Por outro lado, volto a mencionar que esses aspectos não podem ser generalizados, pois cada deficiência terá suas demandas diferentes.

Como consequência das dificuldades apresentadas no percurso do aprendizado, ocorrem os imprevistos e o docente tem que estar preparado para lidar com eles, como afirma a professora:

[...] eu acho que o que faz a gente lidar melhor com os imprevistos é a experiência, né? [...] então eu já dou mais conta disso. Mas o imprevisto é o tempo todo. Você planeja hoje uma coisa, não deu certo porque faltou [...]. Depois você precisou mudar o seu espaço [...]. Não tinha instrumento suficiente [...] Aconteceu isso [..] os imprevistos são o tempo todo. É por isso que eu digo [...] para os (as) professores (as) o tempo todo, o currículo só se faz no diálogo e no improviso. No diálogo, porque a gente precisa o tempo todo estar trocando entre os pares sobre as coisas que a gente vai fazer e no improviso porque a gente precisa saber improvisar, né? Então eu digo para os (as) professores (as) o tempo todo[...] nós como professores(as) a gente tem que ser[...] aprender a ser músico de jazz, tem que saber qual é o tom que tá e tem que conseguir improvisar, porque se não, você fica o tempo todo patinando, né? Agora eu acho que isso também é muito com a experiência que você adquire. Agora imprevisto acontece o tempo todo (MELODIA, 2019).

Como vimos, embora os docentes tenham relatado a precária formação para atuar com os alunos (as) com deficiência, a experiência é um fator que contribui para lidar com as dificuldades apresentadas em sala de aula, e isso somente se adquire com um determinado tempo de trabalho. Dessa forma, esse modo de saber lidar expresso por Melodia, é o que Schön (2000) chama de conhecimento na ação, ou conhecer-na-ação, que é o componente que está relacionado com o saber-fazer, e que é espontâneo, implícito e que surge na ação, adquiridos tanto pelas ações intelectuais como pela experiência diárias das práticas docentes.

Ademais, percebi através as observações em sala de aula que os imprevistos estarão sempre ocorrendo, então, cabe ao docente saber lidar e, em alguns momentos improvisar, mas de forma consciente com eles. É partir disso, que entra a reflexão na ação, onde o (a) profissional observa a situação e com isso constrói e/ou recria novas soluções para o fato observado (SCHÖN, 2000). Nesse momento, os elementos que constituem esse processo são dados pela articulação dos conhecimentos adquiridos pelas experiências docentes diárias em consonância com os conhecimentos teóricos da profissão. Além disso, também constatei que o diálogo entre os pares, ou seja, entre os educadores e a escola são elementos fundamentais para o trabalho na Educação Básica, bem como para atuar com os (as) alunos (as) com deficiência.

Ainda sobre sua atuação, a professora Melodia afirmou que há diferenciações para atuar com os alunos (as) com deficiência, e quando esses discentes apresentam idades diferentes, isso influência ainda mais no processo de inclusão nos contextos educacionais, pois:

Principalmente quando eles (as) vão crescendo [...] as turmas de fundamental, e mesmo depois quando eles vão ficando maiores, quando vão para o fundamental II; É como se o (a) professor (a) tem medo de estar sendo negligente, porque [...] a criança está passando de ano [...]são as coisas dos padrões mesmo, né? Então, por exemplo, eu já tive alunos (as) que terminaram o nono ano, mas que não leem nem escrevem [...] ler e escrever porque é uma coisa bem da cultura da escola. Mas não é porque eles não leem e não escrevem que eles não podem estar nesse tempo com essas crianças. Então, essa coisa mesmo [...]. Antigamente tinha uma coisa muito de retenção das crianças especiais, né? Então, às vezes você via uma criança com necessidades educativas especiais de 14(quatorze) anos, estudando numa sala com crianças de 9 (nove) anos. Aí não tem inclusão! Porque os interesses não são iguais (MELODIA, 2019).

Dessa forma, é possível perceber que embora os alunos (as) com deficiência não tenham atingido os objetivos impostos pelos modelos de ensino, é necessário uma mudança nesses padrões. Deve-se repensar todo o processo e tornar o currículo acessível no intuito de que esses objetivos possam ser alcançados, levando em consideração as limitações de cada pessoa. Além disso, é importante buscar alinhar o processo de ensino e aprendizagem com a faixa etária e realidade de cada aluno (a), caso contrário, não estaremos criando possibilidades para a inclusão dos (as) estudantes.

Assim, retomo as ideias apresentadas por Glat e Blanco (2007, p.17) ao enfatizar que “uma escola, ou turma considerada inclusiva precisa ser, mais do que um espaço para a convivência, um ambiente onde ele aprenda os conteúdos socialmente valorizados para todos os alunos da mesma faixa etária”. Com isso, o principal objetivo dessa proposta está alinhado com o que foi posto pela Declaração de Salamanca a qual diz que “todas as crianças [...] têm direito fundamental à educação e que a elas deve ser dada a oportunidade de obter e manter um nível aceitável de conhecimentos” (UNESCO, 1994, p.10).

Sob outra perspectiva, tem-se o professor Harmonia, que dentre os docentes investigados nesta pesquisa, foi aquele que percebi ter maiores dificuldades de atuação, tanto em relação às questões de espaços físicos, como de material pedagógico para as aulas de música. Sobre isso, menciono que, por vezes, o professor ministrava suas aulas práticas na sala da biblioteca ou informática da escola a qual apresentava um espaço inadequado para aquele tipo de atividade. Além disso, a escola que atuava disponibilizava apenas de violões para as aulas de música, no que se refere a instrumentos musicais, o que acabava limitando

suas possibilidades pedagógicas. Por outro lado, embora identificados tais desafios, o professor Harmonia conseguia ministrar suas aulas competentemente.

Identifiquei também que sempre que possível ou necessária a utilização de algum outro recurso para suas aulas que não havia disponível na escola, o professor Harmonia adquiria e levava para utilizar com as turmas que atuava, a fim de diversificar as atividades e possibilitar a aprendizagem dos alunos (as) e dos conteúdos estabelecidos.

Ainda no que se refere às aulas de Música ministradas por Harmonia, elas ocorriam como uma parte da disciplina de Arte. Essa era aplicada por outra professora da escola. Dessa forma, havia bastante flexibilidade nas aulas de Música, pois ambos os docentes (professor de Música e professora de Arte da escola) decidiam em conjunto sobre qual momento seria aplicado tais conteúdos. Por isso, para todas as aulas em que participei, o professor me comunicava antecipadamente sobre as possíveis datas e horários de observações das aulas, que sempre eram passíveis de mudanças. Ainda vale ressaltar que Harmonia contava com uma estagiária que acompanhava e lhe auxiliava com as duas alunas com deficiência que havia na turma do 7º ano.

No que diz respeito à realização das suas aulas, o professor Harmonia embora tenha apenas 1 (um) ano de experiência na Educação Básica, sendo ela na escola em que atua, ele se mostrou um docente bastante motivado em buscar melhorias tanto para o seu contexto de ensino, como para suas práticas pedagógicas. Por outro lado, percebi que o mesmo estava no processo de conhecer as particularidades, nuances e características do contexto da Educação Básica. Com isso, suas práticas pedagógicas ainda estavam em fase de construção, o que fico perceptível em alguns momentos quando executado. Por vezes, essas propostas se deram por tentativas, resultando positivamente, e em outros instantes negativamente, com base no que havia sido proposto.

Para exemplificar isso, menciono a observação da aula do dia 14/03/2019 na qual o professor Harmonia estava ministrando o conteúdo do livro que abordava sobre percussão corporal28. No primeiro momento da aula, Harmonia expôs o conteúdo no quadro mostrando alguns conceitos e aspectos teóricos sobre a aula. Em seguida, apresentou de forma prática como se dava tudo que ele havia mencionado e pediu para os alunos e alunas repetirem os sons que ele estava retirando com o corpo. Porém, naquele momento constatei que sua proposta teria melhores resultados se fosse elaborada fora de sala de aula, como por exemplo, na quadra da escola, pois disponibilizava de um espaço mais adequado. Além do fato do

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A percussão corporal é caracterizada como uma forma de se produzir som e se fazer música utilizando o próprio corpo como instrumento musical.

professor não ter pensado anteriormente em relação ao espaço e ter tentando realizar a atividade em sala, o mesmo também não orientou adequadamente as aulas com deficiência como poderiam desenvolver tais comandos. Assim, a atividade se deu por meio da tentativa. Vale ressaltar também que percebi a necessidade de um maior planejamento da aula, pois as suas aulas de música na escola tinha um tempo bastante reduzido, com isso, era necessário uma maior agilidade na condução das atividades.

Quando questionado sobre o que costumava abordar nas suas aulas, ou seja, como ocorriam às aulas de música, mas especificamente para com os (as) alunos (as) com deficiência, o professor Harmonia relatou que:

[...] Quando eu estou desenvolvendo uma atividade eu sempre busco fazer com que ele (a) [referindo as pessoas com deficiências] realmente se sinta integrado a aquele grupo. [...] ele (a) tem que participar de alguma forma, não importa se faz da forma correta ou não. Não importa. [...] às vezes o que para a gente é isso aqui [se referindo a pouco] para eles é isso aqui [referindo-se a muito]. Então, assim, a gente deixa ele (a) fazer, deixa ele (a) se incluir, deixa ele (a) dançar, deixa ele (a) cantar, deixa ele (a) tocar, deixa ele (a) falar, entendeu? Então, é assim que eu penso e, é assim que eu tento fazer (HARMONIA, 2019).

Assim, constata-se diante do relato que o professor Harmonia busca integrar o (a) aluno (a) com deficiência às atividades e aos outros discentes, a fim de promover a inclusão por meio da participação. Assim, constatei que para o professor inclusão também é participação, pois independente do nível de engajamento e de aprendizagem do estudante, esse processo inclusivo está ocorrendo, seja ele em maior ou menor proporção.

A respeito disso, ressalto que devemos nos atentar e acabar não nos equivocando em relação à participação, pois na minha concepção e alicerçado nas ideias do professor Harmonia é um processo em que o aluno ou aluna deve fazer parte ativamente, diferente da inserção, em que ele ou ela está apenas inserido.

Por outro lado, relacionado ao trabalho docente como um todo, não restringindo apenas a atuação com alunos (as) com deficiência, foi possível constatar que são frequentes os imprevistos ocorrendo nas aulas de música do professor Harmonia, o que acabam resultando em alguns momentos de improvisos. Sobre isso, o mesmo relatou que:

[...] planeja uma aula e ela não dar certo daquela forma e às vezes você [o professor (a)] busca naquele momento outra forma e você não acha [...] eu era para eu ter feito o plano B, C e D só que eu não fiz. Para esse plano eu não fiz! Então se torna algo que você fica em uma questão de [...] fica apavorado mesmo, sabe? Você fica com eles ali sem saber o que fazer e a hora vai passando, passando, passando e a aula se acaba e você não conseguiu desenvolver a atividade que você queria (HARMONIA,2019).

Sobre esses aspectos relacionados às dificuldades encontradas em sala de aula, Harmonia relata que existe uma diferenciação na forma de atuar com os (as) alunos (as) com deficiência. Dessa forma, o professor afirmou que isso se concretiza no planejamento, pois segundo ele:

[...] quando você está planejando você [docente] pensa naquela pessoa [com deficiência] que está inclusa naquela turma, só que ao mesmo tempo, você pensa nos demais. Então, você fica nesse jogo de cintura, às vezes com medo de levar uma determinada atividade [...] você quer que ela seja incluída só que às vezes você quer realizar uma determinada atividade, só que essa atividade não vai dar certo, por quê? Porque os alunos (as) [...] 99% da turma vai achar massa, vão ficar eufóricos, mas aquela pessoa não vai conseguir desenvolver. Então, ela (e) pode se sentir excluída (o). [...] a gente tem essa preocupação. [...] Você muda o seu plano de aula, você muda a forma de fazer, porque você pensa naquele (a) aluno (a) (HARMONIA, 2019).

Dessa forma, confrontando as afirmações de Harmonia com o que foi observado nas aulas, constatei que as suas propostas pedagógicas em sala necessitam ser mais claras no que se refere aos objetivos de cada aula. Além disso, é necessário estipular as sequências didáticas, tanto de apresentação dos conteúdos como na dinâmica da aula. Feito isso, ambos os aspectos irão ajudar tanto na organização da proposta pedagógica, como contribuir com a aprendizagem dos alunos (as) com deficiência, permitindo assim eles (as) assimilarem com maior facilidade os conteúdos apresentados.

Vale destacar também que, além de pensar naqueles (as) alunos (as) com deficiência, é necessário promover atividades que possibilitem garantir o aprendizado de todos os conteúdos propostos para as aulas, bem como respeitar as limitações de cada estudante e a diversidade do alunado existente em sala.

Sob outra perspectiva, temos o professor Ritmo, que em seus 5 (cinco) anos de atuação na Educação Básica, apresenta uma vasta experiência e domínio nas aulas que ministra. Além disso, foi possível perceber, diante da sua atuação, que ele é um professor que conhece muito sobre o contexto da Educação Infantil, sendo essa a etapa em que ele mencionou ter “paixão e interesse”. Com isso, acaba sendo aquele docente que está constantemente pesquisando e refletindo sobre suas práticas, fatores que ficaram bastante evidentes nas minhas observações na escola em que ele atuava.

Referente aos recursos utilizados para as aulas, o professor Ritmo relatou que todo o material utilizado nas aulas de música pertence a ele, embora a escola tenha se disponibilizado em comprar instrumentos musicais e construir salas específicas para esse ensino. Sobre isso, ele afirmou que utilizava o seu próprio material que em sua maioria havia sido confeccionado por ele mesmo. Além do mais, ele afirmou que preferia ministrar suas aulas nas próprias salas

que ocorrem as demais, pois esse fator colocava as aulas/disciplina de música exercendo o mesmo espaço dos demais componentes curriculares, o que contribuía com a valorização da área.

Além disso, foi possível perceber que sempre havia uma professora auxiliando Ritmo nas aulas, mas especificamente com os alunos (as) com deficiência. Mas o professor relata que não era suficiente para a demanda de estudantes com deficiência que se encontrava na turma.

Considerando as aulas observadas, notei que as práticas pedagógicas do professor Ritmo são desenvolvidas por meio da ludicidade, ou seja, por intermédio de brincadeiras e que, em grande parte, apresentam uma sequência lógica, aspectos esses que contribuíam com o aprendizado dos (as) alunos (as) com deficiência. Assim, tais sequências corroboravam para iniciar as aulas com canções de acolhida, em seguida, introduzindo de forma contextualizada o conteúdo proposto, desenvolvimento do conteúdo e finalizando a aula com música de despedida.

Foi possível constatar que o professor Ritmo apresentava ter uma grande percepção e sensibilidade, o que lhe permitia identificar que os (as) alunos (as) estavam sentindo com relação a sua aula, inclusive aqueles com deficiência. Desse modo, dependendo do que fosse percebido, ele mudava o plano da sala, ou seja, alterava durante sua prática o que havia sido planejado ou pensado para aula. Na maioria das vezes, essas mudanças se davam conforme o comportamento da turma.

Diferentemente dos outros docentes participantes deste estudo, o professor Ritmo relatou que não havia uma diferenciação na sua atuação com os (as) alunos (as) com deficiência, elementos esses que também se mostraram presentes nas observações em sala de aula. Porém, o professor relatou que há uma diferenciação ao atuar com diferentes faixas etárias de alunos (as), pois segundo ele:

[...] Como é que você trabalha com uma pessoa que tem deficiência intelectual? Como você trabalha com qualquer outra que não tem deficiência intelectual! Então, se você está trabalhando dentro de uma proposta [...] vamos pegar aqui o Berçário [...] você está trabalhado dentro de uma proposta de estimulação, tátil, visual auditiva e daí, você sai desse mundo do Berçário e vai para Educação Infantil, você vai trabalhar com essa criança não mais com aquela perspectiva, mas vai trabalhar outros desenvolvimentos condizentes com a idade [...] que aí, quando você chega no Ensino Fundamental já são outras necessidades (RITMO, 2019).

Analisando o discurso de Ritmo, é possível perceber que ele aponta que a diferenciação não está na atuação com os (as) alunos (as) com deficiência, em relação aos demais discentes, mas na sua abordagem metodológica e proposta pedagógica para diferentes

faixas etárias que devem estar de acordo com o nível de cada aluno (a). Nesse caso, é

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