“E a informação existe sempre, até mesmo na ausência de produtos de informação” Michel J. Menou
Nesta seção faz-se uma breve abordagem a respeito da polêmica questão sobre os conceitos de informação, formas de representação e a Ciência da Informação. Destacando-se a importância da adoção de uma estrutura de representação complexa, rica e já consagrada na área da Ciência da Informação pelas Instituições provedoras de metadados.
As mais diversas áreas do conhecimento (entre elas a Física, a Biologia, a Filosofia, a Ciência da Informação, entre outras) estudam os conceitos que envolvem a informação, porém, não se tem ainda um consenso sobre a sua natureza última. Para Milidoni, Gonzalez e Broens (2004, p. 290) a informação é
entendida ora como artefato (Dretske, 1981, 1983, 1992), ora como um processo de transmissão de forma (Pereira Jr. & Gonzalez, 1995), ora como um elemento básico constitutivo do universo físico (Stonier, 1990), ora como uma diferença que faz diferença (Bateson, 1979), a informação entra na agenda dos estudos contemporâneos sem, contudo, alcançar uma definição que seja consensual entre seus pesquisadores.
A polêmica a respeito do estatuto ontológico da informação se torna mais complexa à medida que tentamos procurar explicações em correntes distintas (GARCIA et al, 2005). Por exemplo na Cibernética, ciência que estuda todo o campo de controle e comunicação de um sistema seja nos organismos vivos ou nas máquinas, Wiener (1968, p. 19) diz que
Informação é o termo que designa o conteúdo daquilo que permutamos com o mundo exterior ao ajustar-nos a ele, e o que faz com que nosso ajustamento seja nele percebido. E, o processo de receber e utilizar informação é o processo de nosso ajuste às contingências do meio ambiente e de nosso efetivo viver nesse meio ambiente.
Já o campo da Biologia Molecular, Lwoff (1970, p. 110) considera a informação como matéria,
O que podemos denominar informação para um ser vivo é, pois, uma série de estruturas, de seqüências, uma ordem bem determinada. É esta ordem que representa a informação biológica. O conceito de informação corresponde a este conjunto de dados bastante complexos. Como vêem, para o biólogo, o termo informação, o termo mensagem, representam algo bem material, totalmente desprovido de poesia: é uma seqüência de pequenas moléculas e o conjunto de funções por elas realizadas.
Gonzalez (2004, p. 7, tradução nossa) define
[...] informação como um processo de auto-organização que permite a expansão de padrões de ação para organismos situados. Nós reivindicamos que este processo de auto-organização evolui em conseqüência da sistêmica, relações significantes estabelecidas entre os organismos e seus ambientes.
Já Belkin e Robertson (1975) citados por Oliveira (2005) definem informação como “aquilo que é capaz de mudar uma estrutura”. Oliveira (2005, grifo do autor) reconhece a utilidade desse conceito para a Ciência da Informação, entretanto, sugere “que é mais conveniente dizer que: informação é aquilo que é capaz de desencadear uma possível mudança numa estrutura”. De acordo com a autora – baseada em Bateson (1986), “só posso dizer que algo tem informação, se contrasto isso com um referencial que já tenho e que me diz que ali tem informação. Pois, não é possível perceber uma diferença sem uma estrutura através da qual se possa medir se, o que se vê, é ou não uma diferença”.
Dretske (1981) propõe que a informação é um artefato, um modo de descrever o significado, para algum agente de eventos intrinsecamente significativos.
Dretske propõe uma definição nuclear de informação segundo a qual: um sinal carrega informação sobre o que ocorre em uma fonte (o seu conteúdo) se ele for capaz de reproduzir factualmente as relações que se estabelecem na fonte, tornando-as acessíveis para qualquer observador que se encontre em condições recebê-las. Ainda que ele não exija uma correspondência biunívoca entre o sinal e o seu conteúdo (assim, por exemplo, o sinal que carrega a informação sobre um objeto grande não precisa ele próprio ser grande), a hipótese da informação nuclear pressupõe que os eventos que ocorrem na fonte impõem certos constraints [limitações] ao sinal que carrega informação sobre eles, tornando-os nomologicamente dependentes (MILIDONI; GONZALEZ; BROENS, 2004, p. 291).
Nesta tendência de pensamento, pode-se perceber também que Buckland (1991) citado por Capurro (2003) propôs a informação como sendo “[...] algo tangível como documentos e livros, ou, mais genericamente, qualquer tipo de objeto que possa ter valor informativo, o qual pode ser, em princípio, literalmente qualquer coisa”. Entretanto,
[...] é claro que o valor informativo a que alude Buckland não é uma coisa nem a propriedade de uma coisa, mas um predicado de segunda ordem, isto é, algo que o usuário ou o sujeito cognoscente adjudica a “qualquer coisa” num processo interpretativo demarcado por limites sociais de pré-compreensão que o sustentam (CAPURRO, 2003).
Neste sentido, Hjørland (2003) aponta que o foco principal da Ciência da Informação está no conhecimento documentado (conhecimento explícito) produzido pelo ser humano em alguns tipos de documentos de uso potencial para outros seres humanos. A luz das estrelas não é informação para a Ciência da Informação, mas a informação astronômica produzida e utilizada pelos astrônomos é.
Assim, no que concerne esta pesquisa, será adotada a definição sobre informação de Smit e Barreto (2002, p. 21), que definem:
Informação – estruturas simbolicamente significantes, codificadas de forma socialmente decodificável e registradas (para garantir permanência no tempo e portabilidade no espaço) e que apresentam a competência de gerar conhecimento para o indivíduo e para o seu meio. Estas estruturas significantes são estocadas em função de um uso futuro, causando a institucionalização da informação.
Ou seja, deve-se considerar que a Ciência da informação, traçada dentro do paradigma da Pós-Modernidade,
[...] instaura seu objeto – a informação – no seu universo simbólico original – distinguindo objeto material – conteúdo documentado – e objeto formal – processos de elaboração de estruturas significantes (formas sintéticas), passíveis de integrarem fluxos sociais e de serem apropriadas subjetivamente. A abordagem do seu objeto é interdisciplinar, já que esta é uma exigência das temáticas que trata, mas a Ciência da Informação enquanto tal constitui campo específico – uma disciplina (KOBASHI; TÁLAMO, 2003, p. 15).
Malheiro da Silva e Ribeiro (2002) representam em um esquema ilustrativo estes enfoques da Ciência da Informação:
Processo que inclui comportamento
informacional e um conjunto subjacente de <<etapas>> -
criação, uso, difusão, organização,
armazenamento, colecção, pesquisa, interpretação Fenómeno que emerge
da <<coisa>> (código lingüístico, numérico, gráfico, etc. e suporte material correlativo) e
possui propriedades essenciais