CHAPITRE IV: CRISTALLISATION
IV- 3.1.1 Analyse d'Avrami
A pesquisa se desenvolveu em cenários diferentes, com dois grupos de sujeitos constituindo dois diferentes corpus.
No primeiro momento, abordei mães ou pais de crianças em idade pré-escolar e escolar sem queixas institucionais de violência física contra os filhos. Os participantes foram convidados a falar sobre educação das crianças e a necessidade de lhes estabelecer limites: o que pensavam e como eram suas experiências. Essas pessoas constituíram o corpus de pesquisa número 1. Esta etapa foi desenvolvida no Centro de Saúde Dom Orione, vinculado à Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.
O Centro de Saúde Dom Orione situa-se na Rua Expedicionário Benvindo Belém de Lima, no 730, bairro São Luiz, Belo Horizonte – MG. É gerenciado pela Dra. Silvana Coutinho Coelho de Souza, cirurgiã dentista.
Nesse local, são realizados atendimentos nas áreas de clínica médica, ginecologia, pediatria, homeopatia e odontologia. Conta com uma equipe de Saúde Complementar, constituída por fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psiquiatra e psiquiatra infantil, e uma equipe de enfermagem, cujos atendimentos são realizados por enfermeiras e/ou auxiliares e
técnicos de enfermagem. Oferece exames laboratoriais e imunizações, bem como promove reuniões de grupos operativos, nas quais são discutidos com a clientela temas como diabetes, hipertensão e qualidade de vida. Também é campo de ensino clínico para estudantes de Enfermagem, Fisioterapia e Odontologia da Pontifícia Universidade Católica de Belo Horizonte. Atende pessoas residentes no bairro São Luiz e imediações, sendo a maioria delas de baixa renda. A média de consultas médicas é de 320 semanais. Conta também com o Programa Saúde da Família – PSF.
Inicialmente, procurei a gerência do Centro de Saúde para expor meus objetivos e solicitar o parecer dela. Fui orientada sobre a necessidade de aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Belo Horizonte. Após aprovação do projeto pelo referido Comitê, iniciamos a coleta de dados.
Foram realizadas entrevistas com pais ou responsáveis de crianças que aguardavam atendimento na sala de espera. Dava-se aí o primeiro contato entre eles e a entrevistadora. Após apresentação dos objetivos do trabalho, essas pessoas eram convidadas a participar. Três pessoas se negaram a fazê-lo.
As entrevistas duravam, em média, vinte minutos e eram realizadas em um dos consultórios. Permaneci no Centro de Saúde durante um mês, três vezes por semana, aproximadamente duas horas por dia. Todos os entrevistados assinaram um termo de consentimento, após esclarecimentos, oral e escrito, dos objetivos da pesquisa.
Num segundo momento, abordei mães, pais ou responsáveis que já haviam sido formalmente denunciados por maus tratos a crianças ou adolescentes. Essa etapa realizou-se com o apoio do Programa Famílias Acolhedoras, da Gerência de Proteção Especial (GEP), vinculada à Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, situada na Rua Tupis, no 149, Belo Horizonte – MG. Essas entrevistas constituíram o corpus de pesquisa número 2.
Meu primeiro contato com a equipe do Programa Famílias Acolhedoras se deu por intermédio da gerente da Gerência de Proteção Especial, Dra. Sandra Regina Ferreira, a qual considerou o projeto interessante e me encaminhou para a coordenadora do Programa Famílias Acolhedoras, Sra. Ester Vander de Campos Cordeiro. Realizei reunião com a equipe para a exposição do trabalho e pedido de parecer. Deferido o pedido, deu-se início aos agendamentos com algumas famílias.
O Programa Famílias Acolhedoras (PFA) atende famílias com crianças de 0 a 12 anos, com vínculos familiares fragilizados, em situação de risco pessoal, com alto grau de vulnerabilidade social, com medida de proteção expedida pelos órgãos competentes (Conselhos Tutelares, Juizado da Infância e da Juventude e Ministério Público) e residentes em Belo Horizonte. O órgão envia relatório familiar indicando as vulnerabilidades e a necessidade de acompanhamento. Durante o período de permanência no Programa, são realizados atendimentos (individuais e/ou em grupo), reuniões, encaminhamentos à rede pública de serviços e visitas domiciliares. Famílias sem fonte de renda são contempladas com uma bolsa equivalente a um salário mínimo mensal pelo período de seis meses. Essas ações têm por objetivo possibilitar a superação das vulnerabilidades, o resgate da função protetora à criança e ao adolescente e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. O plano de intervenção pactuado com a família é avaliado de maneira contínua e é ajustado conforme a avaliação de cada caso. No decorrer do processo e ao seu término, são enviados relatórios qualitativos ao órgão encaminhador.
Considero importante ressaltar que dessa parceria entre pesquisador e equipe do PFA surgiu o Grupo de Estudos em Violência Doméstica, já registrado no NAPq da Escola de Enfermagem da UFMG.
As entrevistas com o corpus 2 foram realizadas em três tardes durante o mês de junho de 2005, sendo em média quatro entrevistas por dia. Todas foram previamente agendadas e realizadas na Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social, em salas individuais, após explicação sobre os motivos deste trabalho e concordância das pessoas em participar. Duravam, em média, trinta minutos. Percebi que em alguns casos esses momentos eram aproveitados como oportunidade de desabafo dos entrevistados. O choro ocorreu em vários depoimentos, e a dificuldade para cuidar das crianças ou adolescentes mostrou-se presente na vida de todos esses entrevistados. Todos assinaram um termo de consentimento, após esclarecimentos oral e escrito dos objetivos da pesquisa.
Os trabalhadores da PMBH, em ambos os locais, Centro de Saúde Dom Orione e Gerência de Proteção Especial, mostraram-se receptivos e colaboradores durante todo o processo. Enfatizo que esse trabalho não teria se realizado sem o apoio das duas equipes, que não mediram esforços para colaborar, promover ambientes adequados para as entrevistas e agendá-las, no caso do corpus 2. Em todos os momentos, foi prazeroso trabalhar com ambas as equipes.