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Algorithme de calibration

5.2 Estimation aveugle de la position des microphones

5.3.1 Algorithme de calibration

O tipo de atendimento recebe diferentes e particulares denominações: Consultas Terapêuticas, Intervenção Precoce na Relação Pais- Bebê, Intervenção a Termo. Não há um consenso. Muitas vezes, devido à diversidade de escolas psicanalíticas, há uma dificuldade para transmitir o que seria a atuação psicoterápica aos profissionais das áreas afins, que ficam confusos com a variedade de denominações. Neste trabalho, será desenvolvida a proposta de “Consultas Terapêuticas Pais-Bebê”.

Na clínica da parentalidade, as concepções de holding e de espaço potencial dão subsídios para pensar as consultas terapêuticas formuladas pelo pediatra e psicanalista Donald Winnicott (WINNICOTT, 1971), que, posteriormente, foram ampliadas pelo psiquiatra e psicanalista Serge Lebovici (1993). Consultas favorecedoras dos processos integrativos dos elementos dissociados do self parental, por situações traumatizantes, conflituosas de sua história, se mostram promotoras da constituição do si- mesmo da criança e dos pais.

Diferente de um processo analítico, as consultas terapêuticas surgem como uma nova proposta de intervenção psicológica. O princípio que Winnicott propunha era “qual o mínimo que se precisa fazer” para este paciente? (WINNICOTT, 1965, p. 261) Esta proposta foi mantida por Lebovici, com ênfase na exploração da entrevista inicial e, de um modo geral, três ou quatro sessões, com intervalo de uma semana a um mês entre os atendimentos, têm se mostrado fecundas, já que os pais encontram-se mais permeáveis aos seus conflitos em função de um estado psicológico de grande sensibilidade psicológica.

Ao circunscrever essa modalidade de trabalho, Winnicott afirma:

A única companhia que tenho ao explorar o território desconhecido de um novo caso é a teoria que levo comigo e que se tem tornado parte de mim e em relação à qual sequer tenho que pensar de maneira deliberada. Esta é a teoria do desenvolvimento emocional do indivíduo, que inclui, para mim, a história total para do relacionamento individual da criança até seu meio ambiente específico (WINNICOTT, 1971, p. 14).

Com esta descrição, o psicanalista nos sinaliza que cada atendimento é um caso novo e singular, que a teoria do desenvolvimento emocional orienta sua escuta, a possibilidade de fazer hipóteses a respeito de qual etapa do desenvolvimento a criança se encontra (dependência absoluta, relativa, primeira mamada teórica, concern, primeiríssima infância, primeira infância, primeira maturidade) e que demanda de cuidados maternos específicos ela necessita para sua realização (WINNICOTT 2005, p.148-152). Winnicott entende que o profissional não tem o objetivo de dar uma solução

aos problemas apresentados, ou mesmo uma orientação a ser seguida de modo dogmático, mas sim buscar uma integração de um conflito, um sofrimento mal elaborado do passado, ambivalências no contato com o bebê, ou qualquer outro aspecto dissociado da personalidade. Esta integração leva a uma nova reorganização do si-mesmo, a um fortalecimento do ego e da função materna, e o paciente torna-se agente no seu processo de cura, por meio de uma conexão com sua criatividade originária. Winnicott, ao relatar suas Consultas Terapêuticas, esclarece que seu objetivo é descrever a comunicação com crianças (WINNICOTT 2005, p.16). Como crianças, metaforicamente, podemos inferir aspectos infantis, primitivos, da história dos pais.

Lebovici, nas suas consultas pais-bebê, coloca-se entre os pais e o bebê dando-lhe voz, falando por ele com os pais, ampliando e validando as necessidades, dificuldades, comportamentos e comunicações da criança, assim como as que ele identifica entre os pais nesta fase de se tornarem pais. Durante a consulta, dá atenção aos comportamentos sensoriais manifestos do paciente (pais-bebê-ambiente relacional criado no contexto da consulta) como a voz, os gestos, o olhar, a proximidade que circula entre os pais e o bebê, a própria estória familiar e os mandatos transgeracionais que se repetem na família.

O espaço da consulta mostra-se potencial ao gesto criativo dos pais, uma vez que o analista não tenta ensiná-los tarefa que devem desempenhar, mas ajudá-los a integrar funções de seu self que estejam dissociadas ou esquecidas em função de experiências traumáticas mal elaboradas de seu passado. O analista pode estimular e testemunhar as funções maternas se perceber que o pai, em uma postura invasiva, está preterindo uma mãe deprimida. Lebovici enfatiza a sua conduta “enactment” como um modo de se colocar na sessão que o permite experimentar, em seu próprio corpo, os sentimentos conflitivos que circulam de modo anônimo durante a consulta, pondo-os em palavras de maneira que possam se integrar no discurso e no self, possibilitando uma nova reorganização subjetiva do paciente, e da relação (SOLIS-PONTON, LEBOVICI et all. 2004, p. 41-46).

Daniel Stern, psiquiatra cujas produções se apoiam na Psicanálise e psicologia do desenvolvimento, ilumina os períodos iniciais do bebê e o tipo de relação que ele estabelece com seu cuidador (1997).

Desenvolve o conceito de “pontos de contato” ou “janelas clínicas” como orientação ao profissional no atendimento da díade mãe–bebê. É como se estas janelas abrissem o olhar do psicanalista para avaliação das interações que acontecem em uma dada fase do desenvolvimento infantil e sua regulação pelo cuidador. Estas observações darão pistas da qualidade interativa que está se construindo entre eles. Na primeira “janela clínica”, que ocorre do nascimento aos dois meses, a interação mãe-bebê gira em torno da regulação dos ciclos alimentação, sono, vigília e atividade. “É na condução dessas atividades que observamos as questões clínicas de responsividade, sensibilidade, ajuste temperamental, controle excessivo, controle insuficiente, caráter bizarro e etc, nos pais e no bebê” (STERN, 1997, p. 72). A segunda, que ocorre entre os dois meses e meio e cinco meses e meio, se relaciona com as interações face a face; aqui, o bebê adquire maior domínio do olhar nas interações, engajando-se ou evitando o contato em função da qualidade da interação. A terceira “janela clínica” permite observar a relação de brincar da criança com o cuidador, a estruturação da brincadeira com o uso de um objeto, e ocorre dos cinco meses e meio aos nove meses. A quarta vai se abrindo entre os oito e doze meses, período em que surge a intersubjetividade e a capacidade de compartilhar conteúdos mentais. É uma boa fase para se avaliar o comportamento de apego do bebê, por volta de um ano de idade, por meio de comportamento de exploração do ambiente, afastamento e aproximação do cuidador. Outra janela de observação acontece entre um ano e meio e dois anos, quando surge a linguagem verbal e o aumento da mobilidade. É o momento dos pais estabelecerem limites por meio de um tipo de negociação a ser desenvolvido entre eles e a criança. É também o início da socialização.

Uma maior permeabilidade dos conhecimentos, entre os profissionais da saúde referentes à construção e ao exercício da parentalidade possibilitaria intervenções precoces nas desarmonias relacionais com possibilidades curativas e profiláticas tanto para o desenvolvimento emocional do bebê enquanto ser humano em constituição, como para o exercício da maternagem realizada pelos pais. Isso poderia ampliar a própria relação médico-paciente-pais com atendimentos mais integrados numa clínica mais abrangente.

CAPÍTULO IV

PERSPECTIVAS METODOLÓGICAS

Segundo Miyazaki (2004), a Psicologia da Saúde é uma área relativamente nova que tem se desenvolvido de maneira crescente no Brasil e no exterior, e pode ser definida como o conjunto de contribuições da Psicologia para a promoção e manutenção da saúde, assim como para a prevenção e tratamento das doenças, participando na análise do sistema de saúde e na definição de políticas de saúde. O trabalho aqui proposto poderia se constituir em uma atividade preventiva.

Cada dia mais cresce o interesse dos profissionais da Psicologia e Psicanálise na área psicoprofilática da relação mãe-bebê-família, haja vista a vasta produção de pesquisas e artigos produzidos. Mas ainda é muito difícil compartilhar os achados, pesquisas e o próprio tratamento com a área médica – que, no momento precoce da gestação aos três primeiros anos de vida do bebê, são os profissionais que têm acesso à relação mãe-bebê-família.

Por meio de uma atenção detalhada às pesquisas atuais nesta área, observamos que elas parecem escritas para psicólogos e psicanalistas. Psicologia, Psicanálise e Medicina são ciências diferentes, com dialetos, paradigmas e ideologias diferentes. Nós então podemos problematizar as seguintes questões: 1) Como afetar os médicos para as implicações do mundo psíquico que se revelam no período da concepção ao pós-parto? 2) Como realizar esse diálogo, quando nossa linguagem e conceitos nem sempre são compreensíveis para profissionais de outras áreas? 3) Como disponibilizar informações baseadas em evidências científicas de modo a favorecer melhores hipóteses diagnósticas e propostas de terapêuticas mais adequadas que venham, inclusive, atender as solicitações do Ministério da Saúde à sua Política Nacional de Humanização do Parto, do Aborto e Puerpério? Talvez a possibilidade desse diálogo possa propiciar intervenções precoces, tendo em vista um horizonte preventivo em saúde mental.

Barros (2006) enfatiza em seu texto “Psicanálise e Pesquisa”, revisando os postulados e as investigações de Michael Rustin (1991/2000), que a discussão científica entre áreas afins pode ser enriquecida com a apresentação transparente dos fundamentos de cada disciplina. E propõe que

a pesquisa em Psicanálise facilita ao psicanalista identificar melhor as teorias implícitas com as quais está trabalhando, permitindo-lhe condições de reformulação de suas hipóteses e a construção de novas perguntas.