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Les activités de récolte : un sous-problème de type MIP

CHAPITRE 5 : APPROCHE PAR HORIZONS ROULANTS

5.1 Formulation du modèle mathématique AHS1

5.1.1 Les activités de récolte : un sous-problème de type MIP

Vygotsky, Leontiev e Luria buscavam uma nova Psicologia, baseada na história e na Cultura. A inovação de sua teoria foi a proposição dos chamados planos genéticos que caracterizavam o funcionamento psicológico: filogenético, sociogenético, ontogenético e microgenético (VYGOTSKY, 2003). A filogênese refere-se à história da espécie animal, donde destacamos na espécie humana, a plasticidade do cérebro e o movimento de pinça. A ontogênese se refere ao desenvolvimento do ser que nasce, cresce, reproduz e morre. Filogênese somada à ontogênese tem natureza biológica. A sociogênese se refere à história cultural, ou seja, as formas de funcionamento cultural que interfere no funcionamento psicológico.

Assim, é que cada cultura organiza o desenvolvimento de forma diferente, por exemplo, o conceito de adolescência é biológico, mas como se vivencia esse momento e como se compreende isso é cultural. Outro exemplo é a categoria juventude, que foi criada pela nossa cultura e diz como esta cultura enxerga o jovem. Como afirma

a PNJ (2006) vivemos em uma sociedade juventudocêntrica, em que a juventude é, por um lado enaltecida, por outro, estereotipada e estigmatizada. Outro plano genético é a microgênese, cujo foco é definido, pois trata da singularidade surgindo, algo que se coloca entre o saber e o não saber, ou seja, é cada pequeno fenômeno que faz parte da história de vida de cada um. Por esta via de explicação é possível compreender porque ninguém é igual a ninguém.

Para Veer e Valsiner (1996), Vygotsky chega aos estudos em Psicologia pela via da educação, com o objetivo de compreender os processos de aprendizagem. Assim é possível falar em uma abordagem psicológica e social para compreender o protagonismo na realidade dos jovens pobres. A partir dessa ótica, se faz importante considerar a história dessa juventude e de que modo o protagonismo foi emergindo como categoria definidora da cultura desse segmento tão diverso.

Nesse contexto, Vygostky (1996) questionou de que maneira os processos sociais eram determinantes para o desenvolvimento. Baseando-se na filosofia de Marx e Engels, considerava as relações sociais constituintes do sujeito, em que através da dialética, o homem pode transformar a natureza e a si (VYGOTSKY, 1996). É por esse percurso, que Vygotsky propõe o materialismo histórico, a partir da história, e o dialético para pensar o um método para a Psicologia (VYGOTSKY, 1996). Surgiu assim o conceito de atividade, atrelada a história, sendo esta atividade equivalente ao comportamento humano, e geradora de consciência. Desse modo, o autor trouxe a

“consciência” como um problema para a Psicologia e passou a enxergar a atividade

como principio explanatório para explicar a consciência.

Para Vygotsky (2003) a direção do desenvolvimento se dá de fora para dentro, por isso a importância da cultura e da imersão do jovem no mundo. Desse modo, pensar a juventude é entender esses jovens imersos no contexto cultural, considerando a influência desse social para o desenvolvimento psicológico, ou seja, entender que o jovem aprende no contexto em que está inserido e por isso se desenvolve, pois tudo que está a sua volta contribui, de alguma forma, para a construção de sua subjetividade. Símbolos, idioma, família, política, esporte, arte, enfim, tudo isso reunido constrói uma cultura. E a cultura, por sua vez, se constitui num elemento fundamental para estudar psiquismo do jovem pobre, sendo esta um híbrido de história, semiótica, sociologia, antropologia com foco nos processos psicológicos da mente humana, segundo a Psicologia Cultural (VALSINER, 2012).

Para Cidade, et al. (2012), é preciso considerar a heterogeneidade dos indivíduos, dos contextos sociais, das culturas e das liberdades. Com isso, além dessa heterogeneidade macro, tem-se ainda a heterogeneidade própria da categoria juvenil, como já foi enfatizada. O que acontece, no caso dos jovens, é que o contexto de pobreza, a mesma que oprime, os impede de enxergar esses potenciais, pelo fato de coibir a liberdade e expressividade do sujeito marginalizado que vive nessas condições. (CIDADE, et al., 2012). Pensar o protagonismo sob essa ótica é atentar a uma cultura de privação que pressiona o jovem a ser protagonista de um enredo muito maior: social, cultural, comunitário e pessoal, cientes de que o conceito de relação embasa uma compreensão na direção de superar a dicotomia entre individual e social (GUARESCHI, 2011), com o risco de cair na opressão e na culpabilização do individuo. O fato é que essas formas opressoras de enxergar e lidar com o jovem tem tudo para dificultar e o impedir de se reconhecerem como sujeito, no entanto, o protagonismo aparece como um caminho de (re)ação libertadora para esses jovens que se constroem, enquanto identidades, em um contexto histórico-cultural.

A libertação não é algo novo, segundo Boff (1980, p. 13), “já estava

presente em todo percurso da história, sem nomes, sob outros nomes, afirmada ou

negada”, é um termo veiculado a emergência de uma nova consciência histórica, como

uma maneira de compreender e se situar frente à totalidade da história (BOFF, 1980). É considerar a história, no caso, das políticas de juventude e da própria juventude enquanto categoria social, no seu presente e no seu passado. A partir dessa ótica, o protagonismo juvenil ganha, no presente estudo, uma nova dimensão e nos leva a repensar o futuro das políticas de atuação com e para juventude.

No entanto, existe a questão: libertar de que e para quê? Essa questão exige entender que ao longo da história, a palavra libertação emergiu em um contexto de análise social do atraso e da pobreza dos países latino-americanos, quando o ser humano se deu conta das desigualdades sociais, culturais, políticas e econômica que oprimia alguns países, chamados subdesenvolvidos (BOFF, 1980). Diante disso viu-se a necessidade urgente de questionar e repensar os processos que levassem a condições de maiores igualdades sociais entre esses países. Nesse sentido, a categoria libertação

desenvolve uma correlação com a categoria dependência, “implicando uma recusa ao sistema de desenvolvimento e denúncia de sua estrutura subjugadora” (BOFF, 1980, p.

17). Além do mais, foi um conceito construído por práticas concretas, o que exige uma recuperação de seu conteúdo histórico, na visão de Guareschi (2011), para não corremos

o risco de empregar este conceito esvaziado de sentido. É válido reconhecer que este conceito implica um conhecimento racional e científico, assim como também crenças e valores, implícitos no conceito de libertação.

Pensar e atuar com o protagonismo em termos da libertação implica um novo estado de consciência e uma nova prática, a práxis libertadora (FREIRE, 2004). Isso significa provocar uma ruptura com o sistema de dependência e criar condições para que os jovens sejam agentes e produtores do seu próprio destino. Assim Libertação

“é uma palavra-processo, palavra-ação intencionalmente orientada a uma práxis que

liberta de e para” (BOFF, 1980, p. 18) Isso implica uma atuação ética por parte dos profissionais, em que é preciso dar-se conta da ausência de liberdade, autonomia e independência, como condição que favorece uma convivência mais opressora e injusta. Precisamos pensar, junto com os jovens, ações criadoras de liberdade, pautados na impossibilidade da dicotomia entre a consciência e a ação (GUARESCHI, 2011). Neste estudo, analiso o protagonismo, como uma práxis libertadora, estando certa de que não se trata de um desenvolvimento harmônico, sucessivo e linear, mas consiste em uma ruptura com o status quo dependente, para que possamos construir uma convivência mais fraterna e humana entre os jovens e para com os estudiosos e profissionais comprometidos com a transformação dessa juventude. Nesse sentido, pensar o protagonismo a partir da Ética da Libertação é um convite que favorece o desenvolvimento de jovens criadores de um mundo novo. Para isso, acrescento algumas categorias de análises para o protagonismo: Fortalecimento, Liderança e a autonomia.

Segundo tais concepções, ao observar os modos de vida da juventude e suas relações na e com as políticas públicas, podemos compreender o cotidiano dos jovens como expressão de suas condições de vida, objetivas e subjetivas, que forjam percepções, valores e ações, que, por sua vez refletem em escolhas e condutas compartilhadas entre eles, como forma de manifestação de seu protagonismo. Após a análise dos materiais obtidos durante a pesquisa de campo, obteve-se Figura 1, com o auxilio do Software Atlas TI. Ela representa a tentativa de apresentar, por meio de esquema de relações, as implicações psicossociais do protagonismo para os jovens.

Figura 1 - Categoria “Implicações psicossociais do protagonismo”

Fonte: elaborado pela autora.

Na Figura 1, percebe-se que as implicações psicossociais do protagonismo estão associadas ao fortalecimento, a liderança e ao reconhecimento social. O fortalecimento está associado à autonomia e tem como causa ou origem o apoio social (representado pelo apoio familiar e institucional) e o grupo de dança. A liderança está associada ao diálogo, ao grupo de dança e a participação. E o reconhecimento está associado à cidadania e tem como causa ou origem o grupo de dança. Por fim, a cidadania aparece associada à autonomia. Todas essas categorias estiveram presentes no modo de vida dos jovens pesquisados e, portanto, é parte das análises que seguem.

Vale saber que essa numeração que aparece entre parênteses representa a quantidade de vezes que a categoria foi identificada e quantidade de articulações com outras categorias, respectivamente.